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A' Cerca de Coimbra


Domingo, 28.08.22

Personalidades de Coimbra: Jorge Anjinho (Estremoz, 1936.05.21-Coimbra, 1999.08.28)

Perfaz-se hoje, dia 28 de agosto, 23 anos sobre a partida do Eng.º Jorge Anjinho, uma das personalidades que marcou, indelevelmente, a cidade de Coimbra na segunda metade do século XX.

Jorge Manuel Serrano Anjinho nasceu em Estremoz, mas, apesar disso, acabou por se tornar, por adoção, um verdadeiro conimbricense.

Frequentou os preparatórios de Engenharia na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, embora, por razões óbvias, tivesse de ir concluir a licenciatura na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Jorge Anjinho, estudante.JPG

Jorge Anjinho, estudante de Coimbra

Contudo, ao partir para a antiga Portus Cale, já levava consigo a marca inapagável da cidade do Mondego e, conjuntamente com outros colegas idos de Coimbra, fundou, em 1959, e foi “Mor”, a "Real República dos LyS.O.S", sediada num prédio atualmente desaparecido da Praça de Mouzinho de Albuquerque. A “República”, inicialmente marcada por uma intensa atividade cultural e política, presentemente é quase desconhecida.

Jorge Anjinho, após a licenciatura, concluída no ano de 1963, cumpriu o Serviço Militar no SFOM (Serviço de Fortificações e Obras Militares), primeiro no Continente, nos Açores e, por fim, na Guiné (Bissau), onde permaneceu durante cerca de 4 anos. Ao longo deste tempo aplicou os seus conhecimentos técnicos em obras de índole estritamente militar que passaram pela construção de edifícios, pela abertura de estradas, pela construção de pontes, etc.

Jorge e Maria da Luz Anjinho.png

Jorge e Maria da Luz Anjinho

Quando, em finais de 1966, regressou a Coimbra, os Serviços Municipalizados contrataram-no e, então, exerceu o cargo de Diretor de Obras.

No desempenho desta função assumiu-se como primeiro responsável pela construção da Estação de Tratamento de Águas da Boavista, pela adaptação de uma zona das bancadas do antigo Estádio Municipal (Estádio do Calhabé) a Centro Ordenador Municipal da Câmara Municipal de Coimbra, entidade, ao tempo, responsável pelo processamento da faturação de água, contabilidade e vencimentos dos serviços municipalizados (atual AIRC), pela construção da central de transportes localizada na Guarda Inglesa, pela construção das torres de iluminação do Estádio Municipal de Coimbra e por muitas outras obras de menor dimensão.

Depois de, em 1970, abandonar a função pública e passar a exercer a sua atividade como profissional liberal, criou, em parceria com um outro colega um gabinete técnico de projetos que, oito anos depois, se constitui como sociedade, com a designação de “Eugénio Cunha e Jorge Anjinho, Lda".

A sociedade manteve-se até ao ano de 1984, data em que Anjinho adquiriu a participação que Eugénio Cunha detinha na empresa; esta, a partir de então, foi redenominada de "Jorge Anjinho, Lda. - Estudos e Projectos", tendo o seu responsável participado ativamente como elemento da gerência, tanto no plano técnico, como no comercial-administrativo.

Jorge Anjinho, durante os anos de vigência da sociedade “Eugénio Cunha e Jorge Anjinho, Lda", criou e administrou, em Antuzede, a fábrica Betex (blocos de leca, abobadilhas e elementos pré-fabricados) e em Albergaria-a­Velha, a fábrica Pavileca (blocos de leca, abobadilhas e elementos pré-esforçados). Simultaneamente, no Porto, participou na administração da fábrica Patial (elementos pré-esforçados).

Posteriormente, desempenhou o cargo de sócio gerente da firma Setobra - Construções do Centro, Lda e, em 1998, fundou e presidiu ao Conselho de administração da Luzfisa, Sociedade Técnica de Instalação de Gás, S. A.

A grande dedicação de Jorge Anjinho a Coimbra e a enorme capacidade de fazer, ficaram bem comprovadas em duas áreas.

Uma, passou pelo associativismo empresarial, com destaque para a sua ligação à Associação Comercial de Industrial de Coimbra (ACIC), onde exerceu os cargos de membro da Direção Geral (1977 a 1979); membro da Direção do Sector Industrial (1979 a 1981); Presidente da Direção Geral (1981 a 1983). Enquanto coordenador responsável pelo Departamento de Feiras da ACIC, criou e assumiu-se como motor da Feira Comercial e Industrial de Coimbra que tão boas memórias deixou.

Fundado em 1992, o Clube dos Empresários de Coimbra, teve Jorge Anjinho como um dos sócios-fundadores e, posteriormente, como vice-presidente e diretor. A ele se deve, também, a criação da empresa Odabarca - Animação Turística do Mondego S. A., proprietária do Barco "Basófias", de que foi administrador, e a Sociedade Quinta das Varandas, de que ajudou a fundar e da qual foi acionista.

Não se pode ainda esquecer a sua participação, desde 1996, na Associação Industrial Portuense, como membro do Conselho Consultivo.

Jorge Anjinho 1.jpg

Jorge Anjinho, empresário

A outra grande paixão de Jorge Anjinho por Coimbra centra-se na enorme dedicação ao futebol da Associação Académica de Coimbra, facto que não passou desapercebido e ganhou a admiração dos habitantes do burgo.

Ainda como estudante, em 1966/1667, assumiu o cargo de diretor da Seção de Futebol da AAC e, em 1979/1980, o de Relator do Conselho Fiscal.

Durante sete anos, entre 1983 e 1990, exerceu o cargo de Presidente da Briosa e, em julho de 1984, celebrou o protocolo de reintegração do ainda Clube Académico de Coimbra na Associação Académica, como Organismo Autónomo de Futebol. Consequentemente, Jorge Anjinho foi o primeiro presidente da Direção da AAC-OAF.

Jorge Anjinho. Presidente da AAC.png

Jorge Anjinho, presidente da AAC-OAF. Foto Zézé Eliseu Trego

Ao longo da sua vigência na presidência implementou o Bingo da Académica e fez construir o pavilhão da Académica OAF.

Na época de 1984/1985 participou e esteve presente n a assembleia conhecida pelo nome de "Pacto dos Presidentes", movimento que mais tarde daria lugar à Associação Nacional de Clubes.

Os Antigos Orfeonistas, no próximo dia 17 de setembro, em Extremoz irão, por certo, reconhecer o grande amor de Jorge Anjinho pela Briosa e por Coimbra na homenagem que então lhe irão prestar.

Resta-nos a esperança que, em 2024, vinte e cinco anos após o seu falecimento, Coimbra o recorde e que pelo seu amor à Cidade e pela sua capacidade de fazer, ainda que a título póstumo, lhe tribute a mais do que merecida homenagem.

Rodrigues Costa

Agradeço a ajuda da Isabel Anjinho na disponibilização dos dados e imagens para esta tão justa, como singela publicação fosse possível.. Igual agradecimento é extensivo a Zézé Eliseu Trego pela cedência da fotografia assinalada com sendo da sua autoria.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Rodrigues Costa às 10:34


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