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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 30.06.16

Coimbra e as Repúblicas de Estudantes 1

... Quando, no tempo de D. João III, a Universidade foi estabelecida definitivamente em Coimbra, também o monarca providenciou... no sentido de que aos escolares fosse dada a necessária morada e os mantimentos bastantes... É neste sentido que concorrem muitos dos alvarás régios.

... Acerca das casas que, logo após 1537, D. João III mandara construir, citas à rua de S. Sebastião, poderemos afirmar que a intenção do monarca seria a de providenciar moradas do tipo comunitário aos estudantes carecidos delas. Realmente, a forma como as casas estavam arquitetadas, mormente no que concerne ao número e distribuição das divisões, leva-nos a pensar que assim seria... Algumas das moradias dispunham, em cada andar, de uma sala de maiores dimensões, a clássica sala de comer das futuras ‘repúblicas’ coimbrãs... por cada habitação seria possível enquadrar entre oito a dez estudantes.

... Em nosso entender, não menosprezando a nossa ideia inicial da fase embrionária das ‘repúblicas’ ou casas de estudantes nos tempos dionísios, é D. João III quem, de alguma forma, vai instituir as “primeiras repúblicas” de facto, isto é comunidades de estudantes que, em comum, partilhavam a mesma casa, fruindo igualdade de condições e comungando também, eventualmente, duma mesma refeição, pelo menos é lícito supô-lo.

... Entretanto, alguns anos depois, novas possibilidades de alojamento e de vida comunitária surgem em Coimbra para os escolares. Estamos a falar dos colégios que nessa época começam a proliferar na cidade, sempre acompanhados da solicitude régia, mas, na generalidade dos casos, propriedades das Ordens Religiosas, para que os seus membros pudessem vir a estudar para a Universidade. Mas também havia os colégios das Ordens Militares, para os membros destas e ainda colégios para clérigos pobres e para seculares... os colégios absorveram, para além dos seus próprios membros estudantes, muitos outros indivíduos que, em boa parte, não tinham recursos bastantes para estudar e que, entrando para uma determinada ordem, podiam fazê-lo. Aconteceram até situações em que as próprias ordens disputavam entre si o ingresso no seu colégio de jovens bem dotados intelectualmente.

Ribeiro, A. 2004. As Repúblicas de Coimbra. Coimbra, Diário de Coimbra. Pg. 72 a 76

 

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por Rodrigues Costa às 00:18


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