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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 17.12.20

Coimbra: EnCantada Coimbra. Colectânea de Poesia sobre Coimbra 5

José Régio

 

José Régio.jpg

Acedido em: https://www.bing.com/images/search?q=jos%c3%a9+r%c3%a9gio&qpvt=jos%c3%a9+r%c3%a9gio&FORM=IGRE

 

Ai sombras da Torre de Anto.jpg

Ai sombras da Torre de Anto

 

BALADA DE COIMBRA

 

- Do Pendo da Saudade;

Lancei os olhos além,

Meu sonho de eternidade

Com saudade rima bem …

 

Ai sombras da Torre de Anto,

Do Convento de além rio,

Dos muros brancos do Pio

De Santo António a cismar,

Que é de outras sombras que à tarde

Convosco se confundiam,

E ao ar os braços erguiam,

E as mãos abriam no ar …?!

 

(Sem saber para onde iam,

Aonde iriam parar?)

 

- Penha da Meditação …

Silêncio que paira em tudo

A terra e o dão a mão

Num longo colóquio mudo…

 

XXX

 

Manuel Alegre

 

Manuel Alegre.png

Acedido em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Alegre

 

Todos os dias sob os Arcos.jpg

Todos os dias sob os Arcos do Jardim

 

 

ARCOS DO JARDIM

 

Todos os dias sob os Arcos do Jardim

Todos os dias eu passava e nunca via

 

senão arcos e arcos entre o não e o sim

senão arcos e ogivas de melancolia.

 

Eram arcos no ritmo e na palavra

por dentro da sintaxe e em cada imagem.

 

Todos os dias sob os Arcos eu passava

todos os dias para a outra margem.

 

Eram arcos na rima e não havia

senão arcos grades e arquitraves.

 

Mas eu passava sob os Arcos e partia

todos os dias eu partia com as aves.

 

Encantada Coimbra. Colectânea de Poesia sobre Coimbra. Organização e Nota Prévia de Adosinda Providência Torgal, Madalena Torgal Ferreira. 2003. Lisboa, Publicações Dom Quixote. Pg. 37, 94

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por Rodrigues Costa às 15:33

Terça-feira, 15.12.20

Coimbra: EnCantada Coimbra. Colectânea de Poesia sobre Coimbra 4

Fernando Assis Pacheco

Olivais. R. Capitão Luís Gonzaga 2 (2).jpgAcedido em: http://www.citador.pt/poemas/a/fernando-assis-pacheco

eu vivia num lento bairro da periferia a.JPG

eu vivia num lento bairro da periferia
onde a chuva apagava os passos


LOUVOR DO BAIRRO DOS OLIVAIS

Não tive nunca nada a ver com as
guitarras estudantes: eu vivia
num lento bairro da periferia
onde a chuva apagava os passos das

pessoas de regresso as suas casas
fazia compras na mercearia
e algum livro mais forte que então lia
já era para mim como um par d’asas

amigos vinham ver-me que eu servia
de ponche ou de Madeira malvasia
para soltar as línguas livremente

um que bramava um outro que dormia
eu abria a janela e só dizia
ao menos estas ruas têm gente

XXX

Alberto de Oliveira

Alberto de Oliveira.jpgAcedido em: https://www.bing.com/images/search?q=alberto+de+oliveira&id=60600D43006A6B62507E0F9E9E411134D80CA9A2&FORM=IQFRBA 

 

Chama por nós o sino diligente.jpgChama por nós o sino diligente. Foto Maluisbe

O SINO DA UNIVERSIDADE

Chama por nós o sino diligente,
Todos os quartos de hora, com voz clara,
E distribui-nos paulatinamente
A moeda do tempo, antiga e rara.

Da torre de vigia permanentemente
De onde vela por nós e nos ampara,
O sino diz: - Ó perdulária gente,
O tempo voa, voa, voa, mas não para!

Dai mais lento compasso à vossa vida,
Não a desperdiceis nem deiteis fora,
Não se torna a ganhar a hora perdida!

Assim repete, em sua voz sonora,
À nossa mocidade distraída,
O velho sino, cada quarto de hora…

Encantada Coimbra. Colectânea de Poesia sobre Coimbra. Organização e Nota Prévia de Adosinda Providência Torgal, Madalena Torgal Ferreira. 2003. Lisboa, Publicações Dom Quixote. Pg. 111, 182.

 

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por Rodrigues Costa às 18:19

Quinta-feira, 10.12.20

Coimbra: EnCantada Coimbra. Coletânea de Poesia sobre Coimbra 3

José Viale Moutinho

José Viale Moutinho.jpgAcedido em: https://www.wook.pt/autor/jose-viale-moutinho/3029

eis o declive do beco da anarda.JPGeis o declive do beco da anarda

 BECO DA ANARDA

 como se tratasse de encontrar

a torre de anto ou o poetísico

na palavra azeda daquele meu

amigo na esplanada do «tropical»

 

eis o declive do beco da anarda

desde casais novos que o não via

à beira da estrada janela aberta

a tudo quanto quero esquecer

 

por isso no beco da anarda sou

 primeiro a dizer «ai do lusíada»

ó torre de anto ó António nobre

é alberto de oliveira ó beco oh

XXX

Alberto de Oliveira

 

Alberto de Oliveira.jpgAcedido em: https://www.infoescola.com/escritores/alberto-de-oliveira/

Na avenida cismática e sozinha.JPGNa avenida cismática e sozinha.

