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O investigador Pedro Miguel Ferrão publicou no Boletim da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, um interessante trabalho intitulado A Casa da Livraria da Universidade de Coimbra ao tempo de D. João V, no qual relembra o caminho que levou à construção da hoje tão conhecida e admirada Biblioteca Joanina.
No séc. XVIII, a biblioteca universitária conimbricense seria transferida para um novo edifício, construído de raiz por iniciativa de D. João V. Vários foram os motivos que contribuíram para a renovação da Casa da Livraria. Desde logo, as obras de remodelação da ala escolar dos Gerais – projetadas nos finais do séc. XVII e concluídas nos começos do século seguinte … os fundos bibliográficos encontravam-se acondicionados numa sala situada no átrio dos Gerais … Ao mexer na antiga construção arquitetónica, afetaram parte da estrutura desta sala, obrigando à transferência em 1705 dos livros para o piso superior, onde se encontrava localizado o cartório. Esta situação tornou-se insustentável, pelo que, em 1716, o novo reitor – D. Nuno da Silva Teles, o segundo deste nome – redige uma carta a D. João V esclarecendo que a Universidade não possuía instalações condignas para albergar os fundos bibliográficos.
…. A resposta do monarca – enviada a 31 de Outubro desse mesmo ano – confirma não só as pretensões do reitor, como autoriza ainda a construção de um edifício próprio no espaço universitário.
…. A escolha recairá numa parcela contígua à Capela de S. Miguel, local onde se encontravam as ruínas do antigo cárcere palatino de finais do séc. XIV, ao tempo de D. João I. Trata-se de um terreno desnivelado que prolongará o anterior terreiro universitário … o arranque da obra acontece … no dia 17 de Julho de 1717, concluída apenas em 1728. Durante os onze anos em que decorrerá este empreendimento, mestres-de-obras, canteiros, entalhadores, pintores, latoeiros, carpinteiros, marceneiros, vidraceiros e outros artífices vão conferindo forma a um projeto que se consubstancia numa das mais sumptuosas e elegantes arquiteturas do período barroco.
…. Um dos enigmas que o edifício encerra reporta-se ao nome do arquiteto que o projetou … É provável que o autor do projeto seja o escultor francês Claude Laprade.
Fachada da Biblioteca Joanina. Op. cit., pg. 64
…. Delineada tendo em consideração o desnível do terreno em que se implanta – com o acesso exterior sul a ser efetuado pelas escadas de Minerva, uma obra construída a partir de 1724 por Gaspar Ferreira – a Casa da Livraria projeta um sóbrio e sólido paralelepípedo, dividido em três andares. O primeiro integra as preexistências do séc. XIV com a função de depósito, enquanto o intermédio se destinava a albergar os gabinetes dos docentes, ao mesmo tempo que cumpria a função de suporte do andar nobre. Este abria-se sobre o pátio universitário, projetado para acondicionar o espólio bibliográfico e para a sua consulta pública.
A fachada sul é animada por duas séries de seis janelas pequenas de vão quadrangular, ao nível do piso intermédio e superior, sobrepujadas por igual número de altas janelas com arco de volta perfeita.
São rematadas por saliente cornija misulada e coroadas por pares de urnas ovadas. A face oeste é rasgada por três janelas cegas de vão semicircular, tendo outras mais pequenas e de formato retangular no seu alinhamento vertical. A fachada virada a norte é formada por quatro janelas e mantém-se original.
…. Na fachada principal sobressai o imponente portal traçando um arco de triunfo, apoiado em mísulas terminais bastante decoradas, e ladeado por dupla e grandiosa colunata jónica, sobrepujado pelo volumoso brasão de armas de D. João V.
Interior da Biblioteca Joanina. Op. cit. 65
…. O esquema do interior é simples: um comprido retângulo subdividido em três salas retangulares que comunicam entre si através de arcos de volta perfeita, repetindo a composição do portal nobre.
Esta sequência de arcos comunicantes vai traçar uma linha axial que nos conduz até à última sala, dirigida ao retrato de D. João V, pintura atribuída a Domenico Duprá (cerca de 1725).
…. Com efeito, na Casa da Livraria reside, de forma indelével, o espírito da esclarecida ação mecenática de D. João V – consagrado mais tarde na nomenclatura adotada que a passará a designar por Biblioteca Joanina –, lugar privilegiado em que a Arte, Cultura e Ciência se conjugam em perfeita harmonia. Autêntico Palácio do Saber, o seu aparatoso cenário traduz uma certa cosmovisão do Homem e da Cultura Barroca do séc. XVIII.
