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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 04.01.24

Coimbra: Milésima entrada do blogue A’Cerca de Coimbra

A fim de assinalar a milésima entrada do blogue “A’Cerca de Coimbra”, entendemos, em jeito de balanço, solicitar a alguns dos qualificados leitores habituais, um breve comentário sobre o caminho já percorrido.

Pela nossa parte comprometemo-nos a prosseguir o trabalho encetado, enquanto a saúde nos permitir, embora admitamos introduzir alguns ajustamentos que se considerem pertinentes.

Aos Autores dos comentários, apresentados por ordem alfabética, simplesmente, o nosso muito obrigado.  

Rodrigues Costa

 

António Cabral de Oliveira

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Faz anos que sou frequentador assíduo, sempre com renovado interesse e o maior provento, de A’Cerca de Coimbra, o blog de Rodrigues Costa que, com coerência e determinação, tanto tem contribuído para o aprofundamento dos saberes sobre esta cidade – e seu termo –, também para um maior enraizamento do que alguns, poucos, ainda chamam, imagine-se, de orgulho coimbrão.

A ele recorro, sistematicamente, precioso auxiliar numa vida dedicada ao jornalismo, sobretudo de proximidade, para fonte confiável, não raro inspiradora, esclarecer dúvidas, ganhar conhecimentos, melhor me entrosar na realidade histórica e quotidiana de Coimbra.

A quem goste de Coimbra, de conhecer mais intrinsecamente a sua cidade, recomendo, como leitura obrigatória, uma circunstanciada e permanente consulta do blog. É indizível, em verdade, o quanto se aprende, o tanto que havia – há sempre – ainda por descobrir.

Gosto de visitar o site. Só lhe falta, mas talvez um dia, sistematizadamente, o alcance, o toque que a materialidade do papel propicia, aquele resto de cheiro a tinta que nos arrebata no livro.

Dispensado de encómios pessoais – em nome da consideração, respeito e amizade que há décadas nos une –, obriga-me, contudo, uma palavra de grande elogio, na simplicidade que só poucos alcançam, ao trabalho desenvolvido, persistência da regularidade, à excelência alcançada.

Por ocasião da entrada milésima, parabéns, Rodrigues Costa, pelo empenhamento e persistência afirmados. E, permitindo-me falar não apenas a título pessoal, um bem-hajas por mais um serviço, enorme – se isto não é servir Coimbra, não sei, então, o que o será – à cidade que nos enleva.

Longa vida – queira Deus – para nossa inteira vantagem pessoal, essencialmente enquanto inquebrantável esteio na defesa dos superiores anseios de Coimbra, ao A’Cerca de Coimbra.

António Cabral de Oliveira

 

Carlos Ferrão

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Promover a Cultura é um desafio interminável, que convoca o melhor da inteligência humana a surpreender-se sobre o passado, agir no presente e preparar-se para o futuro.

Durante séculos o mais importante veículo de disseminação da cultura escrita, era o papel em livros, revistas, jornais ou panfletos. O seu uso foi posto em causa durante muito tempo e com o início da era digital, "a morte do papel" tornou-se um conceito plausível de ser discutido por vários teóricos e especialistas, trazendo novos domínios vantajosos, como a mobilidade, a pesquisa, a edição e a partilha.

Com a utilização maciça do computador, o uso do papel não foi totalmente suplantado, mas surgiram espaços próprios e originais para a escrita e apareceram novas ou diferentes convenções do texto que revolucionaram a própria escrita.

A escrita eletrónica e o texto digital parecem potenciar, de facto, a diferenciação de géneros e audiências. No atual contexto de publicação, estão contemplados os textos digitais, os websites, os chats, as redes sociais e em particular os blogs.

Os blogs passaram a ser o “coração” de uma estratégia em ambiente web, uma vez que, dirigidos a audiências especificas e segmentadas, alimentam as redes sociais e permitem a interação entre o editor e o leitor.

Aqui chegados, escolhida a ferramenta para criar e editar e a plataforma de alojamento, o blog “A’ Cerca de Coimbra”, faz o seu primeiro “post” em 15 de Maio de 2015, para um amplo projeto de partilha cultural.

Apoiado na História, na Sociologia ou a Antropologia, e focado no património material e imaterial faz despertar a atenção dos leitores para a enorme e rica herança cultural que a cidade possui, e passou a ser um espaço de excelência onde se procura, ou conquista o saber em conteúdos de qualidade e consistência e onde se encontra uma porta aberta para opinar.

“A’ Cerca de Coimbra”, regista neste mês de dezembro a sua 1000ª entrada. Não pode deixar-se passar em claro este tão relevante facto, e destacar o seu importante papel na transmissão de conhecimento que a partir de um enorme trabalho continuo de investigação, enriqueceu e continua a enriquecer a comunidade.

Parabéns ao Dr. Rodrigues Costa, fundador e editor do blog “A’ Cerca de Coimbra”, pelo empenho e por esta importante conquista que alcançou e faz acreditar que no mundo virtual, esta é uma forma real e transparente do que deve ser a divulgação da cultura.

Venham mais 1000, 2000 ou 3000 “postagens”!

Carlos Ferrão

 

Isabel Anjinho

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Numa época em que todos fazem blogues, mesmo que sejam “blogues acerca de nada”, como pude constatar recentemente, é justíssimo enaltecer e falar um pouco sobre o blogue A’Cerca de Coimbra, iniciado em Maio de 2015, na sua milésima entrada.

Mas, em primeiro lugar, uma palavra sobre o seu autor, António Rodrigues Costa, que me honra com o tratamento por “Filha”, de que já não prescindo. Homem de convicções, “salatina” de gema, na sua modéstia pouco fala sobre os altos cargos que desempenhou na Câmara Municipal de Coimbra, nomeadamente de Vereador e Director de Cultura. Durante a sua passagem pela Praça 8 de Maio, um dos legados que nos tentou deixar e que, infelizmente, os que o seguiram não entenderam manter, foi o saudoso Museu dos Transportes Urbanos de Coimbra. E talvez tenha sido a sensação de um trabalho não reconhecido, nem na sua maioria continuado e até mesmo por vezes deliberadamente escondido, que o levou a encetar este magnífico blogue sobre a história de Coimbra. Nesta empreitada, a que se propôs, esteve apoiado pelos Amigos de sempre, Regina Anacleto e Nelson Correia Borges (permitam-me não usar os títulos, sobejamente conhecidos, dos três protagonistas desta história).

O blogue A’Cerca de Coimbra teve o seu começo em 13 de Maio de 2015, sendo o seu objectivo “recolher referências à cidade do Mondego existentes em obras publicadas e divulgá-las utilizando os recursos que as novas tecnologias disponibilizam”.

Bem organizado, por datas e/ou por temas, apresenta uma escrita clara e objectiva, com as “fontes bibliográficas” sempre no final de cada entrada. A sua leitura é um prazer, sendo igualmente um excelente auxílio à investigação. De facto, basta recorrer ao índice de “tags” para, rapidamente, se chegar ao assunto desejado.

