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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 05.11.20

Coimbra: Museu dos Transportes Urbanos 4

A terminar esta sequência de entradas, transcrevo um documento que elaborei, em 6 de dezembro de 2016, após uma visita que fiz ao que resta do Museu dos Transportes Urbanos de Coimbra.

Núcleo do Carro Elétrico

Não obstante o que de mau ali foi feito, a parte essencial do património histórico subsistiu a anos de abandono, facto que permite considerar a imediata reabertura do Núcleo. Importa, salientar os factos a seguir referidos.

1 – Trabalhos realizados depois da minha saída da CMC e até 2001

- Reinstalação parcial da exposição inicial.

- Inventariação, catalogação e fotografia das peças existentes.

- Elaboração de um anteprojeto – que inclui peças arquitetónicas – tendo em vista a apresentação de uma candidatura para financiamento, visando a instalação do Núcleo, nas condições museológicas, hoje exigíveis. 

Não me tendo sido facultado o acesso a esse documento, em conversa havida com as Técnicas da Divisão de Bibliotecas e Museus, Srªs. Dr.ªs Berta Duarte e Elizabete Carvalho, foi-me referido que o mesmo, com algumas atualizações, se mantem em condições de ser desenvolvido.

2 – Trabalhos realizados em 2004, aquando do encerramento do Museu para a instalação de um grupo de teatro, com o consequente abandono do projeto de candidatura a um financiamento

- Arrumação das peças de menor dimensão, separadas em tabuleiros por tipologia, os quais ainda se encontram, junto ao portão de acesso dos elétricos. Trabalho que foi realizado por uma equipa orientada pela Dr.ª Elizabete Carvalho e que incluiu antigos funcionários dos SMTUC.

 

Edificio onde funcionou o Museu dos Transportes Ur

Edifício onde funcionou o Museu dos Transportes Urbanos. Col. Carlos Ferrão

3 – Situação verificada em 06.12.2016

3.1 – Foi retirado o seguinte espólio:

3.1.1 – O truck/chassis e motores do elétrico nº 19 que permitia a compreensão do funcionamento do veículo, pelo que importaria tentar a sua recuperação. Esta peça teria sido cedida – emprestada, ou dada – ao Museu dos Elétricos de Sintra, onde está exposto;

 

thumbnail_Truck 79E SMC 19 - 1995(1).jpgTruck e motor elétrico quando expostos no Museu. Imagem cedida por Ernst Kers

 

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Truck cedido pela CMC ao Museu de Sintra, na atualidade. Foto Pedro Mendes

3.1.2 – O troleicarro n.º 21, que foi o primeiro deste tipo de veículos a circular em Coimbra. Embora já não no estado inicial, e que estará resguardado nas instalações dos SMTUC;

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Troleicarro n.º 21, na forma inicial. Acedido em https://sites.google.com/site/transportesurbanosdecoimbra/troleis?fbclid=IwAR3LxP4hNcAFbz5jgs1nUW7uP2Q9CNauRFirgCfqx2q1Er25jNDyPtc5SPY

3.1.3 – O autocarro nº 8, de marca Volvo, dos anos cinquenta do passado século, de que se desconhece o paradeiro, depois de ter estado algum tempo na parada dos SMTUC;

3.1.4 – O carro torre utilizado na manutenção da rede aérea, de marca Hansa-Lyod, oriundo de Braga, em ordem ao qual haveria todo o interesse em voltar a integrar o património do Núcleo.

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Carro-torre, a última fotografia conhecida, depois de ter integrado o acervo do Museu. Foto Pedro Mendes

3.2 – Foi desmontado:

3.2.1 – A rede aérea, a qual permitia quer a iluminação dos carros elétricos, quer a sua periódica movimentação;

3.2.2 – A central elétrica de produção da energia de alimentação da rede dos carros elétricos – a central da Alegria montada em 1910 – que estava contigua ao Núcleo, cuja desmontagem e dispersão classificamos como um grave atentado ao património da cidade. Dos equipamentos que a constituíam resta um gerador, sendo que desconhecemos o destino dos demais elementos. Importa salientar que a reposição, pelo menos, da iluminação dos carros elétricos, constituirá a principal dificuldade técnica a vencer para a reabertura do Núcleo;

3.2.3 – A bancada de trabalho, bem como os expositores que se encontravam colocados sobre a mesma, contendo as ferramentas específicas utlizadas para a manutenção dos carros elétricos.

3.3 – Novo espólio

Passou a integrar o património do Núcleo o já referido gerador da central da Alegria, que teria vindo, em 2010, do extinto Museu Nacional da Ciência e Técnica.

3.4 – Material da exposição «Cem anos da tração elétrica em Coimbra»

O material criado para esta exposição realizada no edifício Chiado, em outubro de 2011, nomeadamente fotografias de grande dimensão, foi reinstalado no Núcleo, sendo um bom ponto de partida para a sua reabertura.

3.5 – Renovação do espaço museológico

3.5.1 – O espaço museológico está carecido de uma limpeza geral face ao pó acumulado ao longo do tempo. Recordo que, no tempo em que fui Diretor do Museu, tive ocasião de obter a ajuda dos Sapadores Bombeiros que com agulhetas limpavam periodicamente o chão.

3.5.2 – Pelo Administrador dos SMASC foi afirmada a disponibilidade para a demolição do refeitório construído no espaço do Núcleo e sua consequente reintegração no mesmo.

3.5.3 – Seria, também, conveniente o alargamento das obras em curso de pintura das paredes exteriores às paredes interiores e janelas.

3.5.4 – Neste âmbito haverá – tendo em vista o que se refere no ponto 3.2.2 – que se proceder á revisão do sistema de iluminação.

