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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 14.04.16

Coimbra: propriedades régias em 1395

 

Localização

Número de propriedades

Madalena

(corresponde a parte da atual Fernão de Magalhães … troço delimitado a Norte pela Rua da Moeda e a Sul pelo Largo das Ameias)

 

8

Rua da Moeda

7

 

Rua dos Tanoeiros

(troço da atual Rua Adelino Veiga)

3

Rua dos Caldeireiros

(troço da atual Rua Direita)

1

Rua dos Piliteiros

(entre a igreja de S. Tiago e o rio Mondego)

1

Montarroio

 

2

Rua de Coruche

(atual Rua Visconde de Luz)

1

Judiaria Velha

(atual Rua Corpo de Deus)

24

Rua Nova da Ferraria

(“rua que se começa aa porta dalmedina e se vai finir na rua da moreira” … corresponderia à atual Rua Fernandes Tomás)

 

20

Rua da Almedina

(… na bibliografia consultada não existe qualquer referência à Rua da Almedina)

 

15

Da sota, acima da Porta de Almedina ao adro da Sé

 

4

Do adro da Sé aos Paços do Rei

 

22

Dos Paços do Rei ao Castelo

 

10

S. Gião

(atual Rua das Azeiteiras)

1

 

Total das propriedades inventariadas

 

119

 

 

Composição das propriedades régias

Tipo de bem

Número

Casas

87

Tendas

9

Pardieiros

8

Chãos

9

Cortinhais

4

Casa de falcoaria e pombais

2

Total dos bens arrolados

119

 

… verifica-se que a totalidade dos chãos referidos se situam extramuros: seis na Judiaria Velha, os restantes três dispersos pelas Ruas da Moeda, dos Tanoeiros e de Coruche. De cinco deles sabemos que foram casas, noutro teria existido uma tenda. O mesmo acontece com o grosso dos pardieiros contabilizando-se seis no Arrabalde e dois na Almedina … concluímos que à exceção de dois casos, todas as propriedades régias que nessa data se encontravam em ruína têm em comum a mesma situação geográfica: o arrabalde. Se procurarmos as causas da degradação destes imóveis surge-nos invariavelmente a mesma explicação: «… derrubados cando el rey Dom Anrique veio a este regno», que «jaz ora em campo por que foy destruída pola guerra» ou «… que queimarom os castelaaõs…»

O tombo descreve-nos que o raio de ação do exército castelhano por ocasião do cerco de Coimbra. A ausência de muralhas no arrabalde facilitou certamente o avanço do inimigo cujo rasto de destruição deixou vestígios desde a zona ribeirinha, na Madalena e Rua da Moeda, até aos muros da cidade, na Judiaria Velha.

 

Trindade, L. 2002. A Casa Corrente em Coimbra. Dos finais da Idade Média aos inícios da Época Moderna. Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra. Pg. 118 a 119, 124 e 125

 

 

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por Rodrigues Costa às 10:37

Quinta-feira, 03.03.16

Coimbra e o teatro que aqui se fez 2

Surgidos de improviso e mediocremente apetrechados, instalaram-se teatrinhos de amadores, às dezenas, por todos os recantos da cidade e subúrbios. Só em Santa Clara se registou a existência de três dessas humildes instalações, funcionando uma delas por forma a tornar-se conhecida por «Teatro do Curral da Vaca», numa alusão pungentemente irónica a um estábulo subjacente, e muitas em condições de tal sorte precárias que entrou na gíria corrente o termo «cardanhadas», significando os espetáculos que se realizavam em verdadeiras espeluncas ou «cardanhos». Algumas irromperam nos pontos mais inverosímeis, só por si constituindo indicio seguro do que deviam ter sido, como as do Beco da Imprensa, do Beco do Castilho, do Arco do Ivo, da Rua das Rãs, do Largo do Romal, da Azinhaga dos Lázaros, etc.

Essas instalações, se tomaram por vezes designações próprias, quase pomposas, como «Teatro da Graça», na Rua da Sofia, «Teatro Garrett», em Celas, «Escola Dramática Afonso Taveira», na Rua da Sofia, e «Teatro Popular», na Rua dos Grilos (hoje Rua Dr. Guilherme Moreira), outras vezes cingiram-se às denominações dos grupos ou coletividades a que pertenciam, como «Teatro da Boa-União», Teatro Académico, etc.; e outras tiraram as suas designações dos locais em que funcionavam, como «Teatro da Trindade», «Salão da Trindade», «Teatro do Paço do Conde», Teatro da Rua da Moeda, etc.

