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A' Cerca de Coimbra


Quarta-feira, 04.05.16

Coimbra e as invasões francesas 1

A 17 de Março de 1808, seguiu de Lisboa para Baiona a referida deputação portuguesa, da iniciativa de Junot, enviada cumprimentar Napoleão Bonaparte. E um dos seus membros foi o reformador-reitor da Universidade e bispo-conde desta diocese, D. Francisco de Lemos de Faria Pereira Coutinho

… Por esse facto, tornou-se o prestigioso prelado suspeito de «jacobino», termo sinónimo de partidário dos franceses, adesão que durante a guerra peninsular foi justamente considerada um dos mais graves crimes, só tendo regressado a Portugal dois anos mais tarde, saído de Bordéus a 15 de Setembro de 1810, e chegando à Mealhada no princípio de Dezembro do mesmo ano.

Tendo, porém, o propósito de dirigir-se a Coimbra, foi impedido de o fazer, recebendo ordem de seguir para o Porto, onde foi sujeito a prolongados interrogatórios por parte do chanceler da Relação e Casa do Porto, plenamente se justificando de tudo quanto praticara.

Mas não foi este o único episódio em que puderam entrever-se estranhos laivos de derrotismo.

A 29 de Maio seguinte (1808), realizou-se uma sessão memorável nas casas da Câmara da vila de Ançã, ao tempo concelho pertencente à comarca de Coimbra … em que tomaram também parte as pessoas mais distintas da nobreza e povo da vila e seu termo, depois de lida uma carta de 17 de Abril da deputação enviada a Baiona, em que vinham promessas de felicidade, feitas e afiançadas por Napoleão … foi assinada uma representação em que se pedia a Napoleão um rei da sua família para Portugal.

E a 28 de Junho seguinte, dois dias após a eclosão do movimento insurrecional de Coimbra, ainda na Figueira da Foz … Ponderando-se que os tumultos e motins populares de algumas cidades e outras terras do reino «contra as autoridades constituídas» faziam temer que ali surgissem também, com grave risco da paz e sossego, assentou-se em que todas as pessoas presentes trabalhassem quanto em si coubesse «para inspirar a todos os mais habitantes sentimentos de tranquilidade e pacificação», e que nesta conformidade se passassem editais.

Todavia, não obstou isso a que noutro auto da Câmara, de 3 de Outubro seguinte, após a expulsão dos franceses do país, se assentasse em fazer uma demonstração de ação de graças pela restauração do reino.

Loureiro, J. P. 1967. Coimbra no Século XIX. Separata do Arquivo Coimbrão, Vol. XXIII. Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra. Pg. 52 e 53

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por Rodrigues Costa às 10:45


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