4 - Conclusão

Julgamos possível, necessária e urgente a imediata reabertura do Núcleo do Carro Elétrico, numa situação similar, mas melhorada, relativamente ao que existia à data do seu encerramento, mas, agora integrado, no âmbito do Museu Municipal de Coimbra.

Julgamos importante e necessário o reativar do processo de candidatura ao financiamento da obra de fundo de que o Núcleo está carecido.

Rodrigues Costa

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por Rodrigues Costa às 18:29

Terça-feira, 03.11.20

Coimbra: Museu dos Transportes Urbanos 3

  1. Museu dos Transportes Urbanos de Coimbra

2.1 - Da criação do Museu

A decisão da criação do Museu dos Transportes Urbanos foi tomada em 1982, pelo Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados de Coimbra, no âmbito das Comemorações dos 35 anos da instalação da primeira linha de troleicarros, em Portugal.

Mas a concretização de tal projecto só viria a ocorrer em 1984, quando foi aprovado o «Regulamento do Museu dos Transportes Urbanos de Coimbra» e instalados os respectivos órgãos directivos ficando, assim, o Museu dotado de personalidade jurídica e autonomia financeira.

O Museu tem em vista «a preservação do património municipal de interesse histórico, relativo aos transportes de Coimbra, constituindo igualmente, objecto da acção do Museu a exploração de uma linha histórica de carros eléctricos a criar, logo que possível, nos termos de deliberação própria da Câmara Municipal de Coimbra.

Para a prossecução das finalidades que lhe foram atribuídas, mais ficou decidido que «o Museu desenvolverá a sua actividade nas seguintes área

a) Área de investigação, pela qual promoverá a recolha de objectos e documentos relativos ao tema do Museu.

b) Área documental, que terá em vista a gestão de uma biblioteca especializada, constituída pelo acervo documental que for possível recolher.

c) Área da museografia à qual competirá: a catalogação e classificação do património do Museu; exposição ao público. Nesta área será dedicada particular atenção às visitas de alunos de Escolas.

d) Área da conservação e restauro, através da qual se zelará pela preservação e restauro das espécies que constituam o acervo do Museu.

2.2 - O trabalho já realizado

O acervo do Museu, é constituído primeiro, pelo próprio edifício – a parte mais antiga é um bom exemplo das construções industriais do principio do século – e, ainda, principalmente, pelos veículos ali existentes, a saber:

- O carro eléctrico n.º 1

Construído em 1909, nas fábricas J.G.Brill, de Filadélfia (E.U.A.), do tipo semi-convertível construído sob um chassis do tipo 21 E.

O aspecto que hoje apresenta resulta das alterações que, na década de 50 lhe foram introduzidas nas oficinas dos Serviços Municipalizados e que, tiveram em vista o aumento da lotação, através do alongamento da carroçaria e da supressão do lanternim.

Já no âmbito do Museu, foi o carro pintado com a cor inicialmente utilizada nos carros eléctricos, em Coimbra - a cor vermelha -, apresentando ainda o primeiro sistema de sinalização do número de linha aqui utilizado que assentava no recurso a filtros de cores diferentes.

Carro elétrico n.º 1. Foto cedida por Carlos Fer

Carro elétrico n.º 1. Foto cedida por Carlos Ferrão

- O carro eléctrico n.º 3

Sendo da mesma série do anterior funcionou, igualmente, até 1980. A carroçaria foi modificada em 1958, sendo para o efeito utilizados os projectos dos carros eléctricos nº 14 e 15, mas este realizado em madeira.

Este carro eléctrico é mantido operacional tendo em vista uma eventual utilização em linha histórica.

- O carro eléctrico n.º 4

Ainda da mesma série dos anteriores, foi restaurado em 1969.

É um bom exemplo da capacidade técnica atingida pelas oficinas dos Serviços Municipalizados de Coimbra, apresentando soluções originais, tais como letreiros embutidos, no tejadilho e degraus duplos. É de salientar que se trata do único carro eléctrico existente em Portugal, com este tipo de degraus.

- O carro eléctrico n.º 6

Da mesma origem dos anteriores foi construído em 1911, tendo entrado ao serviço em 25 de Maio de 1912.

O aspecto que apresenta é a resultante das transformações que foram introduzidas na década de 50.

Já no âmbito do Museu foi este carro eléctrico pintado com a segunda das cores utilizadas pelos carros eléctricos em Coimbra, apresentando igualmente o segundo sistema de sinalização do número de linha, constituído por filtros de cor e chapas com números de cantos coloridos.

Carro elétrico n.º 6 depois de recuperado.jpg

Carro elétrico n.º 6 depois de recuperado

- Carro eléctrico n.º 11

Entrou ao serviço em 1928, tratando-se de um exemplar de história curiosa.

À Firma J.G.Brill foram adquiridos os chassis e o sistema motor, bem como os planos das carroçarias, as quais foram executadas nas oficinas dos Serviços Municipalizados. Inicialmente era um carro aberto, os populares «carros pneumónicos» que logo em 1932 foi transformado em carro fechado, sendo um dos carros eléctricos de dois eixos mais compridos existentes em Portugal. Apresentava inicialmente, 8 janelas, as quais foram reduzidas a 7 aquando da transformação a que foi sujeito na década de 50.

É projecto do Museu a recondução à traça original deste exemplar.

- Carro eléctrico n.º 14.

Construído igualmente, pela Firma J.G.Brill de Filadélfia entrou ao serviço no ano de 1928. Possui uma carroçaria inteiramente metálica, sendo os painéis laterais

fixados por rebites. O chassis é do tipo 79 ELX "Birney", apresentando uma suspensão "mole" constituída por um sistema de molas.

