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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 12.02.19

Coimbra: Evolução do Espaço Físico 3

«Por 1850, Coimbra continuava ainda o velho burgo académico, iluminando-se a candeeiros de azeite, sem águas canalizadas, nem esgotos, nem vias férreas, nem estradas, nem escolas, dormitando letargicamente à sombra da Universidade e restabelecendo-se penosamente e com lentidão do enorme abalo sofrido com a extinção das congregações religiosas que mantinham aqui nada menos de 7 mosteiros e 22 colégios».
Assim escreve José Pinto Loureiro, em 1937, no preâmbulo dos «Anais do Município de Coimbra».
… Eram de facto estas as características da vida urbana. Mas Coimbra não era exceção nem caso isolado. Era a regra. Durante a primeira metade de oitocentos muitas cidades portuguesas e mesmo a capital do reino encontravam-se, quanto ao desenvolvimento urbano, tal como as da grande maioria dos países europeus, expectantes.

Cidade de Coimbra. Pinho Henriques.JPG

Cidade de Coimbra. Pinho Henriques. Séc. XIX

… A construção das infraestruturas é um tema caro às politicas liberais. Como resultado destas iniciativas, a partir da segunda metade do século, Coimbra ganha outro protagonismo dentro da rede urbana nacional. A mala-posta, em 1855, servindo-se de uma estrutura viária renovada, volta a ligar a cidade ao Carregado, retomando-se um serviço de transporte rápido e regular. Mas o tempo de comunicação da informação ainda mais se encurta quando, em 1856, no mesmo ano em que a cidade se ilumina a gás, se inaugura o telégrafo elétrico entre Lisboa e Coimbra, e depois Porto, anunciando a chegada do comboio. No entanto, é apenas em 1864 que a cidade passa a integrar a rede ferroviária com a inauguração do troço entre Taveiro e Vila Nova de Gaia, completando-se a linha do norte. Paralelamente a administração pública municipal vai-se modernizando, de acordo com a lei de 25 de novembro de 1854, reduzindo em número as freguesias e regularizando as suas fronteiras.
Criaram-se, assim, as condições para a implementação dos melhoramentos necessários a Coimbra.

Projecto para instalação de canos de abastecimen

Projecto para instalação de canos de abastecimento à cadeia da Portagem. Joaquim José de Miranda. Séc. XIX

Projeto da Ruas da Calçada. João Ribeiro da SilvProjecto da estrada entre as ruas da Calçada e da Sofia. João Ribeiro da Silva. 1857
Ponte de Santa Clara.jpgPonte de Santa Clara

…Como parte do programa de regularização e subida da cota dos cais incluiu-se o redesenho do largo da Portagem e a construção de uma nova ponte. O largo ganhou uma dimensão moderna como entrada urbana e como rótula de distribuição viária, depois de vagas de demolições e obras de regularização. A ponte construiu-se em ferro, no ano de 1875, depois da demolição da antiga ponde de pedra, em 1873,
…. Pela nova ponte continuou a conduzir-se o tráfego que ligava, pelo litoral, o norte ao sul do país, cruzando o largo da Portagem e percorrendo as ruas até Santa Cruz, e daí até à saída pela rua da Sofia, prolongada na rua Fora de Portas. Era este o caminho urbano da estrada real na ligação de Lisboa ao Porto e por aqui passavam as carruagens ao serviço da mala-posta.

Macedo, M.C. Coimbra na segunda metade do século XIX. In: Evolução do Espaço físico de Coimbra. Exposição. 2006. Câmara Municipal de Coimbra. Pg. 43-64.

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por Rodrigues Costa às 18:59

Quinta-feira, 18.10.18

Coimbra: Passeio Público e ruas da Calçada e de Coruche

A obra de maior impacto na beneficiação da cidade era, sem dúvida, a construção do cais ao longo do rio, com vista a proteger a Baixa das invasões do Mondego. Implicava obras de alteamento e regularização do cais das Ameias e a construção de um paredão que conseguisse limitar as cheias do rio, além de permitir dispor de um amplo e aprazível passeio público à beira rio.

Melhoramento reclamado desde o seculo XVIII, “presentemente desejaõ muitos, e requerem, que por todo o comprimento da Cidade, e ainda mais adiante se levante alto muro, o qual defenda das inundações todas as ruas baixas” foi sendo sucessivamente adiado, até que em junho de 1837 começaram timidamente as obras do aterro do Cais das Ameias, provavelmente sem um plano devidamente delineado que quatro anos depois, foi alargado até à ponte.

