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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 17.11.15

Coimbra na Revolução Industrial 2

… No sector da moagem, massas alimentícias e bolachas, destacaram-se as fábricas Miranda, Ld.ª e Triunfo … A primeira (de massas alimentícias e bolachas) foi fundada em 1887, por José Victorino Botelho de Miranda, tendo sido inicialmente também instalada no … Convento de São Francisco, em Santa Clara. Em 1900, foi transferida para a Avenida do Porto da Pedra (para o belo edifício, felizmente recuperado, que se encontra junto à Ponte Açude).
A Sociedade de Mercearias, Ld.ª, criada em 1913, viria posteriormente a dar origem à Fábrica Triunfo, cujo progresso foi evidente, no final do primeiro conflito mundial … A posterior deslocação das instalações, da Rua dos Oleiros para a Pedrulha, possibilitou a sua expansão, até ao seu recente fecho.
No que concerne a bebidas, saliente-se a sociedade por quotas Cervejas de Coimbra, Ld.ª, criada em 1920, posteriormente designada Companhia de Cervejas de Coimbra, Ld.ª (1924), que instalou a sua fábrica e cervejaria junto ao Parque Dr. Manuel Braga e produzia a conhecida cerveja Topázio … viria a ter uma vida útil de apenas cerca de três décadas, até à sua transferência para as novas instalações, na zona industrial da Pedrulha, onde também não teria vida longa.
… Deve ainda ser recordada a Fábrica dos Curtumes, instalada na Rua Figueira da Foz, em plena I Guerra Mundial, isto é, em 1915. Esta era propriedade da firma “Raposo, Amado & Godinho.
… No sector dos serviços, mais propriamente nas artes gráficas, também Coimbra tem uma longa tradição, que passa pela Imprensa da Universidade (criada pelo Marquês de Pombal, em 1772, encerrada em 1934 e refundada há pouco…)
… No período em foco … devemos assinalar …:
a) Gráfica Conimbricense Ld.ª (30-7-1920);
b) Coimbra Editora, Ld.ª (7-8-1920).

Mendes, J. A. 2010. Coimbra Rumo à Industrialização. 1888-1926. In Caminhos e Identidades da Modernidade. 1910. O Edifício Chiado em Coimbra. Actas. Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra, pg. 143 e 144

 

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por Rodrigues Costa às 12:38

Segunda-feira, 16.11.15

Coimbra na Revolução Industrial 1

Coimbra, do ponto de vista dos ideais, das novas correntes estéticas e das ideias políticas, fervilhava, no terceiro quartel do século XIX … Todavia o seu tecido produtivo continuava a ser o artesanal, muito semelhante ao que sempre fora, desde a Idade Média. Mesmo a Fábrica de Sabão, fundada em 1871 por Augusto Luiz Martha, em Santa Clara (nas proximidades da Feitoria dos Linhos e junto ao futuro Portugal dos Pequenitos) não contribuía para alterar o panorama. Com efeito, aquela não passava de uma grande oficina, que produzia sabão manualmente, como aliás continuaria a fazer, durante mais de um século, mesmo após ter instalado a linha de produção automática … nas unidades artesanais conimbricenses produziam-se artigos de primeira necessidade, sobretudo os relativos à alimentação, ao vestuário, ao alojamento e pouco mais. As fontes coevas mencionam, por exemplo: padarias, refinarias de açúcar, pastelarias e confeitarias, unidades de produção de gasosas, trabalhos de construção civil, alfaiatarias e sapatarias, cordoarias e pirotecnia.
Os produtos destinavam-se, fundamentalmente, ao mercado local ou ao autoconsumo.
… Ao aproximar-se o final de Oitocentos, chegam finalmente a Coimbra os primeiros ecos da Revolução Industrial, através da famosa Fábrica de Lanifícios de Santa Clara que, durante cerca de um século, produziu tecidos de lã, de elevada qualidade, que rivalizavam com o que de melhor se fazia no mundo … A fábrica começou a laborar em 1888 … quando foi constituída a firma “Peig, Planas & C.ª” … tendo encerrado no final dos anos de 1980.
… Além dos lanifícios, a têxtil algodoeira foi igualmente uma das indústrias-piloto da primeira fase da industrialização … Foi a firma Aníbal de Lima & Irmão (sociedade em nome coletivo, estabelecida em 1867) que introduziu a indústria de malhas em Coimbra … instalando a respetiva fábrica, sucessivamente, no Largo do Romal … no Rego de Benfins … e finalmente, na Rua do Gasómetro (futura Rua João Machado).
As suas instalações foram edificadas em 1906-1907, onde se manteve em laboração até 1978.
… Também o Banco Comercial de Coimbra … lutou com enormes dificuldades para sobreviver cerca de um quarto de século (1879-1899).
… Indústria igualmente relevante, nesta fase do desenvolvimento industrial, foi a da cerâmica e da porcelana. Também neste domínio Coimbra tinha tradição. A primeira, que remonta à Idade Média, viria a adquirir certo prestígio do século XVIII para o XIX, graças a Brioso e Vandelli. O seu legado, após uma longa interrupção, viria a ser retomado pela Cerâmica Antiga de Coimbra (Quintal do Prior, também conhecido por Terreiro da Erva), em cujo local se trabalhava o barro, pelo menos, desde 1867.
… merecem destaque, em Coimbra:

a) A Cerâmica Limitada, e a instalação da sua Fábrica no Loreto, junto à Estação de Coimbra B (em 1919), ainda recordada pelo painel de azulejos – visível da referida estação … nela chegaram a trabalhar 1.000 operários, tendo encerrado em 1980.
b) Por sua vez, em 1924, a Sociedade de Porcelanas, Ld.ª … introduziu o fabrico de porcelanas em Coimbra…

Mendes, J. A. 1910. Coimbra Rumo à Industrialização. 1888-1926. In Caminhos e Identidades da Modernidade. 1910. O Edifício Chiado em Coimbra. Actas. 1910. Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra, pg. 138 a 143

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por Rodrigues Costa às 12:35


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