De referir que é o único exemplar que resta de uma série exportada peIa Firma J.G.Brill para a Europa - para as Cidades de Coimbra e Arnhem (Holanda) -, tendo os existentes nesta última cidade sido destruídos no decurso da 2ª Guerra Mundial.

- Carro eléctrico n.º 16

Construído, numa série de 3, em 1929, pela Fábrica Familleureux, da Bélgica, sobre um chassis produzido pela Fábrica M. A. N. da Alemanha. Trata-se de um carro «curto» de 2 eixos concebido especialmente para os traçados das ruas de Coimbra.

Exemplar único, apresenta algumas alterações que lhe foram introduzidas nas oficinas dos Serviços Municipalizados de Coimbra, sendo ainda de referir que foi um dos únicos carros eléctricos que existiram em Coimbra, com plataformas fechadas.

Carro elétrico n.º 16 depois de recuperado.jpg

Carro elétrico n.º 16, depois de recuperado

- Atrelado n.º 1

Fabricado pela John Stephenson Company, de Nova Iorque, dos E.U.A., em data que se desconhece.

É um antigo "carro americano", de tração animal, adaptado a atrelado que, como tal, foi utilizado até 1951.

É projecto do Museu a sua reposição na traça inicial.

Atrelado n.º 1. Coleção Pedro Rodrigues da Cost

Atrelado n.º 1. Coleção Pedro Mendes

- Carro-Torre

Trata-se de um veículo de marca LOYD, fabricado em 1930. Está, actualmente, equipado com um motor Perkins, sendo de referir que no decurso da 2ª Guerra Mundial, utilizava um motor a gasogénio.

Adquirido inicialmente pela Companhia dos Carris de Ferro do Porto, foi mais tarde vendido aos Serviços de Transportes Urbanos de Braga e posteriormente adquirido pelos Serviços Municipalizados de Coimbra, quando deixaram de funcionar os troleicarros naquela Cidade.

De referir, ainda, que se encontra na fase final de recuperação, tendo em vista a sua integração no Museu, o primeiro troleicarro adquirido para Coimbra, em 1947.

Para além do valioso património que atrás se refere, há ainda a assinalar:

- Uma ponte rolante.

Adquirida à Firma Herbert Morris, Ldª, e que entrou ao serviço no ano de 1910. O seu funcionamento que é manual, é feito através de um sistema de roldanas, levantando pesos até 2 toneladas.

- Um torno para alinhamento de rodados.

Adquirido à Firma F. Street, na década de 20. Refere-se que um curioso sistema de rodas dentadas intermutáveis, permite a utilização do torno noutros serviços.

Torno para alinhamento de rodados. Coleção PedroTorno para alinhamento de rodados, em exposição e funcional

 - Uma máquina de impressão de bilhetes.

Fabricada pela Firma Pautzer e que entrou ao serviço nos finais da década de 50.

 Há que assinalar que tem sido preocupação dos responsáveis pelo Museu que todo o património existente seja mantido em condições de utilização.

Refere-se, por último, que a zona dos escritórios da oficina, sofreu algumas alterações visando a instalação nesse local de uma pequena mostra dos objectos que já foi possível recolher, bem como apresentar, de forma necessariamente sucinta, uma pequena ilustração da história dos carros eléctricos em Coimbra.

2.3 - Os projectos

Ao longo da presente comunicação já foram aflorados os principais projectos que permitirão a concretização dos objectivos definidos para este Museu.

Mas, há que o afirmar, a vida do Museu dos Transportes Urbanos de Coimbra tem sido bem difícil.

Atravessando a Câmara Municipal de Coimbra uma fase de grandes dificuldades, cuja principal razão é a critica situação dos actuais Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra, fácil será concluir da dificuldade que se vem verificando em mobilizar para o Museu, os indispensáveis

recursos para a realização das necessárias obras de adaptação e de conservação. Obras indispensáveis à sua abertura nas condições de dignidade exigíveis.

Daí o nosso apelo para que o I Encontro Nacional sobre o Património Industrial reconheça a importância da salvaguarda do património que integra o Museu dos Transportes Urbanos de Coimbra, e que esse reconhecimento encontre eco junto das Entidades competentes, tendo em vista a obtenção dos apoios que tal património impõe.

Costa, A.F.R. Museu dos Transportes Urbanos de Coimbra. Um contributo para a salvaguarda do património industrial. In: I Encontro sobre o Património Industrial. Coimbra – Guimarães – Lisboa. 1986. Actas e Comunicações. Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial. Coimbra Editora, Limitada. Volume I, Coimbra, 1990. Pg. 265-278.

 

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por Rodrigues Costa às 10:11

Quinta-feira, 29.10.20

Coimbra: Museu dos Transportes Urbanos 2

O texto que ora voltamos a publicar integra a obra I Encontro sobre o Património Industrial. Coimbra – Guimarães – Lisboa. 1986. Actas e Comunicações. Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial. Coimbra Editora, Limitada. Volume I, Coimbra, 1990. 958 pp. Ilustradas, correspondendo às pg. 265-278. Resolvemos eliminar as referências bibliográficas das citações que podem ser lidas na referida publicação, isto sem deixar de mencionar que a investigação realizada teve com principais fontes os Relatórios e Contas da Gerência Serviços Municipalizados de Coimbra e os Relatórios e Contas do Município e o testemunho de informadores qualificados. Também nos socorremos dos Anais do Município de Coimbra, Illustração Portugueza, Noticias de Coimbra e Eléctricos em Coimbra, edição policopiada.

