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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 07.09.17

Coimbra: Colégio dos Loios ou de S. João Evangelista

Pertencia à Congregação dos Cónegos seculares de S. João Evangelista, denominados vulgarmente «os Loios», em virtude da cor azul dos seus hábitos.

... D. João III atraiu a Coimbra os Cónegos regulares de S. João Evangelista, e confiou-lhes a provedoria e administração do hospital real (Hospital Real de Nossa Senhora da Conceição, na praça de S. Bartolomeu, ao qual se deu princípio no ano de 1503), para cujo edifício foram viver.

Colégio dos Loios.jpg

Colégio dos Loios

 ... Em 1597 obtiveram umas casas, perto do castelo e não longe da Universidade, para onde logo mudaram. Auxiliou-os a boa-fortuna; viram em breve ampliada a área do seu terreno, e angariaram recursos para a construção dum edifício amplo e majestoso, a defrontar-se com o magnifico templo, então em via de construção, do vizinho Colégio de Jesus.

A 6 de Maio de 1631 ... foi solenemente benzida e colocada a primeira pedra do edifício ... Correram rápidas as obras, e assim, em 1638, colocava-se sobre a fachada príncipe, que olha ao Norte, a estátua colossal do «Discípulo dileto», sob a qual se lê em grandes carateres a indicação daquele ano.

Colégio dos Loios claustro.jpg

Colégio dos Loios claustro

Ficou o edifício com três fachadas: - a do Norte é voltada para o largo da Feira, a do Sul com a rua Larga que dá acesso direto à Universidade, e a do Poente acompanha a rua dos Loios, cujo nome se refere aos colegiais desta casa.

... Extinto o Colégio de S. João Evangelista em 1834, foi logo o edifício abandonado pelos seus proprietários.

... Hoje (em 1938) lá funcionam: o Governo Civil, a Auditoria Administrativa, a Junta de Província da Beira Litoral, a Direção de Finanças, e a Policia de Segurança Pública.

 Vasconcelos, A. 1987. Escritos Vários Relativos à Universidade de Coimbra. Reedição preparada por Manuel Augusto Rodrigues. Volume I e II. Coimbra, Arquivo da Universidade de Coimbra, pg. 222-225, do Vol. I

Nota: Este edifício viria a ser destruído por um violento incêndio que ocorreu em 18 de Novembro de 1943.

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por Rodrigues Costa às 09:02

Quarta-feira, 06.04.16

Coimbra: Cadeias que aqui existiram

À Câmara competia na verdade, e desde remoto tempo, a instalação e administração da cadeia.

Durante o século XVI, a prisão do Castelo tornou-se insuficiente e até inconveniente pelas promiscuidades a que obrigava e criaram-se:

 

1.º O Aljube, destinado a prisão eclesiástica (do clero e dos seus privilegiados), defronte do Paço Episcopal;

2.º A prisão académica, destinada a gente da Universidade nos baixos da sala dos Atos Grandes, mais tarde transferida para os baixos da Biblioteca da Universidade e mais tarde ainda para a Rua dos Loios ...

3.º A cadeia da Portagem, mandada construir pela Câmara, no atual Largo da Portagem

 

(Noutro lugar da mesma publicação o Autor ainda refere o Aljube de Santa Cruz ...no ‘Isento’ de Santa Cruz ... «cadeia especial para as penas impostas aos habitantes na área da jurisdição do prior-geral. Essa cadeia estava em Montarroio, numa casa ligada à Torre».

 

No meado do século XIX levantaram-se grandes clamores contra a ‘Cadeia da Portagem’, que intitulavam «inferno dos vivos», pela falta de condições higiénicas, mesmo elementares. E todos se insurgiam por ser um espetáculo desolador a quem entrava em Coimbra vindo dos lados de Lisboa, com os presos de mão estendida, pedindo «uma esmolinha pelo amor de Deus».

... Em 1856 a Câmara deliberou transferi-la para a chamada «casa vermelha», dependência do antigo Mosteiro de Santa Cruz.

Para aí se transferiram, feitas as obras necessárias, não só os presos da Cadeia da Portagem mais os do Aljube.

 

... E de então em diante só passou a haver nesta cidade a Cadeia de Santa Cruz e a Cadeia Académica, enquanto se não construiu (muito mais tarde), a Penitenciária e há poucos anos ainda a cadeia civil na cerca da Penitenciária.

A Cadeia da Portagem foi construída e administrada sempre pela Câmara ... e a Cadeia de Santa Cruz foi também arranjada e reparada largos anos igualmente pela Câmara que continuou, como anteriormente, a pagar ao carcereiro.

 

Loureiro, J.P. Relatório sobre os edifícios e terrenos do antigo Mosteiro de Santa Cruz. In Câmara Municipal de Coimbra. 1958. Antigas Dependências do Mosteiro de Santa Cruz. Petição e Fundamentos. Separata do Arquivo Coimbrão. Vol. XV. Coimbra, Câmara Municipal. Pg. 20 a 21

 

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por Rodrigues Costa às 10:09


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