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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 07.09.23

Coimbra: Rui Fernando Palhé da Silva. Um ex-librista de Coimbra

Escondido numa das estantes da minha biblioteca, estava o trabalho policopiado que hoje saliento, da autoria de António Gonçalves que foi meu Colega na Biblioteca Municipal de Coimbra e que dele me faz uma pequena dedicatória.

Dupla falta a minha, pois tinha-me esquecido de uma obra que não devia ser esquecida – e que devia ter tido um outro tipo de edição – e de um artista conimbricense cuja memória não devemos deixar perder.

Rui Palhé, capa.jpgOp. cit., capa

A obra recolhe um significativo número dos muitos criados por Palhé da Silva, bem como alguns desenhos da sua autoria.

Palhé da Silva, pg. 1.jpg

Op. cit., pg. 1

António Gonçalves iniciou a obra com uma breve introdução ao ex-librismo da qual citamos.

“O Ex-Libris” é uma das formas de arte da vaidade humana, a menos desagradável, sem dúvida, porque é artística”.

(Liebrecht, Henri)

Palhé da Silva. Ex-líbris 1.jpgOp. cit., pg. 7

 "Leitor, aconselho-te esta vaidade. Ama os livros, decorando-os como mais te agradar. Que o Ex-Libris, de que usas exprima, resumidamente, tudo aquilo que te é precioso; que ele tire da tua vida ou dos símbolos a sua maior força de expressão".( Lamber)

Palhé da Silva. Ex-líbris 2.jpg

Op. cit., pg. 40

O Artista a quem conferimos, com todo o merecimento, esta simples homenagem, nasceu em Coimbra, na freguesia de Almedina, a 16 de Junho de 1925.

De seu nome: RUY FERNAND0 PALHÉ DA SILVA.

Exerceu a profissão de compositor tipográfico durante 32 anos, tendo-se depois estabelecido, por algum tempo, na Praça do Comércio.

Autodidata, fotógrafo amador, gravador e desenhador, Rui Fernando Palhé da Silva, tem mãos profundamente artísticas, sendo gratificante ver as imagens de simplicidade e ternura com que ele segue o destino da sua própria intuição.

Testemunho de si próprio é o seu valor e perseverança.

Nos 66 Ex-Libris executados, reproduzidos neste trabalho, verificamos o gosto de reviver personagens da história literária, escolhendo temas "queirosianos", "camilianos", "pessoanos", "quixotescos”, e, também, como não podia deixar de ser, desenhando com aquele amor dedicado a Coimbra, os monumentos, jardins e paisagens da cidade que o viu criança e o vê homem, cidadão, trabalhador e Artista.

 "O Ex-Libris tem o fascínio e a graça de uma pequena canção; e no campo da gravura e da arte é como o soneto no campo da poesia". (Montero, G.)

Palhé da Silva. Ex-líbris 4.jpg

Op. cit., pg.38

 Razão, insofismável, para salientar o reconhecimento que devemos a Rui Fernando Palhé da Silva.

O fascínio, a gravura, a xilogravura e a arte glorificam os trabalhos apresentados. De um modo geral, temos a oportunidade de distinguir a pureza estilística dos meios de expressão, sendo difícil conceber uma maior fidelidade `a essência e ao contexto manifestado nos temas e legendas expostas ao nosso olhar, realçando a consciência que o coloca como um autêntico Artista.

Rui Fernando Palhé da Silva, assim o quis nos Ex-Libris que nos presenteou.

Como se depreende da relação dos trabalhos enumerados, o Artista a partir de 1984 tem novo comportamento. Preterida a xilogravura Rui Fernando Palhé da Silva passou a demonstrar o seu mais elevado, nesta nova forma de comunicar, pondo em relevo a especificidade da sua nova ''arte''.

Palhé da Silva. Ex-líbris Nunes Pereira, pg. 55.

Op. cit., pg.55

 Verificamos, pois, que a obra do Artista está dividida em partes distintas: a gravura e a xilogravura.

Palhé da Silva.  Desenho 1. Casa da Nau.jpg

Op. cit., pg.73

Será oportuno e interessante chamar a atenção para a finura do primeiro trabalho apresentado. O Ex-Libris, em triângulo, para a sua biblioteca, assaz pouco vulgar, mas valioso para o Artista.

Vem a propósito distinguir, entre outras. algumas legendas que mais nos sensibilizaram, talvez por influência da profissão que desempenhamos.

 Gonçalves, A. 1986. Rui Fernando Palhé da Silva. Um Ex-librista de Coimbra. Nota Introdutória Dr. Mário Nunes. Coimbra, Edição policopiada.

 

 

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por Rodrigues Costa às 13:37

Sexta-feira, 25.09.15

Coimbra e os ex-líbris

Acha-se a nossa Cidade intimamente ligada a esta temática. Muitos conimbricenses têm sido utentes de marcas de posse bibliográfica – lembrem-se, ao acaso, os nomes de Armando Cortesão, Camilo Pessanha, Eugénio de Castro, Fernandes Martins …; outros celebrizaram-se como colecionadores ilustrados – recordam-se os nomes do General Adolfo Ferreira de Loureiro, o primeiro português a colecionar ex-líbris e a reunir uma coleção, fabulosa para a época, de 15.000 peças, os de João Jardim Vilhena e Henrique de Campos Ferreira Lima, cujas coleções, depois de terem deslumbrado os visitantes da já referida Exposição de 1927, se encontram hoje, respetivamente, na Biblioteca Geral e na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra; outros ainda são apontados como estudiosos investigadores de matérias ex-librísticas – e destes nem vale a pena salientar nomes tão numerosos eles são; outros, mais uma vez ainda, são considerados Artistas de ex-líbris – e é a eles que este Guia irá, mais adiante, fazer pormenorizada referência.
As duas exposições já realizadas em Coimbra por altura dos Encontros a que acima se aludiu (em 1979 e 1983) basearam-se fundamentalmente nas coleções Vilhena e Ferreira Lima. A presente baseia-se, na sua quase totalidade e exclusivamente, na coleção de um dos autores deste Guia (Rui Fernando Palhé da Silva)

Pereira, J.T.M. e Silva, R.F.P. 1988. Ex-librística Conimbricense. Guia da Exposição. Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra. pg. X e XI

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por Rodrigues Costa às 09:59


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