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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 09.01.18

Coimbra: Portugal dos Pequenitos

A este espaço verde afluem, de todo o país e durante o ano, cerca de quatrocentos mil visitantes. Sendo um parque lúdico destinado à criança, atrai a si escolas e famílias, conferindo-lhe um sucesso que realiza em pleno a ideia fundadora do médico Bissaya Barreto. Reproduzir as arquiteturas de cada região, na sua forma popular, e as grandes obras de cada cidade a uma escala reduzida foi um conceito inovador e pode considerar-se o primeiro parque temático pensado para as crianças.

... O Portugal dos Pequenitos é constituído por uma rede de caminhos e pracetas, ladeados por réplicas em miniatura da arquitetura nacional, onde as crianças entram e brincam. Só um elemento destoa neste conjunto formado pelas crianças e pelas casinhas – as árvores cresceram ao seu porte final e são gigantes verdes neste universo liliputiano.

Portugal dos Pequenitos.jpg

 Portugal dos Pequenitos

 

O projeto de Cassiano Branco teve a sua primeira fase de construção entre 1938-1940, reproduzindo com rigor notável a arquitetura popular.

Numa segunda fase foram construídos os monumentos mais emblemáticos do país (a Torre dos Clérigos, a janela do Convento de Cristo em Tomar, o Arco da Rua Augusta ou a Universidade de Coimbra) e as imagens daí resultantes criam alguma confusão geográfica, como se o país se tivesse concentrado e encolhido, pois o Arco da Rua Augusta está a eixo com o Castelo de Guimarães.

A terceira fase, correspondendo ao final dos anos de 1950, apresenta a arquitetura tradicional das regiões que correspondem às antigas colónias: Macau, Timor, Angola, Moçambique e as atuais regiões autónomas da Madeira e Açores, revelando uma vontade política de afirmação e propaganda dos valores nacionais defendidos pelo Estado Novo.

Neste ambiente de miniaturas, em que nos adultos parecem estar a mais, foram ainda criados museus a uma escala de casa de bonecas: o Museu do traje, o da Marinha e do Mobiliário. Mas o ponto importante deste parque, mantido com um excelente nível, é a afluência que traz a Coimbra, confirmando uma importante obra do século XX.

 

Castel-Branco. C. Os jardins de Coimbra. Um colar verde dentro da cidade. In: Monumentos. Revista Semestral de Edifícios e Monumentos. N.º 25, Setembro de 2006. Lisboa, Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, pg. 180-181

 

 

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por Rodrigues Costa às 19:30

Quinta-feira, 21.12.17

Coimbra: Parque Verde do Mondego

No início do milénio, no âmbito do Programa Polis, foi projetado, pela empresa de arquitetura paisagista PROAP, o Parque Verde do Mondego, que se estende por 3 quilómetros da frente ribeirinha ao longo das duas margens do rio Mondego entre a Ponte de Santa Clara e a Ponte Europa. À beleza do rio veio, assim associar-se uma obra paisagística, já do século XXI, que permite uma valorização plena das famosas margens do Mondego

Parque Verde.jpg

 Parque Verde

 Três áreas se destacam, criando unidades diferentes: a frente rio, propriamente dita, plantada de salgueiros e choupos, com pequenos ancoradouros que se projetam sobre o rio e criam estadias sobre a água; a área de restaurantes e apoio aos desportos náuticos; e a zona de estacionamento. Recuada e separando a área de lazer da área de estacionamento, destaca-se uma enorme fonte-canal, paralela ao rio, de traçado inovador.

Rio Mondego pontes.jpg

 

Parque verde pontes

 Para ligar as duas margens, agora sempre distantes com o espelho de água que o Mondego passou a oferecer desde a construção do açude, foi projetada uma ponte pedonal pelos engenheiros Adão da Fonseca e Cecil Balmond que se completa no Outono de 2006.

A partir da saída da ponte, na margem esquerda, o projeto prevê uma ligação por túnel à área do Convento de Santa Clara-a-Velha e, mais além, ao Portugal dos pequenitos.

 

Nota:

Quanto ao Parque Verde cumpre-me dar um testemunho.

