Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 18.12.18

Coimbra: Bairro Operário

O problema do alojamento das classes mais carenciadas, maioritariamente residentes na Baixa, onde … se verificavam os maiores problemas de insalubridade, gerou várias tentativas de reforma urbanística, contudo sempre infrutíferas.

D. Manuel Correia de Bastos Pina 01.jpg

D. Manuel Correia de Bastos Pina

A construção de um bairro, especificamente destinado ao alojamento operário, começou a ser equacionada pelo município pouco depois da compra da Quinta de Santa Cruz. Em 1868 reservou-se alguns dos terrenos adquiridos para construção de um bairro operário, mas à semelhança de outros projetos também este foi sendo protelado.
Foi pela iniciativa do Bispo Conde, D. Manuel Corrêa de Bastos, que o desejo de um bairro para as classes mais carenciadas foi concretizado. Em 1897, quando se assinalavam os 25 anos do seu episcopado, o bispo recusou a oferta de uma valiosa cruz que lhe pretendiam oferecer e “pediu que ella fosse traduzida n’um pensamento mais levantado” e o seu valor aplicado na construção de um bairro para os operários mais carenciados.

Bairro operário. Localização a.jpg

Localização do Bairro Operário

Neste sentido, a 20 de Maio de 1897, solicitou ao município a cedência de um terreno na Quinta de Santa Cruz, entre o matadouro e o antigo caminho de Montarroio. Não estando a câmara legalmente habilitada para a cedência gratuita de terrenos cedeu a sua utilização por 19 anos.
O projeto, apresentado em Setembro desse mesmo ano, propunha a construção de um conjunto de 15 casas e uma capela. Agrupadas em duas bandas, uma de sete casas com frente para o antigo caminho de Montarroio e outra de seis casas com frente para atual rua Trindade Coelho. As casas de piso térreo ou com aproveitamento da cave onde o desnível do terreno permitia, possuíam um pequeno quintal para o cultivo de alimentos.


Bairro Operário tipo médio.jpg

s/a, Tipo médio das habitações do Bairro Operário, 1897

As obras começaram no mês seguinte e no dia de Natal de 1898 as primeiras casas começaram a ser ocupadas. Por iniciativa do Bispo Conde, o novo e moderno Bairro de Santa Cruz passou a albergar o primeiro bairro operário da cidade.

Bairro Operário planta térrea.jpg

s/a, Planta térrea das habitações do Bairro Operário,1987

No dia 12 de Novembro de 1911, ou seja, 5 anos antes do prazo previsto, o Bispo Conde entregou o Bairro ao município que a partir desta data assumiu a gestão do pequeno bairro. Contudo os edifícios apresentavam graves problemas de conservação e exigiam uma série de obras de conservação que “foram lentamente exgotando … os magros reditos provenientes das casas”.

Bairro Operário. Igreja.jpg

Capela e casas do Bairro Operário

Em Outubro de 1955, face ao mau estado de conservação dos edifícios, o bairro começou a ser demolido pelo município ficando o espaço abandonado até há poucos anos, quando foi transformado num pequeno jardim e parque infantil.

Calmeiro, M.I.B.R. 2014. Urbanismo antes dos Planos: Coimbra 1834-1924. Vol. I. Tese de doutoramento em Arquitetura, apresentada à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, pg. 353-356

 



Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 18:17

Terça-feira, 16.10.18

Coimbra: Matadouro municipal e iluminação pública

Matadouro  

Dos vários equipamentos apontados como essenciais para o funcionamento da cidade, o primeiro a ser criado foi o matadouro municipal. Antes mesmo de cedido o edifício, o município deliberou ocupar o antigo edifício do palheiro da Quinta de Santa Cruz “na esperança de que pelo governo não seria negado à camara aquele pequeno recinto”. Não foi de facto, instalando-se o matadouro municipal neste velho edifício até à construção de um novo na década de 1890.

 Nota: O matadouro construído em 1890 estava localizado no terreno hoje ocupado pela igreja de Nossa Senhora de Lurdes e jardim que lhe está junto. Posteriormente este segundo matadouro municipal foi substituído por um terceiro, localizado na Pedrulha, num terreno hoje devoluto.

Matadouro construído em 1890.JPG

 Matadouro construído em 1890

Planta com a implantação do matadouro.jpg

 Planta com a implantação do matadouro

 

 

Iluminação Pública   

Introduzida em Lisboa, no ano de 1802 pelo intendente de polícia Pina Manique, que mandou colocar candeeiros a azeite em todas as esquinas das principais ruas da cidade, constituía um acréscimo de segurança e conforto, permitindo prolongar “o dia pela noite dentro”. Um ano depois de solicitada, na noite de 17 de Novembro de 1836, as principais ruas e praças da cidade [de Coimbra] começaram a ser iluminadas com candeeiros alimentados a azeite

…. Neste mesmo ano, na capital, começavam os primeiros esforços para a introdução da iluminação a gás e para a construção da primeira fábrica de gás.

…Neste contexto, dezoito anos depois de instalada a primeira iluminação pública nas ruas de Coimbra, presidente Cesário de Augusto de Azevedo Pereira defendeu a substituição pelo novo sistema a gás, utilizado em Lisboa e no Porto e em várias cidades europeias. Além da melhoria da qualidade da iluminação pública, o novo sistema permitia a distribuição de gás aos domicílios. Ainda em 1854 foi assinado o contrato do exclusivo do abastecimento de gás iluminação pública e usos particulares com o empresário inglês Hardy Hislop, concessionário da iluminação na cidade do Porto.


Alçado do gasómetro 1854.jpg

 Alçado do gasómetro 1854

Dois anos depois, a fábrica de gás implantada na Rua de Fora de Portas foi inaugurada e Coimbra tornou-se a terceira cidade portuguesa a ser iluminada por este tipo de energia. Apesar de algumas reclamações pontuais, este sistema de iluminação foi amplamente difundido pela cidade e dez anos depois de inaugurado contava com 220 candeeiros públicos e uma ampla rede de canalizações que abastecia a maioria das habitações. Em 1894 o contrato de iluminação foi revisto garantindo o aumento de 130 candeeiros públicos.

Planta de reconstituição da rede de gás......jp

 Planta de reconstituição da rede de gás e com a implantação da fábrica de gás

Calmeiro, M.I.B.R. 2014. Urbanismo antes dos Planos: Coimbra 1834-1924. Vol. I. Tese de doutoramento em Arquitetura, apresentada à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, pg. 189-190, 200-202.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 08:34


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Dezembro 2019

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031