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A' Cerca de Coimbra


Quarta-feira, 17.01.24

Coimbra: Cataventos

Relembramos um trabalho do Dr. Mário Nunes, editado no ano de 2000, sob a chancela do Grupo de Arte e Arqueologia do Centro.

Cataventos, capa a.JPGCataventos de Coimbra, capa

Nos livros antigos de "Horas" e "Cronicões", as iluminuras quando representam castelos ou palácios, mostram os cumes dos torreões encimados de bandeiras em toda a sua grandeza.

As bandeiras e o seu uso associavam-se à nobreza.

Cataventos. Livro_das_Fortalezas_83-_Miranda_do_DoCastelo de Miranda do Douro. Imagem acedida em; https://pt.wikipedia.org/wiki/Livro_das_Fortalezas#/media/Ficheiro:Livro_das_Fortalezas_83-_Miranda_do_Douro.jpg 

…. As bandeiras, de diversos panos e cores, a drapejar, permanentemente, ao vento, deterioravam-se com facilidade. Surgiram a remediar os efeitos negativos e a substituir o pano, bandeiras de ferro, reduções das de pano, e que passaram a ocupar, também, os pináculos dos castelos, palácios e mosteiros. Avistavam-se ao longe e mostravam o brasão do seu proprietário. Porém, como aquelas bandeiras eram rígidas, houve necessidade, de as tornar móveis em torno de um eixo, para não se danificarem ou caírem quando sopravam ventos mais fortes. E, desta maneira, as bandeiras transformaram-se, de simples ornamentos em indicadores da direção do vento, retomando o préstimo que os gregos e os outros povos lhes tinham dado.

Cataventos Lanternim do zimbÔö£Ôöério da SÔLanternim do zimbório da Sé Nova. Op. cit., pg.  75

Cataventos,  pg. 21.jpgOp. cit., Pg. 21

O cata (procura) vento, é, como referimos nos dados históricos, um instrumento que serve para indicar a orientação do vento, e que atua, também, como motivo ornamental dos edifícios.

 … O FERRO FORJAD0 E OS CATAVENTOS DE COIMBRA

 

Cataventos, pg. 33.jpgOp. cit., pg. 33

Coimbra, a "cidade das grades", na designação de Vergílio Correia, acolheu a arte e a beleza do ferro forjado. Executaram-se "autênticos monumentos", que consagraram o pendor criativo daqueles que lhe deram forma.

Cataventos, pg. 37.jpgOp. cit., pg. 37

António Augusto Gonçalves ao criar, em 1878, a Escola Livre das Artes do Desenho, lançara os alicerces da arte que fez nascer alfobres de artesãos e de artistas.

Cataventos, pg. 71.jpgOp. cit., pg. 71

Em 1900, ao deslocar-se à Exposição Universal de Paris e ao confrontar os trabalhos expostos, rendeu-se à serralharia, um ofício que fornecia objetos aplicados na arquitetura, quer fosse ferro fundido, quer ferro forjado.

 

Cataventos, pg. 45.jpgOp. cit., pg. 45

Ao regressar à Lusa-Atenas não hesitou em introduzir na Escola, juntamente com Joaquim Martins Teixeira de carvalho e João Machado, a arte que o fascinara em Paris. E, a primeira obra saída desta temática foi para o monumento funerário de Olímpio Nicolau Rui Fernandes.

Cataventos. Olimpio b.jpgBase do monumento funerário de Olímpio Nicolau Rui Fernandes. Col. RA

 Nunes, M. Cataventos de Coimbra. Fotografia de António Quinteira, João Azevedo, Mário Afonso Nunes, Coimbra, Grupo de Arte e Arqueologia do Centro.

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por Rodrigues Costa às 12:41

Terça-feira, 23.05.23

Coimbra: A arte do ferro forjado 4, a história da Escola Livres das Artes do Desenho, parte 4

O arquiteto Augusto de Carvalho da Silva Pinto aderiu mais tarde a este movimento, mas nem por isso deixou de, ao longo dos tempos, o impulsionar ativamente; nascido em Lisboa, depois de ter sido professor na Escola Superior de Belas-Artes deslocou-se a França, a fim de aí aprofundar os seus conhecimentos. Regressou em 1895 e radicou-se em Coimbra, terra que adotou como sua e onde, para além de ter sido diretor e professor da Escola Industrial Brotero e de ter colaborado com a Escola Livre das Artes do Desenho, deixou numerosos trabalhos, alguns deles também relacionados com a arte do ferro.

Augusto de Carvalho da Silva Pinto 01.jpg

Augusto de Carvalho da Silva Pinto

António Augusto Gonçalves entregou-se ao ressurgimento do trabalho em ferro com o mesmo fanatismo que lhe era reconhecido no respeitante às outras artes e “encontrando” em Manuel Pedro de Jesus que, por volta de 1900, já era sócio da Escola Livre, aptidões excecionais para a serralharia decorativa, incentivou-o a trabalhar nesse campo. O artista foi contemporâneo e comparticipante, com João Machado, no desenvolvimento e na afirmação, em Coimbra, da arte do ferro forjado.

Quando finalmente, em 1907, na Escola Industrial Brotero, começaram a funcionar as oficinas de marcenaria e talha, de serralharia, de cerâmica e de formação, Manuel Pedro foi nomeado mestre da de serralharia, lugar que, em 1925, voltava a ocupar, sendo-lhe então reconhecida uma enorme competência e a capacidade de saber aliar a um profundo conhecimento prático da sua especialidade, a teoria necessária, para que o ensino resultasse profícuo e consistente.

Os serralheiros da Escola de Coimbra.jpg

Os serralheiros da Escola de Coimbra

Provavelmente, Manuel Pedro não se manteve ininterruptamente à frente da oficina de serralharia da Escola Industrial Brotero desde 1907 até depois de 1925, porque se sabe que, em 1914, foi exonerado, a seu pedido, do lugar de mestre da referida oficina António Maria da Conceição “que, enquanto ali esteve, desempenhou esse cargo de modo a merecer elogios de todo o professorado de referida Escola”.

A indústria contemporânea do ferro forjado renasceu em Coimbra com a nova centúria, viveu na cidade, mas espalhou-se por todo o país. Homens e mulheres de bom gosto e fartos meios económicos faziam as suas encomendas aos serralheiros do burgo, que também não eram esquecidos pelos arquitetos lisboetas e não só.

Adães Bermudes, arquiteto de Lisboa e engenheiro das construções escolares, em 1907, ao passar por Coimbra vindo de Viseu, demorou-se algumas horas para entregar os desenhos de umas varandas destinadas a decorar um grande prédio situado num dos mais concorridos lugares de Lisboa e que ele projetara, a fim de elas serem executadas, em ferro forjado, por quatro artistas desta cidade. O convite foi considerado uma honra e a encomenda devia importar em 1:400$00. As peças utilizam o estilo moderno e o ferro curva-se dando o recorte de animais em linhas elegantes, “formando uma renda de um desenho leve e cheio de espírito, sem perder a aparência de solidez que a natureza da matéria impõe como condição essencial”.