De entre tudo o que pude ler no blogue, destaco uma entrada, de 20 de Setembro de 2022, que me impressionou, pelo implícito grito de dor do autor, que o levava a quebrar a sua tão característica descrição no que respeitava aos cargos desempenhados: «... A sua consulta levou-nos a constatar que nesse Inventário [da Documentação de Turismo no AHMC ] se encontra omitido a esmagadora maioria de um significativo número de processos respeitantes ao período situado entre 1974 e 1983, processos esses que se encontravam devidamente organizados e arquivados e que patenteavam evidente e relevante interesse histórico. Em suma, os anos [entre 1977 e 1988] em que tive a honra de dirigir aqueles serviços [municipais de turismo] foram, pura e simplesmente ignorados». Percebemos, depois, que a documentação referente a esses anos simplesmente desaparecera do conjunto arquivístico a tratar, razão porque não pudera ser incluída.  Seria da maior justiça a revisão dessa publicação bem como um agradecimento público, por parte da edilidade ao António Rodrigues Costa.

Isabel Anjinho

 

Mário Araújo Torres

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Iniciado em 13 de maio de 2015, o blogue «A’ Cerca de Coimbra», criado e mantido ao longo de quase nove anos por António Rodrigues da Costa, um reconhecido especialista apaixonado por assuntos conimbricenses, atinge a sua milésima publicação.

Nascido na Couraça dos Apóstolos, “na casa da Cerca, adossada à muralha”, “muito jovem, aos 16 anos, tive como primeiro emprego a responsabilidade de dactilografar os difíceis originais do historiador de Coimbra, Dr. José Pinto Monteiro, que rapidamente também me encarregou de fazer pesquisas, nomeadamente nesse magnífico jornal que foi «O Conimbricense». Nasceu daí o meu gosto pela história de Coimbra.” (publicação de 20 de maio de 2015).

Aplicou-se ao longo dos anos, no seu blogue, a dar a conhecer dados sobre a história de Coimbra, recolhendo e divulgando as informações que ia coligindo, enquanto leitor compulsivo que sempre foi. 

Se as primeiras publicações quase se limitaram à reprodução de breves extratos das obras que ia lendo, com o tempo foram aumentando em extensão e enriquecidas com informações bibliográficas e pertinentes imagens.

É insuscetível de enumeração nesta breve nota a quantidade e variedade dos temas tratados, sempre centrados em Coimbra: as vicissitudes da sua história, a origem e beleza dos seus monumentos, as suas paisagens e tradições, as suas personalidades (do Conde Sesnando a José Afonso), a sua bibliografia.

Acresce a pertinência, a riqueza e a qualidade das ilustrações, sempre com a preocupação de indicação das fontes.

E, por último, o completo domínio dos instrumentos informáticos, com inserção de palavras-chave que, com um clique, nos remetem para os textos que tratam as centenas de temas, e um índice cronológico das publicações.

Por ocasião da milésima publicação de “A’ Cerca de Coimbra?”, os seus leitores agradecem a António Rodrigues da Costa o seu ingente esforço e aguardam que finalmente as autoridades municipais manifestem publicamente o seu reconhecimento.

Mário Araújo Torres. 

 

Regina Anacleto

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O blogue “A’ Cerca de Coimbra”, da responsabilidade do Dr. Rodrigues Costa, começou a ser publicado em 2015 e regista hoje a sua 1000.ª entrada.

Esta plataforma digital tinha e continua a ter como objetivo principal a divulgação de temas de recorte específico, maioritariamente relacionados com a história da cidade de Coimbra.   

Utilizando textos de múltiplos autores, sempre devidamente identificados, o blogue procura estabelecer uma conexão profunda com o leitor, disponibilizando-lhe, através desta forma de comunicação, conhecimentos diversificados e, por vezes, de difícil acesso. Para estimular esse diálogo vivo com o público, os textos são, sempre que possível, acompanhados de imagens ilustrativas dos conteúdos.

No blogue, o seu responsável procura dar uma visão global da história da urbe, caldeando textos mais antigos com publicações atuais, portadoras de novas visões e achegas. A História não é uma ciência estática. Está em constante movimento face a novos achados e a novas interpretações, resultantes, algumas vezes, das modernas tecnologias colocadas à disposição do investigador. Convém esclarecer que a perfeição é inatingível e que ninguém consegue saber tudo nem dizer tudo. Por isso, o facto de o Dr. Rodrigues Costa se encontrar umbilicalmente ligado à sua cidade natal e ao estudo da sua história alia-se, no seu blogue, a uma perceção clara dos movimentos da História e do modo como se articulam com a história local.

Saliente-se, de resto, neste contexto, que a história local, durante longos anos ostracizada, tem vindo a despertar o interesse dos investigadores, desde meados do século XIX, na exata medida em que contribui para um mais profundo entendimento da História (em sentido global), tornando-se num precioso auxiliar capaz de aportar múltiplos esclarecimentos aos campos político, económico, social e mental. Os indivíduos, assim como as sociedades, procuram preservar o passado como um guia que serve de orientação para enfrentar as incertezas do presente e do futuro.

Acrescente-se ainda, na esteira da dinâmica deste blogue, que a memória coletiva de uma determinada população estende-se aos territórios onde vive, aos seus monumentos, aos vestígios do passado e do presente, aos seus problemas, à cultura material e imaterial e, também, às pessoas.

De tudo isto dá conta “A’ Cerca de Coimbra”.

Por isso, na ocasião da publicação desta 1000.ª entrada do blogue “A’ Cerca de Coimbra”, não podemos deixar de parabenizar o Dr. Rodrigues Costa pela transmissão de tão grande volume de saber relacionado sobretudo com a cidade do Mondego e de salientar o enorme esforço de criteriosa investigação a que a publicação em causa o tem obrigado.

Resta-nos esperar a possibilidade de continuar a aprender com tão pertinentes ensinamentos.

Regina Anacleto

 

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por Rodrigues Costa às 11:01

Quinta-feira, 04.05.23

Carros Americanos. Achegas para a sua história 3

Terminamos esta pequena série de entradas relacionadas com os carros americanos que circularam em Coimbra, republicando o que sobre o tema escrevemos para a comunicação que apresentámos ao I Encontro Nacional sobre o Património Industrial, trabalho que se encontra publicado nas Actas e Comunicações. Volume I, daquele evento, editado em 1989, a páginas 265-278.

CA Actas e Comunicações. Volume I, capa.jpg

I Encontro Nacional sobre o Património Industrial.  Actas e Comunicações. Volume I, capa

A referida comunicação insere, entre outros, o subtítulo, Os primórdios dos transportes urbanos em Coimbra e o excerto que se segue foi adaptado a partir do que ali se encontra mencionado:

CA. Carro Americano 02 a Col. RA.jpg

Carro Americano. Aguarela de Autor não identificável. Acervo RA

A história. dos transportes urbanos em Coimbra inicia-se em fevereiro de 1873 quando Evaristo Nunes Pinto e Camilo Mongeon, a quem já tinha sido concedida licença para explorarem, na cidade, através da utilização de carros americanos, os transportes públicos, solicitaram à Câmara a autorização, acompanhada da planta do projeto, destinada a instalarem uma linha que ligasse a estação do caminho de ferro do Norte ao centro da cidade.

