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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 25.04.19

Coimbra : Gaius Sevius Lupus Aeminiensis, um arquiteto romano

Em 2015.08.28 publicámos uma entrada com o título “Coimbra: arquiteto romano natural da cidade”.
A entrada foi idealizada quando, no decurso de uma deslocação que fizemos a La Coruña, altura em que tivemos ocasião de visitar a Torre de Hércules.

Torre de Hércules na atualidade.jpg

Torre de Hércules na atualidade

Embora a sua origem se encontre envolta em lendas, sabe-se, com base nos achados de terra sigillata e de vasos de paredes finas encontrados em escavações, que a sua reconstrução pelos romanos, como farol de navegação, data dos anos 40 a 80 da nossa era, isto é, entre os reinados de Nero e de Vespasiano.
Esta original construção assenta numa base quadrangular e as suas quatro fachadas mostram grande austeridade.

Desenho localizado nun manuscrito de Cornide (Real

Desenho localizado num manuscrito de Cornide (Real Academia de Historia, Madrid)
In: https://www.coruna.gal/castroelvina/gl/detalle/torre-de-hercules/contenido/1453614280400?argIdioma=gl

A Torre de Hércules, na atualidade mede 55 metros, correspondendo 34 à construção romana e 21 à reforma dirigida em 1789 pelo arquiteto militar Eustáquio Giannini, com o fim de equipar o velho farol de uma nova lanterna a que, em 1806, foi acrescentado o fanal.
A Torre é o único farol romano ainda em funcionamento e que conserva uma parte importante da sua estrutura original, embora, devido às diversas intervenções esta se encontre oculta por um “forro externo” neoclássico.
A UNESCO, a 27 de junho de 2009 declarou, na cidade de Sevilha, a Torre de Hércules como Património da Humanidade.

Ara votiva.jpg

Ara votiva
In: https://www.coruna.gal/castroelvina/gl/galaicos-e-romanos/obxectos/detalle/torre-de-hercules/contenido/1453614280400

Ao lado da Torre de Hércules encontra-se uma ara votiva onde, de acordo com diversos autores, se pode ler

MARTI /
AUG[USTO] SACR[UM] /
C[AIUS] SEVIUS /
LUPUS /
ARCHITECTUS /
AEMINIENSIS /
LUSITANUS EX VO[TO]

Ou seja, “Consagrado a Marte Augusto. Caio Sévio Lupo, arquiteto de Aeminium (Coimbra) Lusitano em cumprimento de uma promessa”.
Do arquiteto Gaius Sevius Lupus, nada mais se sabe a não ser o nome e o lugar do seu nascimento; no entanto, alguns historiadores apontam-no como sendo o possível autor do criptopórtico que se encontra sob o Museu Nacional Machado de Castro.
Gaius Sevius Lupus, uma figura de Coimbra, entre tantas outras, a lembrar.

Escadas interiores da Torre de Hércules.jpg

Escadas interiores da Torre de Hércules
In: http://ridenroad.com/blog/wp-content/uploads/2016/02/escaleras-torre-hercules.jpg

Gaius Sevius Lupus, uma figura de Coimbra, entre tantas outras, a lembrar.

Gostaríamos de chamar a atenção para o site
https://www.youtube.com/watch?x-yt-ts=1422579428&x-yt-cl=85114404&v=SyK79YGTlQM 
onde se poderá ver um excelente trabalho onde é apresentada uma proposta explicativa da construção daquela obra.

Referências: as indicadas no texto e https://es.wikipedia.org/wiki/Torre_de_H%C3%A9rcules
http://www.torredeherculesacoruna.com/index.php?s=58&l=pt 

 

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por Rodrigues Costa às 09:09

Sexta-feira, 26.02.16

Coimbra, origens 4

Dos três monumentos referidos por Sá de Miranda – o arco triunfal, as «grutas», o aqueduto – o segundo ainda se mantém e constituiu uma das mais impressionantes obras de arquitetura romana de Coimbra. Trata-se do criptopórtico sob o Museu de Machado de Castro, antigo paço dos bispos de Coimbra.
A rua que contorna o monumento é ainda hoje conhecida pelo nome de Rua das Covas … No século XIII, a rua era chamada ‘vico de Covis’; no século XII, algumas casas situadas nas imediações eram ditas ‘sub illas covas’ ou ‘circa foveas’.

… O achado, nos entulhos retirados do criptopórtico, de uma pequena ara consagrada ao Génio da Basílica, ‘Genio Baselecae’, sugere que basílica da cidade de ‘Aeminium’ se encontrava implantada naquele local; sendo a basílica um dos edifícios que integravam o fórum, é legítimo supor que o criptopórtico constituía a infraestrutura do fórum eminiense.

O pendor do terreno era grande e havia necessidade de edificar um terraço onde planamente se estabelecesse o fórum. Ora, um embasamento maciço seria talvez menos sólido e seguramente menos útil que alveolado de galerias ou cárceres. Os romanos edificaram, pois, o corpo gigantesco de um pódio com dois andares.
No piso superior, uma galeria em forma de π envolve outra do mesmo traçado. Em cada braço, três passagens dão acesso de uma a outra galeria; nos topos, as galerias são também comunicantes. De través, entre os braços do π, sete cárceres comunicam entre si por estreitas passagens abobadadas disposta no mesmo enfiamento. No andar inferior acham-se outras sete salas mais altas e espaçosas, dispostas ao longo de uma galeria e comunicantes entre si por passagens estreitas. Este andar foi parcialmente destruído por casas que se ergueram encostadas ao edifício.

… Também se acharam quatro cabeças de mármore, duas representando talvez as Agripinas, outras duas, Vespasiano e Trajano. Estas cabeças ornaram provavelmente o fórum onde assentava o criptopórtico, se é que não foram antes veneradas no templo que dominava o fórum.

… O fórum, se efetivamente ficava implantado no criptopórtico, ocupava uma posição central no recinto amuralhado da cidade.

Alarcão, J. 1979. As Origens de Coimbra. Separata das Actas das I Jornadas do Grupo de Arqueologia e Arte do Centro. Coimbra, Edição do GAAC. Pg. 34 a 36

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por Rodrigues Costa às 10:05


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