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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 16.02.23

Coimbra: Faculdade de Letras, Ícone do Poder 5

Quadros de Pedra

A Leitura e A Escrita. A inspiração e a Criação: relevos da entrada principal e da entrada da biblioteca pela mão de Numídico Bessone.

 Observemos, pois, os quadros esculpidos na técnica do baixo-relevo: dois na entrada principal e outros tantos na entrada secundária, no vestíbulo mais inferior.

…. Para a entrada menor da faculdade de Letras … figuram-se duas das atividades mais caras a uma Faculdade de Letras; atividades essas cuja evocação junto à biblioteca seria, obviamente, de grande pertinência. Trata-se da representação da «Leitura» e da «Escrita».

A Leitura é um ato abstrato; a sua concretização é a própria ação de a efetuar, o próprio ato de ler.

Op. cit., pg. 164.jpg

A Leitura. Op. cit., pg. 164

 Uma figura masculina, vigorosa nos seus músculos, segura um rolo de papel para onde olha: está a ler – é a imagem da leitura.

A outra, que lhe está em paralelo, é-lhe semelhante; difere apenas por na mão direita segurar um material escrevente – é a alegoria da «escrita».

Op. cit., pg. 165.jpg

A Escrita. Op. cit., pg. 165

As figuras cinzeladas sobre o granito, mais do que gémeas, parecem ser a mesma. diz que estes homens são “figuração invertida um do outro”.

…. As esculturas da entrada principal, do mesmo autor, embora também vigorosas, são menos rudes que as da portaria da subcave. Talvez para este facto tenha contribuído o próprio tipo de pedra em que foram fabricadas: vidraço banana, pedra calcária, que é por natureza (inclusivamente pela valoração da sua coloração mais alva) mais delicada que o duro e áspero granito das esculturas do piso inferior. Todavia não é apenas este o motivo para a sensação de maior leveza, pois a própria forma de representar, nos quadros escultóricos do piso nobre, se aligeirou.

…. Parece tratar-se também, do mesmo indivíduo operando ações diversas, mas, como as do piso da cave, ações plenamente complementares. Assim, representam, em nosso entender, a «inspiração» (a ação inventiva) de um lado

Op. cit., pg. 167.jpg

A inspiração. Op cit., pg. 167

E, do outro a ação criadora, a «inspiração» ou a «criação»

op. cit., pg. 168.jpg

A criação. Op. cit., pg. 168

 …. No primeiro painel relevado, a imagem masculina coloca o dedo indicador direito em paralelo à testa e, da sua mão esquerda, acende-se-lhe uma chama. A alegoria da força da criação faz-se representar com um material riscador (ou uma caneta ou um cinzel) sobre o suporte que a pulcra personagem segura com a mão esquerda. A mão direita levanta-se vigorosamente para sustentar o buril que, junto à cabeça do criador, faz brotar, de forma viril, dois poderosos, imagens do génio criador.

 Duarte, M.D. 2003. Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra: Ícone do Poder. Ensaio iconológico da imagética do Estado Novo. Prefácio de Regina Anacleto. Coimbra, Câmara Municipal.

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por Rodrigues Costa às 10:38

Terça-feira, 14.02.23

Coimbra: Faculdade de Letras, Ícone do Poder 4

Lição tecida com Imagens de Linha (Tapeçaria da Sala do Conselho da autoria de Guilherme Camarinha).

Esta é uma espécie de joia que se expõe na parede da Sala do Conselho, sala, íntima e nobre, das deliberações dos corpos dirigentes da Faculdade de Letras.

Sala do Conselho. Op. cit., 129.jpg

Sala do Conselho da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Op. cit., pg. 129

 A técnica que ali se quis utilizar não foi a pintura, mas a tapeçaria … De entre os vários artistas que, nos meados da centúria de Novecentos fizeram cartões para tapeçaria, aparece o que mais trabalhou esta técnica, autor escolhido para progenitor da tapeçaria das Letras: Guilherme Duarte Camarinha.

…. É a representação simbólica que a tapeçaria de Camarinha encerra que mais nos interessa, não obstante o traçado do autor ser manifestamente feliz.

Op. cit., pg. 137.jpg

Campo pictórico central da tapeçaria. Op. cit., pg. 137

“Onde o Espírito sopra, acende-se a palavra”, diz a filactéria que preside ao tecido … A chama incendiou todo o painel. O fogo propaga-se em todo o quadro quer de um lado, quer do outro, mas o cromatismo que o autor utilizou confere-lhe bem duas ideias distintas; mais ainda, contraditórias – quer nas cores do «bem» quer nas cores do «mal» – são chamas, fogo vivo que avança e recua para mostrar as cenas representadas; contudo chamas, com formas de arestas vivas, línguas de fogo, imagens do «espírito» que move, «acende» a «palavra».

