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A' Cerca de Coimbra


Quarta-feira, 08.11.17

Coimbra: Colégio dos Militares

Era destinado aos «Freires das duas Ordens militares – de S. Tiago da Espada, com sede em Palmela e de S. Bento de Avis».

Para assento do edifício colegial escolheu-se um terreno que havia a Sul do Castelo, vindo por isso a denominar-se rua dos Militares a rua que, em continuação da Couraça de Lisboa, sobe do Arco da Traição e corre em frente da fachada ocidental deste Colégio, e beco dos Militares a viela que, partindo desta rua, ladeia por sul o mesmo edifício. Anteriormente aquela «rua» chamava-se de Alvaiázere.

O Colégio ficou com uma pequena cerca fora da barbacã, sobre a qual abriam as portas e janelas da fachada oriental. Um caminho estreito, que vinha do arco da Traição, separava a cerca dos Militares, da do Colégio de S. Bento. Tudo isto pode ainda hoje (em 1938) verificar-se.

Colégio dos Militares planta finais séc. XVIII.j

 Colégio dos Militares planta finais do séc. XVIII

 

Benzeu-se e assentou-se a primeira pedra no dia 25 de julho de 1615

... Este Colégio, ficava de modo particular sob a proteção real. Para que os freires conventuais de qualquer das duas Ordens pudessem ser admitidos ao Colégio, era necessário que já contassem, pelo menos, dois anos completos de religião, não tivessem mais de vinte e cinco, de idade, e não fossem de baixa estirpe. A lotação era de doze colegiais, sendo seis de cada Ordem.

Hospital dos Lázaros. Aqueduto 02.TIF

 Colégio dos Militares

 

... Extinto o Colégio em 1834, foi... mandado entregar à Universidade... 27 de Outubro de 1853, os lázaros, que havia dois anos estavam hospitalizados no edifício do Colégio de S. Jerónimo, passaram para o dos Militares.

Hospital dos Lázaros antigo.TIF

 Aqui se conservam até à atualidade (em1938)... integrando nas vastas instalações dos Hospitais da Universidade, deixando de ser hospital dos Lázaros.

Nota: O edifício foi, posteriormente, totalmente demolido para dar lugar à Praça de D. Dinis e ao Departamento de Matemática.

 

Vasconcelos, A. 1987. Escritos Vários Relativos à Universidade de Coimbra. Reedição preparada por Manuel Augusto Rodrigues. Volume I e II. Coimbra, Arquivo da Universidade de Coimbra, pg. 267, do Vol. I

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por Rodrigues Costa às 22:15

Quinta-feira, 07.07.16

Coimbra e as Repúblicas de Estudantes 3

... o que é uma “República” e o que são as “Repúblicas” ... Tomando a palavra de Agostinho Correia de Sousa ... “Criadas há séculos, as “Repúblicas” mantém-se como outrora – núcleos destinados a permitir o convívio dos estudantes, desde a faceta habitacional à do convívio puro, e a potenciá-lo, o que não é virtude menos importante. Mantêm-se os aspetos tradicionais da praxe e juntam-se-lhe as outras funções de raiz que as determinaram – criação de uma ambiência especial e harmónica.”

... as Repúblicas têm sido sempre o modo mais tradicional da vida académica e o mais seguro baluarte das suas tradições, englobando uma parte da Academia que constitui uma espécie de classe dentro da classe académica, com os seus problemas próprios, o seu espírito próprio e os seus interesses específicos, os quais são comuns às diversas Repúblicas que têm existido. E esses problemas e interesses específicos são de todas as ordens, de todos os tempos e de todas as “Repúblicas”.

... à semelhança do que acontecia em outros países, a junção de estudantes, em pequenos grupos, cada um dos quais com comunhão de mesa e habitação, formando as célebres “repúblicas, com os nomes das terras de naturalidade, ou das ruas onde se situavam e ainda outros. Assim, por exemplo: República Minhota; Transmontana; Scalabitana; dos Grilos, dos Palácios Confusos; dos Sete Telhados; das Cozinhas; dos Apóstolos; da Matemática; Soviete Supremo. Na sua quase totalidade situavam-se no Bairro Alto, que podia dizer-se ser inteiramente académico.

Cada agremiado mobilava o seu quarto, e bem modestos eram os trastes no meu tempo, que já se compravam apropriados: uma cama de ferro com o respetivo colchão e travesseiros; um lavatório também em ferro, com bacia, jarro e balde, mesa cadeira e uma pequena estante, tudo em madeira de pinho ou de cerejeira, pintados de uma cor avermelhada e um candeeiro de petróleo.

Cada mês administrava um, que colhia dos colegas a respetiva mensalidade e tomava diariamente à ‘servente’ as contas do mercado e da mercearia.

A ‘servente’, além do arrumo dos quartos e da limpeza da casa, cozinhava o almoço e jantar, recolhendo seguidamente a sua casa. Em regra não se serviam pequenos-almoços nas “Repúblicas”.

... Conheci casas muito antigas nos Largos do Castelo e da Feira, nas ruas do Borralho, dos Militares, da Matemática, das Flores e em outros, que desde há muitas dezenas de anos, algumas rondando por duas ou mais centenas, deviam ter servido quase sempre para habitações dos estudantes.

... É muito comum dizer-se que “República” é a casa em que vive um conjunto de estudantes”. Eu direi que “República” é o conjunto de estudantes que habita uma mesma casa em espírito de República”. Porque, o importante aqui, não é a casa, é a comunidade humana constituída por aqueles estudantes.    

Ribeiro, A. 2004. As Repúblicas de Coimbra. Coimbra, Diário de Coimbra. Pg. 101 a 104

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por Rodrigues Costa às 22:11


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