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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 27.06.19

Coimbra: Reconquista de Fernando Magno

O manuscrito original do texto que hoje se divulga foi escrito nos anos 20 do século XVII, por António Coelho Gasco, jurisconsulto, licenciado pela Universidade de Coimbra, homem naturalmente inclinado ao Estudo da genealogia e que antes de partir para o Brasil, onde viria a falecer, deixou um conjunto de obras escritas pela sua mão entre as quais se encontra o manuscrito intitulado Conquista. É a este que nos reportamos, chamando a atenção para o facto do mesmo se encontrar redigido no estilo próprio da época.
Apesar de, ao longo dos séculos, esse texto ter sido editado e reeditado, a verdade é que há muito tempo desapareceu do mercado livreiro.
Graças ao amor que Mário Araújo Torres dedica a Coimbra fica-se-lhe a dever a recolha e a reedição do texto de Gasco, bem como as relevantes notas que o acompanham.
A cidade tem obrigação de lhe agradecer o esforço despendido na divulgação desta interessante obra.

De quem era filho El-Rei D. Fenando Magno, e de como os Monges de Lorvão o persuadem a vir sobre Coimbra

Fernando I de Leão.jpgFernando I de León. Acedido em
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c3/Ferdinand_Leonsky.jpg

A Mui famosa, e sempre leal Cidade de Coimbra, celebre entre as da Europa, jaz em huma insigne Costa de agradavel sitio em extremo, airosa, e fortalecida pela natureza, lavada de favoráveis ventos, e estrellas, plantada em Clima benigno de ares, com a fronte ao tão conhecido por suas claras, e amorosas aguas, como na verdade ellas o são, para quem em lembrança traz o espirito cançado. Foi conquistada por hum nobre Imperador, homem de heroicas virtudes, e de grandes feitos em armas, chamado por excellencia D. Fernando o Magno, que foi o primeiro Rei que felizmente reinou em Castella, filho do Conde D. Sancho, o qual estendeo grandemente seus Reinos, e Estados, com as continuas victorias, e novas conquistas.
… vierão ter com elle em Carion dois Religiosos do antigo Mosteiro de Lorvão, que fica duas leguas, e meia além de Coimbra. Em segredo lhe disseram o estado em que a Cidade estava … porque como hião la, vião bem a pouca vigilancia, e presidio que tinha.
… Promettendo-lhes, que sendo Deos servido, a iria cercar com seu Exercito.


Castelo de Coimbra maqueta.JPGMaqueta do Castelo de Coimbra proposta por Isabel Anjinho

Como El-Rei D. Fernando ganhou Coimbra, e o que nella lhe succedeo.
Tanto que El-Rei D. Fernando o Magno, juntou seu Exercito, veio sobre Coimbra no anno do Senhor de 1064, e por espaço de sete mezes a teve mui apertada com contínuos assaltos, e combates. Defendendo-se sempre os Mouros animosamente com seu Rei Cide Arabum Arabe, guerreiro Africano; porque he natural de corações esforçados quererem morrer com liberdade, que viver em captiveiro, assim pelo inexpugnável sitio da Cidade, como pella boa cavalaria que dentro tinhão. Faltando neste tempo mantimentos, mandou El-Rei lançar pregão, que dahi a quatro dias presentes, levantava seu arraial, e marchava com elle a Leão. O que sabendo o Abbade de Lorvão fez uma avisada partida a seus Monges, em que summariamente lhes relatou o muito que importava ao bem da Christandade de Hespanha ser conquistada Coimbra. Com a qual vierão todos em claustro pleno, que lhe levassem os mantimentos, que então tinhão.

Arco da Traição, planta.jpg

Pormenor do arco da Traição no perfil DA 22 dos desenhos pombalinos

… continuou outra vez o cerco, e antes que acabasse a semana, entrarão os nossos victoriosos pela porta, que hoje se chama da traição, que era a vinte e oito de Junho, dia mui assignalado, por ser véspera dos Apostolos S. Pedro, e S. Paulo.
Alvorárão as Bandeiras, Estendartes, e Pendões sobre os altos muros, invocando nelles com grande vivas, e vozes o nome de Fernando.

Nota:
Com a ajuda da Isabel Anjinho acrescenta-se: o cerco de Coimbra começou a 20 de janeiro de 1064 e durou quase 6 meses; quanto à data da tomada de Coimbra existem divergências entre historiadores, sendo que a Nova História Militar de Portugal refere o dia 9 de julho de 1064. Data que é considerada a mais correta.