… A «tela» não termina na representação destes mundos que ladeiam a vista central. Em ambas as extremidades da tapeçaria que, no espaço da Sala do Concelho, ocupam já as paredes laterais, representam-se duas alegorias relacionadas com o espaço do mundo apresentado no lado em que se encontra.

Do lado esquerdo de quem se vira para a tapeçaria, aparecem as figuras identificadas da «Ciência» e da «Arte».

Op. cit., pg. 157 1.jpg

Figuras que ocupam a parede lateral: Ciência e Arte. Op. cit., pg.15.

Do posto em frente, permanecem a «Religião» e a «Filosofia».

Op. cit., pg. 157 2.jpg

 Op. cit., pg. 157 

Em redor de cada um destes conjuntos de duas figuras, desenha-se uma silhueta, não muito marcada, mas visível, mais uma vez do “infinito” ( ), entrelaçando-se as alegorias como que significando a sua interconexão.

 Duarte, M.D. 2003. Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra: Ícone do Poder. Ensaio iconológico da imagética do Estado Novo. Prefácio de Regina Anacleto. Coimbra, Câmara Municipal.

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por Rodrigues Costa às 10:36

Quinta-feira, 09.02.23

Coimbra: Faculdade de Letras, Ícone do Poder 3

O Átrio Professor (Frescos do vestíbulo principal).

As duas alegorias que aqui habitam, todavia, resultando de painéis diferentes, unem-se bem através de um traço que, em linha gerais, as aparenta, dando ao local grande homogeneidade pictórica. Na verdade, as obras são de autores diferentes, mas suas cores e até a maneira de distribuir as manchas pintadas, tanto num como noutro painel, se podem fazer equivaler.

… Tomando como guia o deus Cronos (a cronologia), o tema central do painel da parede esquerda (para quem atravessa as portas de fora para dentro) aparece primeiramente exposto na lição. Com efeito, a aula que toma lugar no átrio da Faculdade de Letras desenrola-se em dois tempos, segundo o próprio título dos panéis, a «Alegoria da Antiguidade Clássica» e, depois, do lado direito, a «Alegoria do Génio Português». A autoria artística do primeiro fresco é de Joaquim Rebocho e o autor do segundo painel é Severo Portela Júnior.

Alegoria da Antiguidade Clássica

Op. cit., pg. 63.jpg

“Alegoria da Antiguidade Clássica” de Joaquim Rebocho, pintura a fresco de 1951. Op. cit., pg. 63

 O exame iconográfico do fresco torna-se muito complexo pela multidão de personagens e de sítios e monumentos desenhados, melhor dito, monumentos citados, que ali, em conjunto, fazem a alegoria à Antiguidade Clássica. Elas são aproximadamente vinte e quatro figuras humanas e estas juntam-se a outras figurações que apontando para variadas situações (cenários, paisagens, lendas, mistérios: enfim, figuração do que é Clássico).

… Porém, a lição que se expõe nas imagens pintadas não é uma mera apresentação de figuras do antigamente. As figuras são ali lisonjeadas, por fazerem parte de uma memória coletiva que é comum, não só à cultura portuguesa, como a toda a cultural ocidental. A lição tem um objetivo claro que terá se ser por nós perscrutado, tendo, por isso, de se olhar o painel de Rebocho por zonas grupais. Assim, surgem logo destacados dois grandes mundos: na metade inferior do campo pictórico, o mundo grego, que na ilharga do lado mais interior da faculdade se prolonga até à zona cimeira, onde o autor «arquitetou» os edifícios da acrópole;

 

Op. cit., pg. 74.jpg

A acrópole ateniense merece uma representação muito fiel. Op. cit., pg. 74.

 do lado das portas do edifício, o mundo romano, circunscrito à zona cimeira do fresco.

 

Alegoria da Glorificação do Génio Português (pintada por Portela Júnior)

Op. cit., pg. 86.jpg

Fresco de Severo Portela Júnior, datado de 1951. Op. cit., pg. 86.

O fresco que deste pintor vamos estudar é, na opinião de Jorge Segurado, «um mural de grades dimensões com a figuração dos mais notáveis vultos da cultura portuguesa» e, nas palavras de Fernando Pamplona, «dá-nos uma bela síntese da história da Cultura Portuguesa».

… A tática de representação é semelhante à do outro fresco: recorre-se às figuras mais importantes que evocam os grandes feitos da nação portuguesa. Evocam-se situações que medeiam desde os alvores da nacionalidade, no século XII, até ao século XX. São cerca de oitocentos anos de cronologia através dos acontecimentos que se acharam merecedores de figurarem como ilustrativos de tão alta história. Continuamos, portanto, a projetar o olhar para a História de Portugal.