Arnaldo Redondo Adães Bermudes.jpg

Arnaldo Redondo Adães Bermudes

A execução deste trabalho foi entregue aos artistas António Maria da Conceição, João Gomes, Lourenço de Almeida e Manuel Pedro de Jesus; em setembro desse mesmo ano a primeira remessa da tarefa já havia sido enviada e o redator do jornal Resistencia soubera “que o arquitecto ficara satisfeitíssimo com a obra dos serralheiros de Coimbra”.

O Noticias de Coimbra tecera algumas observações acerca dos trabalhos que Adães Bermudes encomendara àqueles artistas e o Resistencia transcreveu os comentários: “Além desta tarefa, destinada a um edifício em construção na Avenida D. Amélia [atual Almirante Reis], em Lisboa, também o mesmo arquitecto confiou ao sr. Alfredo Fernandes Costa a execução de um portão no estilo D. João V, para o palácio do conde de Agrolongo.

Palacete do Conde de Agrolongo.jpg

Palacete do Conde de Agrolongo. Imagem acedida em https://lisboadeantigamente.blogspot.com/2016/11/palacete-do-conde-de-agrolongo.html

É com grande satisfação que tornamos públicas estas apreciações aos trabalhos dos nossos conterrâneos que tanto se têm dedicado pelo desenvolvimento da sua arte, deixando ganância para só honrarem os seus nomes de artistas e a sua terra”.

Raul Lino desenhava peças para eles forjarem; Álvaro Machado, quando viu, em Lisboa, a grade de um túmulo executada por Manuel Pedro de Jesus, teve esta expressão: "Mas como é que os serralheiros de Coimbra têm a liberdade para amoldar o ferro como desejam!?". Afirmação feita por um arquiteto de reconhecido mérito que, por si só, era suficiente para legitimar a competência dos serralheiros aeminienses.

Em 1928 o comissário geral representante, em Portugal, da exposição de Sevilha convidou os artistas conimbricenses ligados à serralharia artística para participarem na exposição com trabalhos no estilo D. João V.

Também na exposição que Raul Lino levou a efeito, em Coimbra, nas salas do Instituto, onde apresentou, entre projetos, anteprojetos, plantas, esboços, fotografias, etc., trinta e nove peças, foi feita referência a trabalhos “de distinctos artistas de Coimbra”, concretamente a João Machado, na escultura, e a Manuel Pedro de Jesus e a Lourenço Chaves de Almeida, no ferro forjado.

Raul Lino escolheu a cidade de Coimbra para expor os seus trabalhos, “de construção económica e em estilo português”, em virtude de se estar a programar o bairro do Penedo da Saudade, “onde ficariam muito bem prédios daquele tipo” e também porque “o meio artístico de Coimbra permit[ia] uma avaliação correcta da sua obra”.

Raul Lino 01.jpg

Raul Lino

No entanto, para sobreviver, a arte do ferro não podia apenas contar com encomendas vultuosas, teria de se democratizar, como bem dizia o Dr. Quim Martins e, para tal, fazer com que se tornassem necessários os objetos mais simples e de uso corrente, manufaturados naquele metal. A par com os grandes candelabros, com os leitos pompeianos, com os portões da Faculdade de Letras ou do Palácio da Justiça, teriam de surgir as grades das varandas, os pequenos portões de jardins, as bandeiras das portas, as tabuletas de anúncios, os gradeamentos dos muros, os portais dos jazigos, as pequenas grades de campas, os puxadores das gavetas e as dobradiças das arcas. Realmente, a arte do ferro, democratizou-se, a indústria vingou e, para além das peças que ainda hoje ornamentam tantas casas e causam orgulho aos que as fruem, Coimbra passou a ser, como lhe chamou Vergílio Correia, a “cidade das grades”.

Avenida Dias da Silva. Grade de varanda.jpg

Avenida Dias da Silva. Grade de varanda

 

Largo João Paulo II. Casa dos Martas. Grade da

Largo João Paulo II. Casa dos Martas. Grade da bandeira da porta

Coimbra, “a cidade das grades”.

 Ninguém podia imaginar que nas negras e mal apetrechadas serralharias de Coimbra, entre as labaredas rubras das suas forjas e o ruído dos malhos tirando chispas fulgurantes dos vagalhões candentes, existia, latente, à espera de a despertarem, essa força criadora que transforma o ferro duro e de aspeto indomável em peças de requintado gosto artístico.

Anacleto, R. A arte do ferro forjado na cidade do Mondego, primeira metade do século XX.  In: História, Empresas, Arqueologia Industrial e Museologia. 2021. Edição Imprensa da Universidade de Coimbra, pg. 259-290.

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por Rodrigues Costa às 11:04

Quinta-feira, 18.05.23

Coimbra: A arte do ferro forjado 3, a história da Escola Livre das Artes do Desenho, parte 3

A tradição artística coimbrã assentava as suas bases na pedra, não no ferro. Deste, nos alvores do século XX, e, pese embora, a existência de vários estabelecimentos ‘industriais’ deste ramo, poucos testemunhos significativos se encontravam na cidade, enquanto que, daquela, começaram a surgir, espalhados um pouco a esmo, como dizia Augusto Mendes Simões de Castro, no seu Guia historico do viajante no Bussaco, “verdadeiros primores do escopro e do cinzel”.

Existem muitas razões válidas capazes de explicar este surto artístico, que passa pela proximidade física dos trabalhos dos mestres escultores renascentistas, sem nos esquecermos da relativamente curta distância a que se encontram as pedreiras de Ançã; os blocos dali extraídos, brancos, macios e dóceis, permitem um trabalho fácil e de bonito efeito.

 

Pedra de Ançã, pedreira 3.jpgPedra de Ançã, pedreira

A partir do início da segunda metade do século XIX começaram a realizar-se, principalmente na Europa, Exposições Universais, antecedidas, em cerca de noventa anos, pela efetivação, sobretudo em França e em Inglaterra, de pequenas mostras industriais, que muito contribuíram para o desenvolvimento dos respetivos países; estes certames animavam o aparecimento de novos inventos e funcionavam como parte fundamental da engrenagem da sociedade industrial.

Exposição de máquinas .1900 2.jpgExposição Universal de 1900. Galeria das máquinas.

Nessas apresentações as máquinas não serviam o fim a que se destinavam, mas convertiam-se em objetos destinados a ser observados pelos espectadores, maioritariamente (potenciais) profissionais.

Primeira Exposição Universal, Londres, 1 de maioPrimeira Exposição Universal. Londres. 1851.

… Além disso, estas mostras funcionavam ainda como espelho da sociedade, como festa política, como meio de propaganda e de demonstração de poder. Evidenciava-se ainda a relação direta que se estabelecia entre produtores, comerciantes e consumidores.

Durante todo o século XIX a indústria do ferro (primeiramente empregue como fundido, depois forjado e finalmente sob a forma de aço) progrediu, foi utilizado na arquitetura e toda a sua evolução se encontra patenteada nessas exposições.

