Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 28.03.19

Coimbra: Igreja de Santa Justa

É uma das várias igrejas de Coimbra que tiveram de mudar de local, para fugir às inundações das cheias do Mondego. A igreja medieval situava-se no largo que é hoje conhecido por Terreiro da Erva – onde ainda se podem ver vestígios da capela mor e nave lateral –, no coração do território dos seus mesteirais: os oleiros de branco e de vermelho e os pintores de louça e azulejos – gerações de artífices que, durante séculos, fizeram de Coimbra um dos mais importantes centros ceramistas do país, com louça exportada para os quatro cantos do mundo e de que hoje pouco se sabe e nada resta, perdida a última oportunidade de estudar os seus vestígios com as demolições da famigerada viela central.
As cheias do Mondego foram sempre em crescendo. A de fevereiro de 1708 obrigou à trasladação do Santíssimo e da imagem do Santo Cristo para a igreja de Santiago, de barco! Logo se tratou de construir nova igreja. O local escolhido foi a encosta sobranceira ao Arnado, bem longe das investidas do bazófias. A primeira pedra foi lançada pelo bispo D. António de Vasconcelos e Sousa em 24 de agosto de 1710.

Igreja de Santa Justa, fachada principal.JPG

Igreja de Santa Justa, fachada principal

A fachada da igreja é monumental, pela sua situação altaneira. Flanqueada por duas torres, está amplamente rasgada de janelas que enchem de luz o interior. Inclui um retábulo da segunda metade do século XVI, trazido da igreja velha. Sobre o frontão das janelas intermédias situam-se quatro nichos com esculturas dos séculos XV e XVI incluindo as santas Justa e Rufina, padroeiras dos oleiros. Junto à base das torres encontram-se duas lápides epigrafadas com a história da igreja.

Igreja de Santa Justa, interior.jpgIgreja de Santa Justa, interior

O interior é de arquitetura sóbria, mas bem delineada, de nave única, coberta por abóbada de arco um pouco rebaixado. Divide-se em cinco tramos, sendo o primeiro ocupado pelo coro alto. Neles se rasgam arcos, formando capelas à face. A capela-mor, de um só tramo mais profundo, é mais estreita que a nave, encontrando-se o altar em plano mais elevado.

Igreja de Santa Justa, a imagem do Santo Cristo do

Igreja de Santa Justa, a imagem do Santo Cristo dos Oleiros

Os primeiros arcos a seguir ao coro alto são preenchidos na parte superior por pinturas do início do século XVIII, envolvidas em molduras de talha dourada, representado a Virgem com o Menino e o Batismo de Cristo. No arco, do antigo lado do Evangelho, encontra-se a imagem do Santo Cristo dos Oleiros, do século XV.

Igreja de Santa Justa, interior pormenor.JPGIgreja de Santa Justa, interior pormenor

Os arcos dos tramos seguintes abrigam retábulos. Os quatro primeiros enquadram-se no rococó coimbrão, embora de forma mais original: as colunas têm grinaldas de flores envolventes e entrecruzadas e, no terço inferior, caneluras em espiral. Sobre os altares da nave, oito telas da época joanina, mostram os passos da paixão de Jesus, cujos símbolos se exibem também no coroamento da fachada exterior. Os capuchinhos, que em tempos detiveram esta igreja, fizeram nela algumas alterações, como a ablação das mesas dos altares da nave e a substituição das imagens antigas por outras do século XX.
Os retábulos junto à capela-mor têm diferente linguagem. O do lado norte é adaptação de outro, seiscentista, vindo da igreja antiga. Tem colunas espiraladas, revestidas de vinha, uvas, meninos e aves debicando. Na predela há um relevo com a degolação dos Mártires de Marrocos. O retábulo fronteiro, da época joanina, também de colunas espiraladas, mas com grinalda no cavado. É dedicado às Almas do Purgatório, tema não muito comum na diocese.