O município, a 20 de fevereiro, deu o seu aval. Todavia, o processo, forçosamente, teria de se arrastar, a fim de permitir a sua montagem, e, apenas em setembro de 1874, a empresa entretanto criada – a Rail Road Conimbricense – comunica ao Município «a abertura à exploração da linha desde a Calçada à estação do caminho de ferro do Norte».

Na cidade, a inauguração do início da circulação dos carros americanos aconteceu a 15 de setembro de 1874 e, no dia seguinte, foi assim noticiada pelo jornal o Tribuno Popular:

Partiram da Calçada 3 carros americanos. No primeiro seguiam os diretores, as autoridades de Coimbra e demais convidados. No segundo carro seguia na Imperial [deduz-se que, pelo menos um dos carros tinha segundo piso, a chamada «Imperial»] a Filarmónica de Conimbricense que tocava o hino da Carta. Muita gente a assistir, muitos foguetes. Pelas 3 horas da tarde foi servido um opíparo jantar na sede da Sociedade Terpshicore”.

Mas a vida da Rail Road Conimbricense não foi fácil, e o pedido de autorização apresentado em 1885, «Para estender a sua linha da Portagem ao Cais das Ameias» (a atual Estação Nova) e para efetuar «um abatimento de 40 a 60 reis nos preços dos bilhetes», não passou de uma tentativa frustrada destinada a combater uma concorrência mais forte: a entrada em funcionamento do ramal do caminho de ferro de Coimbra B ao Centro da Cidade.

CA. Praça 8 Maio com carro americano puxado a mua

Carro americano na Praça 8 de Maio. Acervo RA

Uma segunda fase de utilização dos carros americanos em Coimbra inicia-se em 30 de outubro de 1902, quando «Augusto Eduardo Freire de Andrade pede a concessão duma linha férrea, sistema americano, nas ruas da cidade, para tração animal».

Este processo só seria concretizado pela Companhia de Carris de Ferro de Coimbra, entretanto criada, em 1 de janeiro de 1904, e permitiu o «estabelecimento da ligação da atual estação de Coimbra-B com o Largo da Portagem, a que se seguiu, em 4 de fevereiro do mesmo ano, a abertura de um novo troço entre a Praça 8 de Maio e a Rua Infante D. Augusto» (junto à Universidade).

CA. Carro americano nos Arcos do Jardim.jpg

Carro americano aos Arcos do Jardim, puxado por 6 cavalos. Acervo Henrique de Melo

Todavia, este último troço cedo se verificou não ser operacional em função do acidentado do percurso e consequente agravamento de custos, como bem se pode comprovar pela observação da gravura anexa.

A derradeira notícia conhecida relacionada com a atividade desta Empresa, data de 3 de fevereiro de 1916, quando o Município reconheceu que «estando o transporte de malas do correio para os comboios da noite a fazer-se no antigo carro americano puxado a muares» decidiu autorizar que o mesmo transportasse também passageiros.

Ainda neste período deve assinalar-se a efémera existência – com início em janeiro de 1907 – da primeira carreira de autocarros em Portugal que, nesta Cidade, ligava a zona da alta à zona da baixa, iniciativa da Empresa Automóveis Tavares de Mello Coimbra, que para o efeito utilizava carros «de 4 cilindros com a força de 24 cavalos e transportavam 20 pessoas».

CA Carreira de Autocarro. Illustração Portuuesa

Autocarro em Coimbra. In: «Ilustração Portuguesa», II Série, n.º 50, de 4 de fevereiro de 1907.

 A terminar, uma curiosidade­: na Figueira da Foz, cerca de 1880, também já circulavam carros americanos.

CA. Figueira. Amaricano. c. 1880.jpg

Carro Americano da Figueira da Foz, c. 1880. Acervo RA

Rodrigues Costa

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por Rodrigues Costa às 16:54

Terça-feira, 10.05.22

Coimbra: Na Judiaria de Coimbra 1

Neste último Sabat do mês de Hexevan da era da criação do mundo de cinco mil setecentos e oito [1947] – bendito e Eterno Deus de Israel – os meus olhos de mortal viram a sombra do grande arrabi da judiaria de Coimbra.

Bem pouco preparado estava para tal encontro.

Dia de maravilha esse: luminoso, tépido, a atmosfera pura como frequentemente acontece no outono, as distâncias nítidas e o ambiente vizinho dum encanto subtil. A luz trespassa-nos e convida-nos a gozar estas horas únicas que a Natureza dá antes de nos mergulhar nos sombrios nevoeiros e no horror do frio.

Eis-me por aí à toa, entregue ao prazer do momento.

Errando por Montarroio encontrei-me numa varanda natural, voltado para cidade velha, mais aliciante nesta luz dourada. Parei a olhar para a antiga judiaria, a rua do Corpo de Deus.

Posição sugestiva, hoje que se vê poeticamente o passado, posição de deserdado seria outrora.

JC. Passava a muralha.jpg

Passava a muralha pela parte de trás, servindo de base agora ao Colégio Novo

 Passava a muralha pela parte de trás, servindo de base agora ao Colégio Novo. Deste ponto o terreno inclina-se violentamente, em escarpas sucessivas, até atingir as linhas demarcadas pela Visconde da Luz e pelo terreno onde assenta o café de Santa Cruz, a sacristia, etc. alongando-se pela antiga Ribela acima.

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Rua de Corpo de Deus, nos anos 50 do século passado

 

Havia um socalco levemente mais largo e nele se alcandoraram as casarias do gheto coimbrão, tendo dois acessos, um para o lado da Calçada e outro para a Fonte Nova; barricados estes, transformavam-se quase em fortaleza, bem precária contudo.

JC. Desci ao vale. Avenida Sá da Bandeira. Manute

Desci ao vale por um caminho que representa um outro já multissecular. Fui ter ao sítio da Fonte Nova.

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Vale da Ribela e Rua de Entremuros. Imagem da coleção particular do Dr. Branquinho de Carvalho

 Pode ver-se de longe esta modelação forte e nobre, sempre repelida de cristãos, nervo do comércio e progresso deles, lançada aqui, como quase em toda a parte, fora das muralhas, como primeira vítima oferecida aos invasores.

Pode ver-se longe esta modelação natural do terreno, por intermédio de certas linhas que servem como que de curvas de nível e que são: a do Colégio Novo, no alto, a da rua do Corpo de Deus, a da parte traseira das casas desta, os diversos socalcos dos quintais até ao ângulo inferior, que serve de esporão terminal aquele dorso da colina, formado pelo ângulo da Visconde da Luz e da linha da rua das Figueirinhas. Representa esta (modificada pelos crúzios) uma estreita vereda que levava à Porta Nova e que nos serve hoje para avaliar rapidamente o declive do terreno.

Pode-se ver de longe esta modelação forte e nobre, sempre repelida de cristãos, nervo do comércio e progresso deles, lançada aqui, como em quase toda a parte, fora das muralhas, como primeira vítima oferecida aos invasores.

Gonçalves, A. N. 2019. António Nogueira Gonçalves. Colaboração em Publicações Periódicas. Coordenação de Regina Anacleto e Nelson Correia Borges. Prefácio de José de Encarnação. Coimbra, Câmara Municipal. Volume II, pg. 483-485.