…. Distinguem-se, à primeira observação, o grupo dos homens ligados à expansão marítima (Infante D. Henrique, João Gonçalves Zarco e Afonsos de Albuquerque).

 

Op. cit., pg. 92.jpg

Os homens escolhidos para figuração das Descobertas. Op. cit., pg. 92

Estamos, agora, em condições de concluir sobre o painel, ou talvez, o retábulo pintado por Severo Portela Júnior… A legenda é mais abrangente; retirada das palavras de Camões, diz «aqueles que por obras valerosas/ se vão da lei da morte libertando». Quem são esses? Todos os que ali estão perpetuados e que, somados, formam a figura da Pátria cujo nome aparece inscrito no fundo do «sacrário» … «São Portugal».

Duarte, M.D. 2003. Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra: Ícone do Poder. Ensaio iconológico da imagética do Estado Novo. Prefácio de Regina Anacleto. Coimbra, Câmara Municipal.

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por Rodrigues Costa às 21:19

Terça-feira, 07.02.23

Coimbra: Faculdade de Letras, Ícone do Poder 2

Os Portões: páginas de bronze. (Homero, Gil Vicente, Camões, Antero, Cesário, Nobre, Florbela, Pessoa e Eugénio de Castro).

 Houve preocupação notória, por parte dos mentores do projeto, em enobrecer a entrada das faculdades e isto nota-se especialmente na Faculdade de Letras.

… olhemos, de novo, a entrada da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e perscrutemos o sentido daquelas “letras” de bronze. A erudição que tem lugar no interior do edifício transpira para o exterior pelos poros da fachada que são os seus portões. Aí se deixa antever um pouco do estudo que toma lugar na Faculdade de Letras. Completamente dedicado à temática da literatura, os portões da Faculdade de Letras exibem páginas (em imagens) das obras de Homero, Gil Vicente, Camões, Antero de Quental, Florbela Espanca, Cesário Verde, Eugénio de Castro, António Nobre e Fernando Pessoa.

 Os Autores dos relevos que citam episódios das obras dos escritores que acabámos de enumerar são discípulos e Barata Feyo, alunos da Escola Superior das Belas-Artes do Porto: Maria Alice Gomes Pereira, Olívio Machado França, Joaquim Barbosa e Manuel Vigário.

… O primeiro portão dedicado a Mestre Gil Vicente, exibe [para além de outras] a primeira peça do teatro português: o “Monólogo do Vaqueiro” de 1502.

Op. cit., pg. 51.jpg

Portão dedicado a Mestre Gil Vicente. Op. cit., pg. 51

De regresso ao Mundo Antigo, de Homero, não temos dúvidas na identificação das cenas representadas nos portões que ladeiam a porta mais ao centro: fomos encontrá-las a todas na “Odisseia”

Op. cit., pg. 52.jpg

Portão dedicado a Homero. 1. Op. cit., 52

 

Op. cit., pg. 54.jpg

Portão dedicado a Homero. 2 Op. cit., 54

O painel central é o que oferece maiores dúvidas e, como diria Nuno Rosmaninho, admitimos que os seus relevos se tratem de “súmulas interpretativas de cada um dos poetas”, da obra dos poetas ou de algum passo da obra desses poetas.

Op. cit., pg. 53.jpg

Portão dedicado aos Poetas Contemporâneos. Op. cit., 53

O último portão é dedicado ao Poeta de Portugal por excelência, Luís Vaz de Camões. É tratado, quer na sua obra épica, quer na sua escrita lírica.

Op. cit., 55.jpg

Portão dedicado a Camões, pg. Op. cit., pg. 55

Os autores dos relevos estudaram bastante para representarem as obras: leram-nas e colheram informações sobre elas. Quando dizemos autores, poderemos querer referir-nos aos seus mentores pois não sabemos se a obra foi idealizada apenas pelo arquiteto ou também, e com certeza que isto terá acontecido, pelo diretor da Escola de Escultura do Porto e, ainda, pelos escultores que, não teremos motivações para duvidar de Barata Feyo, contribuíram para que a obra “resultasse feliz”.

Duarte, M.D. 2003. Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra: Ícone do Poder. Ensaio iconológico da imagética do Estado Novo. Prefácio de Regina Anacleto. Coimbra, Câmara Municipal.

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por Rodrigues Costa às 19:40

Terça-feira, 31.01.23

Coimbra: Faculdade de Letras, Ícone do Poder 1

Já tivemos ocasião de chamar a atenção dos nossos leitores para a obra do Doutor Marco Daniel Duarte, atualmente, diretor do Museu do Santuário de Fátima e do Departamento de Estudos da mesma Instituição religiosa, bem como do Arquivo e da Biblioteca. Também dirige o Departamento do Património Cultural da Diocese de Leiria-Fátima.