  1. Notas para a história dos transportes urbanos, em Coimbra

1.1 – Os primórdios dos transportes urbanos em Coimbra

A história dos transportes urbanos em Coimbra inicia-se em fevereiro de 1873 quando «Evaristo Nunes Pinto e Camilo Mongeon, concessiorios do caminho de ferro americano, da estação do caminho de ferro do Norte a Coimbra, requerem que os carros passem através das ruas da Cidade apresentando planta do projecto».

A decisão do Município foi rápida e surgiu logo em 20 de fevereiro. Todavia o processo ir-se-ia arrastar, uma vez que só a 17 de setembro de 1874 a empresa entretanto criada – o Rail Road Conimbricense – comunica ao Município a «abertura à exploração da linha desde a Calçada à estação do caminho de ferro do norte».

Mas a vida da «Rail Road Conimbricense» não foi fácil, e o pedido de autorização apresentado em 1885 «para estender a sua linha da Portagem ao Cais das Ameias» (a atual Estação Nova) e para efetuar «um abatimento de 49 a 60 reis nos preços dos bilhetes», não passou de uma tentativa frustrada para combater a concorrência mais forte: a entrada em funcionamento do ramal do caminho de ferro [Estação Velha] ao centro da Cidade.

Uma segunda fase inicia-se em 30 de Outubro de 1902, quando «Augusto Eduardo Freire de Andrade pede a concessão duma linha férrea, sistema americano, nas ruas da Cidade, para tracção animal».

Processo que só iria ser concretizado – pela Companhia de Carris de Ferro de Coimbra, entretanto criada em 1 de janeiro de 1904, com o «estabelecimento da ligação da actual estação de Coimbra - B com o Largo da Portagem, a que se   seguiu, em 4 de Fevereiro do mesmo ano a abertura de um novo tro entre a Pra 8 de Maio e a Rua Infante D. Augusto», junto à Universidade.

Todavia este último troço cedo se verificou não ser operacional e as últimas notícias sobre os carros americanos surgem em 29 de Maio de 1908, quando a Câmara de Coimbra tomou conhecimento da suspensão das carreiras para a estação de Coimbra-B, na sequência da decisão de municipalização da tração elétrica e, em 3 de fevereiro de 1916, quando o Município reconhecendo que «estando o transporte de malas do correio para os comboios da noite a fazer-se no antigo carro americano puxado a muares autoriza-se que transporte também passageiros».

Ainda neste período é de assinalar a efémera existência - com início em Janeiro de 1907 - da primeira carreira de autocarros em Portugal, a carreira que nesta Cidade ligava a cidade alta e a cidade baixa, iniciativa da «Empresa Automóveis Tavares de Mello Coimbra», que para o efeito utilizava carros de «4 cylindros com a força de 4 cavalos e transportavam 20 pessoas».

1.2 - A instalação da tracção eléctrica

A primeira noticia sobre a criação de um sistema de tracção eléctrica em Coimbra data de 1 de Dezembro de 1904 quando a Câmara decide «em princípio na concessão de um subsídio à Companhia dos Carris de Ferro [concessionária dos carros americanos] para a substituição de tracção animal pela eléctrica».

Mas a decisão que deu origem à efectiva concretização deste melhoramento foi tomada em 15 de Maio de 1908, quando a Edilidade tendo concluído que «desapareceram todas as ilusões relativamente à possibilidade da instalação eléctrica na Cidade por meio da Companhia de Carris de Ferro de Coimbra, decidiu que se municipalize o serviço de tracção eléctrica e que se contraia um empréstimo de 150 000$00 reis».

De referir que a instalação veio a ser adjudicada à Firma Thomson Houston – Ibérica em 23 de setembro de 1909. A inauguração viria a ocorrer em 1 de Janeiro de 1911, e foi noticiada [Noticias de Coimbra] nos seguintes termos:

«A instalação da tracção eléctrica de Coimbra que hoje se inaugurou é digna de especial menção não só pela perfeição técnica com que está executada, como também e muito especialmente por ter sido montada como serviço municipalizado a cargo da Câmara Municipal de Coimbra.

Compreende 3 linhas: uma da Estação Velha à Alegria, outra da Estação Nova à cidade Alta (Universidade) e a terceira da Estação Nova a Santo António dos Olivais. As tarifas fixadas pela Câmara Municipal foram estabelecidas sob o judicioso critério de chamar o público pela fixação de preços reduzidos e zonas curtas, as mais baratas das quais custam 20 réis.

Toda a instalação foi executada pela firma A.E.G. Thomson Houston Iberica, que representa em Portugal e em Espanha as importantes fabricas de material eléctrico Allegemeine Electricitats Gesells. chalt Berlim e a General Electric Company New York consideradas como as mais afamadas do novo e velho continente.

Pode dizer-se afoitamente que a instalação da tracção electrica de Coimbra é uma instalação modelar sob todos os pontos de vista.

Atestam-no os nomes dos construtores das diferentes partes da instalação: A.E.G., General Electric Company; Babcock Wilcox; Bellis & Marcon; Tudor, Brill Car Company, etc.

A Central edificada pela Câmara Municipal num terreno adjunto ao abastecimento das águas, no sopé do Jardim Botânico, contém: duas grandes caldeiras aquatubulares sistema Babcok & C. Wilcox de 300 metros quadrados de superfície de aquecimento, próprias para ser nelas queimado o coke proveniente do serviço municipalizado do gaz; duas máquinas de vapor verticais comprimido tipo Bellis & Marcon de 390 cavalos de força máxima de grande velocidade, acompanhadas directamente com dois dínamos de 180 Kilowatts da General Electric Company de New York. Completam esta instalação um condensador de superfície com tanque refrigerante e várias bombas e outros acessórios. A distribuição da energia é feita num elegante quadro de distribuição construído na América, segundo os preceitos aí usados.

