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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 07.03.19

Coimbra: Catarina Rainha de Inglaterra passa pela Cidade

D. Catarina Henriqueta de Bragança era filha de D. João IV e de D. Luísa de Gusmão. Nasceu no Paço ducal de Vila Viçosa a 25 de novembro de 1638 e casou-se, em 1662, com Carlos II de Inglaterra; por ser católica, jamais foi coroada rainha. Não teve descendência.

Cortejo de despedida e embarque de Dona Catarina dCortejo de despedida e embarque de Dona Catarina de Bragança para Inglaterra. Acedido em http://www.museudelamego.gov.pt/um-ano-um-tema-traz-em-abril-gravura-de-d-catarina-de-braganca/

Carlos II e Catarina de Bragança.jpg

Carlos II e Catarina de Bragança. Acedido em
https://www.vortexmag.net/a-rainha-portuguesa-que-mudou-a-inglaterra-e-lhe-deu-um-imperio/

Catarina Rainha da Inglaterra. Acedido.jpg

Catarina Rainha da Inglaterra. Acedido em https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d4/Catherine_of_Braganza_-_Lely_1663-65.jpg

Enviuvou a 16 de fevereiro de 1685, mas continuou a viver em Inglaterra durante o reinado de Jaime II, seu cunhado.
Embarcou para Lisboa a 29 de março de 1692 e entrou em Lisboa a 20 de janeiro do ano seguinte. No caminho passou, como se pode constatar lendo a entrada abaixo publicada, por Coimbra.
Morreu na capital, no Palácio da Bemposta que mandara construir para sua residência, a 31 de janeiro de 1705.
O costume de beber chá, embora de forma embrionária, já existiria em Inglaterra, mas D. Catarina institucionalizou-o no tão “britânico” hábito do five o'clock tea.

Dona Catarina enviúva e resolve voltar à pátria, e nova epistolografia se troca entre o novo rei [D. Pedro II] e a Câmara [de Coimbra] … com a carta régia de 28 do mesmo mês [Outubro de 1682] pede à cidade que recebesse sua Irmã com demonstrações de alegria como se do próprio se tratasse.
…. Recebida esta carta [expedida da Mealhada em 8 de Janeiro de 1693] se leo na camera …Logo se prepararaõ p.ª caminharem ao lugar dos Fornos destinado p.ª a espera, e se ordenou o congreço na praça da Câmara na forma seguinte:
Procediaõ dous trombetas a cavallo vestidos de vistosos catalufas e mais guarniçoens q a camera lhe deu, nas trombetas suas bandeiras com as armas reaes de huá parte, da outra as da Cidade, dous ternos de charamelas, os meirinhos e officiaes da Justiça; seguiace a bandeira da Cidade … se pedio a levasse … um dos principais sidadaõs desta Cidade … montado em hum fremozo cavallo tomou a bandeira e fazendo paço o seguia o senado com suas varas, e toda a nobreza e cidadoens a quem se havia avizado todos a cavallo e foraõ caminhando ao lugar destinado.
Chegados a elle com pouca demora chegou logo o Marques Conductor … e logo chegando a carroça real dando alguns paços, mandou parar o Marques e chegando à estribeira deu parte … como ali estava a camera e nobreza da Cidade … lhe beijaraõ a maõ.


Catarina Rainha de Inglaterra 2.jpg

Catarina Rainha de Inglaterra. Acedido em https://www.bing.com/images/search?q=catarina+rainha+da+inglaterra&id=D73B6E84EF6502AB8725C63E9751A98EBE629801&FORM=IQFRBA

…. Chegados à porta [Porta da Cidade, ou Porta de S. Margarida como é referida na planta de 1845 realizada por Izidoro Emílio Baptista, uma vez que a Porta da Figueira Velha, segundo José Pinto Loureiro, já não existia no reinado de D. João III] estava já nella o Bisconde e o procurador da Cidade q lhe entregou as chaves … Nesta porta estava hum Fremozo arco dos Tendeiros feito de duas faces como todos os demais, vestido de sedas passamane e volantes.
…. Davaõ principio ao acompanhamento os Atabales, Trombetas e charamelas, seguiãoce varias danças de homens e de mulheres, e duas pellas cubertas de ouro … na entrada na rua de St. ª Sofia era tal a confuzaõ das musicas danças e tom dos repiques dos sinos de toda a Cidade q naõ havia quem de alegria naõ derramasse lagrimas … naõ cabia a gente nas ruas a cada passo se parava, tomouce a rua de Coruche na entrada da qual estava o segundo arco feito pellos ourives de fabrica de madeira pintado; deste se entrou na rua da Calçada no meyo da qual estava o terceiro arco dos mercadores de grosso tracto, obra sumptuoza de madeiras com pedrarias fingidas de Italia sobre colunas retorcidas, no alto delle estava ao norte o retrato Dell Rey D. Joaõ o 4.º … da parte do sul estava o retrato de El Rey D. Pedro Nosso Senhor com outras duas figuras do Mondego e Tejo … sahioce a Portagem onde estava o 4.º Arco feito pellos roupavilheiros de armaçoens vistozas e ricas pinturas, subioce a Couraça e no arco de St.º António estava o quinto arco dos livreiros e serieiros feito, com boa traça e vistosa armaçaõ, deste se tomou a rua de são christovaõ no meyo da qual para cubrir hum paçadiço q nella ha fizeraõ o sexto e ultimo arco os Armadores; em que mostravaõ o primor da sua arte … daqui se subio ao Palacio Pontifical, aonde ao apear assistio a Camera; e foi acompanhando a Sr.ª Rainha athe a antecâmera em q entrou pelas 4 oras da tarde.
Na noute deste dia e nas duas seguintes se puzeraõ luminarias em toda a cidade … Aos seroens desta noutes cortejevaõ o palácio na praça delle a mayor parte dos Académicos.
…. Ao segundo dia fizeraõ os estudantes da Provincia do Alentejo huã fortaleza de fogo no terreiro da feira [hoje Largo da Feira dos Estudantes] … Ao terceiro dia se correram por ordem da Camera na praça da Cidade Touros de cavallo … e matou seis touros.