Investigador de grande gabarito, historiador probo, doutorado pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, foi mais um de entre os seus mais brilhantes alunos que a Cidade não soube reter, “obrigando-o” a demandar outras paragens, onde, pela qualidade do seu trabalho desenvolvido, tem demonstrado a importância da investigação histórica, investigação essa que aqui poderia – e deveria - ter desenvolvido em Coimbra. É este o trabalho que vamos divulgar.

Faculdade de Letras. Ícone do Poder, capa.jpg

Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra: Ícone do Poder. Ensaio iconológico da imagética do Estado Novo. Capa

Como refere no prefácio a Professora Doutora Regina Anacleto foi realizado no contexto avaliativo da disciplina de História da Arte Contemporânea, por si, então regida, acrescentando, nomeadamente: "O objetivo do livro … passa pela tentativa (bem conseguida) do estudo da obra de arte plena, através da análise de diferentes perspetivas que englobam, para além de outras, a abordagem biográfica dos artistas, bem como a inserção do imóvel no contexto social, a fim de entender mais intimamente a obra de arte na sua totalidade. Por isso procura olhar, interpretar e ver o imóvel da cidade universitária aeminiense representado por imagens e tenta “perscrutar a obra feita no seu sentido mais ínfimo que escapa ao observador, mais apressado”.

 

Op. cit., pg. 20.jpg

Edifício da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Op.cit., pg. 20

Iremos realizar a divulgação deste trabalho, procurando seguir as partes em que se encontra dividido e que correspondem a uma imaginária delimitação do todo da obra estudada, em cinco espaços que a constituem, cada um sob uma epígrafe.

As quatro esculturas (Barata Feyo esculpe Safo, Tucídides, Aristóteles e Demóstenes ou A Poesia, A História, A Filosofia e A Eloquência)

 A ideia de que as edificações das faculdades da cidade universitária são meras linhas retas sem interesse arquitetónico-artístico desfaz-se com o olhar pra a fachada de qualquer uma das construções, principalmente quando se olha a frontaria da Faculdade de Letras.

Op. cit., pg. 17.jpg

Praça da Porta Férrea, onde se implanta o edifício da Faculdade de Letras, cujo fácies se geminou na fachada da Biblioteca Geral. Op. cit., pg. 17

Na verdade, a fachada do edifício fica longe de se resumir às quatro linhas que delimitam as arestas da frontaria do «caixotão».

Op. cit., pg. 25.jpg

A clareza arquitetónica da construção leva a considerar os seus (poucos) ornamentos como essenciais no discurso que se quis edificar. Op. cit., pg. 25.

  o acesso àquela casa do saber não é feito de maneira fácil. Na verdade, não teremos certezas que a fachada se abra, acolhedoramente, aos que percorrem a Via Larga. Parece-nos que o trajeto é o oposto: será o interessado que fará o esforço para penetrar no edifício das Letras. Essas barreiras – se não arquitetónicas, no mínimo, psicológicas – foram criadas desde a Rua Larga até ao interior do edifício. A primeira meta a passar é a das quatro estátuas que, enfileiradas, habitam de forma muito segura (até, rígida) elevando-se ao nível superior do tamanho humano, a frontaria entre a zona de circulação e o espaço que se começa a perceber como dedicado ao estudo.

Op. cit., pg. 28.jpg

As esculturas de Salvador Barata Feyo perfilam-se como primeira barreira urbanística que faz distinção entre espaços: o da Praça da Porta Férrea e o átrio dos que pertencem ao Ensino das Letras. Op. cit., pg. 28.

OP. cit., pg. 29.jpg

Demóstenes incarna a Eloquência.  Op. cit., pg. 29.

Op. cit., pg. 32.jpgAristóteles ou a Filosofia. Op. cit., pg. 32

Op. cit., pg. 33.jpg

A História representada em Tucídides. Op. cit., pg. 33

Op. cit., pg. 34.jpg

Safo, a Poesia, foi, entre as esculturas de Barata Feyo para a Faculdade de Letras, a que gerou mais polémica. Op. cit., pg. 34

Pela sua temática não é difícil conotá-las com o mundo grego e se Barata Feyo naquele mundo houvesse procurado a inspiração, para a técnica e formulários escultóricos, tê-lo-ia feito nas rígidas esculturas dos «koroi» e das «korai» gregas. Elas possuem, inclusivamente, o hieratismo típico da escultura egípcia. Tem interesse notar que as estátuas estão tão apartadas do mundo mortal que o escultor não tem pejo em representar o corpo feminino da Poesia com os dois seios desnudados. Não obstante esta particularidade, nada naquela figura roça o erotismo e, nem mesmo, a sensualidade.

