Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 23.02.17

Coimbra: Hospital de S. Lázaro

Atribui-se a criação do hospital de S. Lázaro, ou «gafaria de Coimbra», à munificência de D. Sancho I, que o dotou convenientemente em seu testamento do mês de Outubro de 1209. Parece ter sido esta herança o fundo primitivo, com que se abriu a primeira gafaria em Coimbra, de que o hospital de s. Lázaro representa hoje a continuação, depois de ter passado por muitas fases administrativas e por diferentes mudanças de local. Se antes da instituição de D. Sancho I já existia na cidade algum pequeno estabelecimento desta ordem, que aquele testamento viesse aumentar em rendas, não o pode afirmar.

... Nos arquivos do hospital ... alguns documentos originais de graças e mercês, concedidas a esta instituição por diferentes monarcas, citando com especialidade o «regimento do hospital dos lázaros» de 1329 por D. Afonso IV; outro regimento, sem data, por D. Afonso V; e ambos adicionados em Coimbra por D. Manuel em 1502, constituindo um novo regulamento com esta ultima data.

Hospital dos Lázaros Fora de Portas.TIFRuinas do Hospital dos Lázaros, hoje demolidas

Hospital dos Lázaros portal.TIF

... Em 1774 foi incorporado na fazenda da universidade a administração do hospital de S. Lázaro, «em cumprimento do decreto d’el-rei D. José de 15 de Abril de 1774 e da provisão do marquez de Pombal de 19 do mesmo mez e anno, como consequencia da reforma da universidade de 1772; ficando sujeita aos mesmos regulamentos da administração do hospital Geral, ou hospital de Conceição.

Mais tarde seguiu a sorte d’este ultimo hospital, na mudança da administração dos seus bens para o governo civil, em repartição especial por effeito da portaria do ministério do reino de 22 de setembro de 1851; e ultimamente, na constituição d’uma administração immediatamente subordinada ao referido ministério, por decreto de 22 de junho de 1870.

Consistiam os rendimentos d’este hospital em rendas e fóros de propriedades rusticas e urbanas, rações e laudémios de prasos e casaes, nos logares de Condeixa, Falla, Trouxemil, Zouparria, Enxofães, Alfóra, etc. D’esses direitos foram abolidos os provenientes de doações regias, por decreto de 13 de agosto de 1832; de que resultou grande cerceamento nos recursos d’este hospital».

... De Fora de Portas foi transferido o estabelecimento para o colégio de S. José dos Marianos, em 5 de Dezembro de 1836 ... Deste último edifício foram mudados os lázaros para o colégio de S. Jerónimo, por decreto de 21 de Junho de 1851 ...

Hospital dos Lázaros antigo.TIF

De S. Jerónimo foram transferidos os lázaros para o colégio dos Militares ... em 10 de Novembro de 1853.

Simões, A.A.C. 1882. Dos Hospitaes da Universidade de Coimbra. Coimbra. Imprensa da Universidade, pg. 7, 10-11, 56.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 09:50

Quinta-feira, 03.11.16

Coimbra: a Estrada de Aveiro

 No Roteiro Terrestre de Portugal editado em 1748, que no Arquivo Histórico da Câmara de Coimbra me deram a conhecer, são identificadas as estradas que saíam de Coimbra.

Destas e das que partem para norte é nomeadamente referido que:

Roteiro para Aveiro, em que se contão nove leguas ao Noroeste

De Coimbra aos Fornos 1 legua; Dahi aos Marcos 1 legua; A Murtede 1 legua; ... A Mamarosa; ... A Aveiro.

Perante este dado, uma questão se me colocou: Qual seria, no distrito de Coimbra, o trajeto da estrada para Aveiro?

Na procura de uma resposta, obtive as informações a seguir referidas.

