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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 26.03.19

Coimbra: António Nobre e a paisagem de Coimbra

Coloquemos António Nobre em Coimbra. Ele que já antes de ser um tísico declarado no corpo o era, da alma … em Coimbra vem encontrar o seu meio próprio, uma terra carinhosa que o compreende, que lhe dá alguma felicidade. Que o compreende …, melhor: que ele molda em si. Aqui a luz inapagável do seu eu encontra à vontade chapas a impressionar.

António Nobre, estudante de Coimbra.jpg

António Nobre, estudante de Coimbra

E porquê? Porque Coimbra é … essencialmente sombras. Nobre, o estudante sentimental, enrodilha-se no fio da tradição coimbrã, caracterizadamente estudantil – e pouco luta para se libertar; mas até essa pequena luta, esse viver ativo encontra almas que o compreendem: as dos seus companheiros, moços como ele, com muitos dos defeitos dele, representantes de Portugal inteiro, cera moldável pelas mãos dum artista.
…. Coimbra oferece-lhe monumentos que séculos carcomiram, ruas calcadas por muitas gerações, casas cujas paredes estão negras de ver passar milhares de capas. Tudo evoca o passado; por toda a parte há sombras.

Torre de Anto, onde António Nobre viveu.jpg

Torre de Anto, onde António Nobre viveu

… É atingido duma doença estranha que ele próprio diagnostica: «medievalite». Vive numa torre de velhas eras que antropomorfiza:

«Pelos seus muros verde suor escorre
Porque há mil anos que ela está de pé.»

… «Certamente morro com uma torrite. Tem sido tal a minha adoração por ela («a torre»), nestes dias, que chego a ter uma verdadeira obsessão, andando a escrever a lápis por todas as ogivas, por todas as portas, por todos os cantos: «Anto»! «Anto»! «Torre-de-Anto»!

…. Mas Nobre não ama só o passado: ama tudo onde possa espelhar o seu ideal. Tudo isso – e só isso. Era um artista: a bela paisagem coimbrã tinha de o compreender; melhor: tinha de ser por ele compreendida. Idealismo na alma – realismo na obra: Nobre entende, por exemplo os choupos, de que tanto fala: anima-os como anima a torre de onde os choupos se veem:

«Georges entra e vê: o sol que entre os choupos morre
E a velha Coimbra anoitecendo, vê!»

Monumento a António Nobre no Penedo da Saudade.jp

Monumento a António Nobre no Penedo da Saudade

…. Pelo exposto bem se compreende, julgo, o grande amor de António Nobre por Coimbra. Coimbra era … como que a sua casa ideal, cheia de tradição, envolvida por uma paisagem sombria, dormindo ao som do fado e das guitarradas … Ainda ele não havia começado o seu peregrinar pelo mundo, e já afirmava que em parte alguma existia paisagem com esta:

«Que lindas coisas a lendária Coimbra encerra!
Que paisagem lunar que é a mais doce da Terra!
Que extraordinárias e medievas raparigas!
E o rio? e as fontes? e as fogueiras? e as cantigas?»

Arnaut, S. D. 1967. António Nobre e a paisagem de Coimbra. Coimbra, Livraria Almedina.

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por Rodrigues Costa às 11:28

Terça-feira, 16.02.16

O passado e o presente da Canção de Coimbra como Oferta Turística, 6.ª feira 18h00

 

Ciclo de conversas: Canção de Coimbra – Cultores e Repertórios
No âmbito da animação do Núcleo da Guitarra e do Fado de Coimbra do Museu Municipal, instalado na Torre de Anto, promovida pela Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra

Primeira sessão: 19 de Fevereiro de 2016, 6.ª feira, pelas 18h00, na Torre de Anto

Tema: O passado e o presente da Canção de Coimbra como Oferta Turística
A decorrer em dois tempos: o primeiro em que será abordada, de uma forma necessariamente muito simples o que se julga ser a informação teórica mínima para uma discussão adequada do tema; um segundo tempo, o de debate, em que se procurarão alcançar algumas conclusões.

Responsável pela reflexão e animação do debate: Rodrigues Costa
Nascido na Alta de Coimbra, liderou a equipa que organizou e realizou os primeiros Seminários de Fado. Professor jubilado do ensino superior, na área do turismo.

 

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por Rodrigues Costa às 10:38

Quarta-feira, 02.12.15

Coimbra, o Colégio da Sapiência 1

Dado o destino que os seus Colégios tiveram, os Crúzios logo pensaram em edificar um Colégio que substituísse aqueles … Melhor local não poderia escolher que o vasto planalto, levemente inclinado para poente, sobranceiro aos Mosteiro de Santa Cruz, dentro da Muralha, onde os Crúzios ocupavam uma Torre onde tinham os sinos do Mosteiro, conhecida por Torre de Santa Madalena, ou Torre Velha dos Sinos … alguns casebres e terras de cultura, tudo vizinho da oficina de canteiros de João de Ruão, que agora se sabe ali vivia num beco que tinha o seu nome. Aquela torre, entre a Torre do Prior do Ameal e a Torre de Preconeo, é referida no desenho de Moefnagel, e tinha próximo a capela de Santa Madalena, propriedade dos Crúzios, e que dava o nome à Torre … entre os terrenos que os Crúzios adquiriram estava um confinante com a conhecida Torre do Prior do Ameal … Em Julho de 1552 é assinado o primeiro contrato de escambo entre a Câmara e o Mosteiro, contrato em que este cedia àquela o domínio direto de duas casas na Rua do Coruche ‘que he das boas da cidade’, recebendo em troca um ‘pedaço de chão à Porta Nova’, com seu muro e barbacã, e o domínio direto das torres e muros aforados ao licenciado João Vaz.
… Ultrapassadas as dificuldades da aquisição dos terrenos … logo no dia 30 de Março de 1593 se iniciaram as obras, sob traça do arquiteto Filipe Tércio … é naquele dia que é feito solenemente o assento da primeira pedra do novo Colégio … A construção, não obstante rápida dado o volume enorme que tinha, foi sofrendo sobressaltos. Para darem um pouco mais de largura à construção, os Crúzios apropriaram-se de boa parte da rua medieval conhecida por rua ‘que ia da Porta Nova à Sé’, com a projeção aproximada da hoje Rua do Colégio Novo, e assim em domínios da Sé. O Cabido logo interpôs embargos … acabando a contenda por ser solucionada com a transferência para o Cabido de uma propriedade na Beira, pertença dos Crúzios,

Silva, A.C. 1992. A Criação e Levantamento do Colégio da Sapiência (vulgo Colégio Novo). Coimbra, Santa Casa da Misericórdia de Coimbra. Pg. 16 a 20

 

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por Rodrigues Costa às 09:52


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