Duarte, M.D. 2003. Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra: Ícone do Poder. Ensaio iconológico da imagética do Estado Novo. Prefácio de Regina Anacleto. Coimbra, Câmara Municipal.

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por Rodrigues Costa às 11:03

Quarta-feira, 25.08.21

Coimbra: Hino dos Quintanistas de Direito do ano de 1876 a 1877

O Arquivo da Universidade de Coimbra apresenta mensalmente um documento do seu vasto e riquíssimo espólio.

No Boletim do mês de agosto deu a conhecer a interessante folha do rosto do Hymno dos Quintanistas de Direito do anno de 1876 a 1877.

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PT/AUC/COL/SG – Salema Garção (COL); Documentos Relativos a Coimbra (SR) - cota AUC – VI-3.ª-1-2-28

A imagem do documento é enriquecida com o seguinte texto explicativo:

A despedida dos alunos da Faculdade de Direito, no seu último ano de curso, 5.º ano, em 1876-1877, foi marcante no conjunto de todas as manifestações congéneres. Foi assinalada por uma récita de despedida e por um hino em cuja autoria participaram os dois condiscípulos, o elvense António Simões de Carvalho Barbas e o brasileiro, natural do Rio de Janeiro, António Cândido Gonçalves Crespo1.

Ambos os autores, um na colaboração musical e outro em colaboração poética, manifestavam já o que haveria de ser a sua vida futura, em que não singraram tanto pela carreira do direito, mas sim pela artes.

Efetivamente Simões de Carvalho que adotaria o nome de Carvalho Barbas, viria a ser professor da cadeira de Música que estava anexa à Capela da Universidade, lecionando a partir de 1888, sendo também o fundador, nesse ano, da Estudantina Académica.

Estudantina de Coimbra em 1888 (Photo Moderna. Por

Estudantina de Coimbra no ano de 1888 (Photo Moderna. Porto)

Quanto a Gonçalves Crespo, que já era casado com a poetisa Maria Amália Vaz de Carvalho, quando estudante, percorreria junto com sua mulher uma carreira literária e a animação do seu próprio salão literário, até falecer tísico, prematuramente, tendo apenas 37 anos, em 1883. Neste salão conviveram escritores ilustres como Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Guerra Junqueiro, etc.

Muitas das récitas de finalistas2 tinham lugar no Teatro Académico que existia no local onde hoje se encontra a Biblioteca Geral e onde antes estivera edificada a antiga Faculdade de Letras.

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Colégio real de S. Paulo Apóstolo. Fachada norte (Des. de Giacomo Azzolini)

Teatro Academico. Palco.jpg

Sebastião Sanhudo, apontamento de «As festas do Centenário de Camões em Coimbra», in “O Sorvete”, Porto, nº 157, 14.05.1881.

Mas os alunos deslocavam-se também para Teatros fora de Coimbra, no sentido de angariar pecúlio que lhes permitisse organizar as suas festas de finalistas ou contribuir para atos de filantropia. Não esqueçamos que foi com o contributo de donativos angariados com récitas do Orfeão Académico que, em 1882, foi possível inaugurar a construção do primeiro Jardim Escola João de Deus, em Coimbra.

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Jardim Escola João de Deus em construção

Este bifólio, de quatro páginas, do qual se apresenta a folha de rosto, contém a partitura para piano, com indicação das vozes e coro, que foi regido por Simões Barbas. É hoje um raro exemplar, pois estes folhetos apenas sobreviveram na posse de bibliófilos e amantes das tradições coimbrãs, como é o caso do colecionador Eng.º Salema Garção que o doou ao Arquivo da Universidade, integrado num acervo conimbricense3.

Por último, uma chamada de atenção para o belo trabalho litográfico, com motivos vegetalistas e grinaldas de flores pendentes, muito ao gosto da época. É visível uma pasta de estudantes, fitada, e decorada, podendo interpretar-se que seja a “pasta de luxo” que começou a ser usada, no final do séc. XIX.

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PT/AUC/COL/SG – Salema Garção (COL); Documentos Relativos a Coimbra (SR) – cota AUC – VI-3.ª-1-2-28. Pormenor

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Pasta de luxo de um quartanista de Direito. 1934 (Coleção particular)

1 Foi já divulgado um exemplar desta récita de sua autoria, existente na BGUC. Foi representada no Teatro Académico, intitulada Phantasias do Bandarra, e ficou registada na exposição A Universidade de Coimbra e o Brasil: percurso iconobibliográfico. Coimbra: IUC, 2010. p. 176.

2 SILVA, Armando Carneiro da – «As Récitas do V ano». Arquivo Coimbrão (1955), vol. 13, pp. 149-281.

3 PAIVA, José Pedro (coord.) - Guia de Fundos do Arquivo da Universidade de Coimbra. Coimbra: IUC, 2015, pp. 150-151.

Hymno dos Quintanistas de Direito do anno de 1876 a 1877 / Música de A. Simões de Carvalho; Poesia de A. Gonçalve[s] Crespo. Coimbra: Lith. Academica, 1877.