Ferrão, P. M. A Casa da Livraria da Universidade de Coimbra ao tempo de D. João V. In: Boletim da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, vol. 46/47 (2015/2016), pg. 63-72. Acedido em https://impactum-journals.uc.pt/bbguc/issue/view/2184-7681_46_47/156
Em 1549, a Ordem de S. Jerónimo adquirira um terreno junto ao castelo de Coimbra e da porta oriental da cidade para aí se construir um colégio universitário. Já desde 1535 que havia a intenção de se construir em Coimbra um colégio daquela ordem.
…. Ergueu-se o colégio sobre as muralhas da cidade, desde a Porta do Castelo, à qual ficou encostada a igreja, e continuou-se o dormitório para norte, em direção ao Colégio das Artes. Ainda hoje se reconhece bem delimitado o edifício com os seus cubelos de reforço da fachada oriental. O claustro é o elemento organizador da planta do colégio, ocupando uma posição central ladeado pela igreja a sul. O desenho deste espaço é certamente da responsabilidade de Diogo de Castilho.
…. O claustro de S. Jerónimo, começado em 1565, foi o último de uma série que Diogo de Castilho desenhou para vários colégios de Coimbra.
Claustro de S. Jerónimo. Diogo de Castilho. 1565. Op. cit., pág.60.
…. O claustro não forma propriamente um quadrado. É de dois pisos e tem cerca de catorze metros no sentido norte-sul e doze no sentido este-oeste.
…. As galerias térreas são cobertas por abóbadas de meio-canhão, apoiadas numa mísula contínua e revestidas de caixotões … O segundo piso separa-se do de baixo por uma cimalha …. Observando o claustro anterior de S. Tomás, que ainda se preserva no interior do Palácio da Justiça, pode-se ter ideia do aspeto original do andar superior do claustro de S. Jerónimo …. preserva um ar de recolhimento conventual.
…. A igreja do Colégio ocupava o imponente volume que se ergue no extremo sul do edifício, profundamente alterado em finais do século passado.
Igreja de S. Jerónimo. Diogo de Castilho. 1565-? Axonometria. Op. cit., pág. 63.
Exteriormente conservam-se da igreja primitiva apenas os quatro cunhais e o cornijamento do alçado sul, alçado lateral da igreja …. À esquerda da antiga fachada resta também o arranque da torre da igreja …. Do espaço interior da igreja sobram apenas duas capelas laterais.
…. Por ocasião das obras de adaptação do Colégio de S. Jerónimo a hospital, o espaço da nave da igreja foi preenchido com dois andares intermédios.
…. A gravura do inglês Vivian, do Séc. XIX, mostra toda a extensão do alçado nascente do Colégio de S. Jerónimo com os cinco cubelos de reforço que ainda se mantêm ….
Estampa … G. Vivian … Da esquerda para a direita, avista-se a Igreja de S. Jerónimo, junto ao Arco do Castelo, a torre que lhe ficava encostada e o grande edifício do Colégio de S. Jerónimo. Op. cit., pág. 64.
No extremo esquerdo da gravura pode-se ver a igreja de S. Jerónimo e a respetiva torre. Pouco acima da parte que resta da torre rasgavam-se as ventanas que deveriam ser uma em cada face.
…. Das estampas referidas pode-se constatar que a planta da igreja de S. Jerónimo é claramente inspirada na anterior igreja da Graça, de Diogo de Castilho, construída entre 1543 e 1555.
…. Sobre a entrada da nave da igreja de S. Jerónimo existia … um coro alto.
…. Do Colégio do Séc. XVI resta ainda praticamente todo o pavimento térreo da ala nascente, sobre a muralha. De sul para norte, a partir da igreja, existe a antiga sacristia ladeada por um pequeno oratório, ambas as salas com ligação ao claustro e com abóbadas revestidas de caixotões, perpendiculares àquele. Segue-se-lhes uma outra divisão, de abóbada longitudinal de sete tramos de quatro caixotões. Terminam esta parte do edifício o antigo refeitório, com teto em estuque pintado, do Séc. XVIII, e a antiga cozinha onde hoje se encontra um pequeno anfiteatro …. Do colégio original é também a sala abobadada … a norte do claustro, no rés-de-chão …. No rés-de-chão ficou um átrio, iluminado do exterior, mantendo-se os quatro grandes arcos e a galeria adjacente coberta por abóbadas de aresta.
…. Atualmente de três andares, a composição setecentista deveria resumir-se aos dois pisos inferiores. A porta de entrada é ladeada por duas colunas-hermes que suportam um frontão ondulado interrompido, em composição própria do reinado de D. João V. Por cima ficam três portas-sacadas, correspondentes ao espaço de receção do primeiro andar, que ligava a escadaria às salas sobre o claustro e ao corredor central das celas, no lanço nascente. Toda esta zona é também, obviamente, obra do Séc. XVIII. O átrio de entrada no rés-de-chão comunica diretamente com a escadaria monumental, à esquerda, e com o claustro, do lado oposto.
