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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 30.04.24

Coimbra: Jardim Botânico 1

Primeira de duas entradas, sobre um texto subscrito por um dos Professores que marcaram a da minha vida e de quem me orgulho de ter sido aluno: Jorge Paiva.

Existentes desde a antiguidade, só nos tempos modernos os Jardins Botânicos adquirem real interesse e inegável importância em vários domínios.

… Lugar edénico e pulmão da cidade, o Jardim Botânico de Coimbra é mais solicitado, mais apreciado e mais conhecido no estrangeiro do que no nosso país e até na própria cidade do Mondego.

… O primeiro Jardim Botânico parece ter sido o de M. Sylvaticus em Salerno, no século XIV, tendo-lhe seguido o Jardim Botânico e Médico de Veneza (1333). Os Jardins Botânicos modernos originaram-se dos jardins particulares dos «herbalistas».

…. Inicialmente os Jardins Botânicos foram criados com o intuito de apoiar a Medicina.

 …. O Instituto Botânico da Universidade de Coimbra tem a sua origem em 1772 no gabinete de História Natural, criado pelos Estatutos Pombalinos da Universidade de Coimbra, os quais estabeleceram também um Jardim Botânico, anexo à Universidade.

O primeiro plano para o Jardim Botânico de Coimbra que se conhece data de 1731, foi traçado por Jacob de Castro Sarmento, baseado no Chelsea Physic Garden de Londres e por ele oferecido ao então reitor reformador da Universidade de Coimbra.

Depois do Reitor (Francisco de Lemos) ter escolhido o local para o Jardim (parte da Quinta do Colégio de S. Bento), em 1772, o Marquês de Pombal enviou a Coimbra, em 1773 o engenheiro e tenente-coronel William Elsden, para que, conjuntamente com os Professores de História Natural Domingos Vandelli e Dalla-Bella e o Reitor, traçarem o plano do Jardim.

Aqueles Professores italianos e William Elsden não seguiram o projeto do Dr. Jacob Sarmento por o considerarem muito modesto. O plano que delinearam era de tal modo grandioso e dispendioso que foi completamente rejeitado pelo Marquês (5 de outubro de 1773).

… Os trabalhos começaram então segundo planos mais modestos, tendo o Marquês enviado a Coimbra (1774) o jardineiro Julio Mattiazi, do Real Jardim da Ajuda, responsável pela cultura das plantas enviadas. por via marítima, da Ajuda para Coimbra. acompanhadas pelo que seria o primeiro jardineiro do Jardim Botânico do Coimbra, João Rodrigues Vilar.

A parte botânica do Jardim foi primeiramente orientada por Domingos Vandelli, a que se seguiu, a partir de 1791, Félix de Avelar Brotero, o qual passou a lecionar a cadeira de Botânica e Agricultura, que, nessa data, foi separada da restante História Natural (Mineralogia e Zoologia).

Domingos Vandelli.jpg

Domingos Vandelli. magem acedida em: https://www.bing.com/images/search?form=IARRTH&q=domenico+vandelli&first=1

Felix de Avelar Brotero.jpg

Felix de Avelar Brotero Imagem acedida em: https://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A9lix_de_Avelar_Brotero#/media/Ficheiro:F%C3%A9lix_de_Avelar_Brotero01.jpg 

A primeira parte do Jardim que se constituiu é a que ainda hoje é conhecida por «Quadrado Grande».

img20240120_17061102.jpg

Quadrado Grande do Jardim com fontenário ao centro. Op. cit., pg. 38

 Os trabalhos do Jardim prosseguiram através dos séculos XIX e XX.

Jardim Botânico. 1877.jpgJardim Botânico, em 1877. Col. RA

Apresentando o traçado atual apenas muito recentemente, com as remodelações efetuadas pela Comissão Administrativa do Plano de Obras da Cidade Universitária de Coimbra, sob a orientação do então Diretor do Jardim Prof. Dr. Abílio Fernandes.

Paiva, J.A.R. Jardins Botânicos. Sua origem e importância. In: Munda, Revista do Grupo de Arqueologia e Arte do Centro, n.º 2 novembro de 1981, pg.35 a 43.