Há mais uma potente bateria de acumuladores com o seu booster, destinada a compensar as fortes oscilações de carga que há a esperar nos serviços de tração de uma cidade tão acidentada como é Coimbra.

A cocheira, situada junto à Central, tem espaço para recolher onze carros, tendo junto a oficina de reparações, o atelier de pintura e os armazéns de material.

A via, de uma solidez a toda a prova, assente com os maiores cuidados, segundo o sistema usado em Lisboa, com carris de 42 quilos por metro corrente e eclisses "Cantinou Joint" de 8 parafusos, pode considerar-se como um modelo de execução, assim também as linhas aéreas nas quais foi empregado o material "Cap Cone" da General Electric Company.

Os carros [cinco] cujos equipamentos elétricos são da mesma procedência, carrosseries e trucks saíram das conhecidíssimas oficinas de J.C. Brill, de Filadélfia, são elegantíssimos e confortáveis. O seu aspecto, sobretudo quando à noite circulam iluminados pelas ruas de Coimbra, é esplêndido».

Selo comemorativo da inauguração. Col. Regina An

Selo comemorativo da inauguração da circulação dos carros elétricos em Coimbra

Ainda no mesmo ano, a 21 de setembro, foi decidido adquirir à mesma Firma dois carros eléctricos, os carros números 6 e 7.

No ano seguinte foi decidido ampliar a rede até ao Calhabé, troço que, com início na Alegria, veio a ser inaugurado em 24 de Maio de 1913.

Carro elétrico na R. Visconde da Luz 1920c.jpg

Carro elétrico a atravessar a R. Visconde da Luz. 1920 c.

1.3 - O período de oiro dos carros eléctricos

No final da década de 20 a implantação do sistema de tracção eléctrica em Coimbra era uma realidade, como decorre de ter sido ultrapassado, pela primeira vez e no período de um ano (1929-1930) o número de três milhões de bilhetes vendidos a que correspondeu uma receita de 1 907 337$05.

Este período - o período de oiro dos carros eléctricos em Coimbra - assentou num «Programa para os anos de 1926 a 29» para cuja realização foi contraído um empréstimo de 6 000 contos que permitiu, nomeadamente, a encomenda do «material para a instalação de oito quilómetros de novas linhas de tracção elétrica, incluindo a duplicação da via desde a Rua Visconde da Luz aos Arcos do Jardim um grupo convertidor, de mercúrio, para o serviço da Central Eléctrica; 5 carros motores abertos e dois fechados, sendo estes últimos do tipo "alI -steel" da Casa J.G.Brill».

De referir que anteriormente, em 1925, tinha sido decidido adquirir com os saldos da exploração que se verificaram a partir de 1923, um carro eléctrico e uma zorra destinada ao transporte do carvão utilizado na Central Eléctrica.

Posteriormente, mas ainda dentro deste período, foram efectuadas as seguintes aquisições:  em 1930, os 3 únicos carros eléctricos de fabrico europeu, adquiridos em Famillereux, na Bélgica; em 1934, o carro eléctrico nº 19, construído nas oficinas aos Serviços Municipalizados, a partir de um chassis e de motores importados.

 No que concerne à expansão da rede no período de oiro foram efectuados os seguintes melhoramentos: em 1928, instalação de linha dupla desde o Arco de Almedina até aos Arcos do Jardim, e abertura da linha até ao Matadouro [atualmente junto à Igreja de Nª Sª de Lourdes]; em 1929, abertura da linha Arcos do Jardim - Calhabé, que permitiu a circulação ainda hoje [1986] em existente, de troleicarros por S. José, e abertura da linha Cumeada - Olivais; em 1932, prolongamento da linha dos Olivais até à Igreja de St. º António, construção da linha da Rua Abílio Roque, e prolongamento da via dupla até à Universidade; em 1934, construção da linha na Rua de S. João que permitiu a circulação pela Universidade.

Elétrico n.º 4 com “chora”. Col. Pedro Rodri

Elétrico n.º 4 com “chora”. Col. Pedro Rodrigues Costa

1.4 - A opção pelos troleicarros

Quando no Relatório referente ao ano de 1938 se afirma que «sendo de desejar o aumento da rede de transportes, também é cada vez menos de aconselhar que ele se faça pelo sistema de carros eléctricos sobre carris», estava a iniciar-se o ciclo que conduziu ao abandono da utilização dos carros eléctricos em Coimbra.

A alternativa pretendida é referida pela primeira vez quando em 1943 se decide que nas «novas extensões da rede de transportes urbanos a estabelecer quando houver oportunidade - Santa Clara, Calhabé e Bairro do Loreto - deve adotar-se o sistema de «trolley-omnibus» em vez de via férrea».

Tal projecto começou a ser concretizado em 1946, com o início da montagem da linha aérea para Santa Clara, a qual viria a ser inaugurada 6 de agosto de 1947 e foi assim referida [Suíça Técnica]

«Graças à iniciativa dos Serviços Municipalizados da Cidade de Coimbra, Portugal está a ser dotado duma primeira linha de "trolleybus". Para experimentar este novo modo de transporte os Serviços Municipalizados escolheram uma pequena linha, de 2,5 km de comprimento ... a encomenda dos dois carros, foi dada à casa S.A. dos Ateliers de Sécheron de Genebre, Suíça, como empreiteira geral e fornecedora da parte eléctrica, e à casa S.A. Adolphe Saurer, de Arbon, Suiça, como fornece dora do chassis e da carroçaria.