Colégio de S. Jerónimo. Escadaria monumental, da primeira metade do século XVIII, e arcaria da mesma época (?). Op. cit. pág., 65
Costa Simões.1890. Projeto completo para os HUC… Op. cit., pág. 134
…. Com a extinção das ordens religiosas, pelo célebre decreto de 1834, ficou o edifício abandonado, tendo sido entregue à Universidade no ano de 1836. Em 1848 foi destinado para hospital e mais serviço da Faculdade de Medicina.
Lobo, R.P.M. Os Colégios de Jesus, das Artes e de S. Jerónimo. Evolução e Transformação no Espaço Urbano. 1999. Coimbra, Departamento de Arquitetura da Faculdade de Ciências e Tecnologias.
Um dos itinerários pela cidade que Carlos Santarém Andrade, um Amigo que cedo partiu, organizou e designou, Passear na Literatura, foi o dedicado a Miguel Torga, com o sugestivo subtítulo de um verso do Poeta … A ver correr, / Serenas, / As águas do Mondego.
Passear na Literatura. Miguel Torga. Capa
Para além de uma breve biografia do Mestre, foram então recordados os lugares mais marcantes da sua presença em Coimbra. Breve biografia e imagens, algumas com legendas de Carlos Santarém Andrade, que agora recordamos.
Adolfo Correia da Rocha nasceu em São Martinho de Anta, em Trás-os-Montes, em 1907. Depois de concluir a escola primária na sua terra natal e após uma breve passagem pelo Seminário de Lamego, ruma ao Brasil, com 13 anos de idade. Em 1925 regressa a Portugal, chegando a Coimbra no Outono desse ano, a fim de tirar um curso.
Para ingressar na Universidade precisava primeiro de fazer o curso liceal. Instalado num pequeno colégio na Estrada da Beira (hoje Rua do Brasil), faz os cinco primeiros anos em apenas dois.
Morando depois numa casa ao fundo da Ladeira do Seminário, conclui num só ano os dois que lhe faltam, frequentando o Liceu José Falcão, então sediado no antigo Colégio Universitário de S. Bento, sobranceiro ao Jardim Botânico.
Matriculado na Faculdade de Medicina, em 1928, publica então o seu primeiro livro, «Ansiedade».
Frequentador da tertúlia literária da «Central» hão tarda a sua colaboração na «Presença», em 1929, altura em que muda para a república «Estrela do Norte» (na sua ficção «Estrela de Alva»), também na Ladeira do Seminário, n.º 6.
Com a chancela da «Presença» vem a lume o seu segundo livro, «Rampa», em 1930. No entanto, em breve se dá a sua cisão com o movimento presencista. juntamente com Edmundo Bettencourt e Branquinho da Fonseca. Com este, que usa o pseudónimo de António Madeira, edita a revista «Sinal», de que apenas sai um número. A par dás estudos médicos a sua obra literária prosseguia, com os contos de «Pão Ázimo» e os poemas de «Tributo», em 1931, ou «Abismo», também de versos, saídos dos prelos da «Atlântida». Em todos eles usa ainda o seu nome civil, Adolfo Rocha. Finalmente, conclui o curso, em dezembro de 1933.
Andrade, C. S. Passear na Literatura, A ver correr, / Serenas, / As águas do Mondego. Sem data. Coimbra. Edição do Departamento de Cultura da Câmara Municipal de Coimbra.
Na Introdução à obra O Batalhão Académico de 1645. Jornada da Universidade de Coimbra a Elvas em 1645, por Augusto Mendes Simões de Castro e documentos anexos,
Folha do rosto do livro
Salienta, nomeadamente, Mário Araújo Torres:
No presente volume, recolhem-se elementos relevantes para o enquadramento histórico do Batalhão de 1645, constituído em resposta a solicitação dirigida por D. João IV ao Reitor da Universidade de Coimbra, D. Manuel de Saldanha, que pessoalmente comandou os 630 estudantes, organizados em 6 companhias e enquadrados por alguns professores, que marcharam para o Alentejo, em defesa da praça de Elvas, ameaçada pelas tropas espanholas.
Devemos a Augusto Mendes Simões de Castro (Coimbra, 1845-1932) a primeira recolha e divulgação dos mais importantes documentos sobre a organização e atividade deste Batalhão, que publicou, precedida de um estudo intitulado "Jornada da Universidade a Elvas em 1645", na revista «O Instituto», vol.16°,1875, pp. 91-96, que esteve na origem do seu «Jornada da Universidade de Coimbra a Elvas em 1645» (Elvas, Tipografia Progresso, 1901 ).
Novos contributos foram aditados por Manuel Lopes de Almeida «Notícias da Aclamação e de outros sucessos» (Coimbra, Tipografia Atlântida, 1940) e por Lígia Cruz, «Alguns contributos para a história da restauração em Coimbra – Reinado de D. João IV» (Coimbra, Biblioteca Municipal de Coimbra, 1982).