Igreja de Santa Justa, altar-mor pormenor.JPGIgreja de Santa Justa, altar-mor pormenor

A capela-mor é dominada pelo magnífico retábulo de talha dourada, de grande aparato, saído, certamente, de oficinas do Porto. Data dos primeiros decénios do século XVIII. Estrutura-se em colunas retorcidas sobre mísulas e reveste-se de acantos, flores, aves e profusão de crianças e anjos. Um grande sacrário, com quatro colunas salomónicas por lado, em diagonal, serve de base à escultura do Padre Eterno, com a pomba simbólica e anjos. Aos lados dispõem-se as imagens das titulares: as santas Justa e Rufina. Encima este conjunto escultórico o camarim onde se ergue o trono eucarístico, com baldaquino.
Desconhecem-se nomes de arquiteto, artistas e artífices. A mesma esponja que apagou a memória da atividade dos oleiros parece ter atingido também esta igreja. Mas as obras valem por si e basta o retábulo-mor para ombrear com outras obras-primas da arte em Coimbra.

Nelson Correia Borges
In: Correio de Coimbra N.º 4732, de 21.03.2019

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 16:54

Terça-feira, 30.10.18

Coimbra: Sinos da cidade e suas “conversas”

 

Joaquim Martins Teixeira de Carvalho.jpeg

 Joaquim Martins Teixeira de Carvalho

Contavam os velhos que a voz dos sinos tinha força de convencer os homens.

Da campainha de S. Francisco Xavier se conta na India que levava atrás dele os mais infiéis.

Goa. Igreja do convento de S. Francisco Xavier.jpg

 Goa. Igreja do convento de S. Francisco Xavier

Não havia cão de herege, que, ao ouvir a campainha, não ficasse inquieto, agitado, movendo-se sem saber porquê, e não acabasse por dobrar a cabeça e pôr-se a andar atrás dela até a igreja.

Os sinos passavam por falar a verdade; nas igrejas estavam em altas torres para serem vistos de longe e atirarem para vales distantes a sua voz a anunciar a hora da oração, ou da vida ou da morte.

Há quem diga até que os sinos eram indiscretos e que, muitas vezes, em lugar de palavras de oração, contavam sem querer o que ia nos conventos, e por eles se vinha a saber o que por lá se passava.

 Em Coimbra, contavam-me antigamente que os sinos até conversavam, e se respondiam uns aos outros.

Convento do Buçaco antes da construção do Hotel

Convento do Buçaco antes da construção do Hotel

No Bussaco, a cada hora de oração tocavam os sinos das ermidas todas dispersas pela mata e, contam crónicas, que o diabo tentara por vezes impedir que alguns frades juntassem a voz do pequeno sino das suas ermidas desertas à dos outros que em cada hora chamavam num coro baixo, com medo do vento e da chuva, à oração.

 

Capela do Sepulcro.jpg

Buçaco. Capela do Sepulcro

 

Em Coimbra os sinos eram de menos devoção, e deviam fazer rir muito o próprio diabo.

Quando eu cheguei a Coimbra, explicou-me um dia um velho a voz dos sinos desta terra.

Era ao pôr-do-sol. Vínhamos descendo do Penedo da Saudade para o jardim.

Mosteiro de Santa Teresa. Porta da igreja.jpg

 Mosteiro de Santa Teresa. Porta da igreja

Pela porta da igreja de Santa Teresa sumiam-se caladas mulheres de idade, com o ar remediado, que dá a limpeza devota.

Alguns estudantes passeavam no adro.

De dentro vinha o canto rezado das freiras, áspero e delgado.

O sino pôs-se a dobrar, cortando as sílabas.

- Pe … ni … tência…, pe …ni… tência! …

Assim o ouvi, mal mo disse o velho com quem ia, e que andando e sorrindo repetia imitando a voz do sino   pe … ni … tência…, pe …ni… tência! …

Quando chegamos ao fundo da ladeira, fez-me o meu companheiro notar a voz doutro sino, que vinha de longe, do convento de Santa Clara, que brilhava alegre na atmosfera dourada do poente.

