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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 29.03.16

Coimbra, abastecimento de peixe no século XVI

O peixe do Mondego destinava-se ao consumo geral e, para este efeito, devia submeter-se a certas obrigações, como a de ser vendido, publicamente, na Praça. Mas a população … necessitava de consumir, como é óbvio, outras quantidades e qualidades de pescado. O governo municipal tinha de mandar buscá-lo, então, a outros pontos do curso do Mondego e, sobretudo, aos portos de mar.

Esta atribuição, segundo postura antiga, pertencia aos almotacés … Deviam ir «catar pescados aos portos do mar».

… A Câmara inscrevesse num livro todos os «piscadeiros e almocreves», da cidade e arrabaldes, e os distribuísse, «a giro, para irem buscar peixe onde houvesse».

… Os barqueiros da cidade tinham por ofício ir continuadamente a Buarcos, buscar sal, sardinha, bacalhau e marisco, que depois suas mulheres vendiam.

… Certos barqueiros citadinos, em 1595, pretenderam trazer sáveis.

… Em 1590, o tratante de peixe Gaspar Fernandes procura tirar de Aveiro … 200 arrobas de bacalhau acabado de chegar. E em Fevereiro de 1625, António Rodrigues, marinheiro, natural de Tavarede, vendia na cidade peixe salgado.

… Em Agosto de 1569 … uma postura camarária … permitia ao «picadeyro» da Universidade, Manuel Monteiro, vender na Praça da cidade o peixe que quisesse, «quer venha logo de Buarcos quer venha d’Aveiro.

… o pescado que se pescasse no caneiro, em bugigangas ou quaisquer armadilhas, situadas no termo da cidade, devia ser vendido na Praça … nestes documentos refere-se sobretudo a venda de sáveis e de lampreias. Um processo de encarecer as lampreias: conservá-las em viveiros, depois de pescadas, e apresentar na praça poucas de cada vez.

… A Câmara mandava que a passagem dos pescadeiros se fizesse de modo a tornar-se notada. Para esse efeito, em 1586, de novo determinou que fosse colocado a todos os animais que transportassem peixe fresco ou seco para vender, e antes de entrarem na cidade, «hum grande chocalho como antiguamente sohiião a trazer». Mas nem sempre o chocalhar das bestas abria bom caminho. Em 1620 a Câmara aponta as únicas vias que deviam seguir os pescadeiros. Chegados à ponte de Água de Maias, cortavam, no Verão, para S. Domingos-o-Velho e, daí, pelo terreiro das Olarias e Paço do Conde chegavam à Praça. No Inverno transitavam pela rua de Santa Sofia, com o mesmo destino.

… Em Abril de 1598 … a Câmara manda que as tainhas não fossem vendidas com tripas ou se descontasse o peso delas. As tainhas salgadas eram vendidas abertas, com as aberturas cheias de sal

… Para evitar a fraude no peso do polvo este devia ser vendido seco e não remolhado … Em Novembro de 1547 foi proibida a venda dos mexilhões com seixos, cascas velhas ou outra sujidade.

 Esclarecimento

O trajeto Aguas de Maias até à Praça, descrito no texto, corresponde hoje ao trajeto que vai da rotunda da Casa do Sal, pela Avenida Fernão de Magalhães (as ruínas do Mosteiro de S. Domingos-o-Velho foram recentemente identificadas e, em parte, escavadas sob o Almedina Coimbra Hotel), passando pela zona da Rua dos Oleiros e acedendo à atual Praça do Comércio pela Rua Adelino Veiga.

De assinalar, ainda, que na época, século XVI, este trajeto era impraticável no Inverno, dada a sua proximidade à margem do Rio.

 

Oliveira, A. 1971. A Vida Económica e Social de Coimbra de 1537 a 1640. Primeira Parte. Volume II. Coimbra, Universidade de Coimbra, pg. 272, 274 a 277, 291

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por Rodrigues Costa às 11:15

Terça-feira, 13.10.15

Coimbra, os mosteiros das margens do Mondego

Aos pés da cidade de Coimbra, corre o Mondego, rio que veio a ser determinante para a história do Mosteiro de Santa Clara e de outros cenóbios que se localizavam junto das suas margens – o de S. Francisco da Ponte, o de Santa Ana e o de S. Domingos (os dois primeiros situados na margem esquerda do rio e o último na margem direita, numa relação de proximidade que veio a tornar-se fatal.
Dos primitivos edifícios destas instituições nada restou, exceção feita à igreja de Santa Clara, cuja atual feição foi moldada por séculos de vicissitudes, e que surge agora aos nossos olhos como uma ruína resgatada aos avanços do rio.

Os Frades Menores chegaram a Portugal em 1217, instalando-se em Coimbra, Guimarães e Alenquer.
Em Coimbra, os primeiros Menores (ou, da Ordem dos Frades Menores, depois conhecida como Ordem de S. Francisco) fixaram-se antes de 1220, na Ermida de Santo Antão dos Olivais (mais tarde Santo António dos Olivais) e, em 1247, estavam já instalados no Mosteiro de São Francisco da Ponte (desaparecido em 1602) na margem esquerda do rio Mondego, ou seja, em locais periféricos afastados das casas monásticas já estabelecidas.

Informação do editor do blogue
Na conhecida gravura de Coimbra que integra a obra Estampas Coimbrãs é possível identificar: na margem esquerda do rio, a jusante da ponte o primitivo mosteiro de São Francisco; também na margem esquerda e a montante da ponte o primitivo mosteiro de Santa Clara; no meio do rio, numa pequena “ilha” as ruínas do Mosteiro de Santa Ana.
No que respeita ao Mosteiro de S. Domingos as ruínas do mesmo foram, recentemente, identificadas por baixo do edifício da Avenida Fernão de Magalhães onde funciona o Almedina Coimbra Hotel.

Trindade, S. D. e Gambini, L. I. 2008. Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Coimbra, Direção Regional de Cultura do Centro, pg. 9, 13 a 15

 

 

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por Rodrigues Costa às 10:51

Sexta-feira, 05.06.15

Coimbra, igrejas primitivas

No ano de 915, foi feita a certo presbítero doação da igreja de S. Salvador, na rua do mesmo nome. Pouco se sabe da fundação desta igreja.
… a 2 de Março do ano de 933, o rei Ramiro II fez doação de metade de igreja de Santa Cristina, à Porta de Almedina.
… Em 2 de Novembro do ano de 957, em uma doação feita ao mosteiro do Lorvão, compreenderam-se duas igrejas, sendo uma delas a de S. Bartolomeu, que anteriormente fora da invocação de S. Cristóvão.
… Da igreja de S. Cucufate nada se sabe ao certo, parecendo que ficaria à beira do rio, possivelmente no terreno em que mais tarde teve o seu assento o mosteiro de S. Domingos-o-Velho.
… O testamento em que se refere a igreja de S. Vicente do arrabalde de Coimbra, é datado de 972

Loureiro, J.P. 1964. Coimbra no Passado, Volume I. Coimbra, Edição da Câmara Municipal, pg. 30, 31

 

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por Rodrigues Costa às 12:04


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