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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 16.11.21

Coimbra: Apropriação e conversão do Mosteiro de Santa Cruz 4

Em janeiro de 1885 a Quinta foi adquirida e convidados o engenheiro Adolfo Ferreira Loureiro e o Dr. Júlio Henriques para elaborarem um Plano de melhoramentos da Quinta de Santa Cruz, a primeira expansão da cidade, à imagem da Europa. Em junho desse mesmo ano foi apresentado o Plano dos Melhoramentos da Quinta de Santa Cruz.

Concebido com claras influências da Avenida da Liberdade de Lisboa (Silva, 1985; Macedo, 2006: 126), propunha um Boulevard com 50 m de largura que partia do Mercado D. Pedro V e que terminava numa praça quadrangular confinante com o Jardim Público que correspondia ao antigo Jogo da Bola dos frades crúzios. A partir dos cantos da praça rasgava simetricamente três avenidas, uma para Celas, outra para o caminho de Santa Anna, outra em direção ao Bairro de S. Bento e, a partir dos lados, traçava uma em direção aos arcos de S. Sebastião e outra em direção a Montes Claros.

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Fig. 9. Planta da autora de reconstituição dos limites da Quinta de Santa Cruz, de acordo com a Representação ao Rei de 18 de fevereiro de 1884 “do mercado d Pedro V até montes claros a norte e quase à entrada do lugar de Cellas, subúrbios de Coimbra, vem pelo nascente e sul proximidades de Sant'Ana até à rua dentre muros onde é a sua principal entrada”

 

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Fig. 10. Planta da autora de reconstituição do Plano de Melhoramentos da Quinta de Santa Cruz delineado por Adolfo Loureiro em 1885

Para além do traçado, Adolfo Loureiro, imbuído da lógica operativa dos engenheiros, elaborou também uma estratégia de implementação. Como primeira medida, e para facilitar a ocupação, propunha o início dos trabalhos pela ligação aos Arcos de S. Sebastião e dividia os terrenos em três classes de preço de acordo com a localização. No entanto, e ao contrário do que era habitual, não criou lotes rigidamente traçados, a dimensão dos lotes dependia da disponibilidade financeira dos compradores. Introduziu assim um novo modelo de gestão integrado na lógica liberal de flexibilidade de mercado.

As novas ruas, amplas, arborizadas e infraestruturadas foram inauguradas no final de 1889. No entanto, a Avenida Sá da Bandeira, o boulevard projetado não tinha sido construído efetivamente. A terraplanagem do vale revelou-se demasiado dispendiosa e optou-se por adiar a construção do boulevard e aproveitar os materiais das terraplanagens da abertura das ruas para sem grande esforço regularizar o vale. Em sua substituição foi aberta apenas uma rua de 15 metros de largura.

Calveiro, M.R. Apropriação e conversão do Mosteiro de Santa Cruz. Ensejo e pragmatismo na construção da cidade de Coimbra. In: Cescontexto, n.º 6, Junho 2014. Coimbra, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Pg. 227-240. Acedido em

https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/80969/1/Apropria%c3%a7%c3%a3o%20e%20convers%c3%a3o%20do%20Mosteiro%20de%20Santa%20Cruz.pdf

 

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por Rodrigues Costa às 12:29

Terça-feira, 07.02.17

Coimbra e a Arquitetura Revivalista 1

Alguns autores pretendem, justificando, que na história da arquitetura os revivalismos, vivificando o gosto e as formas de épocas passadas, são uma constante. Mas, embora tratando-se de um exagero, a verdade é que esse retorno, e não apenas no que concerne ao aspeto arquitetural, se referencia a lapsos de tempo cada vez menores.

A transposição do período medieval, acontecido sobretudo nos alvores da segunda metade do século XIX, encontra-se ligada ao romantismo e apresenta características novas.

Ao longo do século XVIII e mais propriamente no seu final, algumas correntes ideológicas tomaram lentamente forma, ganharam corpo e enraizaram-se. Decorrente de tal facto e não só, ocorreram alterações económicas, sociais e políticas, de tal modo profundas, que conduziram inevitavelmente a uma mudança de estrutura.

O homem novo que surgiu procurou, lançando mão dos meios ao seu alcance, libertar-se daquilo que poderia recordar-lhe a sociedade repudiada. Tudo o que, de algum modo, se relacionasse com esse passado, incluindo as formas plásticas, devia ser eliminado ou substituído.

A mutação verificado levou a que o passado próximo fosse hostilizado, situação essa que é normal em casos similares, e consequentemente a que a rutura com o rococó e com o classicismo se tornasse uma realidade. E assim, ao quebrar-se o sistema arquitetónico neoclássico que assentava em bases sólidas, é óbvio que se teria de procurar um estilo novo capaz de responder às aspirações dessa geração. Mas não foi fácil a substituição e, como solução, os revivalistas não encontraram outra saída que não fosse o retorno a épocas mais antigas.

... A literatura romântica que refletia também o espírito dos homens dessa época não ficou alheia ao movimento, valorizando tanto a Idade Média como as formas arquiteturais que então vigoraram.

... No final de Oitocentos os condes do Ameal fizeram erguer no cemitério da Conchada este belo jazigo neogótico

Jazigo Condes do Ameal.jpg

A «Casa da Sé» apresenta, sobretudo no grande janelão, semelhanças notórias com a velha catedral conimbricense

Casa da Sé.jpg

O Dr. Fortunato de Almeida fez erigir na Rua Antero de Quental esta bela moradia neobarroca.

Casa Fortunato de Almeida.jpg

Bastante idêntica a esta casa é uma outra que se ergue nas Lages, outrora arrabalde de Coimbra, pertencente à família Martins.

Anacleto, R. 1982. Arquitectura Revivalista de Coimbra. In Mundo da Arte, 8-9. Coimbra, 1982, p. 3-29.

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por Rodrigues Costa às 19:38


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