Efetivamente, só em agosto de 1856 foram decretadas as obras do encanamento do rio desde a ponte de Coimbra até ao mar encarregando o Diretor de Obras do Mondego de elaborar o respetivo projeto, apresentado só em 1872. Segundo conseguimos apurar, as obras de alteamento efetuadas entre 1837 e 1872 revelaram-se ineficazes para conter as cheias, em grande parte pela carência de meios financeiros, mas também técnicos, criando mesmo sérios problemas de salubridade pela entrada da água do rio na canalização do esgoto da cidade. Reclamava-se também o imprescindível alteamento da velha ponte, processo iniciado em 1859 e decretado pela Carte de Lei de 10 de setembro de 1861, mas que permaneceu até 1873 em estudo.


Margem do rio entre o Largo das Ameias e a ponte.j

Margem do rio entre o Largo das Ameias e a ponte, visível as escadas para o largo já alteado, c. 1860

 

A par da regularização do Cais das Ameias … em 1835 o município apontava também a necessidade do alargamento da Rua de Coruche. Com efeito, depois de ter estudado e orçado as obras de regularização da rua da Calçada que ligava a ponte à Rua de Coruche e que pretendia iniciar a breve prazo, instava para que o Governo participasse no alargamento desta última rua alegando que; “Além de central a toda a Cidade, serve demais ao transito de todo Norte do Reino para a Capital, e acha-se tão disforme, que apezar de não ser muito longa, tem tortuosidades em varias direcções, que impedem a vista de uma extremidade à outra, e é sobre tudo tão estreita, que em quasi toda ella não pode passar um Cavalleiro apar d’um carro: e em consequência é sempre húmida, e doentia, e que apenas em alguns pontos lhe penetrão os raios do sól em certos momentos ficando o resto inteiramente inacessível: de sorte q estabelecendo-se deligencias entre Porto e Lisboa virão encontrar um grandíssimo obstáculo no meio da terceira Cidade do reino, por que dificilmente lhes dará passagem! Esta obra tão necessária como útil para o aformoseamento da Cidade, viria a fazer a rua o centro de commercio, e certamente é esta epoca em que mais afoitamentese devera empreender por que há um recurso para a indemnização do alojmento interino dos seus moradores, nos extintos Collegios da rua da Sofia, que pela maior parte não acharão compradores.”

Planta com a indicação dos melhoramentos almejad

 Planta com a indicação dos melhoramentos almejados: regularização das margens, alargamento da Rua de Coruche, calcetamento da Rua da Calçada e Nova Ponte

 As obras de regularização dos passeios da Rua da Calçada iniciaram-se no ano seguinte

 

Calmeiro, M.I.B.R. 2014. Urbanismo antes dos Planos: Coimbra 1834-1924. Vol. I. Tese de doutoramento em Arquitetura, apresentada à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, pg. 202-207

 

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por Rodrigues Costa às 09:36

Quinta-feira, 10.05.18

Coimbra: Hotel Astória 1

Tendo, ultimamente, surgido nas redes sociais algumas notícias menos corretas sobre o edifício do Hotel Astória, iniciámos a publicação de uma série de 2 entradas que procuraram fazer luz sobre o mesmo.

 

O Largo da Portagem, bem como as atuais ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz nem sempre se apresentaram como atualmente as visualizamos. Já em 1813, Joaquim José de Miranda, arquiteto da Universidade, riscara algumas alterações destinadas a transformar o Largo (as mudanças deste espaço foram uma constante ao longo do tempo) e, anos depois, em 1857, o arquiteto João Ribeiro da Silva projeta a retificação da Calçada e da Rua de Coruche.

O Banco de Portugal, no âmbito dos princípios que norteavam aquela instituição, criara em Coimbra, a 03 de fevereiro de 1891, uma agência, mas pretendia fazer construir de raiz, a fim de a instalar, um edifício condigno.

Depois de analisados diversos locais onde o imóvel poderia ser erguido, a que se seguiu a costumeira polémica, os responsáveis optaram pelo Largo Príncipe D. Carlos, batizado, após a implantação da República, com o nome de Miguel Bombarda, para, finalmente, em 1942 virar definitivamente (espera-se) Largo da Portagem.

De riscar o projeto da sucursal bancária encarregou-se, em torno de 1907, o arquiteto Arnaldo Redondo Adães Bermudes (1864-1948) mais conhecido por Adães Bermudes, artista e que já apusera a sua assinatura na conimbricense escola de Santa Cruz construída, a partir de 1905, na Avenida Sá da Bandeira.

Não cabe, nesta entrada, analisar a problemática da construção nem a arquitetura da agência do Banco de Portugal. Fica para outra ocasião; e se a elas aludimos é porque pensamos que o arquiteto deste imóvel e o de parte do edifício onde se encontra instalado o Hotel Astória poderá ser o mesmo, como vamos tentar provar. Estamos a referir-nos à zona que ocupa a esquina da Avenida Emídio Navarro com a Rua da Sota, o mesmo que, num primeiro momento, foi construído para servir de sede à Companhia de Seguros “A Nacional”.

