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A' Cerca de Coimbra


Quarta-feira, 16.08.17

Coimbra: O Senhor da Serra 2

António Augusto Gonçalves, que fora, como se referiu, o responsável pelas hospedarias e que trabalhava com o prelado na intervenção da Sé Velha, incumbiu-se de projetar a nova fábrica eclesial.

Hospedaria.jpg

Senhor da Serra. Hospedarias

 A construção do templo, que se processou em duas fases, iniciou-se em 1900 ... Quatro anos depois (Agosto de 1904), a nave e o campanário já se encontravam concluídos. O antigo templo setecentista permaneceu no meio da nave e só quando esta se finalizou é que o demoliram ... em 1907, Gonçalves desloca-se ao Senhor da Serra, a fim de, in loco, observar a obra que se andava a fazer; tratava-se da conclusão da capela-mor e dos anexos.

... Caracterizar estilisticamente a igreja que se ergueu nos primeiros anos de Novecentos no Senhor da Serra, torna-se tarefa difícil, direi mesmo quase impossível, porque ela não apresenta unidade. Mas, quem melhor a descreveu foi o seu autor quando disse que “não houve nunca o propósito de construir uma Capela que fosse escrava dum estilo. Teve-se apenas em vista uma construção agradável. Quem olhar para o esguio da torre supor-se-á em frente dum gótico flamejante; quem examinar os capitéis e cachorros julgar-se-á em frente duma construção românica. O forro do corpo da capela é dum certo sabor românico mas já o da capela-mor, apainelado como é, parece do século XVII”.

Vista aérea 02 a.jpg

 Capela do Divino Senhor da Serra

Construiu-se a capela, mas estava despida, nua e fria: sem mobiliário. Ornamentá-la e inserir-lhe retábulos tornava-se imperioso. Em Coimbra procedia-se, na altura, à demolição da igreja da Misericórdia velha ... Os dois retábulos laterais existentes no templo deixaram de ter serventia, ficaram desativados, acabando por ser comprados para o Senhor da Serra ... Um dos retábulos ficou povoado com o seu orago, o Cristo Redentor, mas para o outro, João Machado, “que tantas e tão repetidas vezes tem assinalado o prestígio da escola coimbrã com produções geniais e de verdadeiro triunfo para o seu conceituado nome” esculpiu uma imagem da Senhora da Piedade ... na abside faltava o retábulo-mor. Mais uma vez, António Augusto Gonçalves é o responsável pelo projeto e, em 1908, durante o tempo em que decorreu a romaria (Agosto), o esboço aguarelado esteve exposto, a fim de ser ratificado por todos quantos passavam pelo Senhor da Serra.

... Lateralmente, em dois nichos de maior envergadura, aparecem, cada um por banda, S. Pedro e S. Paulo que se encontram, respetivamente, ladeados por uns outros menores povoados por Santo Agostinho e São Jerónimo e por Santo Ambrósio e São Gregório Magno.

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Capela do Divino Senhor da Serra. Retábulo-mor

 ... No novo templo, a erguer-se lá no píncaro da serra, havia que tentar imitar os tempos de outrora; por isso, nas oficinas da Escola Brotero, o químico Charles Lepierre, então professor naquele estabelecimento de ensino, tentava produzir, com os seus alunos, as vidraças brilhantes capazes de tornar intimista a igreja e de lhe conferir espiritualidade. Deparam-se com inúmeros problemas impeditivos de concretizar a empresa, mas, mesmo assim, ainda colocam nas ventanas os vitrais que representam os quatro evangelistas e no óculo o do “Divino Salvador”.

... As oficinas da Brotero, relativamente à igreja do Divino Senhor da Serra, funcionaram como verdadeiros laboratórios, pois também foi aí, nas de cerâmica, que António Augusto Gonçalves deu corpo ao lambril de azulejos que reveste a nave, historiados com a vida de Cristo. Parece-me poder deduzir, através da consulta do seu acervo e da da imprensa local, que eles foram assentes em duas etapas. A primeira, e mais vasta, decorreu até cerca de 1913 e a segunda, em 1919-1920.