1 - Junto de habitantes de Enxofães, Silvã e Barcouço

- Em Enxofães, o caminho que atravessa esta aldeia indo para norte até Murtede e para nascente até Rio Covo, era aqui conhecido, pelo menos desde os finais do século XIX, por “Estrada de Aveiro”;

- Em Barcouço, em data idêntica, o caminho que desta localidade vai a Rio Covo, é ainda chamado pela mesma designação de “Estrada de Aveiro”;

- Na Silvã o troço que vai de Rio Covo a Enxofães é conhecido por “Estrada de Aveiro”;

- Não existindo na área em apreço nenhuma localidade com a designação de Marcos, este topónimo não é conhecido pelos habitantes das localidades atrás referidas. Assim, será plausível considerar que se trataria dos marcos da demarcação dos termos de Coimbra e de Aveiro os quais deveriam estar perto da localidade de Grada a qual dista cerca de uma légua dos Fornos.

2 – No Arquivo da Universidade de Coimbra

- A área delimitada por Murtede, Carvalho, Barcouço e Silvã – na sua grande maioria – integrava a designada “Herdade de Enxofães” que pertencia, desde o século XIII, ao Hospital e Gafaria de S. Lázaro de Coimbra;

- No Tombo de 1515 do Hospital de S. Lázaro existe uma Certidam do Juis das Jogadas da qual consta estar resistada a de Marcação das terras de Emxofães pera os Cazr.os por vertude dos Prevelegios do Esprital serem escuzos de pagar, datada de 1604.06.22. Nesse documento encontram-se descritas as extremas da Herdade Enxofães e identificada a localização dos marcos que a delimitavam.

3 – A realidade local

- A área da “Herdade de Enxofães”, integrando algumas gândaras, encontrava-se constituída essencialmente por terras de cultivo em várzeas, que se desenvolvem ao longo dos pequenos vales criados pelas muitas fontes e respetivas valas que drenam para o Rio Mondego. O atravessamento dessas várzeas apresenta, nomeadamente no Inverno, grande dificuldade;

- Existe uma ligação contínua com cerca de 12 quilómetros, ou seja cerca de 2 léguas, desde os Fornos a Murtede que atravessa as seguintes e muito antigas localidades: Trouxemil, Grada, Barcouço, Rio Covo e Enxofães. Desta, Barcouço - Rio Covo – Enxofães, no percurso que as liga entre si, bordejam os terrenos da antiga “Herdade de Enxofães”.

 

De posse destas informações atrevemo-nos a apresentar uma proposta para aquele que considerarmos ser o percurso mais plausível da Estrada de Aveiro, no distrito de Coimbra, o qual dividimos nos seguintes troços:

. Um primeiro troço, comum às estradas de Aveiro e do Porto, partia dos Fornos, subia a Trouxemil, onde, ao sair desta localidade para nascente, depois de passar o curto caminho que levava à muita antiga Feira das Neves, junto da Capela de Adões, se bifurcava: um caminho rumava a Aveiro e o outro, a Estrada do Porto, encaminhava-se em direção a Sargento-Mor;

.Um segundo troço corresponde à descida de Trouxemil até a Grada, onde se inicia uma subida que leva a Barcouço;

. Um terceiro troço corresponde à descida que de Barcouço leva ao antigo porto de Rio Covo – troço que ainda ali é conhecido por “estrada de Aveiro”;

. Um quarto troço que corresponde à ligação de Rio Covo a Enxofães e ao atravessamento desta aldeã, o qual ainda é conhecido pelos mais antigos, quer de Enxofães, quer da Silvã pelo nome de “Estrada de Aveiro”;

. Um quinto troço corresponde à muito antiga ligação de Enxofães a Murtede, terra que era a sede da paróquia a que Enxofães pertencia e na qual existia o cemitério onde se enterravam os seus mortos.

Proposta que apresentamos na esperança de que, a partir da mesma, possam surgir outras soluções melhor fundamentadas.

Rodrigues Costa

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 22:22


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Setembro 2019

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930