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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 18.10.18

Coimbra: Passeio Público e ruas da Calçada e de Coruche

A obra de maior impacto na beneficiação da cidade era, sem dúvida, a construção do cais ao longo do rio, com vista a proteger a Baixa das invasões do Mondego. Implicava obras de alteamento e regularização do cais das Ameias e a construção de um paredão que conseguisse limitar as cheias do rio, além de permitir dispor de um amplo e aprazível passeio público à beira rio.

Melhoramento reclamado desde o seculo XVIII, “presentemente desejaõ muitos, e requerem, que por todo o comprimento da Cidade, e ainda mais adiante se levante alto muro, o qual defenda das inundações todas as ruas baixas” foi sendo sucessivamente adiado, até que em junho de 1837 começaram timidamente as obras do aterro do Cais das Ameias, provavelmente sem um plano devidamente delineado que quatro anos depois, foi alargado até à ponte.

Efetivamente, só em agosto de 1856 foram decretadas as obras do encanamento do rio desde a ponte de Coimbra até ao mar encarregando o Diretor de Obras do Mondego de elaborar o respetivo projeto, apresentado só em 1872. Segundo conseguimos apurar, as obras de alteamento efetuadas entre 1837 e 1872 revelaram-se ineficazes para conter as cheias, em grande parte pela carência de meios financeiros, mas também técnicos, criando mesmo sérios problemas de salubridade pela entrada da água do rio na canalização do esgoto da cidade. Reclamava-se também o imprescindível alteamento da velha ponte, processo iniciado em 1859 e decretado pela Carte de Lei de 10 de setembro de 1861, mas que permaneceu até 1873 em estudo.


Margem do rio entre o Largo das Ameias e a ponte.j

Margem do rio entre o Largo das Ameias e a ponte, visível as escadas para o largo já alteado, c. 1860

 

A par da regularização do Cais das Ameias … em 1835 o município apontava também a necessidade do alargamento da Rua de Coruche. Com efeito, depois de ter estudado e orçado as obras de regularização da rua da Calçada que ligava a ponte à Rua de Coruche e que pretendia iniciar a breve prazo, instava para que o Governo participasse no alargamento desta última rua alegando que; “Além de central a toda a Cidade, serve demais ao transito de todo Norte do Reino para a Capital, e acha-se tão disforme, que apezar de não ser muito longa, tem tortuosidades em varias direcções, que impedem a vista de uma extremidade à outra, e é sobre tudo tão estreita, que em quasi toda ella não pode passar um Cavalleiro apar d’um carro: e em consequência é sempre húmida, e doentia, e que apenas em alguns pontos lhe penetrão os raios do sól em certos momentos ficando o resto inteiramente inacessível: de sorte q estabelecendo-se deligencias entre Porto e Lisboa virão encontrar um grandíssimo obstáculo no meio da terceira Cidade do reino, por que dificilmente lhes dará passagem! Esta obra tão necessária como útil para o aformoseamento da Cidade, viria a fazer a rua o centro de commercio, e certamente é esta epoca em que mais afoitamentese devera empreender por que há um recurso para a indemnização do alojmento interino dos seus moradores, nos extintos Collegios da rua da Sofia, que pela maior parte não acharão compradores.”

Planta com a indicação dos melhoramentos almejad

 Planta com a indicação dos melhoramentos almejados: regularização das margens, alargamento da Rua de Coruche, calcetamento da Rua da Calçada e Nova Ponte

 As obras de regularização dos passeios da Rua da Calçada iniciaram-se no ano seguinte

 

Calmeiro, M.I.B.R. 2014. Urbanismo antes dos Planos: Coimbra 1834-1924. Vol. I. Tese de doutoramento em Arquitetura, apresentada à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, pg. 202-207

 

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por Rodrigues Costa às 09:36


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