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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 19.12.19

Coimbra: Tascas antigas que ainda vão existindo

Com esta entrada termina a série sobre tascas de Coimbra da responsabilidade de Carlos Ferrão que geraram um número significativo de visualizações e comentários. Ficamos à espera de mais colaborações

- O TAPA
Localização: Rua das Rãs

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O Tapa, na atualidade

O Tapa mantém-se vai para 70 anos, na Rua das Rãs, em plena baixa da cidade. Local muito pequeno, bom para pausas de trabalho ou uma paragem de passeio, beber um copo e andar.
Ganhou o nome, porque nos seus primeiros tempos o copo era acompanhado por uma azeitona que o taberneiro fazia questão de oferecer, retirando-a do pote com uma pequena concha que suportava apenas uma unidade. Ninguém bebia sem um tapa.
Atualmente, tem menu de petiscos e seguindo os princípios da boa dieta mediterrânica há sempre sopa!

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O Tapa, publicidade

O lema da casa é: Vir a Coimbra e não ir ao Tapa é o mesmo que ir a Roma e não ver o papa.

- A SENHORA ALEXANDRINA, depois CAROCHA, depois JOÃO BRASILEIRO, hoje RESTAURANTE MONDEGO
Localização: Praça do Comércio n.ºs 109-111

Tasca da Alexandrina, ao fundo.jpg

Tasca da Alexandrina, ao fundo, ao lado da torre da Igreja de S. Bartolomeu

Perto da Igreja de S. Bartolomeu, em frente da capelinha do Senhor dos Passos, a senhora Alexandrina, já era matrona madura e muito sabida, começou por se estabelecer com um café, que veio com os tempos a transformar-se em café-restaurante.
A sua ajudante de campo era uma sobrinha que não dava trela a qualquer, mantinha um ar sério e grave.
Tinham uma criada de ordens, a celebrada Marocas, aquela Marocas traquinas… A Marocas era pau para toda a colher, sempre com aqueles sorrisos cativantes metia os fregueses ... na despesa e o caso é que caiam como patos, saindo dali a arrastar-se, envenenados com o absinto requentado no preço, e espatifado na manipulação caseira. Se ficavam mais um momento embalados pelos enguiços da Marocas, retiravam-se depenados. Não era a senhora Alexandrina que lhe incutisse esse espirito de ferrar a unha, a Marocas pagava-se do luxo dos deleites.
A patroa costumava sentar-se numa poltrona na cozinha, que ao mesmo tempo servia de casa de jantar, e a seu lado, por vezes um pouco afastada, a delicada da sobrinha entretida em idílios aéreos com algum estudante idolatrado, meio sentado a seus pés, expondo-lhes as suas paixões assolapadas, que viravam de rumo, apenas ele transpunha os umbrais da porta da rua, fineza que ela retribuía com igual constância!
Mais do que um café, era um autentico club da rapaziada mística, académicos, militares e futricas; palestrava-se, faziam-se sermões laudatórios em cima das mesas, ou recitavam-se poesias improvisadas, onde se testemunhou que Adelino Veiga (o poeta operário), desde tenra idade dos 15 anos, aí iria versejar com facilidade e espontaneidade.
A senhora Alexandrina faleceu em fevereiro de 1886, a sobrinha tinha falecido antes e a Marocas retirou-se para a Beira Alta onde voltou a ter o nome de Maria e ficou o resto da sua vida a recordar algumas das suas paixões!

Passou depois a ser conhecido pelo "Carocha", por atenderem a clientela duas galantes raparigas, tão morenas, como atenciosas, filhas do proprietário, o "Pai Carocha"! Com novo dono, que mal um cliente entrasse dizia sempre: "obrigadinho", ficou conhecido pelo "Obrigadinho".

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Tasca do João Brasileiro

Seguidamente entra em cena o Sr. João que vindo do Brasil deu o nome ao estabelecimento de “João Brasileiro” e que não deixou durante a sua gerência que o seu sotaque se perdesse o mesmo fazendo acontecer à qualidade do serviço.
Atualmente é o restaurante "Mondego", sossegado, acolhedor e informal.

Painel de azulegos representando o Calvário.jpg

Painel de azulegos representando o Calvário aplicado na frontaria do edifício


Carlos Ferrão 

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por Rodrigues Costa às 10:43


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