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por Rodrigues Costa às 19:15

Terça-feira, 12.09.17

Coimbra: Colégio Real de S. Paulo Apóstolo

Foi primitivamente destinado a clérigos pobres, que quisessem vir formar-se na Universidade.

... D. João III mandou preparar-lhe edifício condigno, aproveitando o terreno e parte das casas arruinadas dos «Estudos-velhos», isto é, da Universidade dionisiana. Seria demolido o velho edifício, e far-se-ia nova construção. Nesse local ergue-se atualmente... o novo edifício da Faculdade de Letras.(o espaço aqui referido é hoje ocupado pela Biblioteca Geral da Universidade)

Colégio Real de S. Paulo, fachada setentrional.jp

Colégio Real de S. Paulo, fachada setentrional

 Principiou a construção do Colégio em 1550, e sobre a porta principal, a meio da fachada norte, que olhava para a rua Larga de acesso à Universidade, esculpiu-se o escudo das armas reais.

... Foi incorporado na Universidade por carta-régia de 23 de outubro de 1562.

Fez-se com toda a pompa a inauguração solene a 2 de maio de 1563 ... ficou ele sendo um Colégio secular de doutores e licenciados, que se propunham ascender ao magistério universitário, ou a outras posições sociais categorizadas.

... O trajo distintivo dos colegiais ... era, no feitio, perfeitamente igual ao dos de S. Pedro ... mas, desde o século XVII, diverso na cor das becas ... os de S. Paulo também a princípio as tinham roxas, mas depois, no século XVII, para se não confundirem ... passaram a usá-las azuis, e mais tarde, a 9 de janeiro de 1699, deliberaram substituir esta cor pela vermelha, quase cardinalícia, que conservaram até à extinção do Colégio..

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Colégio Real de S. Paulo, fachada oriental

Foi funesto ao edifício do Colégio de S. Paulo o terramoto de 1 de novembro de 1755, que se fez sentir com grande violência no bairro alto da cidade de Coimbra. Ficou muito danificado este edifício, e a parte média do seu lanço oriental derruiu. Havia grande perigo em continuarem a habitá-lo.

... Não se demorariam as providências, em breve estava reparado este edifício.

... Depois da extinção do Colégio em 1834, o edifício foi entregue à Universidade... Ali funcionou o Teatro Académico durante quase meio século.

... Por volta da era de 1888 ... foi totalmente demolido ... e principiou-se desde os alicerces a construção dum novo Teatro Académico ... (fevereiro de 1889), pararam as obras, e depois só de longe em longe iam prosseguindo morosamente, Por fim desistiram da continuação, e, decorridos anos de abandono, foi entulhada a parte construída, transformando aquele espaço num terreiro.

... portaria ... de 25 de julho de 1912 ... manda que seja cedido à mesma Faculdade (de Letras) o edifício em construção ... que se destinava ao Teatro Académico ... a Faculdade construiu para si, no lugar do Colégio Real de S. Paulo Apóstolo, aproveitando e adaptando parte da obra já feita, e fabricando de novo tudo o mais.

Vasconcelos, A. 1987. Escritos Vários Relativos à Universidade de Coimbra. Reedição preparada por Manuel Augusto Rodrigues. Volume I e II. Coimbra, Arquivo da Universidade de Coimbra, pg. 225-232, do Vol. I

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por Rodrigues Costa às 08:24

Quinta-feira, 31.08.17

Coimbra: Colégio Pontifício e Real de S. Pedro

Foi fundado em 1545 pelo canonista Dr. Rui Lopes de Carvalho... Era destinado pelo fundador a 12 clérigos pobres, que viessem estudar teologia ou cânones à Universidade.Principiou a construção do edifício em 1543 ao cabo da Rua da Sofia, entrando os primeiros estudantes em 1545, depois de confirmada a instituição por breve apostólico de 1 de Agosto deste ano. Fez-se a 29 de Junho de 1548 a sua inauguração solene, que ficou comemorada numa inscrição, aberta na base de um belo busto do patrono S. Pedro, que é guardado pela Faculdade de Letras.

Em 1572 sofreu o Colégio profunda remodelação, sendo então transferido para o novo edifício, que D. Sebastião lhe doara junto do paço real, onde se havia instalado a Universidade, passando a ser fundamentalmente um Colégio para doutores ou licenciados, que ali estagiavam a preparar-se para o professorado, etc.

