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A' Cerca de Coimbra


Quarta-feira, 07.07.21

Coimbra: As Últimas Ceias de Nunes Pereira

No Seminário Maior de Coimbra, que presentemente se encontra em obras de recuperação, justamente no local onde Monsenhor Nunes Pereira teve a sua última oficina

Nunes Pereira , oficina.jpg

Nunes Pereira na sua oficina. Fotografia RA

e que atualmente se designa Museu Nunes Pereira, encontra-se patente ao público uma belíssima exposição intitulada “As Últimas Ceias de Nunes Pereira. Das Ceias à Ceia”, onde são apresentados alguns dos seus trabalhos relacionados com esta temática.

Nunes Pereira, cartaz.JPG

“As Últimas Ceias de Nunes Pereira. Das Ceias à Ceia”, cartaz

Trata-de de uma pequena mostra – a exiguidade do espaço não permite mais – apresentada com grande despojamento, mas respeitando com dignidade a personalidade do Artista. Centra-se na apresentação de uma interessante coleção de “Últimas Ceias” que se materializam em diversos tipos de suporte, das quais apresentamos as seguintes obras.

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Nunes Pereira. Folha de sala. Última Ceia, 1

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Nunes Pereira. Folha de sala. Última Ceia, 2

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Nunes Pereira. Folha de sala. Última Ceia, 3

Para além da exposição, o visitante pode ainda visualizar a nossa Cidade a partir de um ângulo pouco conhecido, desfrutar de um pequeno espaço de lazer, deleitar-se com um gelado caseiro de qualidade e fruir de um baloiço que parece voar sobre o rio. Tudo sem problemas de estacionamento.

A folha de sala apresenta uma breve explicação sobre o significado da celebração da Última Ceia e apresenta-a como um local de encontro com a própria pessoa, de conversão e de perdão; onde o outro é mais importante, onde a vida é celebrada. Lugar de tomada de decisões e de tensão. Se pensarmos bem, a vida humana gira muito em torno deste lugar: a Mesa.

Refere ainda que as “Últimas Ceias de Nunes Pereira – Das Ceias à Ceia –“, constitui um percurso que mostra a forma como o artista plasmou, o Memorial – a Eucaristia – contido e inscrito em cada uma das suas obras: Jesus à mesa, ao centro, ladeado de seis apóstolos de cada lado, o pão e o cálice ao centro a serem abençoados e a ação de graças, evocada de vários modos, por parte de cada um dos apóstolos. Percurso que permite “saborear”, interiorizar e valorizar o significado da mesa, do alimento e da presença do outro na nossa vida. Lugar de gratidão, de conhecimento e de reconhecimento.

A exposição, promovida pelo Seminário Maior de Coimbra e que teve como curadora Cidália Santos, pode ser visitada, de Segunda a Sexta-feira, às 14h, 15h, 16h, 17h e, aos sábados, às 10h, 11h, 12h, 14h, 15h, 16h, 17h.

O uso de máscara é obrigatório e a marcação da visita deve ser feita com, pelo menos, 1 dia de antecedência, em:

 https://www.seminariomaiordecoimbra.com/pt/visitar-seminario/  

Em suma, não se pode deixar de visitar esta exposição, de relembrar essa personalidade ímpar da nossa cidade que foi Monsenhor Nunes Pereira e, simultaneamente, desfrutar a beleza do local.

Rodrigues Costa

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por Rodrigues Costa às 11:29

Terça-feira, 06.07.21

Coimbra: O Púlpito de Santa Cruz 1

Os púlpitos das nossas igrejas tornaram-se obsoletos com o advento da amplificação sonora e sobretudo depois do concílio Vaticano II, quando toda a ação litúrgica se centrou no altar da celebração. Foram substituídos pelo ambão, normalmente colocado à direita do altar, no lado outrora destinado ao Evangelho. Será difícil às novas gerações percecionar a função e utilidade que estava destinada a estas peças, sempre tratadas com muito esmero e muitas vezes expressão artística de alto merecimento. No pós-concílio, alguns púlpitos chegaram mesmo a ser retirados das igrejas, esquecendo que a sua presença de séculos é parte da história dos monumentos e das comunidades.

Púlpito de Santa Cruz de Coimbra.jpg

Púlpito de Santa Cruz

As origens dos púlpitos podem procurar-se na civilização romana, de que somos herdeiros. Estavam presentes nos edifícios públicos e no foro como um local elevado, onde se situavam os oradores. Nas primitivas basílicas cristãs havia já uma tribuna semelhante ao ambão dos dias de hoje. Na segunda metade do século XIII, a atividade oratória de franciscanos e dominicanos levou à criação do púlpito como uma tribuna elevada, no centro da nave e por vezes com um dossel ou quebra-voz, para melhoria das condições acústicas, geralmente posicionado do lado do Evangelho. A partir do século XVI o púlpito ganha grande protagonismo no espaço interior das igrejas. Ali se fazia lembrar o louvor a Deus e o proveito espiritual das almas para a salvação eterna, em sermões inspirados, por vezes exuberantes e teatrais para que a mensagem chegasse a todos, pois grande parte da população era iletrada.

