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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 21.11.17

Coimbra: Colégio de S. Paulo I Eremita

É o mais recente dos Colégios universitários de Coimbra. Fundou-se já depois da reforma pombalina da Universidade, em virtude da provisão... de 27 de Setembro de 1779... a fim de fundar em Coimbra um Colégio para os religiosos universitários da «Ordem de S. Paulo I Eremita».

 

Colégio de S. Paulo I Eremita.jpg

 Colégio de S. Paulo I Eremita

 ... Ficou o edifício situado em frente do Colégio de S. João Evangelista tendo fachadas para as ruas Larga, do Borralho, e do Guedes.

Andando ainda em obras o prédio, foi este Colégio incorporado na Universidade pela provisão de 28 de maio de 1782.

O projeto do edifício era importante, mas não chegou a ser concluído, sendo executada apenas uma parte. Fez-se a metade ocidental, e a portaria de entrada, que ficava ao centro da fachada Norte.

Após a extinção, em 1834, foi a casa do Colégio... entregue à Universidade... a portaria de 10 de outubro de 1859 destinou o edifício... para depósito dos livros dos extintos conventos, e para casa de detenção académica; mas esta 2.ª aplicação não chegou a ser-lhe dada... os livros numerosos que restavam do espólio das casas regulares, e lá ficaram arrumados no rés-do-chão até 1870, ano em que foram vendidos ao livreiro francês Demichelis pela quantia de 9.000$000 reis.

No andar nobre achava-se então instalado o «Instituto de Coimbra».

Haviam tido berço comum a «Academia Dramática» e o «Instituto»

Vasconcelos, A. 1987. Escritos Vários Relativos à Universidade de Coimbra. Reedição preparada por Manuel Augusto Rodrigues. Volume I e II. Coimbra, Arquivo da Universidade de Coimbra, pg. 286, do Vol. I

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por Rodrigues Costa às 10:30

Quinta-feira, 07.07.16

Coimbra e as Repúblicas de Estudantes 3

... o que é uma “República” e o que são as “Repúblicas” ... Tomando a palavra de Agostinho Correia de Sousa ... “Criadas há séculos, as “Repúblicas” mantém-se como outrora – núcleos destinados a permitir o convívio dos estudantes, desde a faceta habitacional à do convívio puro, e a potenciá-lo, o que não é virtude menos importante. Mantêm-se os aspetos tradicionais da praxe e juntam-se-lhe as outras funções de raiz que as determinaram – criação de uma ambiência especial e harmónica.”

... as Repúblicas têm sido sempre o modo mais tradicional da vida académica e o mais seguro baluarte das suas tradições, englobando uma parte da Academia que constitui uma espécie de classe dentro da classe académica, com os seus problemas próprios, o seu espírito próprio e os seus interesses específicos, os quais são comuns às diversas Repúblicas que têm existido. E esses problemas e interesses específicos são de todas as ordens, de todos os tempos e de todas as “Repúblicas”.

... à semelhança do que acontecia em outros países, a junção de estudantes, em pequenos grupos, cada um dos quais com comunhão de mesa e habitação, formando as célebres “repúblicas, com os nomes das terras de naturalidade, ou das ruas onde se situavam e ainda outros. Assim, por exemplo: República Minhota; Transmontana; Scalabitana; dos Grilos, dos Palácios Confusos; dos Sete Telhados; das Cozinhas; dos Apóstolos; da Matemática; Soviete Supremo. Na sua quase totalidade situavam-se no Bairro Alto, que podia dizer-se ser inteiramente académico.

Cada agremiado mobilava o seu quarto, e bem modestos eram os trastes no meu tempo, que já se compravam apropriados: uma cama de ferro com o respetivo colchão e travesseiros; um lavatório também em ferro, com bacia, jarro e balde, mesa cadeira e uma pequena estante, tudo em madeira de pinho ou de cerejeira, pintados de uma cor avermelhada e um candeeiro de petróleo.

Cada mês administrava um, que colhia dos colegas a respetiva mensalidade e tomava diariamente à ‘servente’ as contas do mercado e da mercearia.

A ‘servente’, além do arrumo dos quartos e da limpeza da casa, cozinhava o almoço e jantar, recolhendo seguidamente a sua casa. Em regra não se serviam pequenos-almoços nas “Repúblicas”.

... Conheci casas muito antigas nos Largos do Castelo e da Feira, nas ruas do Borralho, dos Militares, da Matemática, das Flores e em outros, que desde há muitas dezenas de anos, algumas rondando por duas ou mais centenas, deviam ter servido quase sempre para habitações dos estudantes.

... É muito comum dizer-se que “República” é a casa em que vive um conjunto de estudantes”. Eu direi que “República” é o conjunto de estudantes que habita uma mesma casa em espírito de República”. Porque, o importante aqui, não é a casa, é a comunidade humana constituída por aqueles estudantes.    

Ribeiro, A. 2004. As Repúblicas de Coimbra. Coimbra, Diário de Coimbra. Pg. 101 a 104

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por Rodrigues Costa às 22:11


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