As Exposições Universais eram, para o país que as organizava, a expressão do espírito de emulação, de criatividade, do desenvolvimento comercial e industrial, do estatuto das relações económicas internacionais, da afirmação do prestígio nacional, da focalização das questões sociais e da valorização da missão

Exposição de Paris. 1900. Vista geral.jpgExposição Universal de Paris. 1900. Vista Geral

Em 1900, a Exposição Universal de Paris atraía sobre si as atenções de todo o mundo civilizado. António Augusto Gonçalves não podia ficar indiferente a esta manifestação e, por isso, vencidas algumas dificuldades, ei-lo a caminho da Cidade das Luzes, afim de, in loco, entrar em contacto com as maravilhas ali patenteadas. Imagine-se o impacto que a mostra exerceu sobre este homem inteligente e artista, saído de uma longínqua cidade de província, com foros e pergaminhos de culta, mas isolada, fechada e distante de tudo quanto fosse civilização e progresso.

A secção de «ferronerie» “prendeu-lhe muito as vistas e criou-lhe sonhos”. Questionava-se acerca das razões impeditivas de se produzirem peças idênticas em Coimbra, até porque os resultados expressos naquele setor se encontravam dentro da linha de pensamento de uma época que se iniciara alguns anos antes, quando o trabalho em série, feito pela máquina, começou a ser posto em causa. A personalidade e a originalidade do artista deixavam de ter peso na peça fabricada e António Augusto Gonçalves não aceitava de bom grado este facto, até porque ele, na sua Escola Livre orientava os alunos na composição e na execução da peça, mas ‘impunha-lhes’ a obrigatoriedade de o não seguirem servilmente, mantendo e vincando o seu subjetivismo e individualidade.

Ainda a quilómetros de distância, Mestre Gonçalves relembrava e analisava os trabalhos de ferro enviados pelos artistas conimbricenses às últimas exposições locais e constatava que as peças apenas patenteavam habilidade manual.

No regresso, interrogava-se acerca do caminho a trilhar, a fim de modificar este estado de coisas e sonhava desenvolver, em Coimbra e com o ferro, uma arte que atingisse nível similar ao da pedra. Confiou o desejo ao Dr. Joaquim Martins Teixeira de Carvalho, o bom Quim Martins, que tanto ajudou, com a pena e com a amizade, os artistas mondeguinos, e transmitiu-o também a João Machado, o burilador para quem a pedra não tinha segredos.

João Machado 2.JPG

João Machado

 A ideia foi germinando e Machado, um belo dia, com quatro pedras, improvisou, ao canto da sua oficina, uma incipiente forja, a fim de tentar manufaturar um florão, destinado a servir de puxador de gaveta. O ferreiro a quem pedira emprestados os utensílios necessários, veio ver e ensinou-o a bater o ferro. O artista entusiasmou-se e pôs de parte, durante algum tempo, o seu amor pela pedra, chegando mesmo a debuxar e a forjar algumas peças.

Assim ressurgiu, em Coimbra e acalentada pela ELAD, uma arte que, durante longos anos, sofrera as consequências do desprestígio; a sua certidão de batismo, que não a de nascimento, foi passada quando Manuel Pedro de Jesus bateu, segundo um desenho e com direção de António Augusto Gonçalves, uma grade para o monumento funerário que então se erigiu no cemitério da Conchada em memória de Olímpio Nicolau Rui Fernandes, o fundador e principal dinamizador da Associação dos Artistas, coletividade criada em 1862. Olímpio Nicolau Rui Fernandes, homem que, nascido em Lisboa, se radicara em Coimbra, onde exerceu o cargo de Administrador da Imprensa da Universidade, maçon convicto, morreu na casa que habitava na Rua da Ilha, a 02 de abril de 1879.

Manuel Pedro de Jesus. Porta e grade de jazigo.jpgManuel Pedro de Jesus. Porta e grade de jazigo

Manuel Pedro de Jesus. Lampião. Casa dos Patudos.Manuel Pedro de Jesus. Lampião. Alpiarça, "Casa dos Patudos"

 Anacleto, R. A arte do ferro forjado na cidade do Mondego, primeira metade do século XX.  In: História, Empresas, Arqueologia Industrial e Museologia. 2021. Edição Imprensa da Universidade de Coimbra, pg. 259-290.

 

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por Rodrigues Costa às 11:38

Terça-feira, 16.05.23

Coimbra: A arte do ferro forjado 2. História da Escola Livres das Artes do Desenho, parte 2

Em 1878, António Augusto Gonçalves, homem dotado de grande capacidade de iniciativa e de vasta cultura, fundou a Escola Livre das Artes do Desenho (ELAD), o que lhe veio a permitir, mais tarde, impulsionar, em Coimbra, as artes industriais.

António Augusto Gonçalves 0.jpg

António Augusto Gonçalves. Acervo RA

Na Associação dos Artistas, onde Gonçalves também era professor, ministravam-se aulas gratuitas de desenho, em horário pós-laboral, a fim de não colidirem com a atividade das classes laboriosas a que se destinavam. O Mestre apercebeu-se do interesse que os operários demonstravam em ampliar os seus conhecimentos, mas estava consciente de que aquele não era o local mais conveniente para desenvolver determinadas capacidades absolutamente necessárias aos artistas. Para além deste óbice existiam outras motivações que conduziram à fundação da ELAD.

Escola Livre, emblema.jpg

Emblema da Escola. Imagem acedida em http://baimages.gulbenkian.pt/images  …

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Diploma escolar da ELAD. Acervo RA

Teixeira de Carvalho dá a resposta a estas causas quando escreve que «A Escola Livre das Artes de Desenho foi criada por oposição ao ensino da Associação dos Artistas, todo cheio de peias e formulas dum burocratismo ridículo».

António Augusto Gonçalves, «comquanto discípulo, sócio e mestre da Associação dos Artistas», não se identificava com a orientação perfilhada naquela agremiação.

Na verdade, a criação da ELAD obedeceu “ao desejo de reunir todos os indivíduos que manifestavam aptidões artísticas, de propagar o estudo do desenho nas suas múltiplas aplicações às artes e às artes industriais, de tornar fácil e acessível a aquisição de conhecimentos sobre a forma de trabalhar os diversos materiais ensinando os principios de estética indispensáveis à compreensão e interpretação das obras de arte” e os seus estatutos, embora com carácter provisório, foram aprovados na Assembleia Geral de 25 de outubro de 1880. Do Artigo 1.º salienta-se o desejo de impulsionar “todos os meios que possam favorecer em Coimbra, e mormente na classe operaria, o desenvolvimento do gosto, aperfeiçoamento das manufacturas e intelligencia das obras d'arte”.

Torre da Rolaçom ou de Almedina a.jpg

 Tugúrio de Almedina’

No ‘Tugúrio de Almedina’, onde as relações entre professores e alunos se estreitavam e confundiam, formaram-se serralheiros, canteiros, escultores, marceneiros, entalhadores, ceramistas e pintores, que procuraram colher ensinamentos válidos no campo da história da arte, quer através de conferências, verdadeiras lições, proferidas por alguns eminentes vultos deste ramo do saber ou, sempre que tal o justificasse, deslocando-se às terras circunvizinhas, a fim de, in loco, observar pormenorizadamente os monumentos. Ninguém ignora que, em história da arte, a análise das peças se torna tão necessária, quanto a investigação, porque saber ver, é vital.