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova.jpg

 Vista de Santa Clara. c. 1860. (Passado ao espelho, p. 50)

Pus-me a ouvir o sino, e ele a ensinar-mo a entender.

O som era mais grave, mas duma gravidade de ironia e dizia muito claramente.

- Tan … ta não! Tan.. ta não!

Eu ria-me. Quando ele me chamou a atenção para o sino de Sant’Ana, que se ouvia então e me disse:

- Veja o que diz esse agora!

- Eu sei lá!

- E bem simples: nem tanta, nem tão pouca!

Mosteiro de Santa'Ana.jpg

 Colégios de Tomar e de Sant’Ana. No primeiro plano a residência do prior-mor de Santa Cruz e, por cima, os Arcos do Jardim. Junto destes o pequeno Bairro de S. Sebastião. (Fototeca BMC. Cota: BMC_A033)

E era verdade. O sino de Sant’Ana, dizia num som delgado, com voz de nariz:

- Nem … tan … ta … nem … tão … pouca! Nem … tan … ta … nem … tão … pouca!

Assim fiquei eu sabendo que quando, às horas de oração o sino de Santa Tereza dizia:

- Penitência, penitência!...

O de Santa Clara lhe respondia:

- Tanta não! Tanta não.

E o de Sant’Ana fechava conceituosamente o coro, repetindo:

- Nem tanta! Nem tão pouca.

E assim fazia eu ideia, do que devia ser a vida destes conventos.

Pátio da Universidade.jpg

 Pátio da Universidade e torre. 1869. (Passado ao espelho, p. 55)

Dos da Universidade, tão austeros canta João de Deus:

Toca o capelo, vou vê-lo

E vejo de vária cor

Não doutores de capelo

Mas capelos de doutor.

Esses também a mim me enganaram.

T.C.

Carvalho, J.M.T. Bric-à-Brac. In. Resistência, de 1903.01.29

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 10:03

Terça-feira, 30.01.18

Coimbra: Capela de S. Antoninho dos porcos

A existência de uma feira dos porcos, em Coimbra, poderá ter resultado de uma determinação municipal que proibia estes animais de vaguearem pelas ruas da cidade fazendo estragos e causando sujidades.

Outrora, essa feira, segundo Nelson Correia Borges, realizava-se nas imediações do atual local da capela, um pouco mais a montante na direção do Penedo da Saudade. Ali teria existido uma capela da invocação de Santo António, protetor destes animais na doença.

Quando, nos finais do século XIX e inícios do XX a cidade se começou a alargar e o Bairro de S. José iniciou a sua expansão foi construída no início da Rua dos Combatentes da Grande Guerra uma casa com risco neomanuelino que acoplou uma capela substitutiva da do largo da feira, entretanto demolida.

De acordo com o mencionado autor, o nome de “Bairro de S. José” deve-se à proximidade do colégio dos carmelitas descalços, isto é, ao colégio de S. José dos Marianos, mais comummente chamado de colégio das Ursulinas. E é assim conhecido, porque depois da desamortização de 1834 o edifício, a partir de 1850, foi ocupado pelas freiras Ursulinas do Real Colégio das Chagas que deixaram a sua casa de Pereira devido aos problemas de paludismo e, até 1910, ali fizeram funcionar um colégio destinado à educação de meninas.

 

S. Antonio dos porcos casa.jpg

 Casa neomanuelina

 A casa, propriedade que foi (ou ainda atualmente é) da família Ferreira D’Araújo, parece ter sido riscada por um dos proprietários e a sua construção, que se arrastou por alguns anos, aconteceu na década de vinte do século passado.

Adossada à casa, mas sem com a mesma comunicar, foi igualmente construída a atual capelinha popularmente designada por Santo Antoninho dos Porcos.