 PELO JARDIM BOTÂNICO

Pelo Jardim Botânico, à tardinha…

É a hora ritual do sol poente,

Quando as tílias rescendem docemente

Na avenida cismática e sozinha.

 

Quisera ver raiar na minha frente

Alguma namorada «Teresinha»,

Cruzar no dela o meu olhar ardente,

Ter enlaçado a sua mão na minha …

 

Amam em cada ninho as toutinegras,

Chamejam, ao passar, as capas negras,

Como se a luz do amor as penetrara…

 

Tange um sino suave no convento…

E o sol exausto, em seu ocaso lento,

Acaba de morrer em Santa Clara.

 

Encantada Coimbra. Colectânea de Poesia sobre Coimbra. Organização e Nota Prévia de Adosinda Providência Torgal, Madalena Torgal Ferreira. 2003. Lisboa, Publicações Dom Quixote. Pg. 85, 91.

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por Rodrigues Costa às 12:16

Terça-feira, 08.12.20

Coimbra: EnCantada Coimbra. Coletânea de Poesia sobre Coimbra 2

Eugénio de Castro

 

Eugenio de castro.jpg

Acedido em: https://www.ebiografia.com/eugenio_de_castro/

Dominando o Mondego e seus salgueiros.JPGDominando o Mondego e seus salgueiros

 

PALÁCIOS CONFUSOS

Na minha doce Coimbra, a sul virado,

Dominando o Mondego e seus salgueiros,

Há um bairro de humildes pardieiros.

Que «Palácios Confusos» é chamado.

 

Tão belo nome evoca no passado

Rica chusma de paços altaneiros

Com torres, grimpas, varandins ligeiros

E flâmulas a arder no céu lavado.

 

O tempo voado, que tudo come,

De tais riquezas só poupou o nome;

Tudo ali hoje é pobre, velho e estreito,

 

Sem um vislumbre do esplendor extinto!

Ó «Palácios Confusos», também sinto

Uns «palácios confusos» no meu peito!

 

XXX

 

Luz Videira

(Nota: não foi possível encontrar uma fotografia da poetisa)

As portas e janelas trabalhadas.jpg

As portas e janelas trabalhadas

PALÁCIO DE SUB-RIPAS

Mino-lhe o porte nobre,

As portas e janelas trabalhadas,

Os relevos de fino lavor.

Vejo, porém, sem ver

Oiço um grito de dor

Ecoando no tempo.

Por inveja, ciúme

E sinistros interesses

Maria Teles acaba de morrer.

 

Encantada Coimbra. Colectânea de Poesia sobre Coimbra. Organização e Nota Prévia de Adosinda Providência Torgal, Madalena Torgal Ferreira. 2003. Lisboa, Publicações Dom Quixote. Pg. 79, 84.

 

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por Rodrigues Costa às 17:32

Quinta-feira, 03.12.20

Coimbra: EnCantada Coimbra. Colectânea de Poesia sobre Coimbra 1

Coimbra é muito bela.

Se fosse preciso comprovar esta afirmação, uma das maneiras possíveis seria a leitura do livro EnCantada Coimbra. Colectânea de Poesia sobre Coimbra, editada em 2003, no âmbito da Coimbra 2003. Capital Nacional da Cultura, numa organização de Adosinda Providência Torgal e Madalena Torgal Ferreira.

Na altura da sua publicação, enredado que andava nas minhas idas e vindas profissionais entre Lisboa e Coimbra, não me apercebi da sua publicação.

Só agora que se aproxima um Natal, triste e necessariamente diferente, aqui fica uma sugestão de prenda natalícia para todos os que amam a nossa Cidade.

Dos textos publicados selecionei alguns que, no meu gosto pessoal, me pareceram mais significativos.

Aqui ficam na esperança que despertem os Conimbricenses para a leitura desta obra.

 

XXX

 

Miguel Torga

Miguel Torga.jpg

Acedida em: https://www.bing.com/images/search?q=miguel+torga&qpvt=miguel+torga&FORM=IQFRML

Rio com lavadeiras.jpg

O Mondego secou

ESTIAGEM LÍRICA

O Mondego secou.

Outro Camões agora que viesse,

Tinha apenas areia

Com que apagar a tinta da epopeia

Que escrevesse.

 

Pobre da linda Inês já sem ervinhas

Onde pastar a lírica saudade!

Tão verdade

É morrer neste mundo a própria morte…

Nem ao menos a água que bebia!

Vejam que negros fados

Da Poesia

E da sorte …

XXX

 

João José Cochofel 

João José Cochofel.jpg

Acedido em: https://www.lusofoniapoetica.com/poetas-de-portugal/joao-jose-cochofel.html

Não me venham dizer que os choupos.jpg

Não me venham dizer que os choupos despidos lembram mágoas

 CAMPOS DE COIMBRA

Não me venham dizer

que os choupos despidos lembram mágoas,

se o sol os veste, solitários e altivos,

erguidos sobre ás águas.

 

Longe vêm vindo os barqueiros,

metidos no rio até às virilhas,

 

Nas ínsuas correm em liberdade os potros,

embora mais tarde vão pelas estradas,

seus flancos cingidos pelas cilhas.

Encantada Coimbra. Colectânea de Poesia sobre Coimbra. Organização e Nota Prévia de Adosinda Providência Torgal, Madalena Torgal Ferreira. 2003. Lisboa, Publicações Dom Quixote. Pg. 51,52.

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por Rodrigues Costa às 10:39


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