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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 15.11.18

Coimbra: Edifício da Inquisição plantas e obras realizadas

Pela Senhora Dr.ª Paula França, responsável pelo Arquivo Histórico do Município de Coimbra, fui alertado para a possibilidade de descarregar, na página da Torre do Tombo, as plantas do edifício onde funcionou, em Coimbra, a Inquisição.
As plantas integram o livro datado de 1634, com um longo título, como era costume na época, Livro das Plantas e Monteas de todas as Fabricas das inquisições deste Reino … por Matheus do Couto, Arquitecto das Inquisições deste Reino.

Dado o interesse dos documentos disponibilizados não resisti ao desejo de aqui os divulgar.

Declaração das traças da Inquisição da cidade

Declaração das traças da Inquisição da cidade de Coimbra

Planta 1.ª da Inquisição de Coimbra.jpg

Planta 1.ª da Inquisição de Coimbra

 

Planta do andar do carceres altos.jpg

Planta do andar dos carceres altos

Planta do andar dos inquisidores e oficiais.jpg

Planta do andar dos inquisidores e oficiais

Plata do 1.º sobrado dos inquisidores e oficiais.

Planta do 1.º sobrado dos inquisidores e oficiais

Na mesma página é ainda possível aceder ao texto de documentos relacionados com as obras realizadas nestes edifícios. Apresentamos o seguinte exemplo
Sr.
Os Inquisidores de Coimbra escreveram a esta Conselho que era necessário concertaren se as casas em que pousa o Inquisidor Jeronjmo Teixeira porque estavam muito damnificadas e que se podia fazer de despesa nellas trinta e cinco mil reis.
Pareceo que devia Vossa Alteza ser servjdo mandar passar provisam pêra o thesoureiro da dita Inquisiçam dar dinhejro pera esta obra nam passando dos trin[ta] e cinco mil reis em Lisboa 18 de Fevereiro de 95. Bispo d Elvas - Diogo de Sousa-Marcos Teixeira

Felipe Tertio depois de fazer a traça dos cárceres desta Inquisiçam que mandamos a Vossa Alteza considerando mjlhor nesta obra ordenou outra traça milhor e mais accomodada como elle mostra por razões que vão em hum papel com a dita traça mas pêra poder aver effecto he necessário tomarem se vinte e quatro palmos da Rua a qual ainda fica com largura de quarenta e cinco que he asaz bastante por he Rua por onde passa muito pouca gente e nam se faz prejuizo a ninguém com tomarem della estes 24 palmos de Rua. Nicolao de Frias também está inclinado a esta traça e tem a cargo fazer outra mas como tem muitas occupações he mais vagaroso. Como a der feita a copiaremos a Vossa Alteza. Em Lisboa 28 de Janeiro de [15]95.

O Bispo d Elvas presidente disse a Salvador de Mesquita da parte de Vossa Alteza que se fizesse a [...?] passado este mês e elle respondeo que faria o que Vossa Alteza lhe mandava. Bispo d Elvas - Diogo de Sousa -Marcos Teixeira
À margem:
No he respondido a esta consulta ate gora por esperar a poder conferir esta traça de Felipe Tertio de que aqui se trata com a de Nicolao de Frias que agora se me há embiado y aun que no viene parecer del consejo sobre qual parece mas conveniente (como holgara se me dieram) dire lo que acerca dellas me parece y es que quanto al sitio que se deve de tomar della calle, me parece que se deve de siguir la traça de Phelipe Tercio y en lo demas la de Nicolao de Frias que com reduzir los corredores de la traça de Nicolao de Frias que son de ocho y diez pees o palmos a cinco que es la hanhura que les da Phelipe Tercio y parece bastante si viene reduzir toda misma cosa y el corredor que Nicolao de Frias pone entre los aposentos de los presos está aly mejor que en pátio adonde le pone Felipe Tercio asi pêra el serviço ordinárjo comopera servjr de vigias (como ahy se llamam) y asi se deve de tornar a ver todo esto en el consejo y na[m] sse offrecendo acerca dello algum inconveniente de consideracion dar ordem como se he ja conforme a ello la fabrica y quanto ao sitio que se há de tomar de la calle me parece que es lo mejor tratar com la câmara dessa ciudad y si fuere necesarjo comprar se les y asi parece que pêra esto es menos ter que entervenga la authorjdade de los governadores tambien se podra acudir a pedir se la y avisar do que se fuere haziendo em todo.
Acedido em 2018.10.11, em https://digitarq.arquivos.pt/viewer?id=2318907

 

 

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por Rodrigues Costa às 11:53

Quinta-feira, 15.09.16

Coimbra: a Feira das Neves

Ao consultar no Arquivo Histórico Municipal de Coimbra as Vereações n.º 78, 1839-1842, encontrei a folhas 189, a seguinte notícia:

Os Arrematantes da obra da Fonte da Feira das Neves pedem se lhes dê o primeiro pagamento do seu contracto. A Câmara ordenou se lhe passasse mandado conforme determinado no auto d’adjudicação. Da mesma ata consta, ainda, o pagamento de 18$333 rs. aos referidos Arrematantes.

 

Ora a Feira das Neves era do meu total desconhecimento, bem como de outros Estudiosos das coisas de Coimbra. Tendo solicitado a ajuda da Dr.ª Paula França, arquivista do AHMC, a qual tendo pesquisado o assunto me transmitiu as seguintes informações:

. No trajeto da antiga estrada real junto a Trouxemil, identificou uma capela da Senhora das Neves que tinha uma fonte próxima;

. Que em pesquisas anteriormente realizadas se tinha apercebido que na época da deliberação a Câmara estava a ser chamada a fazer reparações na estrada real, na zona da sua responsabilidade.

 

A partir destas informações foi possível obter junto de pessoas idosas de Enxofães e de Trouxemil as seguintes informações complementares:

– A Capela de Nossa Senhora das Neves está localizada no lugar mais elevado de Trouxemil, com uma vista magnífica para sul, à qual se acede por uma rua estreita, a meio da rua principal da povoação.

Junto à capela existe um amplo terreiro que já serviu como campo de futebol e que hoje está amplo, existindo um polidesportivo ao fundo do mesmo.

A festa de Nossa Senhora das Neves realiza-se, anualmente, a 5 de Agosto.

 

– Naquele local realizava-se, desde tempos remotos, a Feira das Neves a qual tinha grande relevância para os povos gandareses, a norte do local.

A Feira funcionou até uma data indeterminada quando, por motivo de uma peste do gado bovino, foi proibida a circulação deste naquela área.

 

– Aproveitando esse facto a população de Barcouço – freguesia contígua à de Trouxemil, para norte, e que já pertence ao concelho da Mealhada e distrito de Aveiro – começou a realizar a feira no local de Santa Luzia, pois o mesmo não estava abrangido pelo referido embargo.

E assim se mantem a Feira de Santa Luzia até aos dias hoje, com o consequente desaparecimento da Feira das Neves.

 

Resumindo: A Feira da Neves realizava-se em Trouxemil, logo no espaço geográfico do concelho de Coimbra e era relevante para a economia não só deste Concelho, bem como para as populações da região gandaresa.

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por Rodrigues Costa às 12:46


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