Um certo dia, ao fundo da ladeira do Batista designação popular do troço onde se inicia a Rua do Brasil, encontrei o Dr. Mendes Silva, então já ex-presidente da Câmara e, como advogado, regressado às suas funções de promotor imobiliário. Vinha eufórico. Segundo o que então me disse tinha acabado de estabelecer com os proprietários dos terrenos da Ínsua dos Bentos – que o atual Parque Verde parcialmente integrava – uma proposta de acordo a apresentar à Câmara da doação à Cidade do terreno da zona situada entre a linha da Lousã e o rio, em troca da possibilidade de construir na restante parte do terreno. Era a conclusão de um processo que, desde o seu mandato à frente da Câmara, vinha procurando erguer.

Não posso testemunhar o desenrolar das negociações, pois estas aconteceram num período em que, tendo concluído que me era impossível continuar a desempenhar o cargo de Diretor do Departamento de Cultura, Desporto e Turismo da Câmara de Coimbra, dentro do contexto que eu considerava ser o correto, tomei a decisão de renunciar a essa função e procurar trabalho onde se me pudesse realizar como pessoa e como profissional.

Coimbra, por vezes, é madrasta. E foi-o para essa figura ímpar de Conimbricense que se chamou Dr. Mendes Silva, a quem a Cidade ainda deve a homenagem e o reconhecimento do muito que por ela fez.

 

Castel-Branco. C. Os jardins de Coimbra. Um colar verde dentro da cidade. In: Monumentos. Revista Semestral de Edifícios e Monumentos. N.º 25, Setembro de 2006. Lisboa, Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, pg. 180

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por Rodrigues Costa às 09:25

Sexta-feira, 08.04.16

Coimbra e as suas personalidades: Bissaia Barreto

Fernando Baeta Bissaya Barreto nasceu em Castanheira de Pera, a 29 de Outubro de 1886, e faleceu, em Lisboa, em 16 de Setembro de 1974 … Em 1911, terminou o bacharelato em Medicina com 19 valores … ascendendo a Professor Catedrático em 1942 e jubilando-se em 1956.

No campo político pertenceu ao Partido Evolucionista e chegou a deputado eleito, em 1911, tomando parte na 1.ª sessão da Assembleia Nacional Constituinte que decretou a abolição da Monarquia.

… Detentor de exemplares capacidades humanísticas, científicas e pedagógicas, instituiu, em 1958, a Fundação Bissaia Barreto, vocacionada para prestar e desenvolver assistências, nas mais diversas áreas, nomeadamente na luta antituberculosa, no apoio à criança e à mulher-mãe. Aos leprosos, à psiquiatria, aos surdos e aos cegos, em geral a todo o espaço social e científico/médico. A obra deixada revela o amor que dedicou ao seu semelhante e à sua profissão sublinhando-se: três sanatórios anti tuberculose; um preventório; dois hospitais psiquiátricos; uma Colónia Agrícola Psiquiátrica; uma Leprosaria; uma Creche/Preventório para filhos de leprosos, bem como um Centro de Reabilitação para ex-leprosos; um Hospital Central, um Pediátrico, um Instituto materno Infantil; uma Casa da Mãe; um Centro de Neurocirurgia; um Centro Hospitalar; um Instituto de Surdos; um de Cegos; 26 Casas de Crianças; 3 Colónias de Férias; dois Bairros Sociais; Escolas de Enfermagem, Normal Social, de Enfermeiras Puericultoras, de Agricultura, Artes e Ofícios; Dispensários, Brigadas Móveis, Postos Rurais; Aeródromo de Coimbra; a Obra de Assistência Materno-Infantil, e outras instituições de cariz social, cultural, científico e assistencial. Em Coimbra deixou diversas instituições de que o Portugal dos Pequenitos, os Hospitais dos Covões e Pediátrico e os Ninhos dos Pequenitos abraçam uma fatia do bolo que legou aos homens

 

Nunes, M. 2005. Estátuas de Coimbra. Coimbra, GAAC – Grupo de Arqueologia e Arte do Centro. Pg. 181 a 183

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por Rodrigues Costa às 10:19


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