Largo da Portagem. Banco de Portugal.jpg

 Largo da Portagem. Banco de Portugal e antiga Companhia de Seguros “A Nacional”

 A conhecida associação mutualista, apenas nacionalizada em 1975, foi fundada a 17 de abril de 1906 e tinha como objetivo principal fomentar a adesão aos seguros de vida. Com sede em Lisboa, primeiro na esquina da Rua do Alecrim com a Praça Duque da Terceire e, depois, na Avenida da Liberdade, iniciou em 1919 a construção da sua filial na cidade do Porto, na Avenida dos Aliados, com projeto do arquiteto José Marques da Silva.

A filial aeminiense julgamos que se ergueu um pouco antes, no Largo da Portagem, quase paredes meias com o Banco de Portugal.

Não conhecemos qualquer notícia relacionada com a construção do imóvel, nem com a sua inauguração, mas parece (e apenas apontamos a data, porque não a podemos fundamentar) que a sucursal conimbricense da Companhia de Seguros foi construída entre 1915 e 1919.

Analisando sumariamente a vastíssima produção artística de Adães Bermudes concluímos que este riscou, em 1907, para o dr. Guilherme Augusto Coelho, o projeto de um prédio construído em Lisboa, no ângulo da Avenida D. Amélia (atual Almirante Reis) com o Largo do Intendente; o edifício mereceu mesmo ser reconhecido com o prestigiado Prémio Valmor de 1908.

Lisboa. Confluência da Avenida.jpg

 Lisboa. Confluência da Avenida Almirante Reis com o Largo do Intendente. Adães Bermudes. Prémio Valmor 1908

 

Coimbra. Confluência da Avenida Emídio.jpg

 Coimbra. Confluência da Avenida Emídio Navarro com a Rua da Sota. Antiga sede da Companhia de Seguros “A Nacional”

 Ao compararmos a sede conimbricense da Companhia de Seguros “A Nacional” e o referido imóvel constatamos analogias irrefutáveis e não se torna credível que, estando ainda Adães Bermudes vivo qualquer outro artista, arquiteto ou não, se tenha atrevido a apor o seu nome num projeto que, obviamente, viria a ser considerado um plágio.

Atrevemo-nos, dadas as semelhanças existentes entre os dois imóveis, o lisboeta e o mondeguino, e pensando quer na vizinhança do Banco de Portugal, quer na escolha de renomados arquitetos para riscar as filiais da Companhia de Seguros, a atribuir a paternidade de uma parte do atual Hotel Astória a Adães Bermudes. Mas não passamos da atribuição, embora fundamentada.

 Bibliografia:

ANACLETO, Regina, Neoclassicismo e romantismo, em História da arte em Portugal, vol. 10, Lisboa, Alfa, 1986.

Arquitectura, pintura, escultura, desenho. Património da Escola Superior de Belas Artes do Porto e da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, Porto, Universidade do Porto, 1987.

BAIRRADA, Eduardo Martins, Prémio Valmor (1902-1952), Lisboa, Manuela R. de A. Martins Bairrada, 1988.

Construcção Moderna (A), Ano VII, 20, Lisboa, 212, 1907.02.01.

Despertar (O), 882, Coimbra, 1925.11.11.

Gazeta de Coimbra, 1823, Coimbra, 1925.11.19.

http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2011/09/hotel-astoria-em-coimbra.html

http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2011/09/companhia-de-seguros-nacional.html

 

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por Rodrigues Costa às 09:17

Quarta-feira, 29.03.17

Coimbra: a Questão Académica de 1907 2

Afrontando as expressas recomendações das autoridades militares, Belisário Pimenta, ... viveu entusiasticamente a luta académica. Participou na greve geral, não encerrou matrícula como impunha o Governo, não fez exames. Foi um dos 160 intransigentes. 

... Ele foi um repórter da crise: um repórter privilegiado, que a via pelo lado de dentro; e um repórter engajado, porque era um militante da causa estudantil.

.... Nesse dia 8 de Abril, levantou-se cedo, fardou-se e encaminhou-se para a Rua Larga, com uma grande ânsia de saber a atitude dos rapazes. O nevoeiro denso que cobria a Alta da cidade mal deixava ver ao fundo, junto à Porta Férrea, a mancha negra e compacta da multidão de estudantes, que, silenciosa, se estendia desde a Rua de São João. Os cavalos da guarda passavam, em trote indeciso, para um e para outro lado. A polícia invadira a Via Latina e os Gerais ... nenhum estudante, salvo um ou outro padre ou militar, entrara na Universidade ... “A greve era, pois, geral e solene”.