A execução da linha de contacto foi confiada à Casa Kummler & Motter, de Zurique».

De salientar que, no entretanto, a elevada capacidade técnica atingida pelas oficinas dos Serviços Municipalizados tinha permitido, no ano de 1940, a construção do último carro eléctrico: o carro eléctrico nº 20, resultante da transformação da zorra adquirida nos anos 20.

Igualmente haverá que assinalar que ainda em 1940, foram efectuadas as obras que permitiram dar satisfação à conclusão de que «havendo três linhas próximas umas das outras, como se encontravam as da Cumeada, Olivais e Montes Claros, seria proveitoso ... a ligação destas linhas».

Neste período foi igualmente iniciada a utilização, por parte dos Serviços Municipalizados, de autocarros.

A primeira carreira foi a de Coimbra - Taveiro, com partida junto ao mercado, para a qual foram adquiridas, em 1938, 3 viaturas automóveis.

Posteriormente, em 1947, foi criada uma nova carreira que partindo do mesmo local reforçava as linhas de eléctricos para os Olivais. Quanto a aquisições assinale-se a aquisição, em 1948 de um autocarro de marca MACK e dois da marca DAIMLER.

1.5 - O declínio da utilização dos carros eléctricos

O início da década de 50 é caracterizada pelo declínio da utilização dos carros eléctricos. Primeiro, em Abril de 1951 foram os carros eléctricos substituídos por troleicarros, na linha nº 5, a actual carreira de S. José. Seguidamente, em 1954, a substituição é feita por autocarros, na linha nº 2; a da Estação Velha.

Isto, não obstante, ter sido neste período, em 1954, que foram realizadas as duas últimas alterações significativas nas linhas de carros eléctricos, a saber: a inauguração da carreira para o Tovim; e a montagem da linha na Rua Dr. Manuel Rodrigues, Av. Fernão de Magalhães e Largo das Ameias, permitindo a circulação da «Baixa».

Tendo sido ultrapassada neste período pela primeira vez, a barreira dos 10 milhões de bilhetes vendidos no decurso de um ano, o de 1952, o futuro para o sistema de transportes urbanos de Coimbra estava já traçado como decorre das aquisições efectuadas.

Em 1949, aquisição de 6 troleicarros; em 1953, encomenda de 3 troleicarros que entraram ao serviço no ano seguinte; em 1956, aquisição de 4 troleicarros e 1 autocarro; em 1957, aquisição de 4 chassis para troleicarros que carroçados nas oficinas dos Serviços Municipalizados, entraram ao serviço no ano seguinte; e aquisição de um autocarro.

Em 1959, o sistema de transportes urbanos de Coimbra era constituído pelas seguintes carreiras, que utilizam os tipos de veículos que se referem:

CARREIRAS                                        VEICULOS UTILIZADOS

1 – Universidade                                             Carros Eléctricos

1 – Museu                                                               “

1 – Penedo da Saudades                                         “

3 – Cumeada-Olivais                                                “

4 – Cruz de Celas                                                    “

7 – Tovim                                                                “

8 – Santo António                                                     “

5 – S. José - Av. Fernão de Magalhães           Troleicarros

5 – S. José - Praça 8 de Maio                                   “

5 – Portagem - Estádio                                             “

5 – Praça da República - Liceu                                 “

6 – Portagem - Almas de Freire                                “

   – Coimbra - Taveiro                                     Autocarros

   – Estação Velha - Loreto                                       “

De notar que, no decurso de 1959, se verificou a substituição da carreira 1 – Universidade por 1 - Penedo da Saudade, tendo igualmente sido efectuada a fusão das carreiras 3 – Cumeada - Olivais e 3 – Celas - Olivais, bem ·como a criação da carreira 8 – Santo António.

1.6 – O fim de um período

A Administração dos Serviços Municipalizados de Coimbra, no início da década de 70, referia o carro eléctrico como o «tipo de transporte que o progresso vai tornando obsoleto e por cuja eliminação das ruas da cidade muitos pugnam - e que acarreta menor prejuízo por ser o que exige menor dispêndio na manutenção e conservação».

Este entendimento, sequência de anteriores decisões, condicionou o desenvolvimento da rede de transportes colectivos de Coimbra.

Na realidade tendo a rede, na zona urbana, adquirido as dimensões adequadas à dimensão da Cidade, a partir do final da década de 60 assistiu-se ao seu alargamento às zonas suburbanas, e mesmo à zona rural.

Tal alargamento feito, essencialmente, com recurso a autocarros levou a um rápido crescimento do número de passageiros transportados. Assim, tendo em 1963 sido ultrapassado o número de 15 milhões, logo em 1967 o sistema transportava, pela primeira vez, num ano, mais de 20 milhões de passageiros.

 

Bilhete de carro elétrico. Col. Regina Anacleto.jBilhete de carro elétrico

Este período e no que respeita à frota utilizada é caracterizado pelo sucessivo abate ao efectivo de carros eléctricos e pelo rápido aumento do número de troleicarros e autocarros disponíveis.

Assim existindo em 1969 20 carros eléctricos, 27 troleicarros e 31 autocarros, quando em 9 de Janeiro de 1980 os carros eléctricos deixaram de ser utilizados, era a seguinte a frota: 12 carros eléctricos; 27 troleicarros; e 70 autocarros.

De notar que contrariamente à entrada em funcionamento, o desaparecimento dos carros eléctricos das ruas da Cidade, foi quase que ignorado pelos Órgãos de Comunicação Social.