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por Rodrigues Costa às 10:43

Segunda-feira, 28.05.18

Coimbra: Museu da Ciência da Universidade de Coimbra

Os caloiros que iniciaram a licenciatura em Ciências Físico-Químicas em 1963, reuniram-se ontem e mais uma vez, desta feita em Coimbra. Do programa constou missa e a recordação da bênção das pastas e ainda uma visita ao Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, num retorno aos locais onde tiveram das suas primeiras aulas.

Para esta visita – que se recomenda a quem ainda a não fez – foi elaborado o pequeno guião que aqui se divulga.

 Breve síntese histórica

O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra ocupa atualmente dois edifícios: o Laboratorio Chimico e o Colégio de Jesus. Ambos pertenceram ao Colégio dos Padres Jesuítas, também denominados Apóstolos (o nome perpetua-se na Couraça) e ao Colégio das Artes. A primeira pedra do Colégio dos Jesuítas foi lançada no dia 14 de abril de 1547 e a igreja, riscada pelo arquiteto Baltazar Álvares, membro da Companhia; a sua construção iniciou-se em 1598 e prolongou-se durante um século. 

Colégio de Jesus desenho.TIFColégio de Jesus e Colégio das Artes em 1732 (gravura de Carlo Grandi)

 O Colégio das Artes, entretanto criado por D. João III, ocupou, num primeiro momento, espaços pertencentes a Santa Cruz e foi entregue aos Jesuítas no ano de 1555, ainda antes do edifício (que se ergue quase paredes-meias com o dos Apóstolos e fora iniciado em 1568) estar concluído.

Os imóveis encontravam-se ligados por dois pequenos corpos de passadiço, perpendiculares à fachada oriental. Um fazia comunicar o Colégio de Jesus com o Colégio das Artes e o outro ligava o complexo colegial ao edifício onde, graças aos trabalhos arqueológicos recentemente efetuados, se ficou a saber que estava instalada a sala do refeitório bem como, provavelmente, as cozinhas e a ucharia, ou seja, estamos a referir-nos ao atual Laboratório Chimico.

Os Jesuítas de Coimbra gozaram por pouco tempo da sua igreja e das restantes estruturas, porque, em 1759, foram expulsos do país, o colégio extinto e os bens sequestrados. Os edifícios ficaram abandonados durante treze anos.

Aquando da Reforma Pombalina da Universidade, iniciada em 1772, parte do complexo passou para a posse da Universidade e a igreja, com mais alguns anexos, foram entregues ao Cabido diocesano.

O marquês de Pombal, ao implementar a reforma universitária que, obviamente, necessitava de espaços adequados, apoderou-se de uma parte considerável do Colégio de Jesus. Contudo, ciente da importância do ensino experimental, estava já na posse de planos trazidos de Viena de Áustria por Joseph Francisco Leal destinados à construção do Laboratorio Chimico; no entanto, este projeto não saiu do papel, tendo-o substituído um outro desenhado na Casa do Risco, sob orientação do engenheiro militar tenente-coronel Guilherme Elsden, que se salientou como diretor das Obras da Universidade de Coimbra. 


Laboratório Chimico.jpgFachada do Laboratorio Chimico, desenho de G. Elsden e R. F. de Almeida, 1777 in Franco, M.S. “Riscos das Obras da Universidade de Coimbra”, Museu Nacional Machado de Castro, Coimbra, 1983.

Trata-se de um edifício de grande qualidade, muito elegante e onde se destaca o frontão central, em corpo avançado sobre colunas. No entanto, o projeto original do coroamento do edifício foi alterado e só lhe foi aposto no século XIX.

Guilherme Elsden foi também o responsável pela adaptação dos edifícios preexistentes destinados a acolherem os Gabinetes de História Natural e de Física Experimental.

A estrutura vira para o Largo do Marquês de Pombal e mostra uma longa fachada de 110 metros de comprimento, de nobres linhas protoneoclássicas, onde se salienta o corpo central, coroado por frontão triangular preenchido por um belo relevo da autoria de Joaquim Machado de Castro, representando a Natureza e cinzelado pelo escultor António Machado. Nos gradeamentos das ventanas pode observar-se um pequeno medalhão com o busto do marquês de Pombal. 