S, Antoninho dos porcos capela.jpg

 Capela de Santo Antoninho dos porcos

 Recordo-me de, nos anos oitenta do século XX, me terem mostrado um registo, daqueles que os homens, nas romarias, costumavam colocar debaixo da fita do chapéu, com uma gravura da imagem do santo e relacionada com a feira. Desconheço o destino do dito registo, mas o seu sumiço é mais do que provável e poderá ter tido o “eterno descanso” num qualquer caixote de lixo.

No interior da capela existe um pequeno nicho retabular, trabalhado, provavelmente, em pedra de Ançã, mas atualmente dealbado, onde se insere a imagem de Santo António.

S, Antoninho dos porcos altar.jpg

 Nicho-retábulo da capela

 Não se conhece qualquer documento que aponte para o nome do artista que lavrou a decoração pétrea do edifício da Rua dos Combatentes. Apenas fontes orais, transmitidas pelos proprietários e que merecem credibilidade, indicam o nome de José Barata. Este artista, ligado à Escola Livre das Artes do Desenho, foi o grande mestre do trabalho neomanuelino existente na cidade de Coimbra e não só. Sabe-se que a cantaria ornamental existente na casa neomanuelina que se ergue na Rua do Corpo de Deus, mandada construir pela família Ferreira D’Araújo, saiu do seu cinzel. 

As colunas que se podem visualizar no nicho-retábulo da capela de Santo Antoninho dos Porcos apresentam grande similitude com as da porta axial da Sé Velha, esculpidas por José Barata, aquando do restauro levado a efeito naquele templo, nos finais do século XIX, sob a orientação de António Augusto Gonçalves. 

S. Antoninho dos Porcos colunas do nicho-retábulo

 Colunas do nicho-retábulo

 As colunas que ladeiam o nicho-retábulo são diferentes entre si. O fuste da esquerda mostra uma decoração fitiforme com flores de quatro pétalas a preencher os espaços livres e a da direita apresenta um esquema geométrico, formando “losangos” com uma bola no centro. Os fustes rematam com capitéis de motivos vegetalistas.

Algumas destas informações sobre esta pequena jóia de Coimbra, escondida dos olhares de tantos que por ali passam, foram-me transmitidas por Regina Anacleto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 09:55

Segunda-feira, 01.02.16

Coimbra e as suas personalidades: Nelson Correia Borges

Resumo da intervenção na homenagem a Nelson Correia Borges, aquando das comemorações do 30.º aniversário do Grupo Folclórico de Coimbra

... um Homem que o é por inteiro, vertical, amigo do seu amigo, de grande humanidade na dignidade da sua modéstia. Um Homem com quem sempre vale a pena falar e que tem sempre algo para nos ensinar.

… docente do Instituto de História da Arte … a partir de 1978. O seu doutoramento ocorreu em 1993, com uma dissertação subordinada ao tema Arte Monástica em Lorvão. Sombras e Realidade. Das origens a 1737, a qual veio a ser editada pela Fundação Calouste Gulbenkian em 2002. Antes, em 2001, alcançou a sua agregação.
… Professor de História da Arte Moderna e Diretor do Instituto de História da Arte (1997-1999)
… principais monografias que publicou: Mosteiro de Lorvão, 1977; João de Ruão, escultor da Renascença Coimbrã, 1980; A Capela do Tesoureiro da antiga Igreja de São Domingos, 1980; A Arte nas Festas do Casamento de D. Pedro II. 1987; Do Barroco ao Rococó, volume 9 da obra História da Arte em Portugal, 1987; Coimbra e Região, Lisboa, 1987, obra que, em minha opinião, é a mais conseguida das monografias publicadas sobre Coimbra e a sua região; Doçaria Conventual de Lorvão, 2013.
… Académico Correspondente da Academia Nacional de Belas-Artes (Lisboa); da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa, Secção de Belas-Artes (Lisboa); membro da Comissão Diocesana de Arte Sacra de Coimbra; … um dos fundadores AFERM-Associação de Folclore e Etnografia da Região do Mondego; membro do Conselho Técnico Regional da Federação do Folclore Português.
Foi fundador de três associações de defesa do património: Grupo de Arqueologia e Arte do Centro, a Associação Pró-Defesa do Mosteiro de Lorvão e o Grupo Folclórico de Coimbra.

