Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 19.12.17

Coimbra: Jardim Botânico, o jardim da sabedoria

É tradição dizer-se que o Jardim Botânico de Coimbra foi projetado por Vandelli. Uma análise mais aprofundada mostra, no entanto, que o Jardim que vimos hoje já nada tem que ver com Vandelli e foi sendo feito pelos sucessivos diretores. O projeto (c. 1773) ... foi chumbado pelo marquês de Pombal, por excesso de luxo.

... a proposta de Vandelli ficou reduzida a um terraço, a que se chamou o “Quadrado”: na encosta da cerca do convento beneditino, onde se instalara a universidade por altura da Reforma Pombalina. Deste projeto restam os muros de suporte, pois o espaço foi totalmente remodelado, correspondendo hoje ao tabuleiro mais largo com fontanário central e canteiros em arco, desenhados na altura em que o professor Abílio Fernandes foi diretor do jardim (de 1942 a 1974)

Jardim Botãnico planta.jpg

 Jardim Botânico planta executada em Agosto de 1807

Felizmente, encontra-se também no arquivo uma planta do Jardim Botânico, que segue as instruções de contenção do marquês e foi mandada desenhar sob orientação de Brotero. Este sim foi o primeiro impulsionador da maior parte do Jardim Botânico, construído e plantado para o ensino da Botânica na Universidade de Coimbra.

Jardim Botânico canteiros.jpgJardim Botânico, canteiros

 ... Das descrições de Brotero sob a forma de preparar um jardim, confirmamos ainda hoje, no terreno, algumas partes, e o belíssimo resultado de um jardim bem planeado, mesmo passados duzentos e quarenta anos. Os tabuleiros que hoje vimos quando entramos na porta central do jardim, onde uma estátua foi erguida ao grande mestre Brotero, são preenchidos por canteiros longitudinais ladeados de buxo. Apesar de hoje não existirem as três mil espécies que Brotero ali juntou, o traçado é bom, a rega foi pensada, a exposição é a melhor da colina que desce para o Mondego, a drenagem funciona: quando for possível refazer a coleção broteriana, não haverá grande dificuldade em plantar as famosas escolas, segundo o sistema de classificação que se entender.

... No século XIX, Júlio Henriques melhora o sistema de águas e, no século XX, Abílio Fernandes manda construir a estufa fria ... Durante a direção deste professor, é colocada uma fonte no centro do Quadrado e são efetuadas melhorias de canalizações, hoje visíveis.

... a estufa que hoje vemos, à direita da grande escadaria, é um belo exemplar da arquitetura de ferro de meados do século XIX.

Jardim Botânico bambuzal.jpg

 Jardim Botânico bambuzal

 ... quando um dia abrir (a mata) os seus 13,5 hectares e ligar a  parte alta da cidade às margens do rio, por onde, no passado, chegavam as remessas de plantas, a visita poderá oferecer um passeio pelo mágico bambusal de «Phyllostachys bambusoides», e, escondida no meio deste ambiente oriental, permitir encontrar a capela de São Bento abobadada e coberta de musgo. Relembra-nos a presença dos beneditinos, que mais abaixo deixaram também uma fonte alimentada por uma mina de água, com parede e banco forrados a azulejos do século XVII, local de paragem antes de subirmos para o miradouro.

Castel-Branco. C. Os jardins de Coimbra. Um colar verde dentro da cidade. In: Monumentos. Revista Semestral de Edifícios e Monumentos. N.º 25, Setembro de 2006. Lisboa, Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, pg. 177-180

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 09:38

Quinta-feira, 23.02.17

Coimbra: Hospital de S. Lázaro

Atribui-se a criação do hospital de S. Lázaro, ou «gafaria de Coimbra», à munificência de D. Sancho I, que o dotou convenientemente em seu testamento do mês de Outubro de 1209. Parece ter sido esta herança o fundo primitivo, com que se abriu a primeira gafaria em Coimbra, de que o hospital de s. Lázaro representa hoje a continuação, depois de ter passado por muitas fases administrativas e por diferentes mudanças de local. Se antes da instituição de D. Sancho I já existia na cidade algum pequeno estabelecimento desta ordem, que aquele testamento viesse aumentar em rendas, não o pode afirmar.

