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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 08.12.15

Coimbra, o edifício Chiado 2

Em Março de 1978, um grupo de cidadãos, encabeçado pelo Delegado da Direção-Geral dos Desportos, Fernando Mendes Silva, iniciou um movimento cívico, a “Operação Chiado” com o intuito de salvar o edifício: “Dêem-nos 4 meses e mostraremos o que se pode fazer disto”, terá pedido Mendes Silva. Em colaboração com várias entidades foi elaborado um programa de animação com atividades variadas. Para além dos Serviços de Turismo da Câmara Municipal de Coimbra foram envolvidos na definição do programa: a Fundação Calouste Gulbenkian, a Secretaria de Estado da Cultura, a Universidade, o Museu Nacional de Machado de Castro, entre outras … Assim se realizaram, finais de xadrez, exposições … ciclos de cinema e até concursos de doçaria regional.
Enquadrado neste clima de mobilização cívica … a 5 de Junho de 1978, a “Noite de Coimbra” evento realizado na Praça do Comércio e em defesa da renovação urbanística e remoção do estacionamento, com o objetivo de lhe devolver a função de centro cívico e de convívio. Neste evento o banco “entregou” simbolicamente a chave ao impulsionador deste movimento, Fernando Mendes Silva, ficando os Serviços de Turismo da CMC encarregados da sua dinamização.
Na sequência da “Operação Chiado” e da consequente ocupação do edifício, com atividades culturais, a Câmara Municipal comprometeu-se com o Banco Pinto & Sotto Mayor em adquirir o edifício o que só aconteceu em 1984, já no mandato do próprio Mendes Silva como presidente da autarquia … Entretanto a Câmara Municipal solicitara no dia 11 de maio de 1978 a classificação do edifício como de “interesse público” … O Instituto de Salvaguarda do Património Cultural e Natural deu um parecer positivo a este pedido no dia 14 de Junho de 1978 … a sua classificação só se concretiza em 1997, sendo publicado o decreto de classificação como imóvel de interesse público em 2002 … a sua aquisição ao Banco fez-se através da permuta de um terreno na Avenida Fernão de Magalhães … Depois da sua aquisição pela CMC passou a ser um espaço expositivo de temas e obras diversificadas até que, em 2001, inaugurou como Museu Municipal.

Sendo à data o responsável pelos Serviços Municipais de Turismo, seja-me permitido um testemunho.
No final da “Noite de Coimbra” o Dr. Mendes Silva depois de entregar as chaves procurou-me e disse-me: “A minha tarefa está terminada. Agora é com a Câmara”. E, acrescentou, com aquele seu inconfundível linguarejar coimbrão: “Aguente-se à bronca”.
Rodrigues Costa

Magalhães, R. 2010. Edifício Chiado. Uma das curiosidades de Coimbra. In Caminhos e Identidades da Modernidade. 1910. O Edifício Chiado em Coimbra. Actas. Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra, pg. 217 a 220

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por Rodrigues Costa às 10:10

Quinta-feira, 26.11.15

Coimbra, Mosteiro de Santa Cruz e a demolição das suas dependências 2

Algum tempo depois da extinção do mosteiro, ocorrida em 1834, resolveu a Câmara, em 13 de Junho de 1840, que as vendedeiras de cereais de Sansão passassem para o então denominado Pátio de Santa Cruz, situado no local que é hoje o início da Rua Olímpio Nicolau Rui Fernandes, entre a atual fachada lateral dos Paços do Concelho e o edifício fronteiro, onde se encontra instalada a P.S.P. Este último estava ligado à esquina do mosteiro, que a sede da edilidade veio substituir, por um edifício que mais tarde foi demolido, sendo a entrada para o pátio feita através de um arco nele existente … Não tardaria muito que o edifício de ligação fosse demolido, facto ocorrido em 1856 … nova alteração surgiu, com a mudança do mercado dos cereais para a antiga horta do mosteiro, pertença da Câmara.
… A horta de Santa Cruz estava longe de tudo (não nos esqueçamos que na época não existiam a atual Avenida Sá da Bandeira, a Praça da República e todas as ruas que nela convergem, constituindo todas essas artérias a antiga Quinta de Santa Cruz, então propriedade particular); o Bairro de Montarroio era então um pequeno aglomerado; o acesso à Alta era feito por um apertado caminho que ia dar à Rua do Colégio Novo. E a própria comunicação com a Baixa fazia-se por uma estreita ligação, que só mais tarde viria a ser alargada com a demolição do lanço norte do Claustro da Manga e do arco que o ligava ao edifício que é hoje a Escola Jaime Cortesão.
… No ano de 1882, é apresentada na sessão de 23 de Agosto uma proposta do Barão de Matosinhos, em que este solicita a concessão de um ascensor para acesso à Alta, construído a expensas suas. O referido ascensor, que facilitaria o acesso do público, ligaria o local junto à Fonte Nova até a Couraça dos Apóstolos. A ideia de então não iria avante, mas veio a ser concretizada nos nossos dias, quase 120 anos depois, com a construção do atual elevador.
… Os acessos da Baixa são em 1888 facilitados com o alargamento, já atrás referido, da então denominada Rua do Mercado, com a demolição das construções que fechavam pelo lado norte o Claustro da Manga, e do chamado Arco do Correio, que lhe ficava adossado, e que permitiria mostrar o Jardim, tal como hoje acontece.
…Procedera-se, entretanto, no ano de 1924, à mudança da Fonte Nova para junto do mercado, encostada ao muro da rua que tem o seu nome. Até então, encontrava-se no início da Avenida Sá da Bandeira, no local onde seria construído o prédio em que viria a funcionar o posto das Caixas de Previdência.
… Era então presidente da Câmara o Dr. Mendes Silva, que entre 1984 e 1986 viria a proceder a significativas alterações na zona envolvente do mercado. Foi o caso da colocação de painéis de azulejo, com reproduções de monumentos da cidade, da autoria de Amílcar Martins, no muro da cerca da Escola Jaime Cortesão, da construção duma escadaria no local em que se erguera a Torre de Santa Cruz, para onde foi transferida a Fonte Nova, o ajardinamento do espaço em frente do pavilhão do peixe.

Andrade, C.S. 2001. Mercado D. Pedro V. Uma História com História Texto publicado em suplemento especial no Jornal de Coimbra de 14 de Novembro de 2001

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por Rodrigues Costa às 10:09


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