… viu ser reconhecida a sua autoridade nas seguintes aéreas: Arte das Ordens Religiosas em Portugal; Rococó em Portugal; Arquitetura e talha em Coimbra e região centro (Barroco e Rococó); Cultura e arte populares / Folclore.

Nelson Correia Borges tem dois amores:
O primeiro amor foi o que lhe veio do berço: Lorvão, as suas gentes e o seu Mosteiro.
Mosteiro do Lorvão de que tem sido um incansável defensor … na sua qualidade de fundador e Presidente da Direção da Associação Pró-Defesa do Mosteiro de Lorvão, que vem exercendo desde 1983.

O segundo amor foi pela Cidade onde cresceu, se fez Homem e um respeitado historiador. Amor por Coimbra no seu todo: na sua arte, nos seus monumentos, na sua cultura, na sua história mas também e, essencialmente, no seu Povo.
Coimbra que lhe deve, na sua participação empenhada, mas sempre desinteressada, a realização de tarefas, para além das atrás referidas e entre tantas outras, das quais importa destacar:
- A partir de 1978 e até à sua desativação, integrou a Comissão de Análise dos Grupos Folclóricos, como elemento especializado na área do traje popular onde realizou um notável trabalho de formação dos responsáveis pelos grupos folclóricos que permitiu a colocação do folclore coimbrão no patamar de exigência onde já esteve e ao qual importa regressar;
- Apoiou cientificamente a exposição “Aspetos do Trajo Popular Feminino em Coimbra”;
- Realizou inúmeras visitas guiadas a monumentos da Cidade de que a recente visita à Igreja do Salvador é só o último exemplo;

Da dimensão e a qualidade do trabalho na investigação e recolha que pacientemente vem realizando ao longo dos anos nos campos da etnografia e do folclore coimbrãos há ainda que acrescentar:
- A redescoberta e a divulgação da doçaria conventual coimbrã, que tem tido como momento alto, a reposição anual da tradicional “Feira dos Lázaros”;
- A recuperação de inúmeras de músicas tradicionais cantadas e dançadas em Coimbra nos finais do século XIX e inícios do século XX que permitiu a reposição, com rigor histórico das tradicionais “fogueiras” de Coimbra e das “serenatas futricas”, bem como dos cantares coimbrãos, nos ciclos do Natal e da Páscoa.
Tudo feito sem alardes, na simples afirmação do que se ama e da verdade histórica.

Coimbra e nomeadamente o seu Município têm que olhar para o acerbo que este Homem vem criando ao longo dos anos, para o que ele tem feito pela nossa Cidade e para o muito que ainda lhe pode dar.
Coimbra tem que dizer de uma forma clara: Obrigado Senhor Professor Doutor Nelson Correia Borges pelo que já fez e pelo muito que esperamos possa ainda fazer em prol da cultura deste Concelho.

Costa, A.F.R. Intervenção na homenagem a Nelson Correia Borges, aquando das comemorações do 30.º aniversário do Grupo Folclórico de Coimbra. Coimbra, 31 de Janeiro de 2016

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 20:19

Sábado, 09.01.16

Igreja do Salvador: um monumento nacional em Coimbra, desconhecido pela maioria dos Conimbricenses e dos turistas que nos visitam. Os "Cromos" organizam visita guiada

A Igreja do Salvador, ou de S. Salvador como por alguns é referida, foi classificada como monumento nacional, há mais de um século, em 16.06.1910 e é, por certo, o monumento nacional menos conhecido da nossa cidade, uma vez que as circunstâncias têm ditado que a mesma só esteja aberta ocasionalmente.