... Nos arquivos do hospital ... alguns documentos originais de graças e mercês, concedidas a esta instituição por diferentes monarcas, citando com especialidade o «regimento do hospital dos lázaros» de 1329 por D. Afonso IV; outro regimento, sem data, por D. Afonso V; e ambos adicionados em Coimbra por D. Manuel em 1502, constituindo um novo regulamento com esta ultima data.

Hospital dos Lázaros Fora de Portas.TIFRuinas do Hospital dos Lázaros, hoje demolidas

Hospital dos Lázaros portal.TIF

... Em 1774 foi incorporado na fazenda da universidade a administração do hospital de S. Lázaro, «em cumprimento do decreto d’el-rei D. José de 15 de Abril de 1774 e da provisão do marquez de Pombal de 19 do mesmo mez e anno, como consequencia da reforma da universidade de 1772; ficando sujeita aos mesmos regulamentos da administração do hospital Geral, ou hospital de Conceição.

Mais tarde seguiu a sorte d’este ultimo hospital, na mudança da administração dos seus bens para o governo civil, em repartição especial por effeito da portaria do ministério do reino de 22 de setembro de 1851; e ultimamente, na constituição d’uma administração immediatamente subordinada ao referido ministério, por decreto de 22 de junho de 1870.

Consistiam os rendimentos d’este hospital em rendas e fóros de propriedades rusticas e urbanas, rações e laudémios de prasos e casaes, nos logares de Condeixa, Falla, Trouxemil, Zouparria, Enxofães, Alfóra, etc. D’esses direitos foram abolidos os provenientes de doações regias, por decreto de 13 de agosto de 1832; de que resultou grande cerceamento nos recursos d’este hospital».

... De Fora de Portas foi transferido o estabelecimento para o colégio de S. José dos Marianos, em 5 de Dezembro de 1836 ... Deste último edifício foram mudados os lázaros para o colégio de S. Jerónimo, por decreto de 21 de Junho de 1851 ...

Hospital dos Lázaros antigo.TIF

De S. Jerónimo foram transferidos os lázaros para o colégio dos Militares ... em 10 de Novembro de 1853.

Simões, A.A.C. 1882. Dos Hospitaes da Universidade de Coimbra. Coimbra. Imprensa da Universidade, pg. 7, 10-11, 56.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 09:50

Terça-feira, 28.06.16

Coimbra: A Reforma Pombalina da Universidade

A emancipação do ensino público da sua influência pedagógica (dos jesuítas), um dos objetivos principais visados pela reforma do Marquês de Pombal. A este propósito, retomaremos as palavras do Doutor Lopes d’Almeida.

“Suprimida a Companhia (Companhia de Jesus, vulgo Jesuítas) e arredada do ensino, impunha-se a criação urgente, por uma série de medidas, dos órgãos necessários a assegurar a continuidade da ação docente e dos modelos novos da evolução pedagógica.

O Marquês de Pombal... pelo alvará de 28 de Junho de 1759 reorganiza o estudo das humanidades – a retórica, as línguas latina, grega e hebraica.

... Em 6 de Julho do mesmo ano é entregue a diretoria geral dos estudos ao principal da igreja de Lisboa, D. Tomás de Almeida. Ainda em 1758, a 1 de Outubro, foi comunicado ao reitor da Universidade... a reforma dos estudos menores.

... A criação do Colégio Real dos Nobres em 7 de Março de 1761 obedece ao mesmo intento renovador.

... A carta régia de 23 de Dezembro de 1770 que criava a Junta de Providência Literária foi o primeiro passo de tal caminho (o da reforma da Universidade).”

“Se é certo que em Coimbra já se suspeitava alguma coisa da preparação e dos objetivos da nova reforma, a Universidade só pela ordem de suspensão dos estudos, assinada em 25 de Setembro de 1771, foi oficialmente notificada...’no Ano que se acha próximo a principiar pelos Novos Estatutos, e Cursos Científicos, que tem estabelecido’ ... Mandava suspender a antiga legislação e que se não procedesse ‘a abertura, Juramentos, e Matrículas... até nova ordem de Sua Majestade’.