 

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por Rodrigues Costa às 14:57

Quinta-feira, 16.12.21

Coimbra: Presépio da igreja de S. António dos Olivais

No terreiro que está detrás da igreja de S. António dos Olivais, um pouco escondida, está uma pequena capela.

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Capela do presépio, no terreiro posterior da igreja de S. António dos Olivais

Dentro dessa capela encontra-se, na sua singeleza de figuras de barro, um presépio que julgamos ser conhecido de não muitos conimbricenses. 

Presépio que foi assim descrito em meados do século passado:

Encostada ao muro do mesmo terreiro, para o lado da estrada dos Tovins, fica a capelita do Presépio, de elementos arquitetónicos do século XVII, abrigando um presépio popular, de algumas dezenas de figuras que devem datar te fins do século XVIII ou já do XIX. Segundo uma lápide foi restaurado em 1929. No seu caráter popular é digno de consideração. O pobre artista inspirou-se de diversos pontos, encontrando-se figuras vestidas à maneira quinhentista, etc.

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(Correia, V., Gonçalves, N. Inventário Artístico de Portugal. Cidade de Coimbra. 1947. Lisboa, Academia Nacional de Belas Artes, p. 95.)

Mais chegado aos nossos dias numa conferência a que iremos voltar, o presépio é assim descrito:

“Presépio” popular, de algumas dezenas de figuras, e que devem datar já dos finais do século XVIII ou até mesmo dos primórdios do XIX. Apesar do seu carácter popular, é digno de consideração.

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(Anacleto, R. Conferência. Santo António dos Olivais: de ermitério a freguesia, Comemoração dos 151 anos de elevação a freguesia civil de Santo António dos Olivais.  2005.11.20. Coimbra, Casa Municipal da Cultura.)

Embora se possa visualizar no local, o blogue “Pingo de Luz”, permite aceder em https://umpigodeluz.blogspot.com/2012/12/presepio-da-igreja-de-santo-antonio-dos.html,  a um conjunto muito interessante de fotografias do presépio.

xxx

Esta lembrança fez-me voltar à minha meninice.

Meu Pai era um Homem que sabia fazer quase tudo. Uns dias antes do Natal, num canto da nossa casa, com algumas pequenas tábuas montava a estrutura de uma pequena montanha que tinha no sopé uma gruta à qual todos os caminhos iam dar.

Depois, o meu Pai pintava, com cores escuras, procurando imitar a terra e as pedras, papel de sacos de cimento ou outro qualquer papel grosso e com esse material dissimulava a estrutura de madeira.

Concluída esta fase era tempo de ir, pela sua mão, buscar um saco de serradura, a uma serração que existia ao fundo da rua Direita. Serradura que servia para se representarem os caminhos.

Existia ainda uma outra tarefa de que muito gostava. Depois de descer até à Portagem e atravessar a ponte, subíamos ao monte sobranceiro ao miradouro do Vale do Inferno. Ali havia um belo musgo verde com tons de amarelo das folhas caídas e também um musgo seco branco que parecia a neve.

Esse musgo era colocado com carinho e arte no presépio.

Na véspera do Natal, durante a tarde dispunham-se as figuras todas a caminho da gruta. Figuras compradas, primeiro na romaria do Espírito Santo e, depois, numa loja da Rua da Sofia que ainda existe. O Menino Jesus só era colocado na manjedoura depois da ceia de Natal e os Reis Magos só chegavam em janeiro.

Era a alegria de uma criança feliz de outros tempos. Eu.

Rodrigues Costa

A todos e a cada um, a quem gosta da nossa Coimbra e em particular aos que seguem este blogue desejo um Feliz Natal e um Bom Ano Novo. Até ao início de 2022.

Rodrigues Costa

 

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por Rodrigues Costa às 09:54

Terça-feira, 14.04.20

Coimbra: Presumível capela junto ao Convento de S. Francisco

No passado dia 2, publiquei uma entrada com o título “Coimbra: Fábrica de Lanifícios de Santa Clara 2” e, relacionada com ela, um leitor questionou-me no sentido de saber que estrutura é aquela que se vê à frente do convento … seria alguma capela de alminhas/via sacra como existe na ladeira que desce de Sta. Clara-a-Nova?
Referia-se ao edifício quadrangular que se visualiza na fotografia então publicada.

Complexo industrial da Fábrica de Lanifícios.jpgComplexo industrial da Fábrica de Lanifícios em Santa Clara. Finais da década de 70 do século. Fotografia do arquivo particular de Pedro Planas Meunier, acedida, em https://www.publico.pt/2019/07/08/local/noticia/ascensao-queda-fabrica-coimbra-1878945

Dessa estrutura, a partir de uma outra fotografia, obtivemos o seguinte pormenor que a mostra numa posição frontal.

Presumível capela no antigo Rossio de Santa ClaraPresumível capela no antigo Rossio de Santa Clara, hoje Praça das Cortes (pormenor)
Col. Carlos Ferrão

Respondi que, embora ainda me lembrasse do edifício, nada sabia sobre o mesmo, razão pela qual iria tentar obter algumas informações.

A primeira ajuda veio-me de Carlos Ferrão que disponibilizou boa parte das fotografias utilizadas para ilustrar esta entrada e suscitou várias hipóteses referidas mais à frente.
Uma vez na posse das fotografias pedimos uma opinião a Nelson Correia Borges que nos adiantou o seguinte parecer: Relaciono essa construção com os torreões que existem no terreiro da nossa antiga escola [a Brotero, atual Jaime Cortesão], com um que ainda está a meio da Av. Sá da Bandeira e mesmo com os da entrada no jardim de Santa Cruz.

Antigo torreão da cerca do Mosteiro de Santa CruzAntigo torreão da cerca do Mosteiro de Santa Cruz, localizado na Av. Sá da Bandeira
Imagem do Google Maps

Numa das fotos vê-se bem o cuidado tratamento que foi dado ao lintel da porta e ao óculo superior, pelo que não tenho dúvida que a construção será bem anterior à Fábrica. Estes elementos parecem poder ser datados da segunda metade do século XVIII. Para o que serviria? Inclino-me para uma finalidade de tipo religioso e poderia ter albergado o cruzeiro viário referido pelo Prof. Nogueira Gonçalves. É evidente que teve intervenção posterior, como se vê pelas janelas laterais que se detetam em fotografias. Trata-se, no entanto, de mera hipótese de trabalho.
Perante esta pista, guiados pela mão de Regina Anacleto, chegamos ao Inventário Artístico de Portugal. Cidade de Coimbra e a um texto de Nogueira Gonçalves.
O primeiro, o Inventário, descreve o local, dizendo que dava acesso à Igreja do Convento de S. Francisco uma escadaria dupla, paralela ao adro, existindo uma grande cruz no muro em posição medial.
Na estrada, havia um cruzeiro do século XVII, que pela modificação viária, ficou metido na entrada da fábrica. (In: Correia, V., Gonçalves, A. N. Inventário Artístico de Portugal – Cidade de Coimbra. Lisboa, 1947, pg. 91).

