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A' Cerca de Coimbra


Domingo, 07.06.15

Coimbra, domínio árabe 2

… na vigência do Emirato cordovês … fontes muçulmanas referem um certo Abu I-Fath al-Sadfuri, asceta de origem berbere, cuja tribo se estabelecera no ocidente de al-Andalus e que se dedicava a fazer a guerra santa na região de Coimbra. Que a cidade persistia indómita, face ao poder omíada, prova-o a punição levada a efeito, c. 794/795, por Abd al-Malik b. Mughit, reportada também pelos textos árabes, segundo os quais de regresso de uma expedição à Galiza, contra Afonso II, este invadira a urbe, pondo-a a ferro e fogo, matando os homens e apresando as mulheres e crianças, desse modo demonstrando afinal, que, por ora ao menos, não era esta ainda absolutamente inexpugnável …

A pacificação do vasto território, o regresso da fronteira ao Douro e, particularmente, a recuperação de Emínio ocorreriam apenas dez anos mais tarde, em 808/809, no quadro de uma nova expedição, comandada pelo príncipe Hisham, filho de al-Hakam I e destinada a reprimir as dissidências levadas a cabo por berberes, árabes e muladis, nas três marcas fronteiriças, superior, média e inferior. É a partir de então, na verdade, que a urbe, referida agora, por vezes, como capital da região noroeste, se integra, embora por pouco tempo, na organização administrativa e militar do Estado omíada, com a nomeação de governadores, documentando-se mesmo a sua utilização, em 825, como plataforma para incursões em território cristão.

Pimentel, A.F. 2005. A Morada da Sabedoria. I. O Paço real de Coimbra. Das Origens ao Estabelecimento da Universidade. Coimbra, Almedina, pg.163 e 164

 

 

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por Rodrigues Costa às 10:41

Sábado, 06.06.15

Coimbra, domínio árabe 1

… pacificamente incorporada na soberania muçulmana a Eminio visigoda, ao que tudo indica através do pacto de capitulação celebrado, em 714, entre Abd-al-Aziz, filho de Muça e comandante do exército invasor e Aidulfo, senhor de Conimbriga e membro da derrotada família real visigótica, cujos domínios se estendia, parece até ao Tejo … gozaria a cidade por via disso, a troco do pagamento de um tributo e da aceitação da presença de uma guarnição militar, de uma extensa autonomia que terá provocado mais continuidades que ruturas em relação à antiga situação. Integrada, durante o chamado período dos governadores … na província de Mérida, seria depois englobada na marca inferior, no âmbito da nova divisão administrativa.

essa situação de convivialidade entre credos e etnias, bem como o papel desempenhado por Aidulfo, que testemunha o curioso relato de Coelho Gasco, segundo o qual “aquelle belicoso Rei Mouro Alboacem, filho de Mahabet Ibamar, que reinou prosperamente em Coimbra, inda que bárbaro, Principe clementíssimo, foi o que concedeu por nova Lei, que os Catholicos, que estavam debaixo do seu Senhorio, tivessem Condes para com eles serem governados, conforme seus Institutos, e Fóros. E sendo Rei desta Cidade Marvam Ibenzorach, foi Conde della hum generozo varão, chamado Theodoro, descendente dos Serenissimos Reis Godos, que na Hespanha tiveram Monarquia".

No domínio sarraceno – escreve Pinho Leal -, foi Coimbra governada por emires ou alcaides, até 739. Então sendo alcaide de Coimbra Al-Boacem-Iben-Ahmar (sobrinho de Tarif Aben-Zarca, vencedor do último rei godo D. Rodrigo) se declarou independente do califa. Este novo rei, por política, conservou vários condes e senhores cristãos e alguns conventos, mediante certo tributo.

Pimentel, A.F. 2005. A Morada da Sabedoria. I. O Paço real de Coimbra. Das Origens ao Estabelecimento da Universidade. Coimbra, Almedina, pg.162 e 163

 

 

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por Rodrigues Costa às 20:13

Sábado, 30.05.15

Coimbra árabe, dependência administrativa 1

Uma consideração geográfica do território hoje português, na época árabe, leva-nos à compreensão de um ”Garb al-Aqsâ” do Andaluz, com Silves e Lisboa, e de um “Garb al-Adnâ” com Algeciras, Sevilha e Mérida …. A história fala-nos da província de Ossonóba-Silves, muito ligada a Sevilha, de cidades como Évora, Lisboa e Santarém, intimamente unidas a Mérida-Badajoz, como intimamente unidas a estas se encontraram, durante algum tempo, Coimbra, Lamego e Viseu. E isto, não somente nas épocas de Amirato e do Califado, mas também das Taifas.
A partir do fim das Taifas, a história do Ocidente Extremo do Andaluz sofre uma modificação importante: a fronteira islamo-cristã, antes oscilante entre o Douro e o Mondego, fixa-se no Tejo.
Coimbra, Lamego e Viseu passa aos Cristãos. De resto, esta região nunca tinha sido profundamente islamizada. A influência moçárabe dominara, sempre, aqui.

Domingues, J.D.G. 1971. Aspectos da Cultura Luso-Árabe. Separata das Actas do IV Congresso de Estudos Árabes e Islâmicos pg. 4.

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por Rodrigues Costa às 23:03


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