No contexto desta filosofia podem referir-se, apenas como meros exemplos, a visita ao “convento de S. Marcos” orientada por António Augusto Gonçalves, tendo “os artistas, encantados, fotografado diversos aspetos e modelado em barro alguns dos graciosos capitéis”; as deslocações a Lorvão e a Condeixa; e a excursão à Batalha e a Alcobaça que lhes permitiu visitar, para além destes monumentos, o castelo de Leiria e a capela de S. Pedro.

Escola Livre , visita de estudo.jpg

Escola Livre das Artes e Desenho, visita de estudo

Participaram ao todo vinte e quatro excursionistas, todos sócios, e “António Augusto Gonçalves fez várias preleções sobre o assunto”.

Verdade seja que alguns dos lavrantes mais novos, poucos foram, acabaram a sua aprendizagem na Escola de Desenho Industrial Brotero, criada em 3 de Janeiro de 1884, certamente na sequência da política educacional do governo, mas também por causa dos resultados da ELAD, uma associação, que mais parecia uma confraria, onde se havia “encarnado a singular revivescência do espirito das antigas corporações de ofícios”. O referido estabelecimento de ensino, a fim de satisfazer as pretensões da cidade, acabou por ser transmutado em Escola Industrial Brotero através de decreto assinado pelo ministro Emídio Navarro a 10 de janeiro de 1889.

A Escola Livre não nasceu espontaneamente e, embora tenha sido, em Portugal, a pioneira, a verdade é que estabelecimentos deste tipo eram já recomendados naqueles países onde a indústria se encontrava mais desenvolvida e tecnologicamente mais avançada.

Em Inglaterra, no ano de 1832, antes de ser votada a lei eleitoral, na Câmara dos Comuns, discutiu-se a fundação de uma Galeria Nacional; ao longo do debate, referiu-se, pela primeira vez, a importância social da arte aplicada e um dos deputados chamou a atenção para a ligação íntima existente entre os interesses industriais e o encorajamento que devia ser dado às belas-artes. Posteriormente, o governo inglês nomeou uma comissão de inquérito que, ao elaborar o trabalho de que fora incumbida, questionou acerca do assunto, não só os industriais, como também os técnicos que faziam os projetos e ainda os artistas e os membros da Real Academia; depois de analisadas as respostas, concluiu ser absolutamente necessária a criação de um organismo apropriado ao ensino e difusão das artes e que essa instituição, outra não podia ser, do que uma escola de desenho.

Realmente, bem elucidado e informado se encontrava Gonçalves, porque, para vitalizar as artes na cidade mondeguina, verdadeiro alfobre de artistas na época renascentista, recorreu a meios que, embora já postos em prática noutros países cinquenta anos antes, ainda não tinham feito a sua entrada em Portugal. A cidade e os artistas que dessa Escola saíram, muito lhe devem.

 Anacleto, R. A arte do ferro forjado na cidade do Mondego, primeira metade do século XX.  In: História, Empresas, Arqueologia Industrial e Museologia. 2021. Edição Imprensa da Universidade de Coimbra, pg. 259-290.

 

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por Rodrigues Costa às 21:20

Quarta-feira, 10.05.23

Coimbra: A arte do ferro forjado 1. História da Escola Livres das Artes do Desenho, parte 1

Iniciamos com esta entrada, uma série de treze, onde transcrevemos o artigo da Doutora Regina Anacleto publicado no volume História, Empresas, Arqueologia Industrial e Museologia, editado pela Universidade de Coimbra em 2021, e destinado a homenagear o Professor Doutor Amado Mendes, após a sua jubilação.

Obra citada.jpg

Op. cit., capa

Trata-se de um artigo de síntese que dá a conhecer a pesquisa efetuada por Regina Anacleto relacionada com Escola Livre das Artes e do Desenho e, neste caso concreto, com a plêiade de artistas que então batiam o ferro e ali foram formados – os ourives do ferro – artistas que colocaram Coimbra no topo da serralharia artística do País.

O artigo constitui um todo, embora seja possível dividi-lo tematicamente, como aqui o tentamos. Dada a sua extensão, poderão vir a ocorrer hiatos na sua sequência.

 

Coimbra, nos finais do século XIX e inícios do XX apenas saía da pacatez que a envolvia quando festejava qualquer santo da sua devoção, quando se realizavam as tradicionais feiras, romarias e festas populares ou quando aqui se deslocavam personalidades, quase sempre, do foro político ou cultural. Nessa ocasião, o quotidiano das gentes do burgo sofria alterações.

Portagem. Locomotiva a atravessar a cidade. 1930 a

Comboio na Portagem

Na urbe, grosso modo, intelectuais e artífices movimentavam-se em quadrantes espaciais diferentes e, enquanto os primeiros, gravitavam em torno da velha alcáçova, os segundos haviam-se instalado preferencialmente na zona baixa, já fora de portas, em ruas estreitas, que se desenrolavam circularmente em torno dos já inexistentes muros, apenas a adivinharem-se no perímetro urbano da cidade. É verdade que na zona da Alta também se encontravam instalados artesãos, mas relacionados, quase sempre, com aspetos culturais; refiram-se, como exemplo, os operários que exerciam a sua atividade nas diversas tipografias ali sediadas.

No entanto, em Coimbra, o desenvolvimento industrial era lento e penoso, até porque se tratava de uma terra quase provinciana, de parcos recursos económicos, onde muito pouco havia para investir.

Cinema Tivoli.jpg

Avenida Navarro, 1.ª metade do sec. XX. Acervo RA

Mesmo assim, nos finais de Oitocentos, existiam na cidade, embora com relevância diversificada, várias fábricas; algumas delas, apesar de apelidadas como tal, não ultrapassavam a dimensão de meras oficinas ou de pequenas unidades fabris.

Recorde-se a sociedade “Aníbal, Lima & Irmãos”, de fiação e tecelagem, fundada em 1887 e que, quando em 1894 instalou no Rego de Benfins, próximo de Coselhas, a Fábrica conimbricense de artefactos de malha introduziu em Coimbra a indústria algodoeira; o grupo altera o pacto social no ano de 1913 e, provavelmente, na sequência, constrói uma nova fábrica na Rua do Gasómetro (atual João Machado), passando a designar-se “Aníbal de Lima & Irmão, L.da”. Encerrou em 1978.

Do outro lado do rio, em Santa Clara, mais concretamente na Rua da Feitoria dos Linhos, localizava-se a Fábrica de sabão, fundada em 1871 por Augusto Luiz Martha, ainda a laborar no ano de 1983 sob a designação de “Augusto Luiz Martha, Sucessores, L.da”.