greve 1907 tres.jpg

Ilustração Portuguesa, n.º 55, de 11.3.1907

... Foi depois à esquadra da Alta, onde estavam os estudantes presos na madrugada anterior ... expulsos, que, por força da decisão do Conselho de Decanos que os punira disciplinarmente, haviam sido compelidos a sair da cidade e que a ela não podiam regressar, tinham tentado entrar discretamente em Coimbra ... Na Baixa, todos falavam do brilhantismo da greve. No Lusitano – café que era o ponto de encontro dos republicanos na Calçada – e no passeio em frente, discutiam-se, permanentemente e com grande animação, as incidências da greve. Do outro lado da rua, os franquistas, no seu pouso do costume, às portas da Havaneza, mostravam-se furiosos. Nas montras de algumas lojas da Baixa exibia-se, “numa bela fotogravura com dizeres encomiásticos por baixo”, o retrato de José Eugénio Dias Ferreira, “pobre vítima amarrada ao poste da celebridade” ... No dia 10 de Abril, na Calçada, liam-se com avidez e discutiam-se os discursos feitos nas Câmaras no dia anterior .. Na noite seguinte, os estudantes expulsos foram libertados e conduzidos de comboio para Lisboa ... Houve manifestação de estudantes na estação e muitos dos manifestantes invadiram o comboio e acompanharam-nos até Pombal

... A animação crescente nos cafés da Baixa, particularmente no Lusitano, onde os rapazes se concentravam para saberem as novidades, para discutirem os acontecimentos do dia

... Sobre os estudantes caía agora todo o tipo de pressões: dirigentes da Sociedade Filantrópica Académica ameaçavam estudantes protegidos de lhes não ser concedida ajuda no ano letivo seguinte, se fossem grevistas ... Comandante de Infantaria 23, convocava os cadetes, para lhes recordar que, faltando aos atos, não lhes seria renovada a licença; o Reitor chamava os estudantes que eram também professores de liceu, para lhes sugerir que fizessem declarações de repúdio à greve, sob pena de lhes retirar as licenças que os liceus lhes haviam concedido para estarem em Coimbra; até o Bispo-Conde levou à demissão um professor do Seminário, que era também estudante de Teologia, que se recusou a aceitar as pressões que sobre ele exercia. 

... E esse nome – pulhas – foi o que ficou colado aos estudantes que furaram a greve académica de 1907. Nas noites seguintes, cantava-se em coro no Lusitano uma cançoneta, cuja letra começava assim: “Para poder furar a greve/ Todo o pulha mete, mete (bis)/ Requerimento p’ra acto./ Mete, mete/ Mete, mete/ Em novecentos e sete./

Ribeiro, V.A.P.V. 19. 2011. As memórias de Belisário Pimenta. Percursos de um republicano coimbrão. Dissertação de Mestrado em História Contemporânea. Coimbra, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Pg. 21 a 31

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por Rodrigues Costa às 09:42

Quinta-feira, 01.12.16

Coimbra: a Baixinha 2

No final do século XVI, o arrabalde apresentava uma estrutura bastante consolidada e o seu poder económico superava já o da Alta, tornando-se num centro vital para a sobrevivência da cidade. Em relação à morfologia, foi a altura em que se finalizou a ligação entre os adros de Santa Justa, o largo de Sansão e a Praça do Comércio, formando-se um aglomerado contínuo. “A cidade afirmou urbanisticamente a sua determinação em se instalar na zona mais baixa e plana.” O território distinguia dois conjuntos urbanos que vieram evidenciar a polaridade entre a Alta e a Baixa. Os dois polos tinham funções diferentes no panorama citadino e não entraram por isso em colapso, uma vez que se completavam nas necessidades funcionais da urbe. Na cidade Alta, intramuros, vivia o clero, os cónegos da Sé e outros beneficiários eclesiásticos, a nobreza local, os seus servidores e algum povo. Na cidade Baixa, habitavam o povo miúdo, os comerciantes, os artesãos e alguns mesteres. Já no século XV, a praça do arrabalde tinha sido denominada pelo infante D. Pedro como a P r a ç a d a C id a d e, expressão que denota claramente a importância crescente da cidade Baixa no contexto urbano. O sistema já consolidado do arrabalde é composto sequencialmente pelo Largo da Portagem, Rua dos Francos, a Praça do Comércio e a Praça 8 de Maio. Todos estes elementos formalizam a estrutura principal da Baixinha e referenciam-na como espaço singular da urbe. O modelo de rua e praça, de cheios e vazios representa, assim a imagem da cidade medieval com estruturas agregadoras de lugar da vida comum e das atividades relacionais da sociedade. A condição central da praça funciona como “sala de estar” urbana de encontro e troca, pois faz confluir todos os percursos estreitos para um lugar amplo e espaçoso de desdensificação da malha construída e concentra programaticamente funções importantes no contexto urbano