Silva, A.C. Dona Catarina Rainha de Inglaterra e a sua passagem por Coimbra no regresso a Portugal. Separa de Munda. 1986.

 

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por Rodrigues Costa às 19:56

Segunda-feira, 14.08.17

Coimbra: Companhia Conimbricense de Illuminação

No decurso da investigação que venho realizando, encontrei a seguinte curiosa notícia:

 Dom Luiz. Por graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, etc. Fazemos saber a todos os nossos súbditos, que as côrtes geraes da nação decretaram e nós queremos a lei seguinte:

Artigo 1.º É aprovado o contrato de iluminação da cidade de Coimbra, por meio de gaz, celebrado entre a respectiva camara municipal e a companhia conimbricense de illuminação, a gaz, por escriptura de 17 de março de 1874.

Instalações do gás.jpg

Instalações da Companhia Conimbricense de Illuminação, fotografia da coleção de Jorge Oliveira, a quem agradecemos a cedência

 Contrato para a iluminação a gaz da cidade de Coimbra, a que se refere esta lei, e d’ella faz parte.

Saibam os que este publico instrumento de contrato virem, que no anno do nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de 1874, aos 17 dias do mez de março, n’esta cidade de Coimbra, paços do concelho e sala das sessões ... se achavam presentes de uma parte os ex.mos dr. José Maria Pereira Coutinho, vice-presidente da camara ... e da outra parte os ex.mos directores da companhia conimbricense de illuminação a gaz, José Luiz Pereira Crespo e João Eduardo Ahrens, residentes em Lisboa... E logo pelo primeiro outorgante foi dito que, terminando em 30 de setembro do corrente anno a concessão feita á companhia representada pelos segundos outorgantes para a illuminação a gaz da cidade de Coimbra, em virtude da escriptura celebrada ... em 13 de Outubro de 1854, tinham ambas as partes contratantes acordado em renovar aquela concessão mediante as seguintes condições.

1.ª A companhia... obriga-se a continuar a laboração da sua actual fabrica e a montar á sua custa todos os novos aparelhos que forem precisos para fornecer todo o gaz necessario á illuminação  publica e particular da cidade de Coimbra que lhe for requisitado, tanto pela camara municipal, como pelos particulares, para terem de noite illuminação permanente em todas as ruas, travessas, praças e mais logares públicos em que actualmente existe a illuminação a gaz ou para onde se fizerem as novas canalisações a que se refere a condição 12.ª.

& único. Para este fim a companhia conservará desde o ocaso até ao nascimento do sol em toda a sua canalisação a necessaria pressão.

2.ª Este contrato vigorará pelo praso de dez annos...

3.ª O estabelecimento ou fabrica da companhia continuará a ser, como presentemente é, no sitio das Portas de Santa Margarida, ao fundo da rua da Sophia, no terreno que actualmente ocupa...

...

6.ª Os candieiros continuarão a ser de chapa de cobre, assente sobre braços ou candelabros de ferro fundido e todos numerados...

7.ª - 1.º Nas noites de luar claro, desde o nascer até ao pôr da lua a luz dos candieiros públicos poderá ter só metade das dimensões marcadas.

- 2.º Os candieiros públicos serão accesos ao anoitecer e apagados ao amanhecer, sendo este serviço regulado de fórma que todos os candieiros estejam accesos vinte minutos depois do escurecer, e não se comecem a apagar mais de vinte minutos antes do amanhecer.

...

11.ª A camara pagará á companhia, livre de toda e qualquer outra despeza... a quantia de 22$500 réis annuaes por cada candieiro de illuminação publica...

12. Alem dos candieiros existentes ao tempo da celebração d’este contrato, a camara poderá exigir da companhia a colocação de outros, pelo preço anual estabelecido...

1.º Alem da illuminação acima estipulada a companhia obriga-se a canalisar de novo, e colocar os candieiros que a camara indicar nas linhas seguintes:

Linha da estação do caminho de ferro, aproximadamente 1:297 metros correntes;

Linha da ponte 681 metros;

Linha do Jardim Botanico 190 metros;;

Linha da Alegria 200 metros;

Linha do caes 330 metros;

Linha do Bairro de Thomar 500 metros

Diario do Governo. 1875. Numero 76, de 7 de Abril

 Notícias que nos permite concluir que:

- A iluminação pública, a gás, foi iniciada cerca de 1854;

- A fábrica onde o gás era produzido estava instalada no terreno que mais tarde – após a municipalização desta empresa – serviu de remise e oficina dos carros elétricos, até à sua transferência para as instalações da Rua da Alegria;

Remise e oficina dos elétricos 1.jpg

 As mesmas instalações já adaptadas a remise e oficinas, fotografia da coleção de Jorge Oliveira, a quem agradecemos a cedência

 - Remise e oficina que, até há algum tempo, eram conhecidas pelas “instalações do gás”;

- No início da segunda metade século passado foram essas instalações cedidas para ampliação do Palácio da Justiça. Ampliação que ainda não aconteceu até ao presente, sendo que os edifícios ali existentes se apresentavam muito degradados até à sua muito recente demolição. O espaço vêm servindo de parque de estacionamento dos magistrados e funcionários do Palácio da Justiça

 

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por Rodrigues Costa às 12:35


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