Edifício inserido na entrada da fábrica.jpgEdifício inserido na entrada da fábrica
DGARQ - Centro Português de Fotografia (Estúdios Tavares da Fonseca), pormenor

O segundo, de Nogueira Gonçalves, diz-nos que A região coimbrã teve predileção por certa variante de cruzei¬ros, aquela em que a cruz se abriga num templete, formado de quatro colunas e suportam cobertura hemisférica ou piramidal.
Na própria cidade levantaram se alguns.
A piedade que os ergueu foi os melhorando pelo tempo fora ordinariamente seguindo as seguintes fases.
Primeiramente deu se lhes uma lanterna ou lâmpada e uma caixa de esmolas. Fecharam se lhes depois três lados, por meio de paredes, e no quarto colocou se uma porta com gradeamento de ferro; valorizaram se as paredes internas com diversos reves¬timentos; dotaram se, nalguns casos, de altar. O santuariozinho completou se frequentemente com um corpo de capela, ou mes-mo, amparado de maior favor, foi substituído por uma autênti¬ca capela ampla. (In: A. Nogueira Gonçalves. Colaboração em publicações periódicas. Coordenação de Regina Anacleto e Nelson Correia Borges. 2019. Coimbra, Câmara Municipal, I vol., pg.231)

Foram estes textos que nos levaram a eleger o título da entrada; contudo, eles não nos dão a certeza de que, inicialmente, teria sido essa a finalidade do edifício em apreço.

Como referimos, também batemos à porta de Carlos Ferrão que analisou as possíveis e diversificadas utilizações da estrutura depois da extinção das ordens religiosas e, consequentemente do convento, concluindo:
Independente do que teria sido antes, nos anos 20 do século passado, a estrutura, é apontada como sendo um Posto de Transformação (PT) de eletricidade da rede publica ligado à Fábrica de Santa Clara. Posto que era bidirecional, recebendo e injetando energia elétrica na rede pública.

Outra imagem do edifício.jpgOutra imagem do edifício
Col. Carlos Ferrão

Importa recordar que em Coimbra, existiram 21 centrais elétricas, todas termoelétricas. Uma de serviço público, as outras de serviço particular como a de Santa Clara, da empresa Planas & Cª que funcionou entre 1942 e 1947, com uma potência de 144 kW.
A fábrica por ser também produtora, era vendedora e compradora de energia à Câmara Municipal.

Depois de exploradas estas pistas concluímos que algo se adiantou, embora as dúvidas continuem a persistir.
Decorre daí o facto de serem bem-vindas outras informações passíveis de continuar a aclarar o assunto.

Rodrigues Costa

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por Rodrigues Costa às 10:44

Terça-feira, 25.02.20

Coimbra: Antigos caminhos e pequenos bairros a nascente da Cidade

Com esta entrada iniciamos a divulgação de alguns artigos publicados por Nogueira Gonçalves entre 1921 e 1991, principalmente em jornais. Este texto, um dos que mais nos tocou, integra a obra recentemente editada pela Câmara Municipal de Coimbra, intitulada “A. Nogueira Gonçalves. Colaboração em Publicações Periódicas”, que teve a coordenação de Regina Anacleto e de Nelson Correia Borges.
É nossa intenção voltar, uma e mais vezes, a este livro de grande valor histórico, escrito de uma forma admirável pela sua beleza e singeleza.

Nada mais natural pensar que a antiga estrada da Beira até á Portela tenha seguido um traçado que a atual decalca; o próprio terreno parece indicar esse lógico trajeto; e, todavia, não se deu isso.
Deixaremos para outra vez o caminho da rua da Alegria, Arregaça, seguindo para Marrocos, o caminho da via longa como outrora se dizia.
A estrada da Beira partia não da ponte mas da parte alta, da porta do Castelo.
Sigamo-la.
Passada a porta da fortaleza tinha-se logo abaixo ao lado direito o caminho que permitia voltar á cidade pela porta da Traição; à esquerda a estrada de Entremuros que levaria a Fonte Nova, de onde se tomaria para a porta Nova ou rua das Figueirinhas ou ainda se cortaria a norte para o Montarroio.
Além de entrada principal da cidade travessas várias pois daí se tomavam; não faltaria a qualquer hora gente a calcorrear o ponto de separação viário.

Aqueduto de S. Sebastião. Arco principal 03.jpgNa parte mais plana, a do colo do monte, pedia um agregadozinho populacional. Coleção Regina Anacleto

Muito naturalmente o sítio, na parte mais plana, a do colo do monte, pedia um agregadozinho populacional. Ao lado direito, aonde vinha bater o muro da velha quinta dos crúzios, havia um, como hoje, em frente ao aqueduto. Prolongava-se mais que agora (e duma demolição recente ainda nos lembramos todos), fazendo uma correnteza de casas, tendo só encostadas aos arcos e em frente, portanto das outras umas duas ou três.
Tinha para o lado da Penitenciária a modesta capela de S. Martinho, e em ponto levemente anterior o oratório do Santo Cristo das Maleitas, transformação dum cruzeiro de caminho.
Era este o fatal bairro popular que precedia a entrada das cidades fortificadas. Tabernas, pequenos negócios, gente sem eira nem beira, vivendo em tugúrios e pronta a qualquer serviço humilde, a alombar todos os carregos, a encarregar-se de qualquer recado, tudo isso aí ficaria.
Sigamos o caminho, passando sob o arco principal, pois que a topografia foi modificada com o muro do jardim botânico. Era aqui o ladeirento e pequeno campo de Santa Ana, com o chafariz, donde seguia o caminho de Celas e cortava o da Beira para o novo bairrozinho, o de S. José, tirando o nome do colégio conventual de S. José dos Marianos (hospital militar).
Logo na esquina, tal como hoje, lá esperaria sem sombra de dúvida outra taberna aos que vinham da cidade e aos que cansara a ladeira que nós iremos descer.
Paremos e deixemos que os nossos olhos repousem a despedir-se das duas casas que as demolições deixaram em pé por uns breves dias.
Uma das coisas mais incompletas que há pelo campo das ciências é a geografia humana; em nenhum livro dos vários que dela se ocupam e que percorri (em nenhum!) encontrei este capítulo: – a taberna fulcro da fixação dos agregados populacionais. Valia a pena estudá-lo e escrevê-lo, que daria perspetivas novas a esta ciência.
A taberna atual deverá representar uma série infinda delas. Já ali beberam as tropas de Massena, para não falar em tempos mais antigos. Quantos almocreves, carreiros, gente de todo o género por ali não passou, quantos mendigos ali não trocaram uns tostõezinhos por um bom copo, compensador da miséria e do abandono, dando-lhes um verdadeiro antegosto dum céu particular!
Não há sensibilidade nesta desgraçada terra, não há amor da tradição, escusado será pedir à fria gente da Câmara para a conservar no meio dum larguito, enramada de larga parreira e com um loureiro a dar sombra. Dentro de dias o balcão esmurrado e nodoento será tirado, desaparecerá aquele soalho aonde cuspiram centenas de gerações! Exultaram os higienistas, como é de seu mau instinto, e eu entristecer-me-ei por saber que os malandros que hoje me pedem um tostãozinho não terão aonde o ir empregar sem tardança!