Este monumento nacional é assim descrito por Nelson Correia Borges, na sua obra Coimbra e Região:


"… de fachada transformada no século XVIII, mas onde ainda avulta o belo portal românico que um letreiro indica ter sido mandado fazer em 1179 por Estêvão Martins. O interior mantém a estrutura primitiva, com altos pilares e colunas a sustentar o teto de madeira e a definir as três naves. As paredes encontram-se revestidas por azulejos historiados de meados do século XVIII, de fabrico coimbrão. A capela-mor tem um retábulo marmoreado do rococó de Coimbra, feito em 1746. Mais interessante é a capela colateral esquerda, pelo retábulo de S. Marcos, da década de 1540. Trata-se de mais numa obra de João de Ruão, de arquitetura muito sóbria e figuras calmas e bem proporcionadas.
Do lado sul do corpo da igreja foi aberta por volta de 1515 uma capela funerária de planta retangular, coberta por abóbada de nervuras, onde se contém o túmulo da fundadora."

Numa organização do blogue "Cromos", Personalidades e Estórias de Coimbra que conta com o apoio da

. Paróquia da Sé Nova

. Pelouro da Cultura da CMC

vai decorrer, no próximo dia 16.01.2016, sábado, às 11h00, com a duração prevista de cerca de 60 minutos, uma visita a este monumento, guiada pelo Senhor Professor Doutor Nelson Correia Borges, reputado especialista na obra de João de Ruão.


Esta visita é aberta não só aos membros dos "Cromos", bem como a todos quantos estejam interessados em conhecer detalhadamente um monumento de Coimbra que importa não só preservar, bem como divulgar e integrar nos circuitos turísticos da nossa Cidade.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 11:42

Quarta-feira, 09.12.15

Coimbra, o edifício Chiado 3

Durante os anos que se seguiram (ao 5 de Junho de 1978, a “Noite de Coimbra”) foi fundamental a ação destes serviços (os Serviços de Turismo da CMC) … Terá sido aqui que surgiram eventos que estiveram na génese de importantes programas culturais da cidade, como por exemplo os Encontros de Fotografia e a Feira do Livro. Foi também aqui que funcionou uma escola de fado e o local onde se instalaram os primeiros serviços de cultura da autarquia, o Departamento de Ação Educativa e Cultural.

Magalhães, R. 2010. Edifício Chiado. Uma das curiosidades de Coimbra. In Caminhos e Identidades da Modernidade. 1910. O Edifício Chiado em Coimbra. Actas. Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra, pg. 218

 

Tendo tido a honra de liderar a equipa que ergueu os eventos acima referidos importa, para memória futura, enumerar do conjunto de eventos então realizados, os mais relevantes, primeiro no âmbito dos Serviços Municipais de Turismo, depois do Departamento de Cultura, Desporto e Turismo.

- Eventos de temáticas diversas

. Encontros de Música Ibérica
Apoio à organização da II edição em 1978
. Festival Internacional do Filme Amador de Coimbra (FIFAC)
Organização em colaboração com a Secção de Cinema da AAC das edições de 1979, 1980 e 1981.
. Encontros de Fotografia de Coimbra
Organização em colaboração com a Secção de Fotografia da AAC: edição de 1980, comissariada por Zeferino Ferreira; edição de 1981, comissariada por António Miranda.
Apoio às organizações subsequentes
. Curso e Concurso Internacionais de Guitarra de Coimbra
Organização das edições de 1984, 1985, 1986.
. Salão de Pintura Naïve
Organização de quatro edições
. Recuperação e divulgação da Doçaria Tradicional de Coimbra
Exposição no edifício Chiado, Julho de 1982
. Ciclo de palestras sobre História de Coimbra «Descobrir Coimbra»
1º ciclo de Fevereiro a Abril de 1983; 2º ciclo Janeiro a Março de 1984, num total 20 sessões). Programação de Berta Duarte
. Prémio Literário Miguel Torga Cidade de Coimbra
Lançado em 1984 e que continua a ocorrer anualmente
. O Postal Ilustrado. Contributo para a Imagem de Coimbra
Exposição temporária, de 28.06 a 15.07 de 1986. Edifício Chiado.
Recolha e catalogação de Berta Duarte e Carlos Serra.

