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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 28.02.19

Coimbra: Estalagens Coimbrãs e do seu termo 2

Ao longo do texto de Carneiro da Silva As Estalagens Coimbrãs e do seu termo, para além das três estalagens mencionadas na entrada anterior, são ainda referidas:

- Estalagem de Santa Clara, primeira
… nas reuniões da Câmara de 22 de julho de 1642 e na de julho de 1644, se discutiram os problemas que o estalajadeiro … criava na sua «Estalagem de Santa Clara» … por estar notificado não usasse de venda nem de agasalho pessoa alguma em sua casa, de «mau viver», e ele fazia o contrário.

- Estalagem de Santa Clara, segunda

Panorâmica do Bairro de Santa Clara aa.JPG

Panorâmica do bairro de Santa Clara. Notar a estrada para Lisboa, e no extremo esquerdo da gravura [não identificada] o que foi segunda estalagem de Santa Clara

Em 1674, Cosme Francisco Guimarães, morador em Sansão, pagava o foro de 200 reis de explorar aquela estalagem no Rossio de Santa Clara [a qual fora construída] «para substituir outras que se tinham arruinado com as cheias perto da ponte.»

- Estalagem na Rua da Sofia
Na passagem do século XVI existiu na Rua da Sofia, na vizinhança da entrada da Rua Nova [uma estalagem que] Diogo Marmeleiro de Noronha … fizera … para agasalho dos passageiros e caminhantes com muito gasalhos e camaras fechadas para fidalgos e pessoas graves.

- Estalagem da Quinta da Portela
Em 16 de Dezembro de 1624 «Diogo Marmeleiro de Noronha me enviou dizer por sua petição que ele queria fazer junto à sua Quinta e lugar da Portela uma estalagem que seria de grande comodidade dos passageiros que caminhavam por aquela estrada que era das mais seguidas da dita cidade por ser a de Madrid e por naquela paragem passar uma barca o rio Mondego, que quando no inverno com alguma cheia não podia passar a dita barca, e os que então caminhavam ficavam dormindo pelos pés das árvores sem terem nenhum agasalho pelo que me pedia lhe fizesse mercê de lhe privilegiar a dita estalagem e mandar passar seu privilégio».

Para além destas surgem, ainda, as seguintes outras referências a estalagens:

- Estalagem das Cardosas
No Paço do Conde … onde hoje está [esteve] uma casa de brinquedos, e onde serviu uma Mariana que há muito deve atender os viandantes do céu.

- Estalagem do Lopes ou Hospedaria do Caes Novo
Situava-se nas imediações do atual Banco de Portugal, visto que tinha outra entrada pela Rua do Sargento-Mor, e ter particularidade de ser pouso de estudantes endinheirados, acabados de chegar, até se mudarem para o seu território da Alta.

Na parte final do texto o Autor refere ainda que Camilo esteve hospedado na «Marquinhas do Leite Morno», na Rua Larga … e que pelos séculos XVII, XVIII e XIX existiram no burgo as estalagens «do Galego» … do «Fernando» mais conhecida pela «Estalagem do Inferno» a do «Raimundo da Teodora» … a do «Francisco Lopes de Carvalho», próximo da ponte, e a hospedaria do «João de Aveiro» que um incêndio destruiu em 1902.
Aqui e ali, muitas vezes nas proximidades das estalagens, existiam também as «albergarias».

Silva, A.C. As Estalagens Coimbrãs e do seu termo. Separata da Munda. 1988.

 

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por Rodrigues Costa às 11:38

Terça-feira, 17.05.16

Coimbra: a cerâmica aqui produzida 1

Não é fácil conhecer as origens da atividade cerâmica em Coimbra, que certamente antecedeu a formação da própria nacionalidade. Documentos escritos referenciam-na em meados do século XII (1145) e começos do século XIII (1203 e 1213), podendo pois falar-se de uma tradição de mais de oito séculos.

Do período que decorre até ao século XV, são escassas as informações conhecidas, Posteriormente, a documentação com referências à cerâmica em Coimbra torna-se mais abundante, sendo possível avaliar mais facilmente o seu desenvolvimento. São marcos significativos o aparecimento da faiança e da profissão de pintor de louça. Quanto à faiança, julgamos datar-se os seus inícios – provados documentalmente – dos fins do século XVI … Baseamo-nos na alusão a Manuel Bernardes, «malgueiro de louça branca», que de acordo com a Sisa de 1599, pagava 400 réis. O ofício de pintor de louça aparece em vários documentos da primeira metade do século XVII. Na segunda metade deste, já a maior parte da louça expedida pela barra da Figueira provinha das fábricas de Coimbra, tendo-se depois (1701-1758) verificado um substancial aumento da saída da louçã coimbrã por aquele porto, a qual se destinava ao Algarve, aos Açores e Madeira e também à Inglaterra.

