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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 12.04.18

Coimbra: Café Santa Cruz, um café com muita história 1

No ângulo resultante da junção do Largo de Sanção com a rua das Figueirinhas, paralelamente à fachada da igreja do complexo monástico de Santa Cruz, foi erguida, por volta de 1530 a igreja de S. João de Santa Cruz.

Os monges agostinhos mandaram construir este templo, porque a capela do já não ativo Convento das Donas, situado no lado esquerdo da igreja de Santa Cruz, ou seja, dentro do perímetro espacial atualmente ocupado pelo edifício da Câmara Municipal de Coimbra, além de ser demasiado pequena para servir a paróquia do isento, encontrava-se mal-enquadrada, pois erguia-se entre dois edifícios de maiores dimensões.

Café de Santa Cruz. Antes x.jpgIgreja de S. João de Santa Cruz a ser utilizada para fins comerciais

Os frades encarregaram a sua feitura, como o estilo indica, a mestre Diogo de Castilho, bem seu conhecido por ter sido um dos responsáveis pela maior parte das alterações arquitetónicas do conjunto monástico levadas a cabo na época de D. João III.

Depois da publicação do decreto que suprimia as ordens religiosas, as conhecidas Leis da Desamortização, a paróquia passou a ocupar a igreja monacal, isto é, a igreja de Santa Cruz, e o templo onde se encontrava sediada a paróquia de São Joanina deixou de servir o fim para que fora construído.

A partir desse momento e até ter sido adaptado a café o espaço foi utilizado para várias finalidades e passou por esquadra de polícia, por estação de bombeiros, por estabelecimento de canalizações, por agência funerária, por casa de mobílias, por tasca e, até, por casa de habitação.

Reconvertido em Café-Restaurante entre os anos de 1921 e de 1923, o lugar manteve as suas principais características estruturais, nomeadamente a configuração da planta.

Café de Santa Cruz. Planta 02 x.jpgPlanta da Igreja de S. João de Santa Cruz

O plano apresenta a forma longitudinal, com nave retangular e capela-mor quadrangular. A primeira área mostra, a cobri-la, uma abóbada repartida por dois tramos com arcos cruzados e terceletes curvos, desenhando um quadrifólio.

Café Santa Cruz. Nave. Abóbada 02 x.jpgNave do edifício e abóbada da cobertura

 Remata a capela-mor uma abóbada estrelada, com nervura anelar que une os rosetões de ligação dos terceletes com as cadenas.

Café Santa Cruz. Capela-mor 01a x.jpg

Abóbada da capela-mor

 Nota – Nas três entradas que iremos publicar sobe este tema seguiu-se, em parte, o texto abaixo referido. No entanto, é de sublinhar que o mesmo foi enriquecido por outras fontes e diversas sugestões que nos foram feitas.

 

Alemão, G.C. 2004. Uma polémica acesa – o nascimento do Café de Santa Cruz. Trabalho apresentado no Seminário da Licenciatura em História da Arte, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (policopiado)

Academia (A), 12, Coimbra, 1923.05.20.

Despertar (O), 460; 469; 631 e 743, Coimbra, 1921.09.03; 1921.10.05; 1923.05.16 e 1924.06.21.

Gazeta de Coimbra, 1204; 1235; 1384; 1390 e 1445, Coimbra, 1921.09.13; 1921.11.26; 1922.11.30; 1922.12.14 e 1923.05.08.

Noticia (A), 79; 97; 98; 101 e 168, Coimbra, 1921.10.05; 1921.12.10; 1921.12.14; 1921.12.24 e 1923.05.24.

Restauração, 4; 23; 27; 30 e 34, Coimbra, 1921.07.07; 1921.11.22; 1921.12.24; 1922.01.19 e 1922.02.18.

 

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por Rodrigues Costa às 10:20

Segunda-feira, 19.12.16

Coimbra: Mosteiro de Santa Cruz construção e reconstruções

1131, 28 de Junho – Colocação da primeira pedra do Mosteiro de Santa Cruz “o nascimento visível da comunidade sediada na zona dos Banhos Régios, a pouca distância da muralha norte de Coimbra”.

1150 (cerca de) – Ano provável da conclusão do templo, bem como da parte conventual

... subsistem alguns vestígios arquitetónicos da notável igreja românica, que se pode conhecer e reconstruir através de restos construtivos e decorativos de valor excecional, porque realçam um saber qualificado, verdadeiramente responsável pela solidez das estruturas ainda visíveis, levantadas sob orientação técnica do mestre Roberto, coadjuvado de canteiros peninsulares ... a nave, de grandes proporções e com abóbada de berço, seguia da capela-mor até próximo do coro superior, a que correspondem os dois tramos dos atuais abobadamentos. Nos flancos, possuía três capelas laterias, em pleno coincidentes com as presentes e que mutuamente se ligavam por grandes arcos, perspetivando naves colaterais, cujos eixos eram perpendiculares ao da principal. Um átrio, repartido de três estreitas naves perpendiculares e cortadas de três outras transversais, abria na direção da nave central.

 1500 (ao longo do século) - ... nos inícios de Quinhentos, começaram as obras do conjunto monumental, repartidas em três fases: a de dom Pedro Gavião que, sob a direção de Boytac, mandou desmanchar o nártex, as abóbadas, fez os atuais abobadamentos e janelas elevadas, a casa capitular, a capela das Donas, a sacristia manuelina; a do Venturoso (D. Manuel I) que, na supervisão de Marcos Pires, estabeleceu terminar os coroamentos da memorável igreja, bem como reconstruir o claustro do silêncio; por fim a de Dom João III, na qual Diogo de Castilho, com Nicolau Chanterene, levantaram o novo portal de pedra branca, na fachada românica

... Repentinamente, tudo desaparecia das interessantes estruturas medievais. Em presença daquelas intensas devastações, o pequeno mosteiro das Donas extinguia-se, ficando livres esses espaços, antes ocupados; o prolongamento das novas alas possibilitaram o claustro da Manga; também um grande refeitório, com anexos e cozinha, ficava circundado dos imprescindíveis apoios e serviços; enfermaria, dormitórios dos cónegos, dos noviços, repartições civis e portaria – com um outro claustro restrito.

Dias, P. e Coutinho, J.E.R. 2003. Memórias de Santa Cruz. Coimbra, Câmara Municipal. Pg. 22, 54, 59 e 61 a 62

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por Rodrigues Costa às 09:37

Sábado, 16.05.15

Coimbra, os colégios universitários

Tipo Renascença Coimbrã
O tipo de claustro adotado para os colégios de Coimbra é o que mais se liga à tradição anterior do gótico final e manuelino. … Seria … Diogo de Castilho quem viria a dar o maior contributo para a definição desta tipologia de claustros, através da introdução de abóbadas de berço e de uma mais correta utilização das ordens clássicas. Em 1543 projeta em Coimbra o claustro do colégio de Nossa Senhora da Graça, com três tramos de arcada geminada em cada ala, separados por contrafortes. Este esquema viria a ser repetido e melhorado até ao final da sua vida em 1574, nos colégios de S. Tomás, em 1547, das Artes em 1548 e de S. Jerónimo, em 1565.
… só no final do século se viria a firmar definitivamente a modernidade … onde as arcadas comungam já deste espirito inovador do Renascimento … com o do colégio do Carmo de Coimbra, construído em 1600.

Borges, N.C., 1998. Arquitetura Monástica Portuguesa na Época Moderna. (Notas de uma Investigação). Separata da Revista Museu, IV Série, n.º 7, pg. 31 a 59, pg. 37

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por Rodrigues Costa às 21:58


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