- Eventos de apoio à Etnografia e Folclore do concelho de Coimbra
. I Seminário sobre a Etnografia e o Folclore de Coimbra e seu termo
Fevereiro de 1978
Na sequência deste evento foram desenvolvidas, nomeadamente, as seguintes ações:
- Esquema de apoio ao Folclore da Região de Coimbra
Assente no funcionamento de uma Comissão de Análise dos Grupos Folclóricos que avaliava o mérito dos grupos e na atribuição de apoios financeiros àqueles que era reconhecido “interesse folclórico”.
- Cursos de Formação de Responsáveis de Grupos Folclóricos
Organização dos cursos realizados
- Recuperação da viola toeira coimbrã
Viabilização da recuperação através da prévia aquisição de exemplares e distribuição destes pelos grupos folclóricos classificados
- II Congresso da Federação do Folclore Português, em 15 e 16 de Setembro de 1979
Organização e publicação das Atas.
. Aspetos do Trajo Popular Feminino em Coimbra
Exposição inicialmente apresentada no Casino Estoril e posteriormente no Edifício Chiado (Outubro de 1984) e no Casino do Funchal (Abril de 1990).
Planificação e textos de Berta Duarte e Nelson Correia Borges.

- Eventos de apoio ao Fado de Coimbra
. Seminário sobre o Fado. Seu passado. Seu futuro
Organização do Seminário que incluiu a realização da primeira serenata na Sé Velha depois de 1969, em Maio de 1978
. II Seminário sobre o Fado de Coimbra
Organização do Seminário, em Maio de 1979
Na sequência destes eventos foram desenvolvidas, nomeadamente, as seguintes ações:
- Edição: do disco “Coimbra tem mais encanto”; do opusculo Fado de Coimbra ou Serenata Coimbrã? da autoria de Francisco Faria; do livro “O Canto e a Guitarra na Década de Ouro da Academia de Coimbra (1920-1930), da autoria de Afonso de Sousa; do disco “Zeca em Coimbra”; viabilização da edição do álbum com seis discos “Tempos de Coimbra. Oito décadas no canto e na guitarra”.
- Escola de Fado de Coimbra
Criação e financiamento da Escola que funcionou no Edifício Chiado de 1979 a 1981, sob a direção de Jorge Gomes e Fernando Monteiro
- Guitarras de Coimbra
Exposição temporária. Edifício Chiado, em 1982, comissariada por Berta Duarte e Carlos Serra (Museu Académico)
- Fado de Coimbra – Memória Fonográfica (1896-1930)
Exposição temporária, em 1986, comissariada por Berta Duarte e Carlos Serra (Museu Académico)

- Eventos de apoio ao Artesanato da Região de Coimbra
. Colóquio sobre o Artesanato
8 a 11 de Novembro de 1979
Organização e publicação das respetivas Atas
. Jornadas sobre a Cerâmica em Coimbra
Janeiro de 1981
Organização e publicação das Atas, editadas pela Comissão de Coordenação da Região do Centro.
. Casa do Artesanato da Região de Coimbra que funcionou no edifício da Torre de Anto de 1979 a 1995
. Exposições sobre as Técnicas Tradicionais da Região de Coimbra, a saber:
-Tecelagem da Região de Almalaguês
Exposição temporária. Edifício Chiado, de 21 de Outubro a 5 de Novembro de 1978. Encenação e catálogo de Henrique Coutinho Gouveia
- Funilaria e Latoaria na Região de Coimbra
Exposição e demonstrações ao vivo realizadas na Casa de Artesanato da Região de Coimbra, a partir de 7 de Setembro de 1979. Organização de Ângela Sobral
- Palitos de Pá e Bico
Exposição itinerante. Casa de Artesanato da Região de Coimbra, Novembro de 1979.
Organização do Museu e Laboratório Antropológico da Universidade de Coimbra
- Estatuária Popular de Gondramaz
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra, 27 de Novembro de 1982.
Planificação e texto de apresentação de Ângela Sobral
- Colheres de Pau
Exposição temporária. Casa do Artesanato da Região de Coimbra, Fevereiro, Abril 1985.
Planificação e texto de apresentação de Ângela Sobral
- O Último Tamanqueiro de Cantanhede
Exposição temporária. Organização em colaboração com o Instituto Português do Património Cultural. Casa do Artesanato da Região de Coimbra. Janeiro de 1986.
Texto de apresentação da Margarida Coutinho Gouveia
- Barros Vermelhos do Carapinhal
Exposição temporária. Casa do Artesanato da Região de Coimbra. 1987
Planificação de duas exposições sobe o tema a primeira com texto de Berta Duarte
- Barros Vidrados de Casal do Redinho
Exposição temporária. Casa de Artesanato de Coimbra, de 16 de Março a 31 de Maio de 1980.
Planificação e texto de apresentação de Ângela Sobral

