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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 20.06.19

Coimbra: Oficinas de Coimbra nos séc. XV e XVI 2

Mas no interior do país começam a desenvolver-se oficinas de reconhecido mérito e que mais à frente iremos analisar de forma um pouco mais profunda. Em Coimbra (1498), o pintor Vicente Gil, que em 1491 fora nomeado por D. João II pintor régio e privilegiado por um alvará que lhe permitia usar armas na cidade de Lisboa, encontra-se ativo pelo menos até 1525.

Mestre do Sardoal. Políptico.jpg

Mestre do Sardoal. Políptico

Parece que este Vicente Gil, conjuntamente com seu filho Manuel Vicente são os rostos visíveis dos pintores conhecidos pelo nome de “Mestre do Sardoal”.
… A partir de 1938 foi sendo reunido um numeroso acervo pictórico saído de uma produtiva oficina sediada em Coimbra, todo ele muito homogéneo, mas a apresentar características ‘periféricas’ e pouco eruditas; como os sete painéis provenientes da igreja matriz do Sardoal integram o conjunto, por comodidade, dado que o nome do pintor(es) permanecia omisso, passou a designar-se o responsável do estaleiro por “mestre do Sardoal”.
Vergílio Correia identifica o autor como sendo o pintor régio Vicente Gil (já anteriormente referido), ativo entre 1491 e 1518 e senhor de elevado estatuto social, documentado não só pelos privilégios concedidos por D. João II, como pelas relações que manteve com o mosteiro de Celas e com o círculo de D. Leonor, pelos seus avultados bens e pela sua inserção na vida da cidade.

Mosteiro de Celas. Adoração dos Reis Magos. Pol

Mosteiro de Celas. Adoração dos Reis Magos. Políptico

O filho, Manuel Vicente, também pintor, ativo em Coimbra entre 1521 e 1530, deve ter integrado a oficina paterna, a par com outros artistas, todos eles a trabalhar em regime de parcerias; certamente porque conheciam das obras uns dos outros evoluíram dentro de um marcado tradicionalismo e influenciaram-se mutuamente.
… Para a compreensão do evoluir da pintura portuguesa na charneira de Quatrocentos-Quinhentos não pode deixar de se ter em conta o importância desta oficina, dita do Sardoal e sediada na cidade mondeguina, porque a sua qualidade plástica, embora ainda ligada a esquemas ideologicamente medievalescos e onde o cosmopolitismo lisboeta não se faz sentir, “permite reivindicar para a cidade de Coimbra, seja ou não Vicente Gil o mestre pintor mais influente do ciclo Sardoal, um papel deveras representativo no desenrolar da arte portuguesa do manuelino”.

Centro de Apoio Social de Runa. S. Bento e Santo ACentro de Apoio Social de Runa. S. Bento e Santo Ambrósio

Anacleto, R. El arte en Portugal en la época de Isabel La Católica, em Isabel La Católica, Reina de Castilla, Madrid-Barcelona, Lunwerg, 2002, p. 451-499

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por Rodrigues Costa às 09:18


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