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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 11.08.16

Coimbra: a Fonte da Cheira

A Fonte da Cheira fica situada na Rua do Brasil, em frente à Rua da Fonte da Cheira.

Segundo F. A. Martins de Carvalho, a “composição arquitetónica desta fonte era o claustro da Anunciação, ou dos «Meninos de Palhavã», que se encontrava na galeria alta do claustro de Santa Cruz. Demolida a capela, aplicaram o portal na entrada da mala-posta, estabelecida no mesmo convento, passado em 1860 para esta fonte. É uma agradável composição arquitetónica, de pilastras em forma de suporte de hermes, arco bem concatenado com o remate, que é uma transformação do frontão curvo”

... Desde a sua construção, esta fonte teve apenas uma bica, que, inicialmente era constituída por uma caleira de pedra por onde a água corria, tendo sido, posteriormente, substituída por uma bica de bronze que lança a água num amplo tanque.

O nome, «Meninos de Palhavã», foi dado pelo povo de Coimbra aos infantes ... filhos naturais reconhecidos de D. João V que, ainda muito jovens, foram de Lisboa, onde viviam no lugar da “Palhavã”, para Coimbra receber educação literária no mosteiro de Santa Cruz.

A água desta fonte nasce na referida Quinta da Cheira, de que foi proprietário, no séc. XIX, o deputado às “Cortes Constituintes” em 1821 e lente de química da Universidade de Coimbra ... Tomé Rodrigues Sobral ... conhecido por ter fabricado pólvora e outros apetrechos de guerra, no seu laboratório químico da Universidade, no ano de 1808 ... um numeroso grupo de soldados, do exército de Massena, ao entrar em Coimbra no dia 1 de Outubro de 1810, depois da derrota no Buçaco ... dirigiram-se à quinta e incendiaram a casa, bem como a biblioteca e os valiosos manuscritos, entre eles o compêndio de química deste insigne professor.

Dada a relevância dos serviços prestados, o governo mandou reconstruir as casas deste lente por aviso de 31 de Outubro de 1861.

 

Lemos, J.M.O. 2004. Fontes e Chafarizes de Coimbra. Direção de Arte de Fernando Correia e Nuno Farinha. Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra. Pg. 73

 

 

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por Rodrigues Costa às 10:28

Segunda-feira, 02.05.16

Coimbra: Vaga de crimes na transição do século XVIII para o século XIX

Nos anos de 1799 a 1802, a região de Coimbra foi inundada por uma verdadeira vaga de crimes. Os assassinatos, roubos, violações e resistência às autoridades sucediam-se a traziam as populações em permanente inquietação. O «quartel-general» dos malfeitores estava localizado na vizinha povoação da Cruz dos Morouços e em outras aldeias não distantes desta cidade.

… Um atentado grave, porem, pôs em sobressalto a população citadina, que indignadamente se ergueu em protesto contra a impunidade em que vivam os criminosos … Este atentado teve lugar na noite de 20 de Janeiro de 1802. Dez facínoras dirigiram-se à Quinta da Cheira, no Calhabé, entraram numa casa particular, amarraram a sua moradora (mãe de um capitão de Ordenanças), estenderam-na sobre um banco, deram-lhe algumas picadas com uma faca, tendo um alguidar por baixo … intimidando-a assim para revelar onde tinha escondido o dinheiro. Como nem assim conseguiram que ela falasse, encaminharam-na para um quintal, abriram uma cova para enterrar a sua vítima, e reentraram em casa, revolvendo e arrobando tudo, roubando dinheiro, roupas e cereais. Nem um porco vivo escapou.

… Mas tornara-se corrente e geral a convicção de que as autoridades locais eram impotentes para fazer face à audácia dos criminosos …por carta régia foi o desembargador … incumbido de dirigir superiormente as averiguações … Chegado a Coimbra … instalou-se … na casa do correio velho, na Rua das Fangas, e logo expediu ordens severas para todas as autoridades da província da Beira, determinando a prisão dos criminosos. E em breve começaram a afluir ao pátio da casa do correio os criminosos capturados em diversas terras… Concluída a devassa, os réus presos foram enviados para a cadeia da Relação do Porto, ligados uns aos outros com cadeias de ferro.

… De Coimbra foram remetidos para o Porto 25 presos, e na capital do norte foram julgados por sentença de 25 de Junho de 1803, sendo 17 condenados a pena última, 3 a degredo perpétuo, 3 a degredo por dez anos, 1 a degredo por 5 anos, e só um absolvido … Por carta régia foi substituída a pena dos condenados à morte por outra menor … de degredo perpétuo, dando três voltas em roda da forca e sendo açoitados ali e em outros lugares.

… De harmonia com esse julgado, os réus vieram a Coimbra para a aplicação dos açoites, dando entrada na cadeia da Portagem. No dia seguinte para a triste cerimónia, saíram da cadeia seguros uns aos outros por gargalheiras de ferro, de mãos atadas adiante e nus da cinta para cima. O meirinho leu o acórdão da Relação logo à saída da cadeia, no Largo da Portagem, batendo o algoz em seguida com uma sola nas costas de cada um dos condenados. Percorreram as principais ruas e largos da cidade, repetindo-se o castigo em diversos pontos, e por último no Calhabé, no local do crime referido. E, voltando novamente ao Porto, de lá seguiram para o degredo.

Loureiro, J. P. 1967. Coimbra no Século XIX. Separata do Arquivo Coimbrão, Vol. XXIII. Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra. Pg.27 a 29

 

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por Rodrigues Costa às 09:24


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