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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 02.06.16

Coimbra e o Teatro que aqui se fez no ano de 1900

Em 21, 22, 23 e 24-I, foram levadas à cena, por uma companhia lírica italiana... as óperas Trovador, Rigoleto, Fausto e Baile de máscaras.

Em 3-II, pela Sociedade Dramática Recreativa do Alto de Santa Clara... a farsa Uma mulher por duas horas, as comédias Simplício Castanha & C.ª, e As proezas de Cupido.

Em 28 e 29-III, por uma companhia infantil de zarzuela...  El santo de la Isidra, La viejecita e Agua, azucarillos & aguardentes.

Em 29 e 20-IV, pela Companhia do Teatro D. Amélia... A estrangeira, e a comédia a Lagartixa.

Em 9-V, pela Troupe Dramática do teatro Circo, com a colaboração de alguns atores profissionais... a comédia O tio Torquato e o monólogo O Zaragata.

Em 13-V, por um grupo de operários... o drama João, o Corta-Mar.

Em 16-V, a récita de despedida de um grupo de 37 quintanistas de direito... O fim de século de um bacharel.

Em 20-V, por um grupo de operários... o drama O escravo, as comédias Dois estroinas e Diabo à solta, a cena dramática Cerração do mar e a cançoneta O clarim.

Em 27-V, em sarau dramático-musical... a cena dramática Aldighieri Júnior.

Em 2-VI, pelo Grupo Dramático Fim do Século...  Ladrões de honra e a comédia As voltas que o mundo dá.

Em 16 e 17-VI, pela Companhia do Teatro D. Maria II... As elegantes pobres e a comédia Peraltas e Sécias.

Em 2-IX, sarau dramático-musical pelo Grupo Musical José Maurício... a comédia Um noivo de Alcanhões, o monólogo Estudante alsaciano, o entreato dramático Dois operários e o disparate cómico A ceia amargurada.

Em 9-IX, por um grupo de amadores dramáticos conimbricenses... o drama Veterano da liberdade, a comédia A arte do Montez e a cançoneta cómica  O frescura das praias.

Em 21 e 22-X, pela Companhia do Teatro D. Maria II... a comédia O avarento e Catarina

Em ...-XI, pela Companhia do Teatro da Rua dos Condes... a comédia Bisbilhoteira e a revista Agulhas, alfinetes, de dais e outras coisas mais.

Em 27, 28 e 29-XI, pela Companhia do Teatro D. Amélia... O fiscal dos wagons leitos, as comédias Zázá e D. César de Bazan.

Em dia indeterminado pelo Grupo Dramático de Santa Clara... a opereta Osa dois nenés, e as comédias Milagres de Santo António e Os trinta botões.

Três foram as associações de curiosos amadores que neste ano se organizaram. O Grupo Dramático de Santa Clara, que deu a sua récita inaugural em 3.II.1900, no pequeno teatro nesse dia inaugurado pela Filarmónica Operária. Constituído por operários da fábrica de lanifícios de Santa Clara e por outros.

A Troupe Dramática, formada por maioria de estudantes...

O Clube Século XX foi organizado de rapazes que adquiriram o teatro da Filarmónica Operária.

Loureiro, J.P. 1959. O Teatro em Coimbra. Elementos para a sua história. 1526-1910. Coimbra, Câmara Municipal. Pg. 182 a 184

 

 

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por Rodrigues Costa às 22:21

Quinta-feira, 26.05.16

Coimbra: Teatro na Universidade

Por alvará de 28-IX-1546, o rei (D. João III) determinou à Universidade que os lentes de terceira e de quarta regras de latinidade fossem de então em diante obrigados, em cada ano, a fazer representar cada um sua comédia nas escolas, nos lugares e tempo que o reitor ordenasse. Cada um desses lentes teria quinze cruzados para a ajuda das despesas que nas comédias houvessem de fazer, os quais lhes seriam pagos da Arca da Universidade.

E, por alvará de 16-X do mesmo ano, determinou que o lente de gramática da mais alta regra que se lia no Colégio de S. Jerónimo fosse obrigado a fazer e representar, também em cada ano, uma comédia nas escolas.

... Assim surgiu de direito o «teatro escolar» em Coimbra, de facto nascido um pouco antes, com a representação de tragédias em 1542, não devendo ser estranha à sua criação a influência exercida pela Universidade de Salamanca.

... Mas, nem essa influência salmantina seria necessária para explicar o relevante papel que o teatro passou a ter na vida colegial e universitária coimbrã, porque era de esperar que André de Gouveia, no juízo de Montaigne, o «maior principal de França», trouxesse para Portugal as práticas correntes nos colégios que com tanta glória ali dirigiu.

«Ora uma parte importante de educação nesses colégios era o «Teatro Escolar» porque constituía o complemento indispensável dos chamados estudos clássicos. Entre os candidatos a professores de humanidades eram preferidos aqueles que soubessem compor tragédias e comédias à maneira latina e os alunos não recebiam os seus diplomas sem provarem ter tomado parte com aproveitamento nesses exercícios».

