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A' Cerca de Coimbra


Sexta-feira, 12.02.16

Coimbra: os grandes incêndios ocorridos no século XX 2

Incêndio do Colégio dos Órfãos
… ocorrido na noite de 16 de Janeiro de 1967 e que transformou num montão de ruínas, o Colégio dos Órfãos de S. Caetano, da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra.
A ala poente do grande edifício não tardou a ficar envolta em chamas, que irromperam através das janelas e do último piso e do telhado com extraordinária violência, oferecendo um espetáculo pavoroso. Dir-se-ia a cidade ter-se transformado num vulcão.
… O fogo começara na Capela da Secção Feminina … As chamas alastravam já assustadoramente de um extremo ao outro da ala nascente, com uma frente de mais de cem metros, para a Rua dos Coutinhos.
Impôs-se defender as casas vizinhas … e houve que evacuar algumas das moradias da Rua Corpo de Deus … foi poupada a Igreja da Misericórdia, bem como os claustros que são monumento nacional … Durou mais de quatro horas o ataque ao violento incêndio … Só cerca das 8 horas começou o rescaldo, mas ainda nessa altura, aqui e ali iam surgindo novos focos … só às 18 horas … retirou do Colégio dos Órfãos o último piquete dos bombeiros.

Seja-me permitida uma nota pessoal.
Como já tive ocasião de aqui dizer o meu Pai era funcionário da Misericórdia e um profundo conhecedor do edifício ardido e, em ordem a este incêndio, há que não esquecer a sua dedicação àquela Instituição.
Ele sabia melhor do que ninguém onde se encontravam guardados os objetos mais preciosos, ou seja, numa arrecadação junto ao local onde hoje se encontra a entrada da Faculdade de Psicologia.
Morando na Cerca do Colégio dos Órfãos, quando se apercebeu do incêndio correu para aí. E uma vez, e outra vez e outra vez entrou do edifício … até ser impedido pelos bombeiros de continuar nessa tarefa, dado o risco eminente de uma derrocada, a qual veio a acontecer. E assim, com algumas queimaduras e alguns ferimentos ligeiros, de lá retirou tudo o que pode de uma forma abnegada e pondo em risco a sua própria vida. Por iniciativa própria e sem qualquer reconhecimento.

Outros incêndios de grande dimensão

- na Rua do Guedes, em casa do fotógrafo José Sartoris, em 7/7/1900, quando alguns bombeiros correram perigo …
- na estalagem de João de Aveiro, no Largo da Fornalhinha, um dos maiores de Coimbra …
- em 7/2/1904, na Rua da Gala, na Casa de pasto do Grazina, que obrigou os moradores a serem salvos pela manga de salvação …
- incêndio do Palace-Hotel, Avenida Navarro … (hoje Café Internacional), que destruiu dois terços do edifício, sinistro ocorrido de 29 para 30/4/1919 …
- Em Agosto (1925), a Alquilaria Camões. Sita na Avenida Navarro (terreno do antigo Tivoli e, hoje, pronto-a-vestir Zara) foi pasto das chamas que a deixaram reduzida a cinzas … morreram seis cavalos … os melhores trens, entre eles o luxuoso carro conhecido pelo carro dos casamentos; ficaram gravemente feridos dois bombeiros…
- em 29 de Março (de 1929) … pavoroso incêndio na Rua das Padeiras e Rua do Paço do Conde que destruiu dois grandes prédios, n.ºs 47 a 51. Ali funcionava a padaria de Juventino Pais Martins dos Santos …
- incêndio ocorrido na Rua da Moeda, em 1 de Setembro de 1935 … onde funcionava a padaria Moderna …
- incêndio na Couraça de Lisboa, em 4 de Setembro (de 1940), em prédio do Seminário agarrado ao CADC, lojas e dois andares com carvoaria e hóspedes …
- violento incêndio registado em 27 de Setembro (de 1940), reduzia a cinzas a estância de madeiras … frente às Fábricas Triunfo, na Rua dos Oleiros. Um incêndio tão pavoroso que obrigou os comboios a deixar de circular …
- violento incêndio na Empresa Lusitânia de Cerâmica, junto à Estação Velha, em 13 de Novembro de 1946…
- Em 7 de Dezembro de 1949 … Um incêndio na Estatuária Artística de Coimbra, nas Lajes, assumiu proporções pavorosas …
- Incêndio no prédio da Casa das Lãs … o prédio n.º 73 da Rua Visconde de Luz foi pasto das chamas (em 26/1/1980) … houve 11 intoxicações … duas crianças e uma jovem foram retiradas do 4.º andar pela manga de salvação.

