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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 21.06.16

Coimbra: a Universidade no tempo dos Filipes e na Restauração

E eis que chega o ano de 1580 e, com ele, novo perigo para a Universidade. O que irá acontecer numa instituição que defendeu a independência nacional, por parte do vencedor, Filipe II de Espanha? Se o mal que não tem remédio, remediado está, e se Filipe fora reconhecido como rei de Portugal, não restava outra saída que não a de lhe prestar obediência e entregar-lhe a protetoria. E foi o que se fez. Entretanto, os professores, partidários de D. António, Prior do Crato, sofreram o castigo do afastamento das suas cátedras.

Filipe, o novo rei, prometeu respeitar os privilégios universitários. Mas, por outro lado, o seu favorecimento para com os jesuítas fez com que, de novo, surgissem divergências entre as duas instituições... nem tudo foi mau neste período... foram realizadas obras vultuosas como sejam a construção de dois gerais e uma biblioteca, isto, numa fase em que os Paços Reais... já haviam sido vendidos a esta por Filipe II, em 1597, por 30 mil cruzados.

É também neste ano de 1597 que vem para Coimbra lecionar o célebre Francisco Suárez, o “Doctor Exímius”, um dos maiores teólogos do tempo e que aqui lecionou durante vinte anos.

Houve, efetivamente, durante o domínio filipino, uma certa decadência; todavia, as próprias instituições universitárias e os seus professores são também responsáveis pelo que acontecia. O nível do professorado decaíra muito também por sua própria culpa.

 

... A restauração do reino de Portugal, em 1640, foi de regozijo e de festa para a Universidade... por mandado de D. João IV, de alistar e armar “... a gente da Universidade...”. Assim, marcharam os universitários em socorro do Alentejo, em Dezembro de 1644 e, de igual modo, em Outubro de 1645. E não foi apenas apoio militar que a Universidade prestou à causa nacional, mas também uma substancial ajuda financeira (a décima das suas rendas, durante vários anos); a própria opinião e o saber da Universidade foram solicitados, já que o soberano soube requerer o seu auxílio quando necessário e sempre lhe manifestou o seu reconhecimento.

 

Ribeiro, A. 2004. As Repúblicas de Coimbra. Coimbra, Diário de Coimbra. Pg. 35 e 36

 

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por Rodrigues Costa às 09:34

Terça-feira, 26.04.16

Coimbra: o Cabido e o Bispo na aclamação de D. João IV

A 4 de x.bro de 1640 chegou a esta Cidade noua q a Cidade de lx.a tinha levantado e aclamado ao Serenissimo s.or Dom Joaõ Duq de Brag.ca Por Rey destes Reinos de Portugal, e deste Successo teue o Illmo sor Bispo Conde nosso prelado huã Carta dos Ill.mos s.res Arcebispos de lx.a e Bragua Como governadores levantados pello pouo a qual naõ comunicou ao Cabido e a 7, do mesmo mandou o Cabido Dous s.res Capitulares a uizitar o s.or Bpõ. e consultar o q deuiamos fazer por esta Cidade ter feito o mesmo levantamento e acclamaçaõ de q naõ resultou couza alguã nem uerem os ditos s.res capitulares a Carta q tinha S. Ill.ma dos s.res Arcebispos governadores; So q se esperasse mayor certeza; e aos 8. dias do mesmo tornaraõ os mesmos s.res de parte do Cabido a dizer a S. Ill.ma q pareceria bem fazerse logo a demonstracaõ de Alegria ... e q nada queria o Cabido sem o Comunicar a S. Ill.ma respondeo o s.or Bpõ q assi lhe pareçia bem, q tinha mandado hu próprio q em uindo cõ noua certeza se faria a demonstração; e logo o Cabido ordenou q se continuasse o fogo de poluara q se estaua fazendo. e preparassem mtas luminárias para se porem na See e cada s.or Capitular as poria também em suas Cazas. e se chamou para nomear senhores q fossem beijar a mão e dar a obediencia a S. Mag.de ... os quais estaraõ na Cidade de lx.a ate fim deste mês de dezembro ... e logo tornaraõ outros dous senhores capitulares comunicar ao s.or Bpõ a demonstração q se hauia de fazer de luminárias e procissão; e o s.or Bpõ assentou com os ditos s.res q 5ª fr.a 13. Deste mês, poriaõ luminárias, e na 6.a fr.a pella tarde fariaõ pcissaõ.

 

... Aos quinze de desembro de 1640 assentou o Cabido q se passassem prouizois paras as Camaras dos nossos Coutos a saber Tauarede, Villa noua de Mocarros. Agim, Paredes, e Val de todos, fazendo-lhe saber em Como nosso sor fora seruido darnos por Rey o serenissimo senhor Dom Joaõ o quarto Duq de Brag.ca

 

Almeida, M.L. 1973. Acordos do Cabido de Coimbra. 1580-1640. Separata do Arquivo Coimbrão. Vol. XXVI. Coimbra, Biblioteca Municipal de Coimbra. Pg. 375 e 376

 

 

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por Rodrigues Costa às 10:40


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