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 Colégio Pontifício e Real de S. Pedro

Construiu-se-lhe um edifício próprio, que limita por Leste o pátio universitário, desde a porta principal de ingresso, atualmente chamada «porta-férrea», até topar na Rua da Trindade. Ficou a entrada para o Colégio ao lado da «porta-férrea», adicionando-se-lhe depois ali o majestoso portal das cariátides, que, há menos de setenta anos, foi mudado para a fachada ocidental do edifício; mas o sítio, onde primitivamente estivera este ostentoso portal, uma simples porta de serviço. O edifício abandonado pelo Colégio na Rua da Sofia foi aproveitado para a instalação do... Colégio de S. Pedro dos Franciscanos Calçados.

 ... A biblioteca do Colégio de S. Pedro era importante. Tinha abundância de livros clássicos; nela se encontravam não só bons livros de cada uma das ciências professadas nas Faculdades universitárias, mas também de cultura geral, de história, de literatura, de humanidades – cerca de 8.000 volumes, entre os quais espécies bibliográficas preciosas e alguns manuscritos.

... Extinto o Colégio de S. Pedro por decreto de 16 de Julho de 1834, foi o seu edifício entregue à Universidade... o decreto de 10 de Maio de 1855 ordena ... O edifício do extinto Colégio de S. Pedro... fica ... para a acomodação da Comitiva das Pessoas Reais, quando ali forem pousar ou residir.

... Criada de novo na Universidade de Coimbra uma Faculdade de Letras, na reforma universitária de 1911... foi-lhe para este efeito designado o andar nobre.

 Vasconcelos, A. 1987. Escritos Vários Relativos à Universidade de Coimbra. Reedição preparada por Manuel Augusto Rodrigues. Volume I e II. Coimbra, Arquivo da Universidade de Coimbra, pg.198-206, do Vol. I

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por Rodrigues Costa às 09:18

Terça-feira, 11.04.17

Coimbra: Ourives Conimbricenses do Ferro 3

Os artistas conimbricenses do ferro iam batendo as mais diversas peças, trabalhando quase sempre isoladamente, mas expondo-as coletiva ou individualmente, tanto em mostras locais, como nacionais; contudo, quando elaboravam algum artefacto mais requintado, não se eximiam de o apresentar no Museu Machado de Castro, na Faculdade de Letras, ou na montra de algum estabelecimento da Calçada.

Uma, talvez a primeira grande apresentação pública dos seus trabalhos fora da cidade, aconteceu em 1905, na exposição que o Grémio Artístico anualmente realizava em Lisboa. Estiveram aí presentes trabalhos de Daniel Rodrigues, Lourenço Chaves de Almeida, Manuel Pedro de Jesus, António Craveiro e António Maria da Conceição.

Mas, a primeira obra coletiva de vulto surgiu quando foi necessário dar resposta aos trabalhos de ferro, destinados ao edifício da Faculdade de Letras ... em 1927 vieram a ser assentes, na fachada principal do edifício, os grandes portões de ferro forjado, obra dos artistas Manuel Pedro de Jesus, António Maria da Conceição (Rato), Daniel Rodrigues, Albertino Marques.

Albertino Marques. Portão da antiga Faculdade de

Albertino Marques. Portão da antiga Faculdade de Letras

 Aliás, a Faculdade de Letras, pode bem dizer-se, manteve uma avença com o ferro forjado, porque, dois anos antes, em 1925, Albertino Marques tinha em mãos uma grade que se destinava àquela casa e em 1928 e 1929 executou quatro lindos e artísticos candelabros, para serem colocados na escadaria, bem como dois outros monumentais tocheiros que se destinavam ao vestíbulo. Além disso, no mesmo estilo dos candelabros, também com desenho e sob a orientação de Silva Pinto, bateu dois portões de ferro forjado para a entrada do museu da Faculdade.

E as encomendas da Faculdade de Letras não ficaram por aqui, pois em 1930, nas oficinas de Daniel Rodrigues e de Albertino Marques estavam a executar-se umas artísticas ferragens para a porta do salão nobre do edifício e umas grades em estilo pombalino para as escadas do vestíbulo da reitoria. Anos mais tarde, em 1936, aquele imóvel ia ser revestido com uma grade de ferro, cuja execução fora confiada a Albertino Marques, a Daniel Rodrigues e a Jesus Cardoso.

Uma outra obra conjunta e de grande envergadura, a envolver quase todos os artistas mondeguinos do ferro, encontra-se relacionada com o edifício do Palácio da Justiça, a erguer-se na antiga e inacabada morada dos condes do Ameal.

Na sessão de 29 de Agosto de 1929, a Câmara Municipal de Coimbra apreciou um requerimento ... pedindo licença para proceder à vedação do Palácio da Justiça, com um muro e gradeamento. Mas, quase em simultâneo com o pedido, a imprensa noticiava que tinha sido aprovada a proposta conjunta dos serralheiros Lourenço Chaves de Almeida, António Maria da Conceição, Daniel Rodrigues, José Domingos Baptista e Albertino Marques, para a confeção de 106 metros de grade, 2 portões e várias pilastras destinadas à parte exterior das traseiras do imóvel.

