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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 26.03.20

Coimbra: Palácio dos Bispos de Coimbra em Coja

Numa transcrição de Dr.ª Isaltina Martins foi recentemente publicada a obra de Baltazar da Silva Lisboa que abaixo vai referida.
O autor nasceu na cidade da Baía a 6 de janeiro de 1761 … em 1775 veio para Coimbra … foi Doutor em Direito Civil e Canónico pela Universidade de Coimbra … a sua inteligência e capacidade de trabalho chamaram a atenção do Bispo de Coimbra, D. Francisco de Lemos Pereira Coutinho … tendo sido encarregado de realizar uma viagem à Serra da Estrela, passado por Coja, terras do Bispado de Coimbra, para aí também examinar as minas de chumbo encontradas nos contornos da vila de Coja.
Desse trabalho divulgamos alguns excertos sobre o grande palácio dos Bispos de Coimbra, que existiu junto àquela localidade.

Coja vista geral, finais do sec. XIX.jpg

Coja vista geral, finais do sec. XIX

Coja, antiquíssima vila, da qual são Donatários os bispos de Coimbra pela régia liberalidade da Senhora D. Teresa, mulher do Senhor Conde D. Henrique.

Coja, finais do séc. XIX.jpg

Coja, finais do séc. XIX

… A Nordeste da Ribeira se eleva uma pequena colina, sobre a qual não há muito tempo existiu um grande palácio dos Bispos de Coimbra, a qual pela Nascente (segundo o tombo do ano de 1783…), tinha até à estrada que vai para Arganil, 90 varas, pelo Sul, partindo com a dita estrada, 1144, para poente da estrada até ao Alva 66 varas. [Nota: var era uma medida de comprimento equivalente a cerca de 1,1 metro]

Coja 02 aa.jpg

Coja e o Rio Alva

Fica na parte oposta o lugar chamado Coelheira, que tem pela Nascente 39 varas, para Norte 158, e para Poente 38, a qual sempre foi coutada para servir aos inocentes divertimentos dos meritíssimos Bispos, assim como o foi das coutadas uma parte do rio para a pesca.
Numa pedra da verga se vê insculpida a seguinte inscrição:

PIETATI SACRVM
IVLIA MODESTA EX PATRIMONIO SVO SEX APONI SCAEVI
FLACI MARITI SVI FLAMINIS. PROVINC. LVSIT. IN HONOREM GENTIS
IVLIORVM PARENTVM SVORVM.

Corre, por tradição vulgar, que fora doado esse palácio aos Bispos de Coimbra por uma Senhora Matrona Romana e se apoia a tradição na referida inscrição, a me parecer, fabulosa, pois antes é mais provável que fosse o doante algum rico Vigário, que foi sempre naqueles tempos pessoas de mui alta grandeza em riquezas e virtudes; essa inscrição podia ser imposta em algum túmulo sepulcral que achada, foi imposta na verga da porta do dito Palácio.
Ele foi construído na mais admirável e bela situação, onde se descobrem os prauzíveis verdes campos, cobertos do loiro trigo e formosas espigas de milho, e não menos das arvores curvadas do peso dos gostosos pomos nos diferentes ramos, que prosseguem as ribeiras em formosos torcicolos.

O Palácio foi ainda referido na Memória Paroquial de 1758 mas, em data não conhecida, ruiu por falta de uso e de manutenção.

Lisboa, B. S. Côja no Século XVIII. Os territórios do Bispo-Conde Conimbricense na visão de um cientista da época. Transcrição de Isaltina Martins. 2019. Arganil, Câmara Municipal.

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por Rodrigues Costa às 17:53


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