Gasco, A.C. Conquista, Antiguidade, e Nobreza da mui Insigne, e inclita Cidade de Coimbra… Recolha de textos e notas por Mário Araújo Torres. 2019. Lisboa, Sítio do Livro. 43-45

 

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por Rodrigues Costa às 09:41

Quarta-feira, 08.05.19

Casa da Escrita: Conversas abertas, 6.ª feira, 10 de maio, às 18h00. Fortificação de Coimbra com Isabel Anjinho

Casa da Escrita: Conversas abertas,
6.ª feira, 10 de maio, às 18h00
Tema: Fortificação de Coimbra

Fortificação de Coimbra. Proposta.jpg

Palestrante: Isabel Anjinho

transferir.jpg

Após a intervenção inicial, seguir-se-á um debate, estimulado pelos participantes.
Entrada livre.
Organização: Casa da Escrita de Coimbra, com o apoio do Blogue A’Cerca de Coimbra.

Local: Casa da Escrita

Foto de Pormenores da Casa da Escrita 5.jpg

(Rua Dr. João Jacinto Nº 8, telefone 239 853 590)

Foto de Pormenores da Casa da Escrita 11.jpg

Casa da Escrita. Teto

Outras Conversas Abertas
6.ª feira, 07.06.2019
Palestrante: Ana Maria Bandeira
Tema: Fontes documentais para a história da cidade de Coimbra no Arquivo da Universidade
Interrupção de Verão

6.ª feira, 06.09.2019
Palestrante: Regina Anacleto
Tema: Reforma Pombalina da Universidade de Coimbra

6.ª feira, 04.10.2019
Palestrante: Rodrigues Costa
Tema: Herdade de Enxofães: a sua importância para a subsistência do Hospital de S. Lázaro de Coimbra

6.ª feira, 08.11.2019 (a primeira 6.ª feira é feriado)
Palestrante: Nelson Correia Borges
Tema: João de Ruão um escultor de Coimbra

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por Rodrigues Costa às 09:56

Sexta-feira, 26.04.19

Casa da Escrita: Conversas abertas. Primeira Conversa Isabel Anjinho: Fortificação de Coimbra

Ciclo de “Conversas abertas” vai acontecer nas primeiras sextas-feiras de cada mês, às 18h00.
Após a intervenção inicial do orador convidado, que ocupará aproximadamente 20 minutos, seguir-se-á um debate, estimulado pelos participantes, com a duração máxima de 60 minutos.
Entrada livre.

Organização: Casa da Escrita de Coimbra, com o apoio do Blogue A’Cerca de Coimbra.

Casa da Escrita.jpg

Casa da Escrita
Rua Dr. João Jacinto Nº 8, telefone 239 853 590)


Primeira conversa aberta, 6.ª feira, 03.05.2019, às 18h00

Isabel Anjinho

Isabel Anjinho.jpg

Tema: Fortificação de Coimbra

Fortificação de Coimbra.jpgFortificação de Coimbra

 

Casa da Escrita. Jardim interior.jpg

 


Casa da Escrita. Jardim interior

Outras Conversas Abertas

6.ª feira, 07.06.2019
Orador: Ana Maria Bandeira
Tema: Fontes documentais para a história da cidade de Coimbra no Arquivo da Universidade

Interrupção de Verão

6.ª feira, 06.09.2019
Orador: Nelson Correia Borges
Tema: João de Ruão um escultor de Coimbra

6.ª feira, 04.10.2019
Orador: Regina Anacleto
Tema: Reforma Pombalina da Universidade de Coimbra

6.ª feira, 08.11.2019 (a primeira 6.ª feira é feriado)
Orador: Rodrigues Costa
Tema: Herdade de Enxofães: a sua importância para a subsistência do Hospital de S. Lázaro de Coimbra

 

 

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por Rodrigues Costa às 09:13

Quinta-feira, 01.02.18

Coimbra: Arco Romano e Torre de Belcouce

Há uma bela vista de Coimbra, desenhada pelo artista florentino Pieri Maria Baldi, que visitou Portugal vindo na comitiva do príncipe Cosme, herdeiro do soberano Gran-Duque da Toscana... demorando-se em Coimbra três dias, no mês de Fevereiro de 1669. Foi nestes dias que fez o desenho. 