E penso assim, porque na Gazeta de Coimbra se pode ler: “com destino à capela do Senhor da Serra acabam de sair das oficinas de cerâmica da Brotero dois belos paneaux representando os quadros “Ecce Homo” e “Flagelato pro nobis” cujo desenho se deve ao notável artista conimbricense António Augusto Gonçalves. É mais uma produção que honra sobremaneira as oficinas da Escola Brotero e também a arte coimbrã”.

Anacleto, R. 2011.  O Senhor da Serra: arte e património, In: Santuário do Divino Senhor da Serra de Semide. História, devoção e espiritualidade, Semide, Senhor da Serra, p. 9-47.

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por Rodrigues Costa às 09:00

Quarta-feira, 09.03.16

Coimbra: Leopoldo Battistini um pintor italiano que aqui ensinou

A insuficiência de quadros qualificados no país, que respondessem às solicitações, face ao alargamento inusitado de escolas de desenho industrial … a partir de 1888 … está na origem de contratação de professores estrangeiros para lecionar naquelas escolas.
… A Legação Portuguesa em Roma fez publicar o anúncio … Pelo relatório final apresentado pelo júri romano pode concluir-se que as respostas foram imediatas … Cerca de um ano depois, procedia o governo português à contratação de … Leopoldo Battistini … celebração do contrato por cinco anos com o governo português, em 1 de Julho de 1889, para lecionar na Escola Industrial Brotero … À data da vinda para o nosso país, Leopoldo Battistini contava vinte e quatro anos ... Encontra-se em Coimbra na primeira reunião do conselho escolar que teve lugar na Escola Industrial Brotero no dia 22 de Novembro de 1889. Participaram na mesma reunião outros estrangeiros, oriundos da Áustria (Emil Jock e Hans Dickel professores das cadeiras de desenho de máquinas e física e mecânica, o primeiro e de desenho arquitetónico, o segundo) e França (Charles Lepierre … química industrial) … Permaneceriam na Escola de Coimbra … Battistini até Setembro de 1903 … e Lepierre até ao ano de 1911.

… Maria de Portugal … quando pretende encontrar uma justificação … decisão do jovem professor em prolongar a sua estadia, contra todas as previsões, em Portugal – em Coimbra, mais corretamente – introduz um indicador de ordem subjetiva … o artista não contou com o “sortilégio que a terra portuguesa exerce em todos” … Consta apenas que … foi vítima pactuante do sortílego efeito a que não conseguiu ou não quis oferecer resistência e que se deixou embalar pelas saudosas cores da terra e do céu coimbrão.

… Joaquim Leitão quando fala do encontro de Leopoldo Battistini com a cidade mondeguina … fornece duas pistas significativas. A primeira quando relata que … aceitara ir ensinar ali porque lhe tinham dito que a cidade universitária era a Florença portuguesa e a segunda, ao dizer que Quim Martins e Augusto Gonçalves tinham ido mostrar ao pintor a cidade do Mondego, noite fechada.
… O golpe desferido sobre as suas ilusões, que Battistini alimentara … foi tão cruel quanto eficaz porque “nunca até à morte, se varreu do espirito do ilustre italiano” … o choque … derivara do “atraso material da cidade” que nesse tempo “não tinha sequer iluminação que merecesse tal nome” … a memória que o italiano reteve de Coimbra associava-se às imagens da escuridão, de falta de higiene e de rusticidade – denunciadas pelos gatos vadios – e à bizarria dos intelectuais, enfiados em antros em que ele não descortinava qualquer conforto ou sentido estético, a discutir assuntos que lhe escapavam.
… Caracterizadas pela irreverência sempre, as festas estudantis “além de interferirem em linhas e setores de sociabilidade geral, geravam formas peculiares e relativamente autónomas de sociabilidade a vários níveis”: os bailes, as récitas, as baladas, as serenatas e os passeios fluviais, além da festa exclusiva dos quintanistas de Medicina e as intervenções da Academia nos centenários de inspiração cívica e patriótica, que ficaram memoráveis … A sensibilidade de Leopoldo Battistini não lhe conseguiu ficar indiferente à magia telúrica das manifestações públicas aqui sumariadas plenas de força anímica, de pujança e de rusticidade de um povo que ritma o pulsar da vida pelos ciclos da natureza … A vida privada de Battistini pautar-se-á, em breve, pela dos citadinos de Coimbra … Sabe-se que habitou uma casa na Couraça dos Apóstolos … Posteriormente deslocou-se para a rua da Alegria.