S. Antoninho dos porcos 1.jpgCapela de Santo Antoninho dos porcos, na sua atual localização. Coleção Regina Anacleto

S. Antoninho dos porcos 2.JPGCapela de Santo Antoninho dos porcos, interior. Coleção Regina Anacleto

Começava a descida e, à capela de Santo Antoninho dos porcos (pois que ali se fazia o mercado deles) passava o caminho pelo desvio angular que ainda ali se vê, para depois se meter pela ladeira calçada das Alpenduradas.
No fundo da descida, depois do mercado e das traseiras da fábrica, atingindo o vale, encontrava-se, como hoje, o começo do bairro do Calhabé e que se continuava esgarçadamente até perto da passagem de nível, sítio este aonde todos nós conhecemos umas casas baixas.

Calhabé 7 CF.jpgNuma destas parece que viveu o velho Calhabé. Coleção Carlos Ferrão

Numa destas parece que viveu o velho Calhabé, prazenteiro e bebedor, mas que fora homem de representação.
Já outrora ninguém pensaria que ainda fosse cidade o Calhabé, bem ao contrário do que os justos fados talharam e que começa a realizar-se: o Calhabé ser a cidade e Coimbra um pobre bairro do mesmo Calhabé!
Podia-se descansar um pouco que uma nova ladeira esperava o caminhante. Lentamente subia-se á Portela da Cobiça.

Portela da Cobiça.JPGPortela da Cobiça. O que resta, no seu estado original, do percurso descrito

Lançado um último olhar à cidade afastada, transposto o colo, caminhava-se pelo vale transverso até ao rio, que depois se ia acompanhando para cima das Torres.

Barc do Concelho.JPGLocal onde funcionava a “barca do Concelho”

Em frente aos Palheiros esperava-se que a barca do concelho viesse da outra margem e nos transportasse.
A cidade, aonde ficava ela!
Não vale a pena continuar só pela esperança de a tornar a ver do alto do monte, vencida a longa e áspera ladeira.
Lá seguiriam os viandantes, pelo cume, até Carvalho. Por Poiares, Almas da Serra, (S. Pedro Dias) iriam cair na Ponte de Mucela, aonde buscariam agasalho conforme a sua bolsa.
A serra máxima, a da Estrela do pastor, esperava-os. Quantas horas não levariam, moídos do mau piso e da distância! Tudo isso tão longínquo, não é verdade? E, todavia, para a gente da minha infância e um pouco mais velha, com a melhoria das diligências e da estrada a macadame, quão próximo e compreensivo, que os tempos anteriores se poderiam fazer surgir sem espanto; como tudo está longe, porém desta gente que já foi embalada num bom automóvel!
«Diário de Coimbra», 1952.12.25.

Gonçalves, A. N. 2019. António Nogueira Gonçalves. Colaboração em Publicações Periódicas. Coordenação de Regina Anacleto e Nelson Correia Borges. Prefácio de José de Encarnação. Coimbra, Câmara Municipal. Volume II, pg. 498-500

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por Rodrigues Costa às 10:02

Quinta-feira, 30.01.20

Coimbra: Nogueira Gonçalves coletânea de artigos

Será apresentado no próximo dia 6 de fevereiro, às 17h00, na Casa Municipal da Cultura, sala Francisco de Sá de Miranda, o livro A. Nogueira Gonçalves. Colaboração em publicações periódicas.

Capa do livro.jpg

A. Nogueira Gonçalves. Colaboração em publicações periódicas, capa

A obra, editada pela Câmara Municipal de Coimbra, é constituída por 1148 páginas que se dividem por 2 volumes e incluem, no final, os índices onomástico e toponímico que, obviamente, se revelam de enorme utilidade. Reúne os textos que o Padre Nogueira Gonçalves foi inserindo, ao longo da sua vida, em publicações periódicas, não propriamente de índole científica, mas onde procurava transmitir ao cidadão comum, através de palavras simples e de frases bem buriladas, o seu muito saber. Todo este material, que se encontra disperso e, na maior parte das vezes, é de difícil acesso, passa a estar reunido numa única fonte.
Deve-se aos seus discípulos Doutores Regina Anacleto e Nelson Correia Borges a árdua tarefa de terem procurado e agrupado esses numerosos textos.
O índice dos dois volumes, que aqui reproduzimos, é elucidativo.

Índice do livro.jpg

Índice da obra

Lembro-me bem da sua figura de homem alto e austero, a caminhar lentamente pela Cidade, de olhos atentos a tudo o que via.

A. Nogueira Gonçalves.jpg

P.e António Nogueira Gonçalves

Conhecendo parte dos escritos ora reunidos – que iremos divulgando neste blogue – não tenho qualquer dúvida em afirmar que se trata de uma obra que irá ser de consulta obrigatória para todos quantos se interessam e dedicam à história de Coimbra e da Região onde a nossa Cidade se insere.
Deve ainda salientar-se a qualidade estética dos textos, dos quais ressalta a paixão pelos temas tratados e o imenso saber de quem os escreveu.

Rodrigues Costa

Notas biográficas;

António Nogueira Gonçalves deixou uma profunda marca na historiografia da arte portuguesa, uma vez que iniciou caminhos nunca antes trilhados e que se vieram a tornar credibilizadores desta área do conhecimento.
Nasceu a 22 de dezembro de 1901 na Sorgaçosa, pequena aldeia escondida nas pregas da serra do Açor, bem perto da mata da Margaraça, concelho de Arganil… Ordenado presbítero a 26 de julho de 1925.
A “res artística” desde muito cedo o atraiu e, apenas com 19 anos, em setembro de 1921, publica no jornal A Comarca de Arganil, um texto onde dá a conhecer a existência, na igreja de Pomares, de um arco românico.
… A dimensão científica que o virá a projetar no tempo, absolutamente pioneira quando, nessa década de 30, desenhou os seus primeiros passos, prosseguirá quase até ao final da vida e manter-se-á, em muitos domínios, inultrapassada.
… A sua multifacetada erudição permitiu-lhe abranger vastas áreas: da Epigrafia à Pintura, da Heráldica à Arquitetura, da Paleografia à Escultura, passando pela Ourivesaria, pela Cerâmica, pelos Tecidos, etc.
Autor de uma vasta obra da qual se releva os “Inventários Artísticos da Cidade de Coimbra” (1947) e do “Distrito de Coimbra” (1952), inicialmente entregues a Vergílio Correia, mas que este mal teve tempo de começar e nos três volumes do “Inventário Artístico” dedicados ao “Distrito de Aveiro” (1959, 1981 e 1991), já da sua inteira responsabilidade.
… Foi nomeado conservador do Museu Machado de Castro em 1942, e depois da morte de Vergílio Correia assumiu a sua direção.
… Em 1968, a Universidade de Coimbra convidou-o para lecionar, na Faculdade de Letras, as disciplinas de História da Arte. Aí se manteve, até à jubilação, ocorrida no ano de 1976, ultrapassado que era o limite de idade.
… A Universidade de Coimbra concedeu-lhe o grau de “Doctor honoris causa” pela Faculdade de Letras em dezembro de 1979.
A Academia Nacional de Belas Artes, por seu turno, elevou-o à categoria de Académico de Honra e, posteriormente, agraciou-o, em 1991, com a Medalha de Mérito de Belas Artes, classe de ouro.
Anos depois, em 1983, a Câmara Municipal de Coimbra, terra que adotara como sua, numa homenagem merecida, atribuiu-lhe a medalha de ouro da cidade e o título de cidadão honorário.
A edilidade arganilense, considerando-o «uma personalidade multímoda, de saber diversificado e profundo», orgulhosa por o poder contar entre as suas gentes, numa sessão solene realizada a 6 de setembro de 1992, no salão nobre dos Paços do Concelho, condecorou-o com a medalha de ouro da municipalidade.
Homem «de um só parecer, de um só rosto, uma só fé, de antes quebrar que torcer», como diria Sá de Miranda, faleceu na sua Sorgaçosa natal a 25 de Abril de 1998.