Laboratório de Fisica.jpg

 Frontão alegórico

No interior destaca-se a escadaria de aparato e os alizares de azulejo.

Refira-se ainda que nas alas norte e poente do Colégio funcionaram, inicialmente, os Hospitais da Universidade de Coimbra.

Os objetivos pedagógicos que então se pretendiam atingir encontram-se bem expressos nos Estatutos Pombalinos, datados de 1772, onde se lê que “os estudantes não somente devem ver executar as experiências, com que se demonstram as verdades até ao presente, conhecidas … mas também adquirir o hábito de as fazer com sagacidade e destreza, que se requer nos Exploradores da Natureza”.

A adaptação dos dois imóveis a Museu da Ciência ocorreu nos primeiros anos do presente século, tendo a primeira fase sido inaugurada em 2006 sob projeto de João Mendes Ribeiro, Carlos Antunes e Desirée Pedro. Trabalhos que visaram, essencialmente, reconduzir os espaços ao seu aspeto inicial.

Está classificado, desde 2016, como Sítio Histórico pela Sociedade Europeia de Física.

Recordamos que foi nestes espaços, nos idos dos anos 60, que os caloiros que então eramos, tiveram as primeiras aulas da licenciatura em Ciências Físico-química.

 

A nossa visita

A duração prevista é de cerca de uma hora segundo o seguinte percurso:  

- Gabinete de Física

Foi equipado com seis centenas de máquinas que representavam o que de melhor e mais moderno então existia no campo da investigação científica. Cada uma delas tinha uma conceção que a tornava adequada a um dos capítulos do programa descrito no curso redigido por Dalla Bella.

O Gabinete de Física de Coimbra, mostra bem a profunda influência que as ideias e os instrumentos provenientes das mais diversas zonas da Europa tiveram em Portugal no século das luzes. O que resta dos instrumentos pertencentes ao Gabinete do século XVIII considera-se, atualmente, verdadeiras obras de arte, valorizadas pela riqueza dos materiais e pela perfeição da execução. Ocupam ainda as salas e o mobiliário primitivo, permanecendo no seu espaço de origem e mantendo as suas características específicas desde o tempo da fundação; constituem uma coleção de instrumentos científicos e uma representação notável da evolução da Física nos Séculos XVIII e XIX.

Visitamos o anfiteatro e as salas Figueiredo Freire (séc. XIX) e Dalla Bella (séc. XVIII).

- Gabinete de História Natural

Por força dos Estatutos Pombalinos da Universidade, datados de 1772, os professores da Faculdade de Filosofia deviam coordenar a recolha das espécies. O espólio assim obtido incorporou inicialmente a coleção privada de Vandelli e foi muito enriquecido com a Viagem Philosofica à Amazónia realizada por Alexandre Rodrigues Ferreira.

Os espécimes encontram-se organizados por regiões com recurso às técnicas de conservação e exposição então em uso. 

Visitamos as salas das viagens, do mar, de África, das avestruzes e de Portugal.

- Laboratório Chimico

Encontra patente neste edifício a exposição Segredos da luz e da matéria que trata este tema a partir dos objetos e instrumentos científicos das coleções da Universidade de Coimbra, uma das mais notáveis e raras da Europa. Um conjunto de experiências e módulos interativos possibilitam a observação de fenómenos, desde a experiência de decomposição da luz, de Newton, até à neurobiologia da visão.

 BORGES. Nelson Correia, Coimbra e região, Lisboa, Presença, 1987.

CORREIA, Vergílio; GONÇALVES, António Nogueira, Inventário artístico de Portugal. Cidade de Coimbra, Lisboa, Academia Nacional de Belas Artes, 1947.

DIAS, Pedro; GONÇALVES, António Nogueira, O património artístico da Universidade de Coimbra, Coimbra, Universidade de Coimbra, 1991.

VASCONCELOS, António de, Escritos vários, vol. I, Coimbra, AUC, 1987 [Reedição].

http://www.museudaciencia.org/index.php?module=content&option=museum&action=project&mid=5

http://www.museudaciencia.org/index.php?module=content&option=museum

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por Rodrigues Costa às 11:19


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