... a enorme variedade de associações dramáticas, ora optou designações consagrando notáveis vultos do teatro («Grupo Dramático Gil Vicente», «Grupo dramático Almeida Garrett», «Grémio Taborda», «Grupo Dramático Augusto Rosa», «Grupo Dramático Musical Eduardo Brasão», etc.) ora se limitou a pôr em evidência modestas figuras de amadores ou profissionais do palco «(Grupo Dramático César de Sá», «Sociedade Dramática Adelino Veiga», «Troupe Dramática Seta Silva», etc.) E uma vez («Grupo Dramático Martins de Carvalho») se homenageou por essa forma o autor do primeiro dos trabalhos ... sobre teatro em Coimbra ... inventariou-se mais de uma centena de agremiações de amadores dramáticos.

... A par de empresas promotoras de espetáculos públicos de feição dramática («Teatro de D. Luís», «Teatro-Circo Conimbricense» e «Teatro-Circo Príncipe Real») e a par dos barracões erguidos por companhias ambulantes, que aí exibiam os seus repertórios, instalam-se também inumeráveis «teatrinhos» sem quaisquer requisitos de segurança ou de conforto, tanto em casas particulares, como em celeiros e oficinas, e que apareciam e desapareciam à mercê das combinações e desentendimentos dos componentes das numerosas associações dramáticas e do mais diverso nível social e cultural.
No período áureo dessas agremiações, (meados do século XIX) era enorme o entusiasmo pelos teatrinhos particulares. Os operários que promoviam as representações divertiam-se juntamente com suas famílias e amigos, passando noites de agradável convívio.

Loureiro, J.P. 1959. O Teatro em Coimbra. Elementos para a sua história. 1526-1910. Coimbra, Câmara Municipal. Pg. 16 a 19

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por Rodrigues Costa às 10:42

Quarta-feira, 24.02.16

Coimbra, origens 2

A ocupação pré-romana da cidade é provável, ainda que não provada.

… Na área da cidade, mesmo da cidade alargada do nosso tempo, não se encontraram nunca vestígios pré-romanos. Os mais próximos são os da Caverna dos Alqueves.
Fica situada entre as aldeias da Póvoa e Bordalo, a poente de Coimbra, nas traseiras do mosteiro novo de Santa Clara. Descoberta pelo Dr. Santos Rocha, que aí fez explorações em 1898, foi escavada também por A. Mesquita de Figueiredo, em 1900 e 1901. O espólio encontrado é neolítico.

É provável que o festo da colina onde, no nosso tempo, se instalou a cidade universitária, tenha sido ocupado desde épocas recuadas. O sítio é excelente. Dois vales profundos cavam um fosso natural em redor da colina. O primeiro corresponde à atual Avenida de Sá da Bandeira. Por ele corria um ribeiro chamado ‘torrente de balneis Regis’ no documento de 1137 demarcatório da freguesia de Santa Cruz. O ribeiro, que tomava a direção da Rua da Moeda, tinha caudal suficiente para moer, na Idade Média, as azenhas instaladas nesta rua … O segundo vale corresponde ao Jardim Botânico e à sua mata. Uma rampa natural, que o aqueduto de S. Sebastião, ou dos Arcos do Jardim acompanha, separa os dois vales … Este morro é ainda fendido a meio por aquilo que Fernandes Martins chamou expressivamente uma «cutilada»: um valeiro que, saindo do antigo Largo da Feira, «e seguindo pelo Rego de Água em direção à Rua das Covas, ganha declive cada vez mais rápido, para se despenhar por Quebra-Costas, a caminho da Porta de Almedina». Em 14 de Junho de 1411, segundo revela Nogueira Gonçalves, uma enxurrada de tal sorte se precipitou por este córrego, que arrancou as portas chapeadas de ferro da cidade…
Um sítio naturalmente defendido e cómodo para assento de povoado fica assim definido entre a Couraça de Lisboa e o córrego da Rua das Covas ou de Borges Carneiro. Se nenhuns vestígios de épocas pré-históricas foram aí encontrados, isso se deve, certamente, ao facto de os trabalhos para a instalação da cidade universitária não terem sido acompanhados por arqueólogos.

Na área da atual cidade, outro ponto que os povos pré-históricos poderiam ter ocupado, é o morro da Conchada; não se conhecem aqui, porém, vestígios arqueológicos. Uma «necrópole com sepulturas antropomórficas abertas em rocha», provavelmente medieval, foi descoberta no vale de Coselhas.


Alarcão, J. 1979. As Origens de Coimbra. Separata das Actas das I Jornadas do Grupo de Arqueologia e Arte do Centro. Coimbra, Edição do GAAC. Pg. 25 a 27

 

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por Rodrigues Costa às 10:10


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