Fábrica de Sabão A Lusitana conhecida por Martha

Fábrica de sabão “A Lusitana” conhecida por Marthas. Imagem acedida em https://www.google.pt/search?q=augusto+luiz+martha+sucessores+lda&source

... A Fábrica de lanifícios de Santa Clara, instalada no antigo convento de S. Francisco, também na margem esquerda, girando sob o nome de “Peig, Planas & C.ª”, iniciou a sua atividade em 1888; no ano de 1983 ainda se mantinha aberta com o nome de “Clarcoop. Tecidos e confecções”, mas encerrou definitivamente as portas em 1994.

Fábrica de Lanifícios de Santa Clara.jpg

Fábrica de Lanifícios de Santa Clara, vista aérea das instalações

A Cerâmica de Coimbra, L.da, trabalhava o barro, pelo menos desde 1867, num local que se situa entre a Rua Direita, o Quintal do Prior e o Terreiro da Erva.

O Conimbricense, em 1891, referia ainda a existência, em Coimbra, de fábricas de massas, de moagem e de padarias. Seis anos depois, o mesmo periódico informa, especificando-as, que se podem encontrar em Coimbra trinta e uma fábricas.

A fundição e a serralharia apresentavam então um certo desenvolvimento, não só porque existiam estabelecimentos em número considerável, como porque eram credenciados, dado que recebiam “numerosas encomendas para esta cidade, e para fora d’ellla”.

Acerca do assunto, O Conimbricense, em 1891, escrevia: “Da fundição ha em Coimbra os estabelecimentos dos srs: Manoel José da Costa Soares, rua da Sophia. José Alves Coimbra, rua das Solas. E de serralheria temos conhecimento das seguintes officinas: Eduardo & Almeida, rua da Magdalena. Joaquim Diniz de Carvalho, largo da Fornalhinha. Antonio Diniz de Carvalho, rua da Gala. Augusto Diniz de Carvalho, rua das Padeiras. Francisco Marques da Costa, Paço do Conde. José Pedro de Jesus, rua das Solas. José Simões Paes, Ameias. José dos Santos Donato, rua da Moeda. João Lopes Junior, rua da Sophia. José Miguel Cabral, rua Direita. Francisco Nogueira Secco, terreiro da Erva. João Pedro de Jesus, Ameias. Manuel Pedro de Jesus, rua da Magdalena. António Gomes, rua da Moeda. Antonio da Silva Espingarda, rua das Solas. Justiniano Gomes Ferreira, rua de Borges Carneiro. Bento Ferreira, claustro de S. Salvador. José Dias Ferreira, rua dos militares. Também junto á serralheria dos srs. Eduardo & Almeida está a officina de carruagens dos srs. Bento Rocha & C.ª. E o sr. Manoel José da Costa Soares, além da fundição, tem oficinas de carruagens e serralheria, e fabrica de moagens”.

Contudo, penso poder dizer que estas oficinas gravitavam em torno de trabalhos quase sempre relacionados com as necessidades do quotidiano, ou seja, com a lavoura e com os transportes.

 Anacleto, R. A arte do ferro forjado na cidade do Mondego, primeira metade do século XX.  In: História, Empresas, Arqueologia Industrial e Museologia. 2021. Edição Imprensa da Universidade de Coimbra, pg. 259-292.

 

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por Rodrigues Costa às 17:03

Quinta-feira, 22.09.22

Personalidades de Coimbra: Arquiteto Silva Pinto

Iniciamos hoje a divulgação de um texto publicado em 1991, pelas Professoras Doutoras Regina Anacleto e Isabel Policarpo e apresentado no Congresso História da Universidade, integrado nas comemorações do sétimo centenário da Universidade em Coimbra. Desse texto, dada a sua extensão e os diferentes temas nele tratados, extraímos um conjunto de seis entradas que a seguir se publicam.

O arquiteto Augusto de Carvalho da Silva Pinto nasceu em Lisboa a 7 de maio de 1865 e era filho de João António da Silva Pinto. Depois de ter frequentado o “Instituto Industrial e Comercial de Lisboa”, matriculou-se, em 1882, no Curso Geral de Desenho da “Escola de Belas Artes” e, seguidamente, inscreveu-se na especialidade de Arquitectura Civil, que integrava o curriculum daquela escola lisboeta.

Durante algum tempo lecionou no estabelecimento de ensino onde se havia formado e onde fora aluno brilhante, mas logo de seguida partiu para Paris, a fim de se valorizar e tomar contacto com as novas correntes estéticas então ainda pouco difundidas no nosso país. Regressou em 1895 e, logo depois, veio fixar residência em Coimbra, terra que adotou como sua.

Este facto revestiu-se de grande significado para a cidade, que se encontrava afastada dos grandes centros, fechada sobre si mesma, sem possibilidade de se desenvolver, e passou a dispor de um homem com conceções arquitetónicas modernas, capaz de colocar o seu saber ao serviço da comunidade.

Logo após a chegada e acumulando com outras tarefas, entra como professor para a Escola Industrial Brotero onde permaneceu, ensinando gerações, até atingir o limite de idade; além disso, integra-se na vida artística do burgo, que quase se reduzia só à Escola Livre das Artes do Desenho fundada por Mestre António Augusto Gonçalves em 1878, e por todos os artistas e artífices que gravitavam em torno dela.

 

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Arquiteto Augusto de Carvalho da Silva Pinto

 … Silva Pinto, ao longo dos anos que permaneceu em Coimbra não se desligou do quotidiano. Relacionado com a vida artística, pois, para além da sua atividade profissional esteve intimamente ligado com a Escola Livre das Artes do Desenho, com Mestre Gonçalves, com o Dr. Joaquim Martins Teixeira de Carvalho, mais conhecido por Quim Martins, e ainda com os numerosos artistas saídos desses dois alfobres que foram as escolas da Torre de Almedina e a Brotero, andou também de braço dado com a política.

Pertenceu ao executivo municipal, exerceu o cargo de Governador Civil Substituto e, mais tarde, por discordar do sistema vigente instaurado após 1928, conheceu mesmo as agruras da prisão. Republicano convicto acabou por ser preso a 6 de maio de 1930 e, embora libertado onze dias depois, foi-lhe imposta residência fixa em Tentúgal, até agosto do mesmo ano.

… A personalidade e os conhecimentos do arquiteto Augusto de Carvalho da Silva Pinto ressaltam dos muitos projetos que elaborou durante a vida. O edifício da Faculdade de Letras, sobretudo na sua versão original, comprova-o. É verdade que o fulgor inicial das suas realizações foi esmorecendo ao longo dos decénios. Para isso contribuiu, certamente, a estagnação económica que também se repercutiu na cidade, a guerra de 1914-1918 e ainda o facto de se ter instalado demasiadamente em Coimbra. Sem contactos com a capital e com o estrangeiro, os seus conhecimentos não evoluíram em consonância com as suas muitas capacidades e não acompanharam as novas correntes arquitetónicas, sobretudo as dimanadas de Paris que continuava a ser o “omphalos” da Arte. Acabou por ficar preso na teia que ele próprio urdira.