 

Museu dos Transportes Urbanos de Coimbra, vista geMuseu dos Transportes Urbanos de Coimbra, vista geral

 

Museu dos Transportes Urbanos de Coimbra, pormenor

Museu dos Transportes Urbanos de Coimbra, pormenor da forja e da exposição documental

Deles resta o Museu dos Transportes Urbanos e a certeza, na opinião de um estudioso de que «para trás ficaram 69 anos de bons serviços tendo o sistema manifestado uma eficácia e uma resistência invulgares».

Costa, A.F.R. Museu dos Transportes Urbanos de Coimbra. Um contributo para a salvaguarda do património industrial. In: I Encontro sobre o Património Industrial. Coimbra – Guimarães – Lisboa. 1986. Actas e Comunicações. Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial. Coimbra Editora, Limitada. Volume I, Coimbra, 1990. Pg. 265-278.

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por Rodrigues Costa às 11:40

Quarta-feira, 09.12.15

Coimbra, o edifício Chiado 3

Durante os anos que se seguiram (ao 5 de Junho de 1978, a “Noite de Coimbra”) foi fundamental a ação destes serviços (os Serviços de Turismo da CMC) … Terá sido aqui que surgiram eventos que estiveram na génese de importantes programas culturais da cidade, como por exemplo os Encontros de Fotografia e a Feira do Livro. Foi também aqui que funcionou uma escola de fado e o local onde se instalaram os primeiros serviços de cultura da autarquia, o Departamento de Ação Educativa e Cultural.

Magalhães, R. 2010. Edifício Chiado. Uma das curiosidades de Coimbra. In Caminhos e Identidades da Modernidade. 1910. O Edifício Chiado em Coimbra. Actas. Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra, pg. 218

 

Tendo tido a honra de liderar a equipa que ergueu os eventos acima referidos importa, para memória futura, enumerar do conjunto de eventos então realizados, os mais relevantes, primeiro no âmbito dos Serviços Municipais de Turismo, depois do Departamento de Cultura, Desporto e Turismo.

- Eventos de temáticas diversas

. Encontros de Música Ibérica
Apoio à organização da II edição em 1978
. Festival Internacional do Filme Amador de Coimbra (FIFAC)
Organização em colaboração com a Secção de Cinema da AAC das edições de 1979, 1980 e 1981.
. Encontros de Fotografia de Coimbra
Organização em colaboração com a Secção de Fotografia da AAC: edição de 1980, comissariada por Zeferino Ferreira; edição de 1981, comissariada por António Miranda.
Apoio às organizações subsequentes
. Curso e Concurso Internacionais de Guitarra de Coimbra
Organização das edições de 1984, 1985, 1986.
. Salão de Pintura Naïve
Organização de quatro edições
. Recuperação e divulgação da Doçaria Tradicional de Coimbra
Exposição no edifício Chiado, Julho de 1982
. Ciclo de palestras sobre História de Coimbra «Descobrir Coimbra»
1º ciclo de Fevereiro a Abril de 1983; 2º ciclo Janeiro a Março de 1984, num total 20 sessões). Programação de Berta Duarte
. Prémio Literário Miguel Torga Cidade de Coimbra
Lançado em 1984 e que continua a ocorrer anualmente
. O Postal Ilustrado. Contributo para a Imagem de Coimbra
Exposição temporária, de 28.06 a 15.07 de 1986. Edifício Chiado.
Recolha e catalogação de Berta Duarte e Carlos Serra.

- Eventos de apoio à Etnografia e Folclore do concelho de Coimbra
. I Seminário sobre a Etnografia e o Folclore de Coimbra e seu termo
Fevereiro de 1978
Na sequência deste evento foram desenvolvidas, nomeadamente, as seguintes ações:
- Esquema de apoio ao Folclore da Região de Coimbra
Assente no funcionamento de uma Comissão de Análise dos Grupos Folclóricos que avaliava o mérito dos grupos e na atribuição de apoios financeiros àqueles que era reconhecido “interesse folclórico”.
- Cursos de Formação de Responsáveis de Grupos Folclóricos
Organização dos cursos realizados
- Recuperação da viola toeira coimbrã
Viabilização da recuperação através da prévia aquisição de exemplares e distribuição destes pelos grupos folclóricos classificados
- II Congresso da Federação do Folclore Português, em 15 e 16 de Setembro de 1979
Organização e publicação das Atas.
. Aspetos do Trajo Popular Feminino em Coimbra
Exposição inicialmente apresentada no Casino Estoril e posteriormente no Edifício Chiado (Outubro de 1984) e no Casino do Funchal (Abril de 1990).
Planificação e textos de Berta Duarte e Nelson Correia Borges.

- Eventos de apoio ao Fado de Coimbra
. Seminário sobre o Fado. Seu passado. Seu futuro
Organização do Seminário que incluiu a realização da primeira serenata na Sé Velha depois de 1969, em Maio de 1978
. II Seminário sobre o Fado de Coimbra
Organização do Seminário, em Maio de 1979
Na sequência destes eventos foram desenvolvidas, nomeadamente, as seguintes ações:
- Edição: do disco “Coimbra tem mais encanto”; do opusculo Fado de Coimbra ou Serenata Coimbrã? da autoria de Francisco Faria; do livro “O Canto e a Guitarra na Década de Ouro da Academia de Coimbra (1920-1930), da autoria de Afonso de Sousa; do disco “Zeca em Coimbra”; viabilização da edição do álbum com seis discos “Tempos de Coimbra. Oito décadas no canto e na guitarra”.
- Escola de Fado de Coimbra
Criação e financiamento da Escola que funcionou no Edifício Chiado de 1979 a 1981, sob a direção de Jorge Gomes e Fernando Monteiro
- Guitarras de Coimbra
Exposição temporária. Edifício Chiado, em 1982, comissariada por Berta Duarte e Carlos Serra (Museu Académico)
- Fado de Coimbra – Memória Fonográfica (1896-1930)
Exposição temporária, em 1986, comissariada por Berta Duarte e Carlos Serra (Museu Académico)

