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A' Cerca de Coimbra


Quarta-feira, 25.05.16

Coimbra e Gil Vicente

Tendo D. João III retirado com a corte para Coimbra em 1526 (por causa do terramoto), aqui veio Gil Vicente representar-lhe a farsa dos «Almocreves»... Lê-se na rubrica desta peça: «Esta seguinte farsa foi feita e representada ao... Rei D. João, o terceiro em Portugal deste nome, na sua cidade de Coimbra... Seu fundamento é que um fidalgo de muita pouca renda usava muito estado, tinha capelão seu e ourives seu, e outros oficiais, aos quais nunca pagava.»

«Com o terror da peste, D. João III foge de Almeirim para Coimbra, onde é recebido solenemente recitando-lhe a arenga ou oração de chegada Francisco de Sá, a quem o rei concedera a sua intimidade. Nestes festejos tomou parte Gil Vicente, representando a comédia «Sobre a divisa da cidade de Coimbra»... estando na sua muito honrada, nobre e sempre leal cidade de Coimbra. Na qual comédia se trata o que deve significar aquela Princesa, Leão, e Serpente, e Cálice, ou Fonte, que tem por divisa: e assim este nome de Coimbra donde procede, e assim o nome do rio, outras antiguidades a que não é sabida verdadeiramente sua origem. Tudo composto em louvor e honra da sobredita cidade. Feita e representada era do Senhor de MDXXVII.

... No mesmo ano de 1527 ainda Gil Vicente voltou a representar em Coimbra, mas agora a tragicomédia da «Serra da Estrela»... no parto da Sereníssima e mui alta Rainha Dona Catarina Nossa Senhora e nascimento da Ilustríssima Infanta Dona Maria, que depois foi princesa de Castela (futura mulher de Filipe II)

Loureiro, J.P. 1959. O Teatro em Coimbra. Elementos para a sua história. 1526-1910. Coimbra, Câmara Municipal. Pg. 43 a 44

 

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por Rodrigues Costa às 10:35

Quarta-feira, 02.03.16

Coimbra e o teatro que aqui se fez 1

... nesta cidade desde o remoto ano de 1526 (data em que Gil Vicente pela primeira vez aportou a esta cidade, para representar uma das suas farsas) até ao meado do século XIX, muitas informações se acumularam ...a Coimbra tocou a honra não só por três vezes haver acolhido dentro das suas muralhas o glorioso fundador do teatro popular português, mas de ter sido o genuíno berço do teatro clássico, personificado nos seus mais altos representantes: Jorge Ferreira de Vasconcelos, nascido nos campos do Mondego (em Montemor-o-Velho), que casou nesta cidade, nela escreveu e provavelmente viu representar a sua comédia «Eufrosina», cuja ação aqui decorre; Francisco de Sá de Miranda, natural desta cidade e nela criado, onde escreveu e possivelmente fez também representar as suas comédias «Estrangeiros» e «Vilhalpandas»: e António Ferreira, lente da faculdade de leis, que ensinou e aqui escreveu e viu representar na Universidade a sua tragédia «Castro», de tema medularmente coimbrão, como é a morte de Inês de Castro.

Focando-se a época do renascimento do teatro, no segundo quartel do século XIX, em que – como seu reformador – coube a Almeida Garrett o papel de maior relevo, pode também entrever-se que fora em Coimbra... como autor e ator curioso, preparara as suas primeiras armas para triunfar na difícil tarefa que mais tarde havia de tomar sobre os seus ombros; e foi de Coimbra que, designadamente a partir da fundação da Nova Academia Dramática (1838), o notável escritor recebera o mais apreciável impulso para com êxito acometer o ingente empreendimento da renovação do teatro português que tão felizmente logrou iniciar.

E mais se apurou que nesta cidade se apresentaram, como dramaturgos ou atores amadores, para fainas que os alçapremaram a beneméritos da arte dramática nacional: António Feliciano de Castilho... famoso autor e tradutor de obras da literatura dramática; João de Lemos... autor de um drama famoso; os jurisconsultos Paulo Midósi e António Joaquim da Silva Abranches, autores de peças que tiveram retumbantes sucessos; Francisco Palha, António da Costa, Francisco Soares Franco e Francisco Soares Franco Júnior, e tantos outros, todos filhos da Universidade de Coimbra e aqui tendo estagiado em teatrinhos particulares de amadores ou no Teatro Académico.


... É certo que já nos reinados de D. Sancho I e D. Afonso II aparecem referências a determinada forma dramática, pois que no ano de 1193 o primeiro desses monarcas fez doação de um casal aos dois bobos «Bonamis» e «Acompaniado»... os quais por sua parte se consideraram na obrigação de dar um «arremedilho» ao doador.

Loureiro, J.P. 1959. O Teatro em Coimbra. Elementos para a sua história. 1526-1910. Coimbra, Câmara Municipal. Pg. 3, 4,14

 

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por Rodrigues Costa às 11:55


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