De qualquer forma não podemos deixar de, numa análise desapaixonada e séria, enaltecer a obra do arquiteto Augusto de Carvalho da Silva Pinto pelo trabalho desenvolvido em prol da cidade, que o não teve por berço, mas à qual se devotou inteiramente.

Anacleto, R.; Poilicarpo, I.P.L. O arquitecto Silva Pinto e a Universidade de Coimbra, em Universidade(s). História. Memória. Perspectivas, vol. 2, Congresso História da Universidade. 7.º centenário. Coimbra, 1991, p. 327-346.

 

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por Rodrigues Costa às 13:27

Quinta-feira, 29.07.21

Coimbra: Alargamento do espaço urbano no cotovelo dos séculos XIX e XX. 29

Os obreiros das novas arquitecturas (continuação)

Mas não foram só os projetistas a imporem a sua marca na cidade, porque as arquiteturas que bordejam estes novos arruamentos apresentam, genericamente, uma matriz comum que passa pela utilização de cantarias lavradas, de azulejos e de ferros forjados. Trata-se da chancela que homens formados na Escola Livre das Artes do Desenho (ELAD) aplicavam nos imóveis que, obviamente não riscavam, mas decoravam.

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João Machado

Era esta a modernidade aposta na arquitetura que então se praticava numa cidade do interior, onde os artistas se viam impedidos, por inexistência, de frequentar uma Escola de Belas Artes. Se se compararem estas construções com as erguidas na capital, para já não falar com as das grandes metrópoles europeias, nota-se um atraso considerável. Contudo, a especificidade verificada na cidade do Mondego e patente na maior parte dos edifícios então edificados, permite-me rotular essas construções com o nome de ARQUITETURA ESCOLA LIVRE.

Fig. 51. António Augusto Gonçalves com um grupo

Fig. 51 – António Augusto Gonçalves com um grupo de alunos da ELAD numa visita de estudo.

É verdade que existem em Coimbra muitas obras deste período a caber no âmbito do ecletismo, mas todas elas apresentam a mesma matriz, baseada no gosto dos proprietários ou no saber dos canteiros que nelas trabalhavam. Ao fim e ao cabo, podem considerar-se o produto visível de uma cidade de província, fechada sobre si mesma, sem outros horizontes artísticos a não ser aqueles que a Escola Livre e também a Escola Industrial lhes proporcionavam.

Tem, frequentemente, sido feita referência à ELAD, isto é, à Escola Livre das Artes do Desenho. Como não havia em Coimbra uma escola de Belas Artes, António Augusto Gonçalves, homem dotado de grande capacidade de iniciativa e de vasta cultura, em 1878, acabou por fundar a Escola Livre, alfobre de muitos lavrantes que marcaram o panorama artístico de Coimbra, e não só, até cerca dos finais da terceira década de Novecentos.

A criação desta escola obedeceu “ao desejo de reunir todos os indivíduos que manifestavam aptidões artísticas, de propagar o estudo do desenho nas suas múltiplas aplicações às artes e às artes industriais, de tornar fácil e acessível a aquisição de conhecimentos sobre a forma de trabalhar os diversos materiais ensinando os princípios de estética indispensáveis à compreensão e interpretação das obras de arte”.

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‘Tugúrio de Almedina’

No ‘Tugúrio de Almedina’, onde as relações entre professores e alunos se estreitavam e confundiam, formaram-se serralheiros, canteiros, escultores, marceneiros, entalhadores, ceramistas e pintores, que procuraram colher ensinamentos válidos no campo da história da arte e que os utilizavam nas construções onde plasmavam o produto do seu labor.

Anacleto, R. Coimbra: alargamento do espaço urbano no cotovelo dos séculos XIX e XX. In: Belas-Artes: Revista Boletim da Academia Nacional de Belas ArtesLisboa 2013-2016. 3.ª série, n.ºs 32 a 34. Pg. 127-186. Acedido em https://academiabelasartes.pt/wp-content/uploads/2020/02/Revista-Boletim-n.%C2%BA-32-a-34.pdf

 

 

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por Rodrigues Costa às 21:28

Quinta-feira, 20.12.18

Coimbra: Personalidades Augusto de Carvalho Silva Pinto

O arquitecto Augusto de Carvalho da Silva Pinto nasceu em Lisboa a 7 de Maio de 1865 .... Depois de ter frequentado o “Instituto Industrial e Comercial de Lisboa”, matriculou-se, em 1882 … na “Escola de Belas Artes” e, seguidamente, inscreveu-se na especialidade de Arquitectura Civil, que integrava o curriculum daquela escola lisboeta.
Durante algum tempo leccionou no estabelecimento de ensino onde se havia formado e onde fora aluno brilhante, mas logo de seguida partiu para Paris, a fim de se valorizar e tomar contacto com as novas correntes estéticas … Regressou em 1895 e, logo depois, veio fixar residência em Coimbra, terra que adoptou como sua.

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Augusto de Carvalho Silva Pinto

Este facto revestiu-se de grande significado para a cidade, que se encontrava afastada dos grandes centros, fechada sobre si mesma, sem possibilidade de se desenvolver, e passou a dispor de um homem com concepções arquitectónicas modernas, capaz de colocar o seu saber ao serviço da comunidade.
Logo após a chegada e acumulando com outras tarefas, entra como professor para a Escola Industrial Brotero onde permaneceu, ensinando gerações, até atingir o limite de idade; além disso, integra-se na vida artística do burgo, que quase se reduzia só à Escola Livre das Artes do Desenho, fundada por Mestre António Augusto Gonçalves em 1878, e por todos os artistas e artífices que gravitavam em torno dela.
…Em 1904 o engenheiro Augusto Barbosa é encarregado pela municipalidade de elaborar o projecto [de urbanização da Quinta de S. Cruz]. Silva Pinto desenha a casa do Doutor Ferrand Pimentel de Almeida, a construir na Avenida Dias da Silva.
… A Universidade, a Câmara Municipal e alguns particulares utilizam os seus serviços. A primeira, a partir de 28 de Outubro de 1913, passa a pagar-lhe mensalmente 5$00 “por ser o superintendente das obras” , mas a municipalidade adiantara-se e no derradeiro ano do século XIX encomendou-lhe “o projecto de um mercado público destinado ao local onde se vê o de D. Pedro V”, cuja construção ocorrera em 1867 … Foi este, sem dúvida, o edifício mais ousado que Silva Pinto projectou para Coimbra. Todo em ferro, tijolo e vidro, seguia os moldes europeus …No entanto, apesar de se tratar de uma construção bem dentro dos parâmetros utilizados na época, embora dentro de proporções modestas, mas de acordo com os orçamentos disponíveis, a verdade é que … um dos jornais citadinos não se eximia de, para atacar o arquitecto, apelidar de “aquário” o pavilhão da venda do peixe.

