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A' Cerca de Coimbra


Segunda-feira, 02.07.18

Coimbra: Concerto memorável ou uma lição a considerar

Assisti ontem, em Coimbra, a um concerto notável realizado na Igreja de Santa Cruz por dois grupos que se mobilizaram conjuntamente, a fim de levar a cabo o evento.

Um– MOÇOS DO CORO – dirigido por um jovem maestro, integrava seis vozes femininas e seis vozes masculinas, na sua maioria jovens estudantes e professores de música. O outro – GRUPO VOCAL ANÇÃ-BLE – era composto por 5 elementos masculinos pertencentes a uma Família que, de alguma maneira, se encontra ligada a Coimbra.

Comecemos pela folha de sala, de evidente bom gosto:

coral_0001.jpg

 O programa, tal como se mostra na imagem seguinte, encontrava-se arrolado no anverso.

coral_0002.jpg

 

Constava de quatro obras da autoria de Dom Pedro de Cristo e de quatro peças, escritas por cada um dos quatro jovens autores que se encontravam presentes; estes compositores, no respeito pela ambiência musical própria do polifonismo, conseguiram integrar nas suas obras traços significativos e significantes do tempo atual.

A interpretação, para além de aproveitar as excecionais condições acústicas existentes no templo, atingiu um nível de altíssima qualidade.

O público – onde sobressaía um significativo número de estrangeiros – quase encheu a igreja e, no final, manifestou o seu apreço pelo que lhe tinha sido dado ouvir com um justo e longo aplauso.

 

Depois de relatar o que me foi dado presenciar gostaria de partilhar aqui algumas reflexões que tenho tentado, em vão e na justa medida das minhas limitações, transmitir a quem de direito, a fim incentivar a cidade de Coimbra a aproveitar melhor o muito de bom que a ela se encontra vinculado; infelizmente apenas tenho esbarrado com um fechar de olhos e um virar de costas.

Essas reflexões vão traduzidas em forma de questões e começo por perguntar qual o número de Conimbricenses que sabe quem foi Dom Pedro de Cristo?

Eis algumas achegas para a resposta:


Pedro_de_Cristo[2].pngDom Pedro de Cristo. Imagem extraída de

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_de_Cristo#/media/File:Pedro_de_Cristo.PNG

 

Dom Pedro de Cristo nasceu em Coimbra (Portugal) em c.1550. Passou a maior parte de sua vida em Coimbra, no Mosteiro de Santa Cruz, onde tomou hábito em 1571.

Mestre de capela do mosteiro, cargo de que foi titular a partir de 1597, Dom Pedro de Cristo foi ao mesmo tempo professor de música, cantor e tangedor de vários instrumentos, nomeadamente de tecla, harpa e flauta. Morreu em Coimbra, em 16 de dezembro de 1618.

Dom Pedro de Cristo - cujo nome secular era Domingos - pode ser considerado um dos maiores polifonistas do século XVI no domínio da música religiosa. É como compositor que tem o seu lugar na história, com a sua vasta obra vocal polifônica de 3 a 6 vozes, compreendida por inúmeros motetos, responsórios, salmos, missas, hinos, paixões, lamentações, versos aleluiáticos, cânticos e vilancicos espirituais.

Pouco conhecido, em virtude da sua obra não ter sido ainda publicada na quase totalidade, é possível, todavia, avaliar da qualidade e número de suas obras através do que foi publicado sobre ele por Ernesto Gonçalves de Pinho, com alguns dados biográficos inéditos e uma informação valiosa sobre as obras, ainda manuscritas deste frade crúzio.

 

- Outra questão: qual a razão porque Coimbra e as suas instituições não efetuam um trabalho de divulgação relacionada com um dos grandes vultos da cidade e com a sua importante obra?

 

- Mais uma pergunta: porque motivo estão por recordar e por homenagear tantos Conimbricenses ilustres?

 

- Ainda uma outra: porque não se aproveita o extraordinário património organístico existente em Coimbra e que tive o gosto de enumerar numa entrada deste Blog publicada vai para um ano, em 2017.08.17, sobre o título “Coimbra; Cidade ECHO?”. Nessa entrada propunha a adesão de Coimbra à Europae Civitates Historicorum Organorum, organização fundada em 1997, que tem como objetivo desenvolver, no contexto europeu, um papel unificador de projetos comuns levados a cabo no âmbito das cidades possuidoras de órgãos com valor histórico.

 

- Uma última questão, não despicienda, mas que, propositadamente, deixo sem resposta: qual a razão porque Coimbra é uma cidade tão madrasta para os seus Filhos?

 

Bibliografia:

https://acercadecoimbra.blogs.sapo.pt/coimbra-cidade-echo-109632

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_de_Cristo

 

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por Rodrigues Costa às 21:44


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