... por carta de roboração de 28 de Agosto de 1772 foram mandados executar (os novos Estatutos). Nesta mesma data uma carta régia nomeava Visitador o Marquês de Pombal, com plenos poderes para a nova fundação da Universidade.

Veio o Marquês de Pombal ... para Coimbra, onde chega a 22 de Setembro de 1772, aqui permanecendo durante um mês.

... faz entrega dos “Novos Estatutos” em 29 de Setembro.

... pelos seus despachos de 27 do mesmo mês ... nomeados para as Faculdades de Teologia, Leis, Cânones, Matemática e Filosofia os professores delas, que haviam de tomar posse no dia 3.º.

Em 28 de Setembro publicara a portaria para a jubilação dos Lentes de Medicina e em 3 de Outubro uma disposição semelhante mandava prover nas cadeiras desta última faculdade alguns novos professores, à qual foram agregados depois os italianos Franzini e Vandelli.

... De todas as Faculdades... eram as primeiras (Teologia Cânones e Leis) as que possuíam, à data maior número de professores; por isso se determinou que em 5 de Outubro se procedesse à abertura das suas aulas.

... Por carta régia de 11 de Outubro de 1772, era dada autorização ao Marquês de Pombal para usar o Colégio dos Jesuítas... por outro lado o Colégio de S. Bento cedeu parte da sua cerca para instalação de um “Horto” ... Houve assim oportunidade de estabelecer os Gabinetes de História Natural e de Física e criar um Jardim Botânico.

...”Entre as providências de maior vulto que o Marquês de Pombal promulgou durante a sua estadia em Coimbra, foi a da incorporação do Colégio das Artes na Universidade. A provisão de 16 de Outubro de 1772 que autorizava essa medida correspondia ao voto formulado numa das sessões da Junta de Providência Literária.

Ribeiro, A. 2004. As Repúblicas de Coimbra. Coimbra, Diário de Coimbra. Pg. 43 a 47

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 10:47

Terça-feira, 17.11.15

Coimbra na Revolução Industrial 2

… No sector da moagem, massas alimentícias e bolachas, destacaram-se as fábricas Miranda, Ld.ª e Triunfo … A primeira (de massas alimentícias e bolachas) foi fundada em 1887, por José Victorino Botelho de Miranda, tendo sido inicialmente também instalada no … Convento de São Francisco, em Santa Clara. Em 1900, foi transferida para a Avenida do Porto da Pedra (para o belo edifício, felizmente recuperado, que se encontra junto à Ponte Açude).
A Sociedade de Mercearias, Ld.ª, criada em 1913, viria posteriormente a dar origem à Fábrica Triunfo, cujo progresso foi evidente, no final do primeiro conflito mundial … A posterior deslocação das instalações, da Rua dos Oleiros para a Pedrulha, possibilitou a sua expansão, até ao seu recente fecho.
No que concerne a bebidas, saliente-se a sociedade por quotas Cervejas de Coimbra, Ld.ª, criada em 1920, posteriormente designada Companhia de Cervejas de Coimbra, Ld.ª (1924), que instalou a sua fábrica e cervejaria junto ao Parque Dr. Manuel Braga e produzia a conhecida cerveja Topázio … viria a ter uma vida útil de apenas cerca de três décadas, até à sua transferência para as novas instalações, na zona industrial da Pedrulha, onde também não teria vida longa.
… Deve ainda ser recordada a Fábrica dos Curtumes, instalada na Rua Figueira da Foz, em plena I Guerra Mundial, isto é, em 1915. Esta era propriedade da firma “Raposo, Amado & Godinho.
… No sector dos serviços, mais propriamente nas artes gráficas, também Coimbra tem uma longa tradição, que passa pela Imprensa da Universidade (criada pelo Marquês de Pombal, em 1772, encerrada em 1934 e refundada há pouco…)
… No período em foco … devemos assinalar …:
a) Gráfica Conimbricense Ld.ª (30-7-1920);
b) Coimbra Editora, Ld.ª (7-8-1920).

Mendes, J. A. 2010. Coimbra Rumo à Industrialização. 1888-1926. In Caminhos e Identidades da Modernidade. 1910. O Edifício Chiado em Coimbra. Actas. Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra, pg. 143 e 144

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 12:38


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Setembro 2019

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930