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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 18.04.23

Coimbra: A Tricana, outra visão 4

Vejamos o tradicionalismo das Fogueiras de S. João.

….. A. A. Gonçalves, na publicação literária, «O Zephyro, n.° 2», Coimbra, 29 de Fevereiro de 1872, sob o titulo «Fonte do Castanheiro».

«O movimento do rapazio, animados pela folgança da sua rua, começava ao pôr do sol. E as raparigas, de roupagens alvas e o tentador lenço branco a comprimir-lhes o seio e a abraçar-lhes a cintura, afinavam a voz pela afinação da viola e ansiavam pela noite.

«O esguio pinheiro lá se ostentava com o pé cercado de lenha. Arcos e grinaldas de folhagens e flores enfeitavam o largo, e as bandeiras variadamente coloridas tremulavam altas.

«E o estalar dos foguetes, anunciando festa, convidava para a reunião, e incitava à vertigem festiva do bailado.

«Aglomeravam-se em massa, eles e elas, em torno da pira; estalavam as fagulhas; redemoinhavam línguas de fogo; redobravam as gargalhadas; todos falavam; ninguém se entendia; moviam-se em redor com lentidão; retiniam violas e cavaquinhos; batiam as palmas; - «Ande roda» - gritava uma voz imperiosa e reforçada.

OS. Tricanas de Coimbra. Op. cit., pg. 584.jpg

Op. cit., pg.584

«Estava começada a dança !... «Agora é vê-las travessas, ruborizadas, ofegantes, mas teimosas e incansáveis naquele lidar frenético!

OS. Tricanas dos arredores, op. cit., pg. 582.jpg

Op. cit., pg. 582

 E ouvia-se então, constantemente, a voz de um «marmanjão», marcando, corno se fosse um besouro, as voltas e reviravoltas:

- E virou!

- E vá de volta!

- E lá vai uma!

- Chegadinhos!

- Ainda outra!

- E vá mais. outra!

Assim até pela manhã! 

OS. Tricanas dos arredores, op. cit., pg. 594.jpg

Op. cit., pg. 594

OS. Tricanas dos arredores, op. cit., pg. 589.jpg

Op.cit., pg. 589

 Pela manhã roda forte e de braço dado para a «Fonte do Castanheiro», um arrabalde, onde as fogueiras todas .se juntavam!» 

OS. Tricanas de Coimbra. Op. cit., pg. 586.jpg

Op. cit., pg. 586

A tradição mandava a visita à Fonte do Castanheiro, ali para os lados da Estrada da Beira, e nessa fonte murmurante, recanto gracioso dessa paisagem de maravilha que é a encosta da Lomba da Arregaça, terminavam os folguedos os ranchos já quando as estrelas se recolhiam, braço dado os pares, corações em uníssono sentir, cantando alegremente a marcha:

Vamos seguindo,

Tocando no pandeiro...

Vamos beber água

À Fonte do Castanheiro.

 Ou então:

Está-nos chamando

Cupido brejeiro...

Cantar e dançar

Na Fonte do Castanheiro.

Sá, O. 1942. A Tricana no Folclore Coimbrão. In: O Instituto, vol. 101, pg. 361-632. Coimbra, Imprensa da Universidade. Acedido em: Acedido em: http://webopac.sib.uc.pt/search~S17*por?/tinstituto/tinstituto/1,291,309,E/l856~b1594067&FF=tinstituto&1,1,,1,0

 

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por Rodrigues Costa às 16:17


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