 ... Era à volta da praça principal do arrabalde que se concentravam os principais serviços comerciais. Atualmente, com uma forma alongada, esta praça resultou da união das igrejas de S. Bartolomeu (o adro de trás) e de S. Tiago (o adro cemiterial fronteiro), da consolidação, em contínuo dos respetivos núcleos e da reconformação da estrutura viária Norte/Sul. Localizada próximo da porta principal da cidade e em zona ribeirinha, a praça serviu as necessidades mercantis e agregadoras da dinâmica urbana da cidade medieval. Por ser uma área plana de fácil acesso e ponto de transição do rio para a cidade intramuros, rapidamente ganhou um estatuto central e identificador para a comunidade urbana. Logo se tornou a Praça da cidade e o valor da sua propriedade superava o das restantes zonas. São características evidenciadas pela altura dos edifícios que, era térrea na cidade em geral e atingia os três pisos neste local. Inicialmente foi intitulada Praça de S. Bartolomeu como referência à igreja que a conformava. Mais tarde, passou a ser referido o seu papel de Praça do Comércio.  A transferência de poder e de funções da cidade Alta para a Baixa, mais especificamente para a Praça do Comércio, veio acentuar e potenciar a sua condição central no seio do restante tecido. O reconhecimento deste espaço como praça surgiu no século XV, quando foi transferido para o local o mercado que inicialmente se realizava na parte alta. Com melhores características espaciais e de acessibilidade para o efeito, a praça foi progressivamente palco de feiras, mercados e açougues da cidade. A ação de D. Manuel, no século XVI, instaurou um processo de reestruturação e consolidação na cidade de Coimbra. Os empreendimentos de renovação e requalificação urbana levaram a cabo o melhoramento dos pavimentos das ruas e a redefinição programática da praça, com a localização do pelourinho, da Casa da Câmara, do Hospital Real e da Misericórdia, na primeira ação global de modernização. Neste mesmo século, o Mosteiro de Santa Cruz promoveu uma intervenção urbanística de grande importância, pela reconformação do seu espaço fronteiro, potenciando o desenvolvimento da interação social de mais um espaço urbano. Foram instaladas fontes de abastecimento público de água e era o espaço preferencial para as atividades lúdicas. A denominação de Largo de Sansão viria a mudar no século XIX, adaptando-se a designação de Praça 8 de Maio. A Rua Visconde da Luz, que estabelecia a sua ligação com os restantes espaços do sistema, ganhou gradual importância na vida urbana, instalando-se aí ourives e latoeiros. O sistema de largos, ruas e praças estava assim conformado e interligado no novo zoneamento urbano. 

Ferreira, C. 2007. Coimbra aos Pedaços. Uma abordagem ao espaço urbano da cidade. Prova Final de Licenciatura em Arquitectura pelo Departamento da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, orientada pelo Professor Arquitecto Adelino Gonçalves, p. 32-34

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por Rodrigues Costa às 16:58

Quarta-feira, 30.11.16

Coimbra: a Baixinha 1

Da observação ao tecido urbano da Baixinha são detetados alguns padrões morfológicos das cidades medievais, formalizados segundo percursos, largos, praças e quarteirões irregulares... O seu aspeto formal reflete as dinâmicas do urbanismo medieval, onde o espaço sempre teve funções de encontro, de troca e de circulação de bens e ideias. O carácter multifuncional, dado na altura, contribuiu para que os elementos estruturadores do espaço fossem agregadores de todas as atividades sociais, económicas, políticas e religiosas da urbe. A rua e a praça eram por isso, os elementos principais do sistema, assumindo o carácter central e identificador para cidade.

O núcleo da Baixinha desenvolveu-se precisamente na borda Poente da colina em contacto direto com a via fluvial. O local estava inserido numa rede viária de comunicação terrestre, criada na altura de expansão e difusão do Império Romano, funcionando para que todo o tipo de informação, acontecimentos e bens materiais fossem difundidos pelo território peninsular. O poder relacional da via tornou-a no principal agente de divulgação e consolidação urbanas. Assim, a via litoral da Península Ibérica Oissipo-Bracara Augusta foi uma ferramenta do sistema urbano nacional, importantíssima para o processo de assentamento e aglomeração urbanística, pois funcionou como um canal de ligação e como ponto de encontro junto dos aglomerados e promoveu o suporte às relações urbanas. Neste sentido, a Baixinha, é o reflexo formal da aglomeração implantada em torno de uma via de passagem às portas de entrada da muralha da cidade propriamente dita.