Em Santa Cruz de Coimbra o púlpito situou-se junto à desaparecida grade que separava o espaço conventual do espaço dos fiéis.

o púlpito situou-se junto à desaparecida grade.j

o púlpito situou-se junto à desaparecida grade

 Ele é bem a expressão da sapiente cultura dos cónegos crúzios e da arte refinada de Nicolau Chanterene. O escultor francês Nicolau Chanterene fez uma passagem quase episódica por Coimbra. No mosteiro de Santa Cruz deixou o melhor da sua obra, na fachada, no claustro e no púlpito, executado em 1521, data descoberta pelo Pe. Nunes Pereira quando fazia desenhos de pormenores, publicados neste jornal em 1985.

1521, data descoberta pelo Pe. Nunes Pereira.jpg

1521, data descoberta pelo Pe. Nunes Pereira

Parte do púlpito onde em 1985 foi.jpg

Parte do púlpito onde em 1985 foi identificada a data da sua construção, ilegível passados 35 anos.

Borges, N.C. O Púlpito de Santa Cruz. In: Correio de Coimbra, n.º 4785, de 2020.05.07

 

 

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por Rodrigues Costa às 10:21

Quinta-feira, 26.07.18

Coimbra: O Pelourinho e as suas peregrinações pela cidade 2

Orgulhoso e altaneiro, bem cioso dos direitos que representa, o pelourinho não desvenda com facilidade a sua origem, mas verificamos que a sua existência se estendeu a toda a Europa ocidental, cronologicamente até à implantação das ideias liberais e que, nalguns países, ultrapassou mesmo esta época. Sabemos também que atravessou os mares e se implantou no Novo Mundo por influência de portugueses, espanhóis e ingleses.

Herculano pretende ver a sua origem associada ao direito itálico (jus italicum) que consignava uma total organização municipal e permitia levantar no forum a estátua de Marsyas ou de Sileno com a mão erguida, símbolo da liberdade burguesa.

Pinho Leal, filia a origem destes monumentos na columna moenia, colocada pelo cônsul romano Moenio na praça, isto é, no forum que se estendia frente à sua casa, onde se realizavam os julgamentos feitos pelos magistrados (triumviros), se aplicavam os castigos públicos e se faziam as festas populares.

Teófilo Braga vê no pelourinho a representação do Genius Loci romano, patrono da independência municipal.

Luís Chaves filia o aparecimento do pelourinho na antiga imagem do poste pessoal ou coletivo de um clã, de um povoamento ou de um agrupamento religioso.

Mas a sua origem, provavelmente, tem de se ir buscar em tempos ainda mais recuados.

Todas as picotas, mais ou menos esbeltas, mais ou menos ricas na sua decoração, têm um elemento comum: a coluna.

… Monsenhor Nunes Pereira, nos idos de Quarenta, escrevia que os pelourinhos “testemunham a autonomia (jurisdicional, digo eu) que a terra goza ou gozou noutros tempos. Devem ser estimados, conservados e reconstituídos onde isso possa fazer-se”.

*

 O pelourinho de Coimbra transferiu-se do adro da Sé Velha, onde se encontrava junto à Casa do "Vodo" (casa da audiência da Câmara que se erguia frente à igreja da Sé [Velha] para a praça do Comércio nos finais do século XV (1498).

Retirado deste lugar, deslocou-se para o Largo da Portagem (1611), tendo então sido adaptado a fontanário. Aí permaneceu até 1836, ano em que o desmontaram e armazenaram até 1894. 

Grimpa do pelourinho de Coimbra, original.jpg

Grimpa do pelourinho de Coimbra, original

 Do original resta apenas a grimpa, conservada no acervo do Museu Nacional de Machado de Castro.

*

Da sua reconstrução, ocorrida nos anos oitenta do século passado, posso dar testemunho.

Eu era, ao tempo, Chefe de Serviços de Turismo aos quais estava adstrito o Gabinete de Salvaguarda do Património, de que era responsável o arquiteto António José Monteiro.

Tendo sido determinado pelo então Presidente da Câmara, Dr. Mendes Silva, a recuperação da Praça do Comércio, na altura mais conhecida por Praça Velha, entendeu-se reinstalar ali uma reconstituição do Pelourinho, até porque ele, outrora, já estivera erguido naquele local.


Pelourinho de Coimbra na Portagem.jpg

 Pelourinho de Coimbra na Portagem

 

Baseado em desenhos que se pensam ser fidedignos, o arquiteto António José Monteiro riscou uma proposta reconstrutiva e o saudoso Mestre Pompeu Aroso bateu as partes metálicas, copiando-as do original, existente no Museu Machado de Castro. 

 

Pelourinho de Coimbra c.JPG

 Pelourinho de Coimbra reconstituição

 

Praça Velha com reconsituição do pelourinho.jpg

 

Praça Velha com reconstituição do pelourinho

 

 

Bibliografia

. Anacleto, R. 2008. Para que servem os pelourinhos? Conferência proferida nas I Jornadas de História local, Pampilhosa da Serra. Auditório Municipal, 2008.04.10 e 2008.04.11.

. Malafaia, E.B.A. 1997. Pelourinhos portugueses. Tentâmen de inventário geral. Col. Presenças de Imagens. Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda.

. https://pt.wikipedia.org/wiki/Pelourinho_de_Coimbra. Acedido em 2018.07.17

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por Rodrigues Costa às 19:03


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