Partindo desses elementos e desenvolvendo-os através de novas pesquisas, no presente volume reúnem-se o estudo inaugural de Augusto Mendes Simões de Castro, os principais documentos coevos (com relevo para a correspondência entre D. João IV e o Reitor D. Manuel de Saldanha e para os relatos de participantes na jornada a Elvas, a organização e composição do Batalhão Académico e uma seleção da produção poética inspirada por esses acontecimentos. A figura central da jornada da Universidade de Coimbra a Elvas foi indubitavelmente a de D. Manuel de Saldanha.
…. D. João IV confirmou D. Manuel de Saldanha como Reitor em 24 de dezembro de 1640,
Op. cit., pg. 22
reconduzindo-o por duas vezes, em 14 de novembro de 1641 e 17 de maio de 1642 com poderes de Reformador dos Estatutos vigentes, que eram os que haviam sido confirmados em 20 de julho de 1612. Após demorado processo, a revisão dos Estatutos foi finalmente aprovada em 15 de outubro de 1653, tendo D. Manuel de Saldanha promovido a sua edição, no ano seguinte, na oficina de Tomé Carvalho, impressor da Universidade, ostentando no seu frontispício a insígnia da Universidade, desenhada por Josefa de Óbidos.
Op. cit., pg. 23
D. Manuel de Saldanha esteve representado por D. André de Almada, seu antecessor na Reitoria da Universidade, nas Cortes reunidas em janeiro de 1641, e participou pessoalmente nas Cortes de agosto de 1642.
Deputado da Inquisição de Évora e de Lisboa, foi designado por D. João IV como Bispo de Viseu (1642) e de Coimbra, dignidades que não foram reconhecidas pela Santa Sé.
Como Reitor da Universidade, promoveu, a repetidas instâncias de D. João IV, a aprovação do «juramento da Conceição», que viria finalmente a ser decretado no Claustro Pleno de 20 de julho de 1646, e solenemente proclamado no seguinte dia 28, em cerimónia celebrada na Capela de S. Miguel, efeméride comemorada em lápide colocada junto ao altar de Nossa Senhora da Luz.
Lápide. Imagem acedida em https://ar.pinterest.com/pin/448671181621207799/ .
Devem-se à sua iniciativa diversas obras no Paço das Escolas, designadamente na Sala do Exame Privado, em cujas paredes mandou colocar os retratos dos Reitores seus antecessores, e na Sala dos Capelos, onde determinou a construção de novo teto e a abertura de várias frestas ou janelas, no intervalo das quais se inseriram retratos dos Reis portugueses.
Sala dos Capelos. Acervo RA
Em junho de 1649, colocou, em nome de D. João IV, a primeira pedra do novo Convento de Santa Clara, mandado edificar no cimo do Monte da Esperança.
Na Serra do Buçaco, fundou a Ermida de S. José, cuja construção se iniciou em 3 de setembro de 1643 e onde foi sepultado.
Faleceu em 15 de agosto de 1659.
Castro, A. M. Simões. 2023. O Batalhão Académico de 1645. Jornada da Universidade de Coimbra a Elvas em 1645, por Augusto Mendes Simões de Castro e documentos anexos. Recolha de textos, introdução e notas por Mário Araújo Torres. Lisboa, Edições Ex-Libris.
O Dr. Mário Araújo Torres prossegue na sua cruzada de relembrar livros esquecidos relacionados com a história de Coimbra.
Neste contexto, acaba de editar, sob a chancela das Edições Ex-Libris, um livro com o título O Batalhão Académico de 1645. Jornada da Universidade de Coimbra a Elvas em 1645, por Augusto Mendes Simões de Castro e documentos anexos. Recolha de textos, introdução e notas por Mário Araújo Torres.
Estamos perante mais uma pedra do edifício que tem vindo a construir, – a expensas suas, nunca é demais recordar – e que muito honra a Cidade.
No que me diz respeito, fica, mais uma vez, o meu OBRIGADO.
O Batalhão Académico de 1645, capa do livro
Na contracapa é referido:
Ao longo dos séculos, os estudantes de Coimbra, organizaram-se em «Batalhões Académicos», quer para a defesa da independência nacional, como foi o caso de 1645, face à ameaça de invasão castelhana, no âmbito da «Guerra da Restauração» (1641-1668), e em 1808-1811, resistindo às três invasões francesas, no quadro da «Guerra Peninsular (1897-1814), quer para a defesa da liberdade dos seus concidadãos contra ameaças de despotismo, como em 1826-1828 e 1830-1834 enfrentado o «absolutismo miguelista», e em 1846-1847, reagindo ao cabralismo («Revolta do Minho» do Batalhão Académico de 1645, constituído em resposta ou da «Maria da Fonte e Revolução da Patuleia»).