O processo de fixação e estruturação do território não foi espontâneo nem casual, uma vez que obedeceu à lógica da implantação das Ordens e Comunidades religiosas e fixação das suas agregações em porções de terrenos delimitados por cercas. A regra de localização das capelas e igrejas foi ditada ao longo da via principal, aquela pela qual “todos” passavam, podendo assim fazer cumprir as suas obrigações de assistência no apoio aos peregrinos e de quem mais precisasse. Assim, o arrabalde passou a ser definido pela colocação de igrejas ao longo do eixo viário, direcionando todo o espaço urbano. Implantaram-se quatro templos: Santa Justa, S. Tiago, S. Bartolomeu e o convento Crúzio. Os conventos foram as grandes estruturas organizadoras do arrabalde, tendo a sua fundação gerado importantes aglomerações, dentro de novas circunscrições religiosas. O casario crescia de forma compacta em torno dessas igrejas paroquiais. Destes espaços abertos nasceu uma tipologia urbanística que vive ainda nos nossos dias: o terreiro e o adro sempre foram espaços ancestrais de encontro e troca na cidade medieval. Poder-se-á dizer que são um elemento espacial identificador da cultura citadina. Os aglomerados populacionais reuniam-se à volta de uma paróquia como suporte institucional e espiritual da vida em comunidade.

... Enquanto arrabalde, a zona da Baixinha era considerada um bairro fora de portas, pertencente ao subúrbio da povoação da cidade alta, fora dos limites administrativos, mas com forte vocação mercantil. Situado entre a calçada romana e o rio, a zona fixava todas as atividades relacionadas com o comércio. Os mercadores instalavam-se ao longo da via, fora do perímetro amuralhado, onde os produtos não estavam sujeitos a taxas e onde havia espaço mais amplo, mais barato e de maior acessibilidade. O percurso mais direto entre a ponte e a porta da cidade foi o ponto propício ao início do fluxo de atividade comercial, donde resultou a chamada Rua dos Francos. Era o local onde se cobravam os direitos de “portagem”, quando as mercadorias ficavam dentro da cidade, ou de “passagem” quando estas apenas transitavam dentro dela. Daí resultar a conformação de um “Largo da Portagem” com continuação da rua a que, hoje, designamos de Ferreira Borges. Durante toda a época medieval houve um progressivo desenvolvimento comercial da zona ribeirinha, potenciando a sua definição e consolidação urbana.

Ferreira, C. 2007. Coimbra aos Pedaços. Uma abordagem ao espaço urbano da cidade. Prova Final de Licenciatura em Arquitectura pelo Departamento da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, orientada pelo Professor Arquitecto Adelino Gonçalves, p. 27-29

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por Rodrigues Costa às 11:33

Quinta-feira, 06.10.16

Coimbra e as suas personalidades: Belisário Pimenta

Belisário Pimenta nasceu em 3 de Outubro de 1879 ... prédio com o número 11 da Praça do Comércio, a velha praça burguesa da Baixa coimbrã.  A sua primeira canção de embalar foi o ronronar cadenciado das máquinas da tipografia do avô materno, instalada nos dois andares de baixo.

... Na sessão em que ingressou na Academia Portuguesa de História, em 28 de Janeiro de 1966, Belisário Pimenta apresentou-se como “homem do Século Dezanove" ... Ansiando pelas grandes batalhas, Belisário Pimenta não perdia de vista que a luta se travava também noutros patamares, ainda que menos decisivos. Empenhava-se no movimento para instalação em Coimbra do Jardim-Escola João de Deus ... Participou na instalação da delegação de Coimbra da Sociedade da Cruz Vermelha ... Foi membro da Sociedade de Propaganda e Defesa de Coimbra.

... No Verão de 1900, concluídos os preparatórios na Universidade, foi admitido na Escola do Exército

... Era no Lusitano, nas longas conversas com os seus amigos republicanos, que retemperava o ânimo. Ia do quartel diretamente para lá, muitas vezes ainda com a farda de serviço ou até, como no dia da visita do Rei a Coimbra, de grande uniforme, causando escândalo entre os oficiais talassas, frequentadores do passeio em frente, do outro lado da Calçada.

Os passeios da Calçada não deixavam margem para equívocos ou para manifestações dúbias. Ali, os campos estavam rigorosamente definidos. O Tenente Belisário Pimenta, oficial do Exército e do Regimento de Infantaria n.º 23, nunca largava o Lusitano e nunca ia ao outro passeio. E fazia questão nisso: “O passeio do Lusitano é dos republicanos, tendo como pontos de concentração o café, a relojoaria do Ferreira; ao passo que o passeio do outro lado, do lado da Havaneza, é dos monárquicos, tendo como pontos de reunião principais a Havaneza para a gente fina, intelectuais, a casa das máquinas Singer para os oficiais do exército talassas e a farmácia Donato para uma certa gente ociosa, franquistagem reles e alguns oficiais correspondentes.”