Deste conjunto de exposições recolhemos a respetiva documentação de apoio. Neste âmbito foram, ainda, organizadas as seguintes exposições em ordem às quais não dispomos de documentação:
- Faiança Esmaltada de Coimbra
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra, 1980
Planificação e texto de apresentação de Ângela Sobral
- Rendas de Semide
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra.
Planificação e texto de apresentação de Ângela Sobral
- Cobres de Oliveira do Hospital
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra.
Planificação e texto de apresentação de Ângela Sobral
- Cestaria em Vime
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra, de Fevereiro a Setembro de 1980.
Planificação e texto de apresentação de Berta Duarte
- Esteiras de Arzila
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra.
Planificação e texto de apresentação de Ângela Sobral
- Serralharia Artística. Homenagem da CMC a José Pompeu Aroso
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra, em Julho 1980. Planificação e texto de apresentação de Berta Duarte
- Barros Pretos de Olho Marinho
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra, de Dezembro de 1980 a Abril de 1981.
Planificação e texto de apresentação de Berta Duarte
Esta exposição foi posteriormente reapresentada com texto e apresentação de Ângela Sobral.
- Antonino de Castro, Peneireiro
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra, em 1989.
Planificação e texto de apresentação de Ângela Sobral
- Bordados da Madeira
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra, de Outubro a Dezembro de 1983.
Planificação e texto de apresentação de Berta Duarte

- Eventos sobre a salvaguarda do património cultural
. I Encontro sobre a Salvaguarda do Património Cultural
Organização, Dezembro de 1980
. Seminário sobre a recuperação do Centro Histórico de Coimbra
Organização. Fevereiro de 1982
. Museu dos Transportes Urbanos
Planificação, montagem e abertura na antiga remise dos carros elétricos.
Organização e textos de Rodrigues Costa.

- Semana de Coimbra no Estoril, 8 a 17 de Junho de 1984
Evento que para além da apresentação diária de grupos de fado de Coimbra e de grupos folclóricos, da gastronomia regional e da realização de uma Serenata de Coimbra junto à Igreja de S. Estêvão, em Lisboa, integrou as exposições a seguir enumeradas.
. Técnicas tradicionais da Região de Coimbra em que foram apresentados as seguintes mostras: Faiança Esmaltada de Coimbra; Rendas de Semide; Artefactos de Madeira; Cobres de Oliveira do Hospital; Funilaria e Latoaria; Tecelagem de Almalaguês; Cestaria em Vime.
. Coimbra antiga
Textos de A. Carneiro da Silva
. 6 Fotógrafos de Coimbra
Textos de Manuel Miranda
. Pintores de Coimbra
Textos de A.F. Rodrigues da Costa
. Medalhística. Homenagem a Cabral Antunes
Textos de A. Carneiro da Silva

Rodrigues Costa, que agradece a colaboração das Dr.ªs Berta Duarte e Ângela Sobral.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 18:35


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Junho 2019

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30