Na sequência da edição de «O Corpo Militar Académico de 1808 a 1811» e de «O Batalhão Académico de 1846-1847», no presente volume recolhem-se elementos relevantes para o enquadramento histórico do «Batalhão Académico de 1645», constituído em resposta a solicitação dirigida por D. João IV ao Reitor da Universidade de Coimbra, D. Manuel de Saldanha, que pessoalmente comandou os 630 estudantes, organizados em 6 companhias e enquadrados por alguns professores, que marcharam para o Alentejo, em defesa da praça de Elvas, ameaçada por tropas espanholas.
Para além da reprodução do estudo de Augusto Mendes Simões de Castro, «Jornada da Universidade de Coimbra a Elvas em 1645» (Elvas, Tipografia Progresso, 1901),
Op. cit., pg. 17
reorganizaram-se e complementam-se as recolhas de documentos coevos, designadamente correspondência entre D. João IV e D. Manuel Saldanha.
Transcrição de uma carta de D. João IV para D. Manuel Saldanha. Op. cit., pg. 50
e relatos da jornada por participantes nela, feitos por Simões de Castro e prosseguidas por Manuel Lopes de Almeida (1940) e Lígia Cruz (1982).
Reelaboraram-se e atualizaram-se os elementos recolhidos por esta última relativos à organização e composição do Batalhão Académico.
Finalmente insere-se uma seleção da vasta produção poética que o evento suscitou, quer de natureza narrativa (poema de Semão Torresão Coelho, quer jocosa (poemas de João Sucarelo Claramonte e de Santos de Sousa).
Castro, A. M. Simões. 2023. O Batalhão Académico de 1645. Jornada da Universidade de Coimbra a Elvas em 1645, por Augusto Mendes Simões de Castro e documentos anexos. Recolha de textos, introdução e notas por Mário Araújo Torres. Lisboa, Edições Ex-Libris.
Em 1921 as Escolas Superiores de Farmácia passaram ao estatuto de Faculdades. Contudo foi no ano-letivo de 1921/1922 que se implementou a nova reforma de estudos cujo regulamento data de agosto de 1921.
Insignias doutorais da Faculdade de Farmácia
Pelo meio ficavam outras etapas e reformas relevantes: por exemplo, em 1902 houve uma reforma profunda da Escola de Farmácia e do plano de estudos e pela primeira vez o ensino farmacêutico passou a ser considerado superior.
Em 1911 uma nova reforma do plano de estudos conferiu autonomia do curso relativamente à Faculdade de Medicina, na senda das reformas de ensino promulgadas pela jovem República.
Em 1915 a Escola de Farmácia inaugurou instalações próprias na chamada Casa ou Palácio dos Melos cedida anos antes para o ensino farmacêutico e que se veio a transformar num símbolo do ensino da farmácia em Portugal.
Faculdade de Farmácia. Casa dos Melos.1937. Imagem acedida em https://www.uc.pt/ffuc/patrimonio_historico_farmaceutico
Em 1918 uma nova reforma do plano de estudos e da Escola estabeleceu a designação de Escola Superior de Farmácia. Um ano depois a Escola de Farmácia passou a conceder o grau de licenciado. Em 1928 foi decretada a extinção da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, embora tenha continuado o seu funcionamento, surgindo novamente em 1932 com a designação de Escola.
Estas medidas de extinção e de ressurgimento da Escola enquadram-se num conjunto de medidas restritivas nas instituições de ensino executadas no Estado Novo. Somente em 1968 a Escola de Farmácia da Universidade de Coimbra passou, novamente, ao estatuto de Faculdade.
De então para cá, a Faculdade teve novos Estatutos, passou por diferentes reformas de ensino e fixou-se em novas e modernas instalações no Pólo III da Universidade em 2009 de acordo com os mais adequados parâmetros internacionais.
Faculdade de Farmácia nos dias de hoje. Polo III, da Universidade de Coimbra. Imagem acedida em https://www.uc.pt/ffuc
Toda esta história do ensino farmacêutico na Universidade de Coimbra, que é parte da história do ensino farmacêutico em Portugal, está bem conservada no Arquivo da Universidade de Coimbra (AUC). Os estudos que temos realizado na história da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra ao longo de mais de três décadas dão-nos autoridade para afirmar que, com efeito, esta prestigiada instituição conserva documentação importantíssima relativa ao ensino farmacêutico na Universidade de Coimbra.
A exposição comemorativa do centenário da Faculdade de Farmácia dá a conhecer uma pequeníssima parte desses documentos em vários momentos da história da instituição e que se encontram magnificamente conservados e catalogados. Leva-nos a uma viagem no tempo, justamente através das diferentes etapas do ensino farmacêutico na Universidade de Coimbra.