Nunes, M. 1998. Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Coimbra, Das origens aos nossos dias. (1889-1998). Páginas para a história de Coimbra. Coimbra, Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Coimbra. Pg. 48, 63, 70, 78, 112, 129, 136, 161 a 168, 181

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por Rodrigues Costa às 12:02

Quinta-feira, 11.02.16

Coimbra: os grandes incêndios ocorridos no século XX 1

… os sinais de alarme nas torres das igrejas (badaladas), em caso de incêndio, e que eram os seguintes: «Sé Nova, 10 badaladas; Sé Velha, 11; S. Bartolomeu, 12; Santa Cruz, 13; Santa Clara, 14; e Santo António dos Olivais, 15».

- Incêndio na Escola Brotero
… pelas 3.45 horas (12 de Janeiro (de 1917) um violentíssimo incêndio destruiu completamente a Escola Brotero e as instalações da Hidráulica. Não houve mortos. Na Escola Industrial estavam matriculados 442 alunos que vão ficar sem aulas.
… O fogo principiou no arquivo da 2.ª Direção dos Serviços Fluviais e Marítimos e propagou-se rapidamente ao laboratório químico … teve uma extensão de 100 metros, chegando a ameaçar os paços municipais.

- Incêndio na Tabacaria Crespo
… violento incêndio … edifício ficava na Rua Ferreira Borges … hoje Papelaria Cristal.
Na madrugada de 23 de Fevereiro, cerca de 1 hora (23/2/1923) os «toques a incêndio emanaram das torres da cidade e os gritos da população anunciaram a mais negra cena lutuosa, que há memória na cidade» … «O foco incendiário teve origem no 2.º andar (morada dos proprietários e criados). Envoltos em fogo, Eduardo Crespo lançou para a rua um filho de 6 meses, recuperado pelo ’chauffer’ Alberto Baptista (o 1.º que deu pelo sinistro) e Eduardo saltou atrás do filho, estatelou-se no lajedo e morreu 3 horas depois.
… A população tentou retirar e proteger alguns bens … e foi surpreendida pela derrocada dos andares superiores … 14 mortes a lamentar com funerais municipais.

- Incêndio nos Correios
Um pavoroso incêndio acontecido a 2 de Janeiro de 1926 … destruiu completamente a estação telégrafo-postal, bem como os serviços telefónicos que ali estavam instalados … pelas 4 e meia horas da madrugada a torre de Santa Cruz deu sinal de incêndio … As labaredas envoltas em negras nuvens de fumo fundiram vários fios e próximo da Manutenção Militar caíram dois postes, um deles no telhado do mercado do peixe … O rescaldo durou alguns dias.

- Incêndio no Coliseu de Coimbra
… incêndio, em 4 de Abril de 1935, que devorou a praça de touros de Santa Clara, denominada de Coliseu de Coimbra e que fora inaugurada em 26 de Julho de 1925 … «As labaredas atingiram alturas elevadíssimas e espessos rolos de fumo preto elevaram-se no espaço … meia-hora depois do início do incêndio a vasta praça era um braseiro imenso. Ficou apenas de pé a cabine cinematográfica construída em cimento armado … A última tourada que ali se realizou foi em 17 de Julho de 1934. A lotação era de 10.000 pessoas. A arena era a maior de todas as praças do País. Com o desaparecimento do Coliseu perdeu a cidade um magnifico recinto de espetáculos, onde não só se levaram a efeito algumas das mais grandiosas e importantes touradas realizada no País, como grandes festas desportivas, etc., não levando em conta as sessões cinematográficas durante a quadra estival que levaram o público a afluir em massa».

- A tragédia de 6 de Julho de 1938
»… os Bombeiros Municipais que tinham recebido algum material novo quiseram testar o mesmo, incluindo no programa das festas da Rainha Santa um exercício de ataque a fogo real.
Ergueu-se para o efeito, na Praça da República, uma casa-esqueleto de 17 metros de altura, cujos três andares foram ocupados por 13 jovens que se faziam passar por inquilinos.
O guião do exercício consistia em deitar fogo ao prédio e recolher, sãos e salvos, os seus moradores.
A partir de um monte de lenha e de estopa embebida em gasolina e do riscar de um fósforo foi fácil criar o incêndio. Dominá-lo é que se tornou impossível.
… Alguns, já feitos tochas humanas, atiraram-se de 17 metros de altura, morrendo ao embater no solo. Outros, sem coragem para tal gesto, pereceram carbonizados.
Salvou-se, apenas um por não ter sofrido ainda queimaduras saltou em último lugar. A lona estava, nessa altura, suficientemente tensa para amparar.
… Os funerais das 12 vítimas realizaram-se no dia seguinte para o cemitério da Conchada, com milhares de pessoas incorporadas no cortejo fúnebre.

Nunes, M. 1998. Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Coimbra, Das origens aos nossos dias. (1889-1998). Páginas para a história de Coimbra. Coimbra, Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Coimbra. Pg.44, 48, 61 e 62, 64 a 66, 71, 86 e 87

 

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por Rodrigues Costa às 10:58


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