Lázaro, A. 2002. Leopoldo Battistini: Realidade e Utopia. Influência de Coimbra no percurso estético e artístico do pintor italiano em Portugal (1889-1936). Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra. Pg. 71 a 75, 91 a 101

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por Rodrigues Costa às 09:12

Quinta-feira, 11.02.16

Coimbra: os grandes incêndios ocorridos no século XX 1

… os sinais de alarme nas torres das igrejas (badaladas), em caso de incêndio, e que eram os seguintes: «Sé Nova, 10 badaladas; Sé Velha, 11; S. Bartolomeu, 12; Santa Cruz, 13; Santa Clara, 14; e Santo António dos Olivais, 15».

- Incêndio na Escola Brotero
… pelas 3.45 horas (12 de Janeiro (de 1917) um violentíssimo incêndio destruiu completamente a Escola Brotero e as instalações da Hidráulica. Não houve mortos. Na Escola Industrial estavam matriculados 442 alunos que vão ficar sem aulas.
… O fogo principiou no arquivo da 2.ª Direção dos Serviços Fluviais e Marítimos e propagou-se rapidamente ao laboratório químico … teve uma extensão de 100 metros, chegando a ameaçar os paços municipais.

- Incêndio na Tabacaria Crespo
… violento incêndio … edifício ficava na Rua Ferreira Borges … hoje Papelaria Cristal.
Na madrugada de 23 de Fevereiro, cerca de 1 hora (23/2/1923) os «toques a incêndio emanaram das torres da cidade e os gritos da população anunciaram a mais negra cena lutuosa, que há memória na cidade» … «O foco incendiário teve origem no 2.º andar (morada dos proprietários e criados). Envoltos em fogo, Eduardo Crespo lançou para a rua um filho de 6 meses, recuperado pelo ’chauffer’ Alberto Baptista (o 1.º que deu pelo sinistro) e Eduardo saltou atrás do filho, estatelou-se no lajedo e morreu 3 horas depois.
… A população tentou retirar e proteger alguns bens … e foi surpreendida pela derrocada dos andares superiores … 14 mortes a lamentar com funerais municipais.

- Incêndio nos Correios
Um pavoroso incêndio acontecido a 2 de Janeiro de 1926 … destruiu completamente a estação telégrafo-postal, bem como os serviços telefónicos que ali estavam instalados … pelas 4 e meia horas da madrugada a torre de Santa Cruz deu sinal de incêndio … As labaredas envoltas em negras nuvens de fumo fundiram vários fios e próximo da Manutenção Militar caíram dois postes, um deles no telhado do mercado do peixe … O rescaldo durou alguns dias.

- Incêndio no Coliseu de Coimbra
… incêndio, em 4 de Abril de 1935, que devorou a praça de touros de Santa Clara, denominada de Coliseu de Coimbra e que fora inaugurada em 26 de Julho de 1925 … «As labaredas atingiram alturas elevadíssimas e espessos rolos de fumo preto elevaram-se no espaço … meia-hora depois do início do incêndio a vasta praça era um braseiro imenso. Ficou apenas de pé a cabine cinematográfica construída em cimento armado … A última tourada que ali se realizou foi em 17 de Julho de 1934. A lotação era de 10.000 pessoas. A arena era a maior de todas as praças do País. Com o desaparecimento do Coliseu perdeu a cidade um magnifico recinto de espetáculos, onde não só se levaram a efeito algumas das mais grandiosas e importantes touradas realizada no País, como grandes festas desportivas, etc., não levando em conta as sessões cinematográficas durante a quadra estival que levaram o público a afluir em massa».