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Projeto não concretizado do Mercado D. Pedro V

… A primeira notícia conhecida e que nos fala da possibilidade de criar uma Faculdade de Letras na Universidade de Coimbra remonta ao tricentenário da morte de Camões, ocorrido em 1880 … só trinta anos após a primeira tentativa, já então num quadro político e mental bem diverso, se veio a concretizar aquilo que o Doutor António Ribeiro de Vasconcelos considerava “uma necessidade urgente e inadiável”.
… O problema das instalações colocou-se de imediato à nova direcção; como consequência solicitou ao governo a cedência do terreno onde se andava a construir o edifício destinado ao Teatro Académico e que ocupava o sítio do antigo Colégio S. Paulo … Para riscar a nova casa universitária encarregaram o arquitecto Augusto de Carvalho da Silva Pinto … O Conselho da Faculdade aprovou as plantas e alçados do novo edifício a 31 de Julho de 1913 … Silva Pinto projectou uma fábrica que patenteava uma fachada equilibrada e harmónica, onde os volumes e o movimento provocado pelas aberturas, pilastras e colunas jogavam com a luz.
O espaço exterior do edifício apresentava uma forma entre o rectangular e o trapezoidal; quanto ao interior, embora ajustando-se ao fim a que se destinava, aproveitava algumas fundações do inacabado, ou melhor, mal começado, Teatro Académico.
… Bem ritmado, com o piso térreo de silharia de junta fendida e torreões marcados nas extremidades, a zona central do primeiro andar apresenta as aberturas vazadas no paramento e separadas por pilastras adossadas à parede ou por colunas duplas. A parte superior do vão das janelas oscila entre o arco de volta perfeita e o frontão triangular, para, numa liberdade criativa total, mostrar o lado inferior das ventanas colocadas nos pseudo-torreões a acompanhar os degraus da escada interior. Bem ritmado, com o piso térreo de silharia de junta fendida e torreões marcados nas extremidades, a zona central do primeiro andar apresenta as aberturas vazadas no paramento e separadas por pilastras adossadas à parede ou por colunas duplas. A parte superior do vão das janelas oscila entre o arco de volta perfeita e o frontão triangular, para, numa liberdade criativa total, mostrar o lado inferior das ventanas colocadas nos pseudo-torreões a acompanhar os degraus da escada interior.
… Lamentavelmente o projecto não se realizou tal como havia sido concebido. Construído ao longo de duas dezenas de anos, cedo mostrou a exiguidade de espaço. O arquitecto viu-se na necessidade de, no decorrer das obras, criar uma área maior dentro da estrutura prevista.

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Antiga Faculdade de Letras da UC no início dos anos 40 do século XX

…De qualquer forma, a primeira Faculdade de Letras, no seu conjunto, expressava um maior gabarito do que a actual fachada da Biblioteca Geral, que, ao fim e ao cabo e despudoradamente, ainda se apoderou de grande parte das estruturas interiores.
… O amplo salão de leitura e a cúpula elíptica, de arrojado traçado, que o encimava, foram reaproveitados, embora a contextura de um mal amanhado tecto disfarce aquela composição; o mesmo aconteceu com o elegante vestíbulo e escadas de acesso.
Nem sequer tiveram dó dos belos portões de ferro forjado, dos magníficos lustres do mesmo material, dos lindos artefactos de talha que se encontravam portas a dentro e do grande vitral de manufactura italiana existente na vasta sala do Museu.
… O então Director da Faculdade de Letras, Doutor António de Vasconcelos, a 12 de Dezembro de 1914, escreveu-lhe uma carta a comunicar “que o Conselho da Faculdade de Letras, (...) em sessão hoje celebrada para inauguração da parte já concluída do seu edifício em construção, resolveu por unanimidade que se lançasse na acta um voto de louvor pelo zelo, saber, competencia e desvelado carinho com que VEx.ci fez o estudo da modificação e adaptação, para instalação da Faculdade de Letras, do antigo projécto do teatro académico, aproveitando quasi toda a obra que já se achava realizada; e com que tem dirigido superiormente os trabalhos de construção do mesmo edifício.
… Silva Pinto, ao longo dos anos que permaneceu em Coimbra não se desligou do quotidiano. Relacionado com a vida artística, pois, para além da sua actividade profissional esteve intimamente ligado com a Escola Livre das Artes do Desenho, com Mestre Gonçalves, com o Dr. Joaquim Martins Teixeira de Carvalho, mais conhecido por Quim Martins, e ainda com os numerosos artistas saídos desses dois alfobres que foram as escolas da Torre de Almedina e a Brotero, andou também de braço dado com a política.
Pertenceu ao executivo municipal, exerceu o cargo de Governador Civil Substituto e, mais tarde, por discordar do sistema vigente instaurado após 1928, conheceu mesmo as agruras da prisão. Republicano convicto acabou por ser preso a 6 de Maio de 1930 e, embora libertado onze dias depois, foi-lhe imposta residência fixa em Tentúgal, até Agosto do mesmo ano.

Anacleto, R. e Policarpo, I.P.L. O arquitecto Silva Pinto e a Universidade de Coimbra, em Universidade(s). História. Memória. Perspectivas, Vol. 2, Congresso História da Universidade. 7.º centenário, Coimbra, 1991, p. 327-346.

 

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por Rodrigues Costa às 10:44

Quinta-feira, 12.07.18

Coimbra: Edifício da Agência do Banco de Portugal 3

Adães Bermudes, em 1907, conhecia bem a arte desenvolvida pelos artistas de Coimbra, sobretudo pelos que se encontravam ligados à Escola Livre das Artes do Desenho (ELAD) fundada em 1897 por Mestre António Augusto Gonçalves; fazia-lhes os mais rasgados elogios e entregava-lhes trabalhos destinados a embelezar os edifícios erguidos sob a sua responsabilidade. Era, por isso, “de esperar que o novo edifício construído num belo local [fosse] ao mesmo tempo que um monumento da mais fina arte, uma prova também das extraordinárias aptidões dos artistas conimbricenses, cujos esforços para levantar a arte industrial portuguesa são conhecidos e vistos com aplauso por todo o país”.

O arquiteto, no projeto que riscou, deixou-se influenciar pela arquitetura tradicional coimbrã que ficou, desde o século XVI, impregnada pelo espírito da renascença, mas, no dizer do articulista do Resistencia é necessário “que se não entregue a obra ás mãos do primeiro sucateiro, e que se faça do novo edifício, colocado no melhor local de Coimbra, obra para honra e não para desdouro dos nossos artistas”. 

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 Fig. 9 - João Machado

 Os responsáveis pela Agência do Banco de Portugal conheciam bem a capacidade e as aptidões dos artistas mondeguinos e, por isso era de esperar que entregassem a empreitada a alguém credenciado.

Das notícias então publicadas em jornais citadinos deduz-se que o alarife encarregado de riscar o edifício da agência do Banco de Portugal “elaborou, ou pretende elaborar o projeto dentro das tradições da arte local, escolhendo para estilo do novo edifício o da Renascença” e o diretor do Resistencia acrescenta na sua folha que, quanto à concretização daquele tipo de decoração apenas João Machado seria capaz de o executar com a qualidade desejada.