Palácio da Justiça 01 Grade c.tif

Palácio da Justiça. Portão pormenor

... A vedação, que se andava a assentar em Agosto de 1930, é em ferro batido e a imprensa da época considerava-a como um dos mais artísticos trabalhos “que se têm executado nos últimos tempos em Coimbra, obedecendo à arquitetura do renascimento do século XVI, tão notável e abundante na nossa região e que tem servido de escola aos artistas contemporâneos” ... no ano seguinte (1931) Albertino Marques forjava, para o Palácio da Justiça, um novo portão em estilo renascença; concomitantemente, executava, no mesmo gosto, quatro candeeiros, destinados à iluminação do claustro superior ... para o salão nobre do tribunal, Albertino Marques e Daniel Rodrigues, coadjuvados por João Machado Júnior que modelou os bustos destinados a ser, posteriormente, executados em ferro forjado, bateram um lustre .

Conhecendo conclusão em fins de Junho de 1934, foram executados nas oficinas de Daniel Rodrigues e de Albertino Marques quatro artísticos lampiões e as respetivas gárgulas de suporte.

Anacleto, R. 1999. Ourives Conimbricenses do Ferro na primeira metade do século XX. Conferência nas I Jornadas da Escola do ferro de Coimbra. In publicado Munda, n.º 40, p. 14-21

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por Rodrigues Costa às 18:32

Quinta-feira, 05.01.17

Coimbra e as suas personalidades: António de Vasconcelos

O Doutor António Garcia Ribeiro de Vasconcelos nasceu ... em 1860 em S. Paio de Gramaços.

... Em 1878 matriculou-se na Faculdade de Teologia ... A 12 de Maio de 1886 defendeu conclusões magnas, que existem impressas, e a 27 de Junho doutorou-se, tomando como tema da sua dissertação ... uma tese sobre o divórcio.

... Em 1887 concorreu ao professorado, apresentando como dissertação um trabalho bíblico-linguístico sobre a «Pluralização da Linguagem. Por despacho de 26 de Maio, era nomeado para a regência das cadeiras de «Estudos Bíblicos» e «Direito Eclesiástico».

... Mas era a história que o havia de seduzir mais vincadamente ... Em 1894 apareceram os dois grossos volumes sobre «A Evolução do Culto de D. Isabel de Aragão».

... Também no Cartório da Universidade, que se encontrava em estado de total abandono, a sua devotada ação foi marcante ... foi com o Doutor António de Vasconcelos que se passou a uma fase nova da vida do Arquivo. Com o seu labor exaustivo e abnegado ergueu praticamente do nada uma obra que ficaria para sempre marcada pelo seu impulso decisivo. Nomeado em 1901 diretor do Arquivo, declarado pela primeira vez organismo autónomo, independente da secretaria, nele havia de trabalhar, incansavelmente até 1927. A série de incorporações que conseguiu fazer vieram a tornar o Arquivo da Universidade de Coimbra no segundo maior do País, tendo, além disso, feito dele um importante centro de estudos.

... Também a Capela da Universidade mereceu entranhado carinho, lutando com vigor e discrição para a defesa dos seus riquíssimos tesouros.

... Encerradas as matrículas na Faculdade de Teologia em 1910, viria ... a encetar uma nova fase da sua carreira ao serviço da Faculdade Letras, criada em 1911, da qual foi o primeiro diretor.

... Professor de História de Portugal, Paleografia, Diplomática, Epigrafia, Numismática e Esfragística, impôs-se pela sua vasta ciência e erudição, e pelos seus excelentes dotes pedagógicos e invulgares qualidades humanas.

... Jubilado em 1930 ... passaria a dedicar-se sempre com o mesmo afinco à investigação. Publicou, entretanto, os três volumes da «Sé Velha».

Mas o Doutor António da Vasconcelos exerceu também trabalho notável como sacerdote, ao serviço do Centro Académico da Democracia Cristã e do Refúgio da Rainha Santa, obra que criou, para só recordar algumas facetas da sua atividade sacerdotal.

... Em 1937 era nomeado presidente da Academia Portuguesa de História.

... No Verão de 1941 falecia aquele que dedicara uma vida inteira ao estudo, ao trabalho e à prática do bem.

Vasconcelos, A. 1987. Escritos Vários Relativos à Universidade de Coimbra. Reedição preparada por Manuel Augusto Rodrigues. Volume I e II. Coimbra, Arquivo da Universidade de Coimbra, pg. II-VI, do Vol. I

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por Rodrigues Costa às 20:13


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