Loureiro, J.P. 1959. O Teatro em Coimbra. Elementos para a sua história. 1526-1910. Coimbra, Câmara Municipal. Pg. 45 e 46

 

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por Rodrigues Costa às 10:11

Quarta-feira, 25.05.16

Coimbra e Gil Vicente

Tendo D. João III retirado com a corte para Coimbra em 1526 (por causa do terramoto), aqui veio Gil Vicente representar-lhe a farsa dos «Almocreves»... Lê-se na rubrica desta peça: «Esta seguinte farsa foi feita e representada ao... Rei D. João, o terceiro em Portugal deste nome, na sua cidade de Coimbra... Seu fundamento é que um fidalgo de muita pouca renda usava muito estado, tinha capelão seu e ourives seu, e outros oficiais, aos quais nunca pagava.»

«Com o terror da peste, D. João III foge de Almeirim para Coimbra, onde é recebido solenemente recitando-lhe a arenga ou oração de chegada Francisco de Sá, a quem o rei concedera a sua intimidade. Nestes festejos tomou parte Gil Vicente, representando a comédia «Sobre a divisa da cidade de Coimbra»... estando na sua muito honrada, nobre e sempre leal cidade de Coimbra. Na qual comédia se trata o que deve significar aquela Princesa, Leão, e Serpente, e Cálice, ou Fonte, que tem por divisa: e assim este nome de Coimbra donde procede, e assim o nome do rio, outras antiguidades a que não é sabida verdadeiramente sua origem. Tudo composto em louvor e honra da sobredita cidade. Feita e representada era do Senhor de MDXXVII.

... No mesmo ano de 1527 ainda Gil Vicente voltou a representar em Coimbra, mas agora a tragicomédia da «Serra da Estrela»... no parto da Sereníssima e mui alta Rainha Dona Catarina Nossa Senhora e nascimento da Ilustríssima Infanta Dona Maria, que depois foi princesa de Castela (futura mulher de Filipe II)

Loureiro, J.P. 1959. O Teatro em Coimbra. Elementos para a sua história. 1526-1910. Coimbra, Câmara Municipal. Pg. 43 a 44

 

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por Rodrigues Costa às 10:35

Segunda-feira, 07.03.16

Coimbra e o teatro que aqui se fez 4 e o princípio do cinema

... E a todas as causas de decadência... juntava-se ainda outra, de cor inteiramente local, nascida aqui em Coimbra do desrespeito de uma parte do público, tomando correntemente atitudes irreverentes e perturbadoras, mesmo para artista de elevada categoria e de grande consideração ... «A rapaziada garota do D. Luís – lê-se num periódico dessa época (Correspondência de Coimbra, Janeiro de 1879) – continua com o seu chinfrim reles, sem graça, vulgar mas atrevido. Grita, solta obscenidades e fuma. Três coisas mereciam pelo menos palmatoadas»

... E vinte ou trinta anos mais tarde, ainda a intolerável costumeira não se modificara grandemente... Além das memoráveis «pateadas» de desagrado com que por vezes se castigaram o mau desempenho ou a mediocridade das peças, a falta de urbanidade com que os artistas eram recebidos e tratados tornou a plateia de Coimbra muito de temer, ao ponto de só boas companhias se arriscarem a enfrentá-la.

Em compensação é de justiça reconhecer que, quando as peças valiam e os grandes artista mereciam ser aplaudidos, ninguém se mostrava escasso. «E a ovação ali feita – no dizer de testemunha presencial (Trindade Coelho, em In illo tempore) – não esquecia mais quem a recebia; e, se era mulher, além da chuva de flores dos finais de ato e dos intervalos, e o diploma de mérito da Academia Dramática entregue numa linda pasta, e com um discurso ainda mais lindo, tinha à saída do teatro, a fazerem-lhe tapete, as capas dos estudantes, vivas e palmas que eram um delírio, e a acompanhá-la até ao hotel, numa ovação que não despegava, a guarda de honra de toda a academia, com música a tocar o hino académico, e archotes à roda da carruagem»

... Mas a decadência, que já muito anos antes invadira o «amadorismo», alastrou também para o profissionalismo e acentuou-se de ano para ano, até que o cinema, proporcionando espetáculos mais variados, de mais largas perspetivas e de menor custo para os espectadores, de perto seguido pela organização de clubes desportivos, levaram o teatro de vencida, em Coimbra como no resto do País.

... O cinematógrafo do Teatro Príncipe Real estreou-se em 31.VIII.1908, e ao lado das fitas, exibia um fonógrafo combinado com elas para produzir os sons apropriados.

Loureiro, J.P. 1959. O Teatro em Coimbra. Elementos para a sua história. 1526-1910. Coimbra, Câmara Municipal. Pg. 35 a 37

 

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por Rodrigues Costa às 10:38

Sexta-feira, 04.03.16

Coimbra e o teatro que aqui se fez 3

A paixão dramática coimbrã foi inegavelmente muito viva, mormente na segunda metade do século XIX. Bastaria para demonstrá-lo sobejamente a formação e atividade de mais de uma centena de sociedades de amadores. Mas a essa prova podem juntar-se outras, como a dos «pasmosos êxitos» de algumas peças aqui representadas e a ilusão de que seria possível manter uma «companhia permanente» de teatro declamado, ilusão que se desvaneceu após o malogro de duas tentativas dececionantes.