Imagem acedida em https://www.uc.pt/ffuc
Gostaríamos de salientar a boa receção que a proposta de exposição teve por parte da Senhora Diretora do AUC, Professora Doutora Maria Cristina Freitas, o nosso bem-haja. Também queremos expressar o nosso mais sentido agradecimento à Senhora Dr.ª Ana Maria Bandeira pela seleção dos documentos e organização da exposição que acompanhámos desde a primeira hora, bem como ao Senhor Dr. Ilídio Barbosa Pereira pela execução do catálogo.
Tal como em 1996, ano em que o Arquivo da Universidade também se associou às comemorações do 75.º centenário da Faculdade de Farmácia, também no centenário da nossa instituição o Arquivo da Universidade se associa numa manifestação de solidariedade institucional e de importante demonstração de vitalidade científica.
AUC. 100 anos de Faculdade de Farmácia. Universidade de Coimbra. Exposição documental. Arquivo da Universidade de Coimbra. Fevereiro-Março 2022. Acedido em https://www.uc.pt/auc/article?key=a-cb0df61dab
No Arquivo da Universidade de Coimbra esteve patente uma muito interessante exposição intitulada 100 anos de Faculdade de Farmácia. Do seu Catálogo
Catálogo, capa
extraímos as imagens, sem referência, que integram a entrada de hoje, bem como o texto, assinado pelo Professor daquela Faculdade, Doutor João Rui Pita, com o título Comemoração do centenário da Faculdade de Farmácia no Arquivo da Universidade de Coimbra (1921-2021) que abaixo se cita.
O ensino farmacêutico na Universidade de Coimbra é o mais antigo de Portugal e dos mais antigos no panorama internacional.
Com efeito, foi nos finais do século XVI que se iniciou na Universidade de Coimbra a aprendizagem da arte de botica com a fundação de um curso de boticários. Reinava em Portugal D. Sebastião. Era um curso prático com matrícula na Universidade e aprendizagem prática em boticas.
Há outras datas e momentos igualmente muito marcantes na história do ensino farmacêutico na Universidade de Coimbra. Desde logo, o curso de boticários fundado em 1772 pela reforma pombalina da Universidade de Coimbra e que foi herdeiro do curso anteriormente referido.
Carta da Arte de Boticário, passada aos 21 de novembro de 1777
Com a reforma de Pombal, pela primeira vez, a Universidade de Coimbra passou a ter um local para o ensino da farmácia – o Dispensatório Farmacêutico do também recém-fundado Hospital Escolar.
Instrumentos da indústria famacêutica. Património histórico-farmacêutico da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra. Foto: Paulo Amaral©DCom.UC
[cf. https://www.uc.pt/ffuc/patrimonio_historico_farmaceutico]
Em 1836 foi fundada a Escola de Farmácia anexa à Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e que resultou de uma profunda alteração do regime de estudos de 1772. Foram também fundadas congéneres escolas em Lisboa e Porto, resultando esta institucionalização das medidas levadas a bom termo no ensino em Portugal, por Passos Manuel.
AUC. 100 anos de Faculdade de Farmácia. Universidade de Coimbra. Exposição documental. Arquivo da Universidade de Coimbra. Fevereiro-Março 2022. Acedido em https://www.uc.pt/auc/article?key=a-cb0df61dab
Mas, se a Cidade consolidou um Poeta, a Universidade não formou um Bacharel.
Universidade, Via Latina, in: Passear na Literatura. António Nobre
“Olha... São os Gerais, no intervalo das aulas.
Bateu o quarto. Vê! Vêm saindo das jaulas
Os estudantes, sob o olhar pardo dos lentes.”
«Só — Carta a Manuel»
De novo reprovado, António Nobre sai de Coimbra:
Quando vem Julho e deixo esta cidade,
Batina, Cais, tuberculosos céus,
Vou para o Seixo, para a minha herdade:
Adeus, cavaco e luar! choupos, adeus!
O regresso, em Outubro, é breve. Demora-se o suficiente para tratar de papéis que precisará para se matricular em Paris, na Faculdade de Direito, cujo curso terminará em 1895.
E também para as despedidas. E nesses breves dias instala-se na “sua” Torre de Anto “onde um só homem vivia, que era o Anto encantado, na sua Torre”, e que para sempre ficará ligada ao poeta do “Só”.
Torre de Anto, in: Passear na Literatura. António Nobre
“Mas que surpresa ao despertar: imaginarás o que é a gente abrir o olho, repleto de tanta imagem deste século XIX e deparar encantado com a Idade Média em frente, pelos lados, sobre e sob? Oh, a Torre! Levantei-me entusiasmado e fui abrir as ogivas talhadas nestas pedras milenares e, ao ver toda a Coimbra outonal, essa paisagem religiosa, milagrosa, o Mondego sem água, os choupos, meus queridos corcundas, sem folhas e Vergados pelos anos, — pareceu-me que estava num mundo extinto, todo espiritual, onde só um homem vivia, que era o Anto encantado, na sua Torre.”