... No Domingo, dia 9 (de Outubro de 1910), foi chamado ... ao gabinete do Governador Civil, este puxou-o para uma das varandas que davam para o Largo da Feira e fez-lhe a proposta que já esperava. Belisário Pimenta alinhou todos os argumentos que pôde para evitar o que entendia vir a ser um desastre. Mas Fernandes Costa opôs-lhe que o momento não era azado para dúvidas e que “achava pouco patriótico e pouco próprio de um republicano não fazer um sacrifício […] quando a República nascente precisava de todos” ... ao descer as escadas do Governo Civil, já com a posse tomada (de Comissário da Polícia de Coimbra) e com o alvará dobrado no bolso, deu ordem ao primeiro guarda que viu para que houvesse, daí a pouco, formatura geral do corpo de polícia, para fazer a sua apresentação. A corporação esperava-o, formada por esquadras no claustro ... Depois dos lugares comuns, fez-lhes “uma antevisão do que seria o serviço policial com o regime democrático, simples missão de cordura e de paz, com prestígio e força moral, com delicadeza e respeito.”  

... Por essa altura, em 1932, já Belisário Pimenta dedicava preferencialmente o seu trabalho de investigação à história militar ... legou à Biblioteca Geral da Universidade Coimbra a sua livraria, os arquivos pessoais e a coleção dos seus originais autógrafos ... Aí, está disponibilizado, para além de um conjunto de 67 fotografias obtidas a partir da coleção de negativos de vidro que faz parte do legado, o acervo de originais manuscritos.

 

Ribeiro, V.A.P.V. 19. 2011. As memórias de Belisário Pimenta. Percursos de um republicano coimbrão. Dissertação de Mestrado em história Contemporânea. Coimbra, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Pg. 7, 8, 14, 39, 43, 57, 119

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por Rodrigues Costa às 09:02

Quinta-feira, 28.04.16

Coimbra: os Paços do Concelho ao longo dos tempos

A Câmara funcionara naquele local (Torre de Almedina) desde tempos roçando pela fundação da monarquia, donde transitou para a chamada Casa da Audiência, defronte da porta principal da Sé Catedral (modernamente denominada Sé Velha).

E, em virtude de transação com o prelado diocesano no fim do séc. XV, passou para a «casa da cidade da praça pública», onde funcionou, por cima dos açougues da cidade, dando para a Praça de S. Bartolomeu (modernamente Praça do Comércio) e para a Calçada (modernamente Rua Ferreira Borges), e que servia também de «paaço dos taballiães».

Este «paaço» tinha-o a Câmara mandado edificar para nele estarem os tabeliães da cidade, tanto os de notas como os do judicial, servindo os seus cargos das 7 às 10 da manhã e da 1 às 5 da tarde, e ocupava o espaço onde atualmente se encontram as primeiras casas a sul das Escadas de Santiago, com as frentes ocidental para a atual Praça do Comércio e oriental para a Rua Ferreira Borges.

Porém, pouco depois do terramoto de 1755, por essa casa ser excessivamente alta e a «fugida lhe não poder ser fácil», as vereações voltaram a fazer-se no segundo pavimento da Torre de Almedina … até que, em 1755 … feitas umas indispensáveis reparações, voltasse a Câmara para a Casa da Cidade.

Mas, o incêndio provocado pelos soldados de Massena, a 3 de Outubro de 1810 … forçou a Câmara a regressar à Torre de Almedina.

Informação adicional

Na Torre de Almedina funcionaram os Paços do Concelho no período que vai de Outubro de 1810 até à inauguração do atual edifício, a qual teve lugar a 13 de Agosto de 1879.

 

Loureiro, J. P. 1967. Coimbra no Século XIX. Separata do Arquivo Coimbrão, Vol. XXIII. Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra. Pg.8 e 9

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por Rodrigues Costa às 10:01

Segunda-feira, 18.04.16

Coimbra: propriedades do município em 1529

… inventário dos bens, rendas e foros do concelho, ordenado por previsão de D. João III, em 3 de Dezembro de 1529 … Das 174 propriedades arroladas restringiu-se a análise às 130 consideradas relevantes para o estudo da casa corrente. Para além das habitações propriamente ditas e dos espaços anexos como chãos e quintais, optou-se por contabilizar, azinhagas, andaimes de muros e torres ou até mesmo edifícios administrativos como o paço dos tabeliães e a casa de ver o peso … De lado ficaram os dois rossios camarários tal como olivais e vinhas quase sempre situados no aro periurbano em Banhos Secos, Água de Maias, Carrapito, Fontura ou S. Martinho de Eira de Patas.