Na primavera de 1858, uma companhia espanhola... a mágica «Casa do diabo» ... foi representada seis vezes: quatro no Teatro da Graça e duas no Teatro da Sé Velha.
... Pouco depois (1862), o drama «A probidade» subiu à cena sete vezes: quatro no Teatro de D.Luís ... e três no Teatro Académico.
... A famosa oratória «Gabriel e Lusbel» ... no Teatro de D.Luís ... foi levada à cena em dez espetáculos, no lapso de tempo de 8 a 29.III.1863, e em cinco espetáculos dois anos depois, de 4 a 26.III.1865.
... o drama sacro «Rainha Santa Isabel» foi representado dez vezes ... entre 28.III e 8.IV.1866.
... a revista «No país das arrufadas» subiu nove vezes à cena de Fevereiro a Maio de 1884, no Teatro-Circo Conimbricense.
... o drama «Mártires de Marrocos» parece ter sido representado em nove espetáculos no ano letivo de 1873-1874.

... as repetidas e frequentes visitas de companhias estrangeiras (espanholas, franceses e italianas) e com as «tournées» (que a necessidade converteu em hábito) das melhores companhias de Lisboa e Porto, o público foi-se familiarizando com os progressos da arte de representar e da literatura dramática ... As exigências estéticas do fim do século XIX estavam longe das do meado do mesmo século.

... Inaugurado auspiciosamente o Teatro de D. Luís em 1861, logo nos dois anos seguintes registou uma atividade prometedora, sem sair do plano do amadorismo local, apenas reforçando este, de quando em quando, com a intervenção de artistas profissionais (João Anastácio Rosa, João Rosa, Marcolino, Brás Martins, Carlota Veloso, etc.) que colaboraram em alguns espetáculos ali realizados.

Loureiro, J.P. 1959. O Teatro em Coimbra. Elementos para a sua história. 1526-1910. Coimbra, Câmara Municipal. Pg. 19 a 24

 

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por Rodrigues Costa às 10:27

Quarta-feira, 02.03.16

Coimbra e o teatro que aqui se fez 1

... nesta cidade desde o remoto ano de 1526 (data em que Gil Vicente pela primeira vez aportou a esta cidade, para representar uma das suas farsas) até ao meado do século XIX, muitas informações se acumularam ...a Coimbra tocou a honra não só por três vezes haver acolhido dentro das suas muralhas o glorioso fundador do teatro popular português, mas de ter sido o genuíno berço do teatro clássico, personificado nos seus mais altos representantes: Jorge Ferreira de Vasconcelos, nascido nos campos do Mondego (em Montemor-o-Velho), que casou nesta cidade, nela escreveu e provavelmente viu representar a sua comédia «Eufrosina», cuja ação aqui decorre; Francisco de Sá de Miranda, natural desta cidade e nela criado, onde escreveu e possivelmente fez também representar as suas comédias «Estrangeiros» e «Vilhalpandas»: e António Ferreira, lente da faculdade de leis, que ensinou e aqui escreveu e viu representar na Universidade a sua tragédia «Castro», de tema medularmente coimbrão, como é a morte de Inês de Castro.

Focando-se a época do renascimento do teatro, no segundo quartel do século XIX, em que – como seu reformador – coube a Almeida Garrett o papel de maior relevo, pode também entrever-se que fora em Coimbra... como autor e ator curioso, preparara as suas primeiras armas para triunfar na difícil tarefa que mais tarde havia de tomar sobre os seus ombros; e foi de Coimbra que, designadamente a partir da fundação da Nova Academia Dramática (1838), o notável escritor recebera o mais apreciável impulso para com êxito acometer o ingente empreendimento da renovação do teatro português que tão felizmente logrou iniciar.

E mais se apurou que nesta cidade se apresentaram, como dramaturgos ou atores amadores, para fainas que os alçapremaram a beneméritos da arte dramática nacional: António Feliciano de Castilho... famoso autor e tradutor de obras da literatura dramática; João de Lemos... autor de um drama famoso; os jurisconsultos Paulo Midósi e António Joaquim da Silva Abranches, autores de peças que tiveram retumbantes sucessos; Francisco Palha, António da Costa, Francisco Soares Franco e Francisco Soares Franco Júnior, e tantos outros, todos filhos da Universidade de Coimbra e aqui tendo estagiado em teatrinhos particulares de amadores ou no Teatro Académico.


... É certo que já nos reinados de D. Sancho I e D. Afonso II aparecem referências a determinada forma dramática, pois que no ano de 1193 o primeiro desses monarcas fez doação de um casal aos dois bobos «Bonamis» e «Acompaniado»... os quais por sua parte se consideraram na obrigação de dar um «arremedilho» ao doador.

Loureiro, J.P. 1959. O Teatro em Coimbra. Elementos para a sua história. 1526-1910. Coimbra, Câmara Municipal. Pg. 3, 4,14

 

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por Rodrigues Costa às 11:55


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