Fig. 10 - A Agência do Banco de Portugal em fase

Fig. 10 - A Agência do Banco de Portugal em fase de conclusão

 Os outros cinzeladores da pedra a trabalhar na cidade reagiram desagradados à referência inserta no jornal, pensando, quiçá, que ela representava o eco de palavras proferidas por João Machado ou, dizemos nós, movidos por uma “doença” chamada inveja. Machado, seriamente desgostado, reagiu enviando uma carta ao periódico onde referia que “quando soube que um colega [seu], depois de ter conhecimento de que f[ora] convidado para executar esse trabalho” contactou os diretores do Banco, oferecendo os seus serviços, declarara que jamais se encarregaria de tal trabalho. E se bem o disse, fielmente o cumpriu, apesar do dr. Quim Martins em posterior edição afirmar que “se o sr. João Machado abandona a obra, o sr. João Machado falta à consideração que deve a quem justamente lhe aquilata o valor” e que o artista “não tem só a contar consigo, tem de contar também com a cidade que lhe festeja o talento que o enobrece”.

O artista manteve-se irredutível e o trabalho de cantaria acabou por ser entregue a Francisco António dos Santos, Filho, “canteiro que vem conseguindo créditos de artista em várias obras a seu cargo”.

Como normalmente acontece, o prazo estipulado para a construção do edifício sofreu uma derrapagem, até porque quando se começaram a abrir os alicerces as obras tiveram de parar, a fim de ser resolvido o problema originado pela existência de um vasto lençol de água que se torno necessário drenar.

Finalmente, com a presença de Adães Bermudes, a 24 de outubro de 1912 foi feita a entrega do novo edifício da Agência do Banco de Portugal, inaugurada a 1 de novembro desse mesmo ano.

Fig. 11 - A Agência do Banco de Portugal já conc

 Fig. 11 - A Agência do Banco de Portugal já concluída

 No dia da inauguração os diretores da nova agência, Manuel Inácio Palhoto e Henrique Ferreira acompanharam a direção do Gazeta de Coimbra numa visita às instalações e estes “fica[ram] perfeitamente impressionados com as comodidades e o bom gosto ali reunidos, transpirando em todas as suas dependências um tom de modernismo que muito [lhes] agrad[ou]”.

Neste contexto, os visitantes cumprimentavam “os ilustres agentes desta nova agência” ao mesmo tempo que felicitavam “o público de Coimbra pelo excelente edifício agora inaugurado e que vem imprimir à cidade uma nota caraterística do seu progresso e desenvolvimento”.

Fig. 12 - Selo do Banco de Portugal. 1846. Desenho

 Fig. 12 - Selo do Banco de Portugal. 1846. Desenho de Domingos António de Sequeira

 

ORIENTAÇÃO BIBLIOGRÁFICA

 

OBRAS DE CONSULTA

OBRAS DE CONSULTA

DAMÁSIO, Diogo Filipe Monteiro, Arquitetura do Banco de Portugal. Evolução dos projetos para a sede, filial e agências do Banco de Portugal (1846-1955), Coimbra, 2013. [Policopiado]

http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2011/11/banco-de-portugal-em-coimbra.htmll

https://pt.wikipedia.org/wiki/Banco_de_Portugal

https://www.bportugal.pt/page/historia

Relatorio do Conselho de Administração do Banco de Portugal. Gerencia do anno de 1905. Balanço, documentos e parecer do Conselho Fiscal, Lisboa, Imprensa Nacional, 1906, p. 21.

 https://www.bportugal.pt/sites/default/files/anexos/pdf-boletim/relatorioca1905.pdf.

 

PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS

Architectura Portugueza (A), 4, Ano VI, Lisboa, 1913.04.00.

Gazeta de Coimbra, Coimbra, 1912.10.26; 1912.11.02.

Jornal de Coimbra, Coimbra, 1911.08.05; 1912.01.31; 1912.10.30.

Defeza, Coimbra, 1910.03.25.

Noticias de Coimbra, Coimbra, 1908.01.18; 1909.10.02.

Construcção Moderna (A), 273, Ano IX, n.º 9, Lisboa, 1908.10.10.

Resistencia, Coimbra, 1903.05.03; 1906,07,01; 1907.07.02; 1907.08.25; 1907.09.20; 1907.10.03; 1907.10.06; 1908.11.15.

Conimbricense (O), Coimbra, 1906.07.05.

Tribuno Popular (O), 4893; 5211, 6907, Coimbra, 1903.05.06; 1906.06.30; 1907.06.08

 

 

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por Rodrigues Costa às 09:12

Quarta-feira, 26.04.17

Coimbra e as suas Personalidades: José Barata

De seu nome completo José dos Santos Sousa Barata, foi sócio fundador e um dos primeiros e dos mais ilustres alunos da Escola Livre das Artes do Desenho fundada em 1878 por António Augusto Gonçalves de quem foi um discípulo dileto.

Joaquim Martins Teixeira de Carvalho refere ainda que foi aluno da Escola Brotero e discípulo de João Machado.

Na Exposição de 1884, expõe um busto da Vénus de Milo, estudo feito em pedra de Outil, obra que foi premiada.

A primeira grande obra conhecida em que participou data de 1886 e foi a casa neomanuelina da Rua do Corpo de Deus.

A partir de 1897 colabora na obra do que é hoje o Palace Hotel do Buçaco, sendo referido em O Conimbricense, de 8 de Julho de 1899 como um dos artistas que mais se têm distinguido pela mestria e perfeição com que têem executado delicadissimos lavores em pedra.

Em 1898, em parceria com João Machado e sob a batuta de António Augusto Gonçalves, interveio no restauro do pórtico principal da Sé Velha.

Em 1904, Joaquim Martins Teixeira de Carvalho refere-o como um dos artistas conimbricenses que trabalha nas obras do Palácio da Regaleira, em Sintra, afirmando, que lavra como nenhum outro artista portugues, em estilo manuelino

Em 1916 esculpiu a fonte do palacete Garcia (hoje Vila Marini).

José Barata. Palacete Garcia. Fonte  cor.TIF

Fonte do Palacete Garcia

 Em 1927 concluiu a magnifica pia batismal da igreja de Santo António dos Olivais.

José Barata. Ig. S. Anto. Olivais. Pia baptismal

 Pia batismal da igreja de Santo António dos Olivais

 No Despertar de 26 de Fevereiro de 1930 é referido numa nota necrológica: Decorador distinto do manuelino, tendo também executado diversas esculturas, deixou espalhada pelo país (Buçaco, Sintra, etc.) obras admiráveis de beleza e elegância. A pia batismal da paróquia de Santo António dos Olivais, a ornamentação de um prédio na Rua Alexandre Herculano e um jazigo em manuelino foram as suas últimas obras, revelando nelas o seu talento de artista, José Barata, pode também dizer-se, foi quem melhor interpretou o estilo manuelino.

Nota: Esta entrada só foi possível pela investigação e disponibilidade da Senhora Professora Doutora Regina Anacleto que, para a mesma, me cedeu as fotografias e as suas fichas referentes a José Barata.

O meu profundo agradecimento.

 

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por Rodrigues Costa às 22:02


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