«Carta a Alberto de Oliveira, 4 Outubro 1890»
Partia de Coimbra, dizia adeus às margens do Mondego. Mas transportava consigo a saudade.
Coimbra, in: Passear na Literatura. António Nobre
“Que lindas coisas a lendária Coimbra encerra!
Que paisagem lunar que á a mais doce da terra!
Que extraordinárias e medievas raparigas!
E o rio? e as fontes? e as fogueiras? e as cantigas?”
«Só – Carta a Manuel»
Monumento a António Nobre, no Penedo da Saudade, inaugurado em 30 de Outubro de 1939. in: Passear na Literatura. António Nobre
E, muitos anos mais tarde, quando procura em Lausana a cura para o mal que em breve lhe leva a curta vida, evoca, emocionado, a “Coimbra sem par, flor das Cidades”:
"Todas as tardes, vou Léman acima,
(E leve o tempo passa nessas tardes)
A pensar em Coimbra. Que saudades!
Diogo Bernardes deste meigo Lima.
Na solidão, pensar em ti, anima,
Oh Coimbra sem par, flor das Cidades!
Os rapazes tão bons nessas idades
(Antes que a vida ponha a mão em cima)
Alegres cantam nos teus arrabaldes,
Por mais que tire vêm cheios os baldes,
Mar de recordações, poço sem fundo!
Freirinhas de Tentúgal, passos lentos!
É chá com bolos, dentro dos conventos!
Meu Deus! e eu sempre a errar no Mundo!"
Carlos Santarém Andrade
Andrade, C.S. Passear na Literatura. António Nobre. S/d. Coimbra, Câmara Municipal
António Nobre não passa despercebido na Coimbra de então. Os poemas dispersos já publicados, o esguio da sua figura, a palidez do rosto, o singular modo de vestir a capa e batina, fazem-no sobressair de entre os seus pares.
Fotografia do Poeta. In: Passear na Literatura. António Nobre
À mesa do «Lusitano», sede das tertúlias boémias e literárias, naquele século XIX de todos os poetas, vai nascer uma revista, grito de uma geração que quer deixar em páginas impressas a afirmação do seu pensar. E surge assim A «Bohemia Nova», que na sua efemeridade, é a presença de uma nova poesia, que desencadeará um vendaval de apaixonadas discussões literárias.
Imagem acedida em https://almamater.uc.pt/republica/item/65714
O fim do ano escolar aproxima-se, e com ele a deceção dolorosa de um ano perdido, com a “quadrilha” de lentes, nas suas próprias palavras, a negar-lhe a aprovação.
Após as férias, no regresso a Coimbra, António Nobre, no acto da matrícula, dá como morada a “Estrada da Beira”.
Estrada da Beira. In: Passear na Literatura. António Nobre
“Vejo o meu quarto de dormir, todo caiado,
Donde ouvia arrulhar as pombas no telhado;
Oiço o relógio a dar as horas vagamente,
Devagar, devagar, como os ais dum doente;”
«Só — Na Estrada da Beira»
Se aí não vem a viver, ficará para sempre ligado a essa rua pelo grande amor da sua vida, Margarida Lucena, a sua Margareth, que cantou em versos, com o nome de «Purinha»:
«Aquela, que, um dia, mais leve que a bruma,
Toda cheia de Véus, como uma espuma,
O Senhor Padre me dará para mim
E a seus pés, me dirá, toda coroada: Sim!»
E entre os fugazes encontros no Jardim Botânico e as novenas nas Ursulinas, a casa amada na “Estrada da Beira”:
«Vejo o teu Iuar e a ti, tão pura, tão singela,
E vejo-te a sorrir, e vejo-te à janela
Quando eu seguia para as aulas, manhã cedo,
Ansiosa, olhando dentre as folhas do arvoredo,
Olhando sempre até eu me sumir, a olhar,
Que às vezes não me fosse um carro atropelar.»
Durante o ano letivo, mora numa casa que dá, por um lado, para a Rua do Correio (hoje Joaquim António de Aguiar) e por outro, para o Beco da Carqueja, mesmo ao pé “de uma das melhores coisas de Coimbra, a Sé Velha; é uma esplêndida igreja, estilo mourisco, que eu tanto desejaria transportar para a Boa Nova, fazendo dela o tão desejado Torreão”.