 

Tipo de propriedade

Número

Casa

52

Pedaços de casa

3

Botica

3

Chão

19

Pardieiro

1

Azinhaga

9

Quintal

9

Cortinhal

7

Ar sobre azinhaga

1

Torres

5

Andaimo de muro

9

Barbacã

2

Alicerce de casa

4

Açougue

1

Paços dos Tabeliães

1

Casa de ver o peso

1

Casa da Gaiola

1

Forno de pão

1

Estrabaria e palheiro

1

Total

130

 

… cerca de dois terços dos bens arrolados situam-se no exterior das muralhas ou arrabalde. Embora se espalhem por uma vasta área, desde a igreja de São Bartolomeu ao convento de São Domingos, surgem claramente concentradas na Rua da Calçada, a mais importante e dinâmica artéria da cidade quinhentista. De ambos os lados da rua a câmara é proprietária de um total de quarenta e três propriedades, na sua esmagadora maioria casas de moradas de vários sobrados, algumas na situação singular de confrontarem na parte posterior do lote com a Praça da cidade, o que as torna particularmente atrativas.

Um segundo núcleo de concentração, numericamente muito inferior, pode ser detetado junto à saída Norte da cidade, na Rua da Figueira Velha (1), também local de passagem obrigatório de gentes e mercadorias.

… interior da cerca verificamos que para além de serem em número muito inferior, representam apenas um terço do total, são também de natureza diversa: predominam os chãos, azinhagas, cortinhais e pedaços de terra sendo escassas as casas de morada … ganham peso os aforamentos relativos à barbacã, muralha e respetivas torres

 (1) José Pinto Loureiro propõe a seguinte identificação "... na via de comunicação que do Terreiro de Santa Cruz seguia para o Arnado: a Rua dos Caldeireiros a sul, a Rua da Figueira Velha a norte, e a Rua Direita ao centro.

Trindade, L. 2002. A Casa Corrente em Coimbra. Dos finais da Idade Média aos inícios da Época Moderna. Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra. Pg. 132 a 136

 

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por Rodrigues Costa às 10:17

Sexta-feira, 15.04.16

Coimbra: a Judiaria Velha

… Já fora de portas, encontrava-se um outro núcleo de propriedade régia, onde a concentração era quase compacta: a Judiaria Velha, no local onde existe a Rua Corpo de Deus.

… Em Coimbra, como sucedia em muitas outras cidades e vilas do país, o rei era o grande proprietário das casas habitadas pela minoria judaica …

… Embora correspondendo grosso modo ao espaço que é hoje ocupado pela Rua Corpo de Deus como aliás indicam os limites fixados no título da descrição “que se começa tralla ousia de Santiago e se vai ferir na rua derecta acima da egreja do Corpo de Deus”, a judiaria contava seguramente com outras ruas… provavelmente de menores dimensões, são as ruas da Marçaria, do Pintosinho e da Moreira.

… Na data em que o tombo foi realizado (1395) já a judiaria se encontrava desativada, tendo os judeus aí residentes passado para a judiaria próxima do mosteiro de Santa Cruz, local mais tarde designado por Rua Nova.

É uma imagem de abandono a que perpassa pelo texto onde se descreve a maioria das propriedades como abandonadas, em rossio ou em chão.

… A Judiaria Velha de Coimbra era, pela sua localização, um exemplo paradigmático das judiarias portuguesas: junto a uma via principal, económica e socialmente importante, a Rua da Calçada, encostada à muralha e quase delimitada nos topos por duas portas da cidade, Porta Nova e Porta de Almedina, para além de vizinha de um templo cristão, o de São Tiago, como tentativa de conversão da população judaica.

Embora pouco saibamos das casas que constituíam o bairro, não nos parece que se distinguissem do panorama geral. Oscilando entre o piso único e os dois pisos, por vezes recorrendo ao meio sobrado como forma de ganhar uma câmara extra, algumas contavam com cortinhais, num caso com uma amoreira noutro com quatro pés de oliveira. Um terceiro fora aproveitado para a edificação de uma cozinha. Só duas casas parecem fugir à regra: uma descrita como «paaço grande» a outra, de dois pisos e quatro portais, embora provavelmente dividida em duas moradas já que a traziam aforada Boroeiro Judeu e Samuel peneireiro.

O tombo não deixa perceber até que ponto a Judiaria era um espaço fisicamente delimitado e efetivamente fechado, embora a porta da Judiaria seja referida por duas vezes. Junto a esta, e na zona de maior movimento pela confluência com as Ruas da Calçada e de Coruche, situava-se a albergaria dos judeus. Não muito longe a carniçaria onde, provavelmente a cargo de «Salomon carneçeiro», a carne era tratada segundo os preceitos hebraicos.

… Um instrumento redigido a pedido dos judeus por Vasco Martins tabelião, em 1357, diz que moravam em cerca apartada e “sob chave e guarda de el-rei”.

 

Trindade, L. 2002. A Casa Corrente em Coimbra. Dos finais da Idade Média aos inícios da Época Moderna. Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra. Pg. 122 a 123

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por Rodrigues Costa às 09:59


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