Mas foi no último quartel do século XVIII que a cerâmica da Lusa Atenas entrou num «período de incomparável brilho e actividade», como escreveu António Augusto Gonçalves. A ele ficaram indissociavelmente ligados dois nomes famosos: Domingos Vandelli e Manuel da Costa Brioso.

O primeiro fundou uma fábrica de louça no Rossio de Santa Clara (1784), vindo a criar um tipo de faiança característico, vulgarmente conhecido por «louça vandel», tendo-lhe sido concedidos privilégios diversos para a exploração da mesma.

… A ação do segundo, menos conhecida durante muito tempo mas não menos importante, foi posta em destaque por alguns estudiosos … Encontramos uma referência à fábrica da viúva de Manuel Jesus (?) Brioso, provavelmente descendente de M. Costa Brioso.

Mas não eram somente as fábricas de Vandelli e Brioso que então se localizavam em Coimbra, pois o seu número ascendia a 17, sendo 11 de louça branca e 6 de louça vermelha.

Como sucedeu em várias outras regiões do país com a indústria em geral, nas primeiras décadas do século XIX, a cerâmica em Coimbra sofria os efeitos da concorrência estrangeira – quanto à louça de melhor qualidade – e das invasões francesas. Assim, das 14 fábricas existentes em 1813 – 9 de barro branco e 5 de barro vermelho -, 6 estavam em decadência, 5 estacionárias e só 3 progressivas. De notar que a mais afetada era a cerâmica de barro vermelho, visto nas 6 fábricas em decadência estarem incluídas as 5 desta louça.

A situação descrita pouco terá melhorado durante mais de uma década … em 1825 principiou a notar-se alguma tendência para aperfeiçoamentos, com a fundação de uma fábrica de faiança por Leandro José da Fonseca.

Mendes, J. A. Cerâmica em Coimbra nos finais do século XIX e inícios do século XX (Achegas para o seu estudo). In A Cerâmica em Coimbra. 1982. Coimbra, Comissão de Coordenação da Região Centro. Pg. 23 a 44.

 

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por Rodrigues Costa às 10:15

Sexta-feira, 29.04.16

Coimbra: Incidente com a Milícia de Coimbra

Ao regimento de milícia de Coimbra, formado por habitantes da cidade e de numerosas povoações compreendendo a maior parte da Bairrada, tocou a obrigação (aquando das invasões francesas) de marchar para a praça de Almeida, e no aviso convocatório fora dada ordem para formar em parada, na força de 690 homens, no Rossio de Santa Clara, a 25 de Março de 1801.

A academia, que nesse ano atingira o número de 1648, entre alunos da Universidade e do Colégio das Artes … foi em grande número assistir à parada. Às tantas, porém, alguns dos seus membros entraram a dirigir chufas aos bisonhos milicianos… ridicularizando-os, numa provocação que chegou ao ponto de derrubarem algumas das armas que se encontravam ensarilhadas … um oficial mais assomadiço ou menos condescendente mandou calar baioneta à sua companhia e ordenou uma carga sobre os provocadores.

Fugindo tudo em debandada, nem por isso deixou de haver muita gente maltratada, tendo falecido um frade do Colégio de Santa Rita (vulgo Colégio dos Grilos), em consequência dos ferimentos recebidos. A noite chegou e os milicianos de fora tiveram de ser aboletados em casas particulares, como era de uso.

Os estudantes, ansiosos de um desforço, espalharam-se pelas ruas da cidade, preparados para a agressão aos milicianos, dirigindo-lhes ultrajes em altas vozes, tendo havido alguns conflitos e ferimentos … quando da partida do regimento para Almeida … os estudantes o fossem esperar no melhor ponto para o ataque, postando-se na Ladeira da Forca, sobranceira à moderna Rua da Figueira da Foz. Mas tendo-se feito constar que o regimento ia de armas carregadas, isso bastou para dissipar qualquer propósito de provocação, e pôde seguir pacificamente ao seu destino.

Para apurar responsabilidades, o conservador da Universidade logo instaurou uma devassa … Tempo depois, em 29 de Novembro, o reformador-reitor … remeteu a devassa ao ministro do reino, propondo que se expulsassem da Universidade três dos principais … Mas, o alvitre parece não ter sido aceite, pois o reitor repetiu dois anos mais tarde … como se nunca o houvesse apresentado anteriormente.

 

Loureiro, J. P. 1967. Coimbra no Século XIX. Separata do Arquivo Coimbrão, Vol. XXIII. Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra. Pg.24 a 26

 

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por Rodrigues Costa às 10:14


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