Beco da Carqueja, in: Passear na Literatura. António Nobre
“Moro, já sabes, no Beco da Carqueja: beco célebre, a que se refere, na sua História de Portugal, o Oliveira Martins. Aqui, numa casa vizinha (nesta quem sabe?), houve uma associação secreta composta de estudantes e conhecida popularmente pelo “Bando da Carqueja”, cujos fins, atém de políticos olhavam a guerrear os Isentes e aquela Universidade:”
«Carta a Alfredo de Campos, 9 Janeiro 1890»
Beco da Carqueja, in: Passear na Literatura. António Nobre
“Não escrevi e gastei, ou antes estraguei duas folhas de papel: uma por hesitar na preferência das minhas duas adresses— Beco da Carqueja, 114 Correio;
...Queria antes de acabar, falar-te desta República a que os meus companheiros, talvez influenciados pela epidemia-Dandy— chamam Le Château jaune.
«Carta a Alberto de Oliveira, 9 Janeiro 1890»
Das janelas da sua nova casa, espraiando a vista, olha-se o rio, que lhe inspira quadras como esta, que irá entrar no folclore coimbrão:
«Vou encher a bilha e trago-a
Vazia como a levei!
Mondego, qu’é da tua água.
Qu’é dos prantos que eu chorei?»
E lá mais longe, o Choupal, que lhe guia a mão nos versos que compôs:
«O choupo magro e velhinho,
Corcundinha, todo aos nós,
Es tal qual meu avôzinho:
Falta-te apenas a voz.
Fui plantar o teu cabelo
Entre os choupos, no Choupal,
E nasceu, anda lá vê-lo,
Um choupinho tal e qual.
Ó boca dos meus desejos
Onde o padre não pôs sal,
São morangos os teus beijos,
Melhores que os do Choupal!»
Andrade, C.S. Passear na Literatura. António Nobre. S/d. Coimbra, Câmara Municipal
Carlos Santarém Andrade organizou há alguns anos uma série de percursos que intitulou Passear na Literatura, tendo elaborado, para cada um, textos ilustrados que merecem ser relembrados. Recordamos o percurso dedicado a António Nobre.
Passear na Literatura. António Nobre, capa
«Vem a Coimbra. Hás-de gostar, sim meu amigo.
Vamos! Dá-me o teu braço e vem daí comigo.»
Passear na Literatura. António Nobre, pormenor de capa
Passear na Literatura. António Nobre, contracapa
Em Outubro de 1888, após a pacatez das férias, Coimbra retoma o seu bulício característico, com o regresso às aulas e a chegada de novos alunos que vêm frequentar a Universidade. Entre eles está António Nobre, que vem cursar Direito.
Instala-se numa casa junto ao Penedo da Saudade, então fora do perímetro urbano, de cuja janela disfruta a bucólica paisagem a que o Penedo é sobranceiro, cuja amplidão recortada de quintas e olivais contrasta com o estreito emaranhado das ruas da cidade.
“O Penedo da Saudade é, na verdade, o único sítio em que se podia viver: à janela do meu quarto, que dá para as bandas de onde nasce o sol, passo eu infinitos segundos meditando na minha vida que é ainda mais triste do que eu.”
Carta Augusto de Castro, 18 Outubro 1888
As duras praxes estudantis, o tédio das aulas, o rigor universitário, são para o poeta uma amarga experiência:
«Hoje, mais nada tenho que esta
Vida claustral, bacharelálica, funesta,
Numa cidade assim, cheirando, essa indecente,
Por toda a parte, desde a Alta à Baixa, a tente
E ao pôr do Sol, no Cais, contemplando o Mondego,
Honestos bacharéis são postos em sossego
E mal a cabra bala aos ventos os seus ais,
“Speech" de quarto de hora em palavras iguais,
Os tristes bacharéis recolhem às herdades,
Como na sua aldeia, ao baterem as Trindades.»
Mas o fascínio da cidade não o pode deixar indiferente:
«Contudo, em meio desta fútil coimbrice,
Que lindas coisas a lendária Coimbra encerra!
Que paisagem lunar que é a mais doce da Terra!
Que extraordinárias e medievas raparigas!
E o rio? e as fontes? e as fogueiras? e as cantigas?»
E, depois, há ainda os amigos:
«O que, ainda mais, nesta Coimbra de salgueiros
Me vale, são os meus alegres companheiros
De casa. Ao pé deles é sempre meio-dia:
Para isso basta entrar o Mário da Anadia.
Até a morte é branca e a Tristeza vermelha
E riem-se os rasgões desta batina velha!»
E, para quebrar a “vida claustral”, nada como os passeios pelos arrabaldes:
«Manuel, vamos por aí fora
Lavar a alma, furtar beijos, colher flores,
Por esses doces, religiosos arredores,
Que vistos uma vez, ah! não se esquecem mais:
Torres, Condeixa, Santo António dos Olivais,
Lorvão, Cernache, Nazaré, Tentúgal, Celas!
Sítios sem par! onde há paisagens como aquelas?
Santos lugares onde jaz meu coração,
Cada um é para mim uma recordação…»
Andrade, C.S. Passear na Literatura. António Nobre. S/d. Coimbra, Câmara Municipal
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