Pier Maria Baldi 1669 02.jpg

 Gravura de Baldi

 Nele se sê a verdadeira feição do afamado arco romano de Belcouce, que é, pura e simplesmente, a porta principal do «oppidum» Emínio; as casas que lhe ficam por trás e ao lado, ocupando precisamente o local do velho palácio (que em 1537 pertencia ao Reitor Garcia de Almeida que mandou dar as lições das Faculdades jurídicas e médica em salas do seu próprio palácio, onde residia, sito à Estrela, próximo da torre e do arco romano «de Belcouce»), são casas vulgares apenas.

[Aquando da construção do Colégio de S. António da Estrela], das antigas edificações, que aqui havia, foi poupado o arco romano, que permaneceu a Sul do novo edifício, e a parte inferior, que restava, da célebre torre quinária de Belcouce, ficando mais de metade do seu corpo embebida na alvenaria da fachada ocidental, de modo que se conservou à vista, a salientar-se, o ângulo ocidental; aproveitou-se habilmente para mirante o terraço triangular que sobre ela ficou descoberto. Também pouparam a interessante inscrição comemorativa da construção da torre, que se edificou por ordem de D. Sancho I. Para datar esta construção, esculpiram-se na lápide comemorativa três elementos cronológicos, que não se adaptam bem entre si, embora a discrepância não seja grande: o início do reinado de D. Sancho I, a tomada de Coimbra aos mouros por Fernando Magno de Leão, e a era hispânica de 1249. Oscilam entre os anos de 1209 e 1211. Parece que aquela primeira data se reporta ao começo da obra, e esta ao assentamento da inscrição, quando se havia concluído a torre, na era de 1249 a.D. 1211. Muito se discreteou sobre a concordância destes três dados cronológicos.

Arco romano trabalho de Isabel Anjinho.jpg

 Arco romano, apresentação de Isabel Anjinho

 ... A 10 de Junho de 1778, mandou a Câmara demolir o arco romano da Estrela! Assim desapareceu estupidamente o monumento histórico mais precioso e interessante no seu género que Coimbra possuía; mas, em compensação, exultou a vereação por ter aumentado com esta desastrada medida a receita municipal deste ano, entrando em cofre a quantia de 30$000 reis, que pagou Miguel Carlos pela compra da pedra da demolição!

Hoefnagel arco romano.JPGPormenor da gravura de Hoefnagel, apresentação de Isabel Anjinho

 É possível marcar-se aproximadamente o local onde se erguia o arco, tendo em consideração que esse local foi depois da demolição aproveitado pelos frades para ali construírem uma casa suplementar ao Colégio, na extremidade sul deste, a qual se vê em estampas que ilustram este capítulo. Ainda existe, no jardim... um marco de referência precioso: um cubelo de suporte da muralha, que se encontra à mão esquerda, quando da Couraça se transpõe a porta de entrada do jardim. Este cubelo se vê nas respetivas estampas, marcando o vértice do ângulo S-O da dita casa.

Colégio de S. António da Estrela.jpg

 Colégio de S. António da Estrela

 As fachadas ocidental e meridional estende-se nesta estampa quase lado-a-lado, no 1.º plano, desde a parte posterior da igreja, à nossa esquerda (onde se salienta a pequena capela-mor, e ao lado a pequeníssima sacristia com as suas 2 janelas), até ao topo S, quase completamente escondido detrás duma casa com três filas de 5 janelas em cada um dos seus 2 andares, e por baixo destas mais outra fila de janelas simuladas. Esta casa foi construída, no último quartel do século XVIII, a ocupar o local onde se erguia o afamado arco romano ou de Belcouce; ficou quase encostada ao topo meridional do Colégio, construindo- entre um e outro edifício a porta larga e a passagem de entrada para o grande pátio do Colégio, e para esta nova casa. Um cubelo, que se vê no ângulo deste pequeno prédio, ainda hoje existe, e serve de marco para fixarmos o lugar da casa, e consequentemente do arco de Belcouce.

O Colégio era composto de 2 corpos contíguos, um com a orientação S-N, o outro E-O, formando assim um ângulo reto. No topo ocidental deste último corpo, divisa-se a parte restante da torre de Belcouce.

Esta fotografia foi tirada do areal do rio, a montante da ponte, alguns anos depois do incêndio que devorou o edifício em a noite de domingo, 27 de janeiro de 1895, deixando ficar somente as paredes.

 Vasconcelos, A. 1987. Escritos Vários Relativos à Universidade de Coimbra. Reedição preparada por Manuel Augusto Rodrigues. Volume I e II. Coimbra, Arquivo da Universidade de Coimbra, pg. 274-276, 404 do Vol. I

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por Rodrigues Costa às 10:07


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