- A tragédia de 6 de Julho de 1938
»… os Bombeiros Municipais que tinham recebido algum material novo quiseram testar o mesmo, incluindo no programa das festas da Rainha Santa um exercício de ataque a fogo real.
Ergueu-se para o efeito, na Praça da República, uma casa-esqueleto de 17 metros de altura, cujos três andares foram ocupados por 13 jovens que se faziam passar por inquilinos.
O guião do exercício consistia em deitar fogo ao prédio e recolher, sãos e salvos, os seus moradores.
A partir de um monte de lenha e de estopa embebida em gasolina e do riscar de um fósforo foi fácil criar o incêndio. Dominá-lo é que se tornou impossível.
… Alguns, já feitos tochas humanas, atiraram-se de 17 metros de altura, morrendo ao embater no solo. Outros, sem coragem para tal gesto, pereceram carbonizados.
Salvou-se, apenas um por não ter sofrido ainda queimaduras saltou em último lugar. A lona estava, nessa altura, suficientemente tensa para amparar.
… Os funerais das 12 vítimas realizaram-se no dia seguinte para o cemitério da Conchada, com milhares de pessoas incorporadas no cortejo fúnebre.

Nunes, M. 1998. Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Coimbra, Das origens aos nossos dias. (1889-1998). Páginas para a história de Coimbra. Coimbra, Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Coimbra. Pg.44, 48, 61 e 62, 64 a 66, 71, 86 e 87

 

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por Rodrigues Costa às 10:58

Sexta-feira, 23.10.15

Coimbra, as origens da Escola Brotero

No ... ano de 1984, a Escola Brotero de Coimbra, comemora o seu primeiro centenário. Com efeito, foi criada, pelo então Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, António Augusto de Aguiar, como Escola de Desenho Industrial, por Decreto de 3 de Janeiro de 1884, sendo batizada com o nome de «Brotero» por Decreto de 5 de Dezembro desse mesmo ano.
… Por Despacho de 4 de Dezembro de 1884, foi colocado na Escola Brotero, o professor António Augusto Gonçalves, diretor da «Escola Livre das Artes de Desenho» … Para instalação da Escola, a Câmara Municipal de Coimbra … cedeu a antiga Igreja da Trindade … Sendo, porém, necessário fazer obras de adaptação … a Associação dos Artistas de Coimbra, para que a abertura da Escola não fosse adiada, ofereceu uma sala de que, desde 1866, dispunha no mosteiro de Santa Cruz – o antigo refeitório. Aí abriu a Escola Brotero, em 20 de Fevereiro de 1885, lá se mantendo, em condições precárias, até Dezembro de 1887.
… O material didático … foi obtido, em parte, na Alemanha, na Inglaterra e na França e, em parte, no nosso País. Tendo o da Escola Brotero vindo da Alemanha … O ensino do desenho divide-se em elementar e industrial; o primeiro é diurno e o segundo é noturno … As aulas abriram efetivamente em 20 de Fevereiro de 1885, estando matriculados 84 alunos (81 do sexo masculino e 3 do sexo feminino … Em poucos dias, mantendo-se embora estacionário o número de alunos do sexo feminino, esse número subiu para 152. Esse alunos, cujas idades oscilavam entre os 6 e os 40 anos, ou se distribuíam por um leque bastante amplo de profissões – alfaiates, barbeiros, canteiros, carpinteiros, fabricantes de doce, fundidores, latoeiros, marceneiros, oleiros, ourives, pedreiros, pintores, tipógrafos.
… No começo do ano letivo de 1886-1887, em Dezembro, a Escola Brotero deixou de funcionar na sala da Associação dos Artistas e passou … no corredor por cima do antigo refeitório. Nesse corredor, ladeado de celas, foram feitas obras de adaptação, que consistiram fundamentalmente em unir as celas de um dos lados corredor para formar uma sala grande.
… Emídio Júlio Navarro, então, Ministro das Obras Públicas, por Decreto de 10 de Janeiro de 1889, transforma a Escola de Desenho Industrial de Coimbra em Escola Industrial «destinada a ministrar o ensino teórico e prático apropriado às indústrias predominantes na mesma cidade» … Em 4 de Janeiro de 1890 começou a funcionar como Escola Industrial … em 15 de Maio de 1889, o italiano Leopoldo Battistini foi nomeado professor de «Desenho ornamental» e o austríaco Emil Jack, professor de «Desenho de máquinas» … o austríaco Hans Dickel … professor de «Desenho arquitetónico» … o francês Charles Lepierre … professor de «Química industrial» … Albino Augusto Manique de Melo … professor de «Aritmética e geometria elementar» e Eugénio de Castro e Almeida … professor de «Língua francesa».
… A Câmara Municipal cedeu à Escola, nesse ano letivo (de 1890-1891) «a parte baixa do antigo cerco do noviciado do convento de Santa Cruz”.
Durante o ano letivo de 1890-1891, foram feitas obras «na parte inferior dos edifícios que bordam o jardim da Manga, a fim de adaptar esta parte do edifício ao estabelecimento de oficinas de serralharia, carpintaria e marcenaria, de modelação e cerâmica, com que vai ser dotada aquela escola, bem como para melhorar as instalações da oficina de gravura e ornamentação de metais que este ano já funcionou».