In: A. Nogueira Gonçalves. Colaboração em publicações periódicas. Nota biográfica. 2019. Coimbra, Câmara Muncipal, pg. 11-13.

 

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por Rodrigues Costa às 10:11

Terça-feira, 24.09.19

Coimbra: Francisco Lemos de Faria Pereira Coutinho, bispo

O percurso deste antístite é indissociável das atribulações que envolveram D. Miguel da Anunciação, analisadas anteriormente. Não obstante, o seu carácter único e imprescindível para a história da Mitra e da Universidade de Coimbra, é absolutamente indiscutível.

Retrato de D. Francisco de Lemos b.jpg

Retrato de D. Francisco de Lemos Faria Pereira Coutinho com a sua representação heráldica

Representação da heráldica de D. Francisco de LRepresentação da heráldica de D. Francisco de Lemos Faria Pereira Coutinho existente no retrato

Foi, portanto, o décimo sétimo conde de Arganil e quinquagésimo segundo bispo de Coimbra, D. Francisco Lemos de Faria Pereira Coutinho, natural de Santo António de Jacotinga (Rio de Janeiro). Filho de Manuel Pereira Ramos de Lemos de Faria, capitão-mor e Senhor do Engenho de Marapicu, e de D. Helena de Andrade Sottomayor Coutinho, nasceu a 5 de Abril de 1735, vindo com a tenra idade de onze anos para Portugal.

Salva com as armas de D. Francisco de Lemos.JPG

Salva em prata branca, com as armas de D. Francisco de Lemos ao centro. MNMC

Sob a tutela do seu irmão mais velho Dr. João Pereira Ramos de Azeredo Coutinho, o prelado seguiu Humanidades na Universidade de Coimbra, doutorando-se em Cânones em 1754 com apenas 19 anos de idade, prenunciando a carreira brilhante que iria construir nesta Instituição. Enquanto frei professo na Ordem de Avis, recolheu ao colégio dos Militares, aguardando vaga no magistério universitário. Entretanto, ao vagar o deado da Sé do Rio de Janeiro, terá pedido a nomeação para este cargo, recusada peremptoriamente por Sebastião José de Carvalho e Melo, que terá respondido: “Não lhe convém tal emprego. Não limite tanto as suas vistas”. Com efeito, viria a ser nomeado sucessivamente Juiz Geral das Três Ordens Militares, desembargador dos Agravos na Casa da Suplicação, deputado da Mesa Censória e do Tribunal do Santo Ofício. De facto, como veremos, o Marquês terá insistido para que D. Francisco Lemos fosse eleito vigário capitular, aquando da condenação a que D. Miguel da Anunciação foi severamente sujeito, pela mão de Pombal.
Nomeado Reitor da Universidade em 8 de Maio de 1770, com 35 anos foi, juntamente com o seu irmão João Pereira Coutinho e Frei Manuel do Cenáculo, um dos principais elementos da comissão da Junta da Providência Literária, que reformou a Universidade.
… Foi o responsável pela reforma de 1772, acumulando as pensões de reformador e reitor, sendo um ano depois apresentado como coadjutor e futuro sucessor do bispo de Coimbra, D. Miguel da Anunciação, confirmado a 13 de Abril de 1774 por Clemente XVI com o título de bispo de Zenópolis.
… Falecido o anterior prelado, o bispo de Zenópolis ter-se-á dirigido a D. Maria I pedindo providências quando à mitra de Coimbra, recebendo como resposta uma carta ríspida com palavras de admoestação, aconselhando-o a seguir “as modelares virtudes do seu antecessor”.

Selo de Chapa com as Armas de D. Francisco.JPG

Selo de Chapa com as Armas de D. Francisco de Lemos…Tombo do Couto de Casal Comba, Convento de Sant’Ana. A.U.C.

… Os últimos anos da sua vida foram um mapa de atribulações das quais se ressalvam as invasões francesas, tendo sido um dos membros da missão enviada a Baiona, aquando da invasão de Junot … D. Francisco de Lemos terá regressado em Novembro de 1810, data em que conseguiu licença para recolher à sua diocese mas, num processo em que foi acusado de traidor, foi retido até 1814 enquanto as autoridades apuravam responsabilidades, só depois podendo regressar à Universidade.
Acusado de ter divergido dos outros membros da comitiva, de ter viajado com um salvo-conduto do ministro da Guerra francês e de ter acompanhado as tropas francesas que caminhavam pelo norte de Espanha, só regressou a Coimbra já em idade avançada, “alquebrado de desgostos e trabalhos”, resultado de um processo que se arrastou sem as conclusões devidas.
… Veio a falecer em Coimbra, a 16 de Abril de 1822.

Santos, M.M.D. 2010. Heráldica eclesiástica - Brasões de Armas de Bispos-Condes. Dissertação de Mestrado em História da Arte, Património e Turismo Cultural apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Acedido em 2918.05.22, em
https://www.academia.edu/1118570/Heráldica_eclesiástica_Brasões_de_armas_de_bispos-condes 

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por Rodrigues Costa às 10:46

Terça-feira, 17.09.19

Coimbra: Miguel da Anunciação, bispo

Miguel Carlos da Cunha, nascido em Lisboa a 28 de Fevereiro de 1703, viria a ser o décimo sexto conde de Arganil e o quinquagésimo primeiro bispo de Coimbra, sob o nome de Miguel da Anunciação.

Pedra-de-armas de D. Miguel da Anunciação.jpgPedra-de-armas de D. Miguel da Anunciação conservada no Seminário Maior de Coimbra

…. Filho de Tristão da Cunha e Ataíde, primeiro conde de Polvolide, e de D. Arcângela de Távora, filha do segundo conde de São Vicente e sobrinho do Inquisidor-geral D. Nuno da Cunha de Ataíde, que o baptizou, é evidente que estamos, uma vez mais, diante de um prelado de linhagem ilustre.
Tendo ingressado como porcionista no real colégio de S. Paulo, em Coimbra, em
1719, já em 1724 o vemos receber o grau de bacharel em Cânones. Dois anos volvidos, foi nomeado em concurso, condutário da Faculdade de Cânones.
O seu percurso religioso ficou marcado pela entrada no Mosteiro dos Cónegos Regrantes de Santa Cruz, nesta mesma cidade, tendo recebido o hábito em 1728 e onde foi eleito geral da congregação logo em 1737. A sua convivência com frei Gaspar do Casal, que empreendeu importantes reformas neste mesmo mosteiro, foi decisiva para moldar o seu carácter, vindo a ser um dos mais acérrimos adeptos do movimento da jacobeia. Ascendeu pouco depois à mitra conimbricense por nomeação de D. João V, recebendo a sagração dois anos mais tarde, em Abril de 1741.
A sua erudição e literacia estão patentes durante o percurso enquanto bispo desta cidade, quando apetrechou o Seminário Maior de Coimbra com muitas e valiosas obras, algumas das quais adquiridas directamente em França.