- Eventos de apoio ao Artesanato da Região de Coimbra
. Colóquio sobre o Artesanato
8 a 11 de Novembro de 1979
Organização e publicação das respetivas Atas
. Jornadas sobre a Cerâmica em Coimbra
Janeiro de 1981
Organização e publicação das Atas, editadas pela Comissão de Coordenação da Região do Centro.
. Casa do Artesanato da Região de Coimbra que funcionou no edifício da Torre de Anto de 1979 a 1995
. Exposições sobre as Técnicas Tradicionais da Região de Coimbra, a saber:
-Tecelagem da Região de Almalaguês
Exposição temporária. Edifício Chiado, de 21 de Outubro a 5 de Novembro de 1978. Encenação e catálogo de Henrique Coutinho Gouveia
- Funilaria e Latoaria na Região de Coimbra
Exposição e demonstrações ao vivo realizadas na Casa de Artesanato da Região de Coimbra, a partir de 7 de Setembro de 1979. Organização de Ângela Sobral
- Palitos de Pá e Bico
Exposição itinerante. Casa de Artesanato da Região de Coimbra, Novembro de 1979.
Organização do Museu e Laboratório Antropológico da Universidade de Coimbra
- Estatuária Popular de Gondramaz
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra, 27 de Novembro de 1982.
Planificação e texto de apresentação de Ângela Sobral
- Colheres de Pau
Exposição temporária. Casa do Artesanato da Região de Coimbra, Fevereiro, Abril 1985.
Planificação e texto de apresentação de Ângela Sobral
- O Último Tamanqueiro de Cantanhede
Exposição temporária. Organização em colaboração com o Instituto Português do Património Cultural. Casa do Artesanato da Região de Coimbra. Janeiro de 1986.
Texto de apresentação da Margarida Coutinho Gouveia
- Barros Vermelhos do Carapinhal
Exposição temporária. Casa do Artesanato da Região de Coimbra. 1987
Planificação de duas exposições sobe o tema a primeira com texto de Berta Duarte
- Barros Vidrados de Casal do Redinho
Exposição temporária. Casa de Artesanato de Coimbra, de 16 de Março a 31 de Maio de 1980.
Planificação e texto de apresentação de Ângela Sobral

Deste conjunto de exposições recolhemos a respetiva documentação de apoio. Neste âmbito foram, ainda, organizadas as seguintes exposições em ordem às quais não dispomos de documentação:
- Faiança Esmaltada de Coimbra
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra, 1980
Planificação e texto de apresentação de Ângela Sobral
- Rendas de Semide
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra.
Planificação e texto de apresentação de Ângela Sobral
- Cobres de Oliveira do Hospital
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra.
Planificação e texto de apresentação de Ângela Sobral
- Cestaria em Vime
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra, de Fevereiro a Setembro de 1980.
Planificação e texto de apresentação de Berta Duarte
- Esteiras de Arzila
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra.
Planificação e texto de apresentação de Ângela Sobral
- Serralharia Artística. Homenagem da CMC a José Pompeu Aroso
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra, em Julho 1980. Planificação e texto de apresentação de Berta Duarte
- Barros Pretos de Olho Marinho
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra, de Dezembro de 1980 a Abril de 1981.
Planificação e texto de apresentação de Berta Duarte
Esta exposição foi posteriormente reapresentada com texto e apresentação de Ângela Sobral.
- Antonino de Castro, Peneireiro
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra, em 1989.
Planificação e texto de apresentação de Ângela Sobral
- Bordados da Madeira
Exposição temporária. Casa de Artesanato da Região de Coimbra, de Outubro a Dezembro de 1983.
Planificação e texto de apresentação de Berta Duarte

- Eventos sobre a salvaguarda do património cultural
. I Encontro sobre a Salvaguarda do Património Cultural
Organização, Dezembro de 1980
. Seminário sobre a recuperação do Centro Histórico de Coimbra
Organização. Fevereiro de 1982
. Museu dos Transportes Urbanos
Planificação, montagem e abertura na antiga remise dos carros elétricos.
Organização e textos de Rodrigues Costa.

- Semana de Coimbra no Estoril, 8 a 17 de Junho de 1984
Evento que para além da apresentação diária de grupos de fado de Coimbra e de grupos folclóricos, da gastronomia regional e da realização de uma Serenata de Coimbra junto à Igreja de S. Estêvão, em Lisboa, integrou as exposições a seguir enumeradas.
. Técnicas tradicionais da Região de Coimbra em que foram apresentados as seguintes mostras: Faiança Esmaltada de Coimbra; Rendas de Semide; Artefactos de Madeira; Cobres de Oliveira do Hospital; Funilaria e Latoaria; Tecelagem de Almalaguês; Cestaria em Vime.
. Coimbra antiga
Textos de A. Carneiro da Silva
. 6 Fotógrafos de Coimbra
Textos de Manuel Miranda
. Pintores de Coimbra
Textos de A.F. Rodrigues da Costa
. Medalhística. Homenagem a Cabral Antunes
Textos de A. Carneiro da Silva

Rodrigues Costa, que agradece a colaboração das Dr.ªs Berta Duarte e Ângela Sobral.

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por Rodrigues Costa às 18:35


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