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A' Cerca de Coimbra


Terça-feira, 13.09.16

Coimbra: o tempo de gestação de Portugal 3

O facto de Afonso Henriques em 1128 ter derrotado a mãe em São Mamede pode não ter acontecido apenas com o assentimento dos magnates portucalenses que o promoviam, nos quais o arcebispo de Braga se incluía, mas ainda com o apoio tácito ou talvez mesmo formal do próprio rei de Leão, Afonso VII, com quem ... numa primeira fase do seu domínio, parece ter mantido excelentes relações ...pelo menos antes da mudança do infante para Coimbra, em 1130, não se detetaram hostilidades ou problemas.

... durante o reinado de Afonso Henriques, parece-me inegável a influência determinante que os arcebispos e o seu cabido tiveram na nomeação e no tipo de chanceleres do rei. Talvez não seja uma coincidência que a maioria destes homens provenha do cabido da sé de Braga, e que possam ser relacionados de uma forma ou de outra com os meios crúzios de Coimbra, o mosteiro em cuja fundação e vida o arcebispo João Peculiar teve papel tão destacado ... pelo menos cinco dos chanceleres de Afonso Henriques saíram do cabido de Braga, e muitos dos seus notários e escribas tinham sido recrutados nos meios conimbricenses, na sé de Coimbra e no Mosteiro de Santa Cruz.

... parece provado, que os documentos da chancelaria eram guardados em Santa Cruz de Coimbra nesta primeira fase, a hipótese de que, embora os arcebispos de Braga não exercessem a chancelaria régia diretamente, deveriam ter em Santa Cruz de Coimbra um reduto de influência considerável.

Coimbra é sem dúvida o ponto focal do reinado de Afonso Henriques, quer por ser o núcleo urbano para onde o jovem infante vai transferir o centro de ações quer pelo que representa culturalmente e intelectualmente, na confluência de uma fortíssima tradição moçárabe com os representantes das novas correntes filosóficas e religiosas, encarnados nos cónegos da sé, nos crúzios de Santa Cruz de Coimbra e na influência crescente dos cistercienses de Alcobaça.

Branco, M.J. Antes da independência de Portugal. In Portugal e Espanha. Amores e desamores. Volume I. Coordenação de Matos, A.T., Costa, J.P.O. e Carneiro, R. 2015. Lisboa. Círculo de Leitores. Pg. 84, 80, 90 e 91, 93

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por Rodrigues Costa às 13:33

Quinta-feira, 08.09.16

Coimbra: o tempo de gestação de Portugal 2

Na verdade, algo já deveria estar mal entre o rei (D. Afonso VI de Leão) e o genro Raimundo, pelo menos em 1095, pois nesse ano o rei desloca-se em pessoa aos confins meridionais do condado, onde, quer em Lisboa e Santarém, quer em Coimbra, o encontramos a gerir o território de forma direta, ultrapassando a autoridade e a jurisdição que ele mesmo concedera a Raimundo para esse efeito. Pouco depois, o rei desmembrava a parte meridional do condado que dera a Raimundo em 1090 e depois em 1094, retirando-lhe a parte que ficava entre o Minho e o Tejo e recriando desse modo as fronteiras dos anteriores condados portucalense e conimbricense dos séculos IX e X, que agora entregava a Henrique, com a cedência hereditária do domínio sobre as regiões dos antigos condados portucalense e conimbricense, o que lhe deve ter dado largos poderes senhoriais que geriu ao modo de qualquer senhor «feudal»

... À distância a que estamos, é possível entender que Teresa não soube jogar as suas redes de aliança com a mesma habilidade do marido, e acabou por fazer perigar uma considerável parte do que Henrique conseguira assegurar para o Condado Portucalense como a posse de Coimbra e Porto a Braga, a independência perante a Galiza, a guerra de fronteira com os muçulmanos e, sobretudo, o apoio dos nobres portucalenses ... Ausente do condado na maioria do tempo que decorreu entre 1112 e 1116, encontramo-la envolvida nas questões sucessórias travadas na Galiza ... sofrendo duas investidas da irmã na fronteira galega, aliando-se com Pedro Froilaz no cerco a Urraca em Sabroso em 1116 ... Estas tréguas, que durariam três anos, obrigaram Teresa a suspender as suas ambições e a regressar ao condado ... a debilidade de que padeciam as forças militares portugueses numa altura em que os almorávidas redobravam em agressividade e força e em que Coimbra sofreria um dos mais perigosos cercos desde a conquista de D. Fernando I.

... Desde 1117, Teresa começou a usar o título de rainha e continuaria a sua política pró-galega ... nomeação de Fernão Peres de Trava como governador de Coimbra e Porto e da inoportunidade da maioria das ocasiões em que decidiu hostilizar a irmã Urraca ... resultando a maioria das suas investidas em perdas de território.

... A necessidade de afastar Teresa do Condado Portucalense para garantir a estabilidade do mesmo e até a pacificação na Galiza e em Leão deveria parecer cada vez mais evidente ... Teresa governou como senhora do Condado Portucalense desde o ano da morte de Henrique até ao seu afastamento forçado, em 1128, quando uma aliança entre os nobres destacados do seu condado, os eclesiásticos mais relevantes, o seu único filho de Henrique, Afonso Henriques e, muito provavelmente, o então já rei de Leão, Afonso VII, apoiaram uma ação militar que derrotaria a condessa-rainha e a afastaria do poder.

Branco, M.J. Antes da independência de Portugal. In Portugal e Espanha. Amores e desamores. Volume I. Coordenação de Matos, A.T., Costa, J.P.O. e Carneiro, R. 2015. Lisboa. Círculo de Leitores. Pg. 43 e 44, 54 a 56, 61 e 62

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por Rodrigues Costa às 09:09


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