Pia de água benta em calcário.JPG

Pia de água benta em calcário, formada por dois corpos. Na parte superior encontram-se as armas de D. Miguel da Anunciação. MNMC

A fase conturbada da sua vida começa no momento em que se opôs à divulgação de obras de autores franceses do século XVIII, considerados perniciosos e contendo doutrinas contrárias aos ensinamentos da Igreja, através de uma pastoral de 1768 (posteriormente declarada falsa, infame e sediciosa, sendo queimada em público em 24 de Dezembro sob a presidência de Pina Manique). José Paiva discursa acerca desta problemática adiantando que “(…) Em Portugal, numa altura em que o regalismo Pombalino atingia a sua máxima expressão, D. Miguel da Anunciação foi, provavelmente, o único bispo que ousou seguir esta direcção”.

Salva de prata com armas de D. Miguel da Anunciaç

Salva de prata branca com brasão de armas de D. Miguel da Anunciação. MNMC

A partir do momento em que D. Miguel tornou pública a sua opinião, censurando obras entre as quais se incluía a Enciclopédia, o Dicionário Filosófico e autores como Rousseau e Voltaire, toda uma rede de intrigas e acusações recaiu sobre o infeliz prelado, acusado de pactuar com os jesuítas, de questionar a autoridade do rei e de se imiscuir nas decisões da Real Mesa Censória.
Na sequência destes eventos, foi preso à ordem do Conde de Oeiras sob um aparato de oitenta soldados de cavalaria que cercaram o paço episcopal. Naquele dia 8 de Dezembro de 1768, D. Miguel, assim como a sua Família e Fr. Luís de Nossa Senhora da Porta foram detidos e o antístite conduzido para Lisboa tendo ficado mais de oito anos encarcerado em condições miseráveis no forte de Pedrouços, enquanto os restantes ficaram o mesmo tempo na cadeia de Coimbra. Em todo este processo outros cónegos regrantes foram presos, em consequência de D. Miguel ser prior-mor de Santa Cruz, e todos os papéis foram daqui confiscados. O sino foi dobrado, por ordem de Sebastião José de Carvalho e Melo, que ordenou ao Cabido que considerasse o antístite morto civilmente e o bispado foi considerado vacante.
… Depois da alteração do panorama político com a Rainha D. Maria I, e a decadência do Marquês de Pombal e do seu afastamento forçado da capital, sabemos que D. Miguel reencontrou Sebastião José de Carvalho e Melo, aquando das suas visitas pastorais, ainda no fim desse mesmo ano. O Marquês tomou publicamente a bênção do antístite.
… Após um período de 29 meses onde ainda manteve actividade prelatícia, após a absolvição régia, morreu no convento de Semide em Agosto de 1779, tendo sido o seu corpo posteriormente transladado para Coimbra e sepultado na igreja de Santa Cruz.

Santos, M.M.D. 2010. Heráldica eclesiástica - Brasões de Armas de Bispos-Condes. Dissertação de Mestrado em História da Arte, Património e Turismo Cultural apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Acedido em 2918.05.22, em
https://www.academia.edu/1118570/Heráldica_eclesiástica_Brasões_de_armas_de_bispos-condes

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por Rodrigues Costa às 11:30

Quinta-feira, 12.09.19

Coimbra: Arquivo Histórico Municipal de Coimbra, curiosidades 4

Receita e Despesa do Engenho de Sergipe (Brasil)

Um exemplo da nossa internacionalização é: um Livro de Receita e Despesa de um engenho de açúcar do Brasil, entre 1574-1578.

Receita e Despesa do Engenho de Sergipe capa 1 a.JReceita e Despesa do Engenho de Sergipe (Brasil), 1574-1578, manuscrito papel, encadernação com fragmento de pergaminho com notação musical. AHMC

Pela análise do conteúdo verifica tratar-se do registo das receitas e despesas que António da Serra, procurador dos herdeiros do Governador Geral do Brasil, Mem de Sá, falecido em 1572, enviam para tomar conta dos engenhos de açúcar, de Sergipe e Santana, nos Ilhéus, e fazer o levantamento dos bens do governador.

Receita e Despesa do Engenho de Sergipe fl. 6 a.JP

Receita e Despesa do Engenho de Sergipe (Brasil), 1574-1578, folha com anotação das despesas. AHMC fl. 6

O livro está transcrito e publicado já foi divulgado em Portugal e no Brasil. Existe sobre este engenho mais informação, no século seguinte, quando transita para o património da Companhia de Jesus, por doação da filha de Mem de Sá. Há mais documentos sobre ele no conjunto da documentação dos Jesuítas no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

xxx

O documento não possui termo de abertura, ou encerramento que nos dê pistas sobre o seu autor.
… Nas folhas finais, 64 e 64v encontra-se o traslado de um documento … dado em Lisboa a 9 de Dezembro de 1573, diz que os seus herdeiros [do 3.º Conde de Linhares] nomeiam António da Serra «pera feitorizar nossa fazenda» no Brasil.
… António da Serra «Cavaleiro fidalgo d’el-Rei» embarca para a colónia no ano seguinte.

xxx

Ruínas da casa grande do Engenho Pedras e capela.

Ruínas do Engenho Pedras. Foto: Silvio Oliveira.

Ruínas da casa grande do Engenho Pedras.jpg

Ruínas do Engenho Pedras

"Ruínas do Engenho Pedras - Maruim (SE) fica na zona rural de Maruim. É símbolo do apogeu da época canavieira, onde o açúcar era exportado para os principais centros da Europa. A casa grande teve como base o Palácio do Governo de Sergipe. Pedras foi o principal engenho em termos de escravos e tamanho de propriedade. Primeiramente era do proprietário Gonçalo Prado Rollemberg, hoje pertence a família Franco". (Fonte: Facebook/Tô No Mundo).

França, P. Documentos de Arquivos Privados no espólio do Arquivo Histórico Municipal de Coimbra. Sécs. XIV-XIX. Acedido em 2019.05.25, em
http://arquivoshistoricosprivados.pt/wp-content/uploads/2016/12/6-Paula-Franca.pdf

França, P.C.V. e Pereira, I.M.B. Um Livro do Brasil no Arquivo Histórico Municipal de Coimbra: Engenho de açúcar em Sergipe. (1574-1578). In: Revista Portuguesa de História. T. XXXIII (1999)

Ruínas do Engenho Pedras – Maruim. Acedido em 2019.05.27, em
https://sergipeemfotos.blogspot.com/2014/02/ruinas-do-engenho-pedras-maruim.html

 

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por Rodrigues Costa às 22:15


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