Gomes, J. F. Apontamento para o estudo das origens da Escola Brotero de Coimbra. In 1.º Centenário da Exposição Distrital de 1884. Coimbra. Simpósio. 30 de Junho e 1 de Julho de 1984. Coimbra, Edição do Secretariado das Comemorações, p. 30 a 41

 

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por Rodrigues Costa às 22:38

Terça-feira, 30.06.15

Coimbra e João Machado

João Machado nasceu em Coimbra, no seio de uma família de operários. Muito novo começou a trabalhar com seu pai, que possuía uma pequena oficina … que tinha uma natural inclinação para as Belas Artes … nomeadamente a modelagem e a escultura em madeira. Não terá sido pois, por mero acaso, que a primeira obra de João Machado premiada numa exposição foi um «Cristo» em bucho.
Em 1879, tentando aperfeiçoar a sua incipiente técnica, inscreve-se na Associação dos Artistas … mas logo no ano seguinte, com a fundação da Escola Livre, para aí se transfere, começando a receber orientação de Mestre Gonçalves.
Produz em seguida obras dos mais variados tipos, passando pela pintura, pela talha e pela modelação em barro e em gesso, e pouco a pouco começa a ver os seus méritos reconhecidos pelo público.

Definitivamente estabelecido como canteiro decorador, João Machado, viu aumentar o número das suas encomendas … levaram-no a ser contratado para as obras do Palácio do Buçaco … Em 1893, quando se inicia o restauro da Sé Velha é convidado também a colaborar nesta obra.

À sua oficina, no n.º 23 da Rua da Sofia acolhiam-se então alguns jovens artificies que eram industriados na arte de talhar a pedra … Revivia-se assim o tipo de trabalho coletivo tão típico da cidade do Mondego no século XVI.

Em 1907 foi contratado para lecionar … na Escola Brotero de Coimbra

A obra-mestra de João Machado é … o conjunto de dois altares do cruzeiro da Igreja de Santa Cruz, dedicados a Nossa Senhora e executados entre 1906 e 1910.
O do lado direito dos visitantes foi o primeiro a ser terminado … Como o seu par é de pedra de Ançã e eleva-se a seis metros de altura.

De características diferentes é o busto da «República» que hoje se pode ver na escadaria do edifício do Município Coimbrão. Aqui a «República» é a jovem real, serena e confiante, de lábios entreabertos a deixar perceber um leve sorriso, mas simultaneamente grave, como que prevendo as muitas contrariedades que teria de enfrentar ao longo da vida.

É nesta atividade de materializar na dura pedra os seus sentimentos … que Machado de mostra verdadeiramente e inegável artista, um artista que nos legou uma obra notável.

Dias, P. 1975. João Machado. Um Artista de Coimbra. Edição do Autor, pg.13, 15 a 17, 22, 26, 31

 

 

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por Rodrigues Costa às 19:05


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