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A' Cerca de Coimbra


Quinta-feira, 21.12.17

Coimbra: Parque Verde do Mondego

No início do milénio, no âmbito do Programa Polis, foi projetado, pela empresa de arquitetura paisagista PROAP, o Parque Verde do Mondego, que se estende por 3 quilómetros da frente ribeirinha ao longo das duas margens do rio Mondego entre a Ponte de Santa Clara e a Ponte Europa. À beleza do rio veio, assim associar-se uma obra paisagística, já do século XXI, que permite uma valorização plena das famosas margens do Mondego

Parque Verde.jpg

 Parque Verde

 Três áreas se destacam, criando unidades diferentes: a frente rio, propriamente dita, plantada de salgueiros e choupos, com pequenos ancoradouros que se projetam sobre o rio e criam estadias sobre a água; a área de restaurantes e apoio aos desportos náuticos; e a zona de estacionamento. Recuada e separando a área de lazer da área de estacionamento, destaca-se uma enorme fonte-canal, paralela ao rio, de traçado inovador.

Rio Mondego pontes.jpg

 

Parque verde pontes

 Para ligar as duas margens, agora sempre distantes com o espelho de água que o Mondego passou a oferecer desde a construção do açude, foi projetada uma ponte pedonal pelos engenheiros Adão da Fonseca e Cecil Balmond que se completa no Outono de 2006.

A partir da saída da ponte, na margem esquerda, o projeto prevê uma ligação por túnel à área do Convento de Santa Clara-a-Velha e, mais além, ao Portugal dos pequenitos.

 

Nota:

Quanto ao Parque Verde cumpre-me dar um testemunho.

Um certo dia, ao fundo da ladeira do Batista designação popular do troço onde se inicia a Rua do Brasil, encontrei o Dr. Mendes Silva, então já ex-presidente da Câmara e, como advogado, regressado às suas funções de promotor imobiliário. Vinha eufórico. Segundo o que então me disse tinha acabado de estabelecer com os proprietários dos terrenos da Ínsua dos Bentos – que o atual Parque Verde parcialmente integrava – uma proposta de acordo a apresentar à Câmara da doação à Cidade do terreno da zona situada entre a linha da Lousã e o rio, em troca da possibilidade de construir na restante parte do terreno. Era a conclusão de um processo que, desde o seu mandato à frente da Câmara, vinha procurando erguer.

Não posso testemunhar o desenrolar das negociações, pois estas aconteceram num período em que, tendo concluído que me era impossível continuar a desempenhar o cargo de Diretor do Departamento de Cultura, Desporto e Turismo da Câmara de Coimbra, dentro do contexto que eu considerava ser o correto, tomei a decisão de renunciar a essa função e procurar trabalho onde se me pudesse realizar como pessoa e como profissional.

Coimbra, por vezes, é madrasta. E foi-o para essa figura ímpar de Conimbricense que se chamou Dr. Mendes Silva, a quem a Cidade ainda deve a homenagem e o reconhecimento do muito que por ela fez.

 

Castel-Branco. C. Os jardins de Coimbra. Um colar verde dentro da cidade. In: Monumentos. Revista Semestral de Edifícios e Monumentos. N.º 25, Setembro de 2006. Lisboa, Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, pg. 180

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por Rodrigues Costa às 09:25

Quinta-feira, 15.10.15

Coimbra, o Convento de Santa Clara-a-Velha 2

… o interesse da Rainha D. Isabel no projeto de D. Mor subsistiu, tendo solicitado ao Papa a devida autorização para fundar uma casa da Ordem de Santa Clara, em Coimbra. A licença foi concedida, por carta datada de 10 de Abril de 1314, juntamente com a autorização para requisitar algumas freiras da Ordem a fim de “povoar” o referido cenóbio.
A Rainha adquiriu, então, algumas propriedades confinantes com o terreno onde D. Mor havia erguido o seu mosteiro, dispondo, assim, de uma área maior onde fosse possível construir um novo edifício, “amplo e grandioso”. Ocupou-se, igualmente, na aquisição de bens que doou ao convento, no sentido de assegurar a sua subsistência.
Em 24 de Julho de 1317, o mosteiro acolhia já algumas clarissas vindas de Zamora.
… Em 7 de Janeiro de 1325 morria, em Santarém, D. Dinis. A Rainha vestiu o hábito de Santa Clara como símbolo do seu estado de “viuvez, luto, tristeza e humildade”, afirmando que este gesto não correspondia a um voto religioso. No ano seguinte, adquiriu, ao Mosteiro de Santa Ana, um paço e uma vinha, contíguos à cerca de Santa Clara, para aí fixar residência.
Em 12 de Março de 1328 mandou redigir um documento, conhecido como “codicillo”, no qual fazia doação, ao convento, dos referidos paço e vinha. Determinava, ainda, que aquele fosse constituído por “cinquoeenta donas me(n)oretas” e criava um hospital para recolhimento e assistência, o qual ocuparia a parte dianteir do paço e seria habitado por “trynta pobres” (15 homens e 15 mulheres).
O carinho de D. Isabel por este projeto levou-a a alterar o seu testamento, no que dizia respeito ao local de sepultura: em detrimento do Mosteiro de Alcobaça, optou por Santa Clara, tendo encomendado a Mestre Pêro, escultor vindo de Aragão, um túmulo monumental em pedra.
A sagração da nova igreja do mosteiro … realizou-se a 8 de Junho de 1330, na presença da Rainha. No ano seguinte, a 18 de Fevereiro, uma grande cheia do Mondego, inundava o templo e submergia o túmulo, que já ali se encontrava. Por esse motivo D. Isabel mandou construir um piso sobrelevado … Ao centro do lado da igreja, mandou colocar a sua arca tumular e ainda o túmulo de sua neta, a infanta D. isabel, filha de D. Afonso IV, falecida em criança.

Trindade, S. D. e Gambini, L. I., Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Coimbra, Direção Regional de Cultura do Centro, pg. 23 a 25

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por Rodrigues Costa às 18:21

Quarta-feira, 14.10.15

Coimbra, o Convento de Santa Clara-a-Velha 1

A fundação do primeiro mosteiro de Santa Clara, em Coimbra, foi obra de uma dama da nobreza, D. Mor Dias.
D. Mor recolhera-se em 1250, em S. João das Donas. Convento feminino do Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra … A longa permanência de D. Mor junto dos Crúzios levou-a a elegê-los como principais herdeiros dos seus bens. No primeiro testamento, onde expressava essa intenção, indicava também que pretendia ser enterrada em Santa Cruz. No entanto, entre 1227 e 1283, manifestou o desejo de ser sepultada no Mosteiro de S. Francisco, facto a que os Crúzios se não opuseram. Cada vez mais próxima dos ideais franciscanos, D. Mor acabou por decidir fundar um mosteiro de donas, dedicado a Jesus Cristo, à Virgem, e a Santa Isabel da Hungria e a Santa Clara.
A escolha do local onde D. Mor fundou o mosteiro da Ordem de Santa Clara, na margem esquerda do Mondego, estaria provavelmente relacionada com a proximidade do mosteiro franciscano que lhe devia assegurar a assistência eclesiástica. Próximo ficava também o Mosteiro de Santa Ana ou das Celas da Ponte, onde sua irmã Teresa era prioresa.
Obteve autorização para a fundação a 13 de Abril de 1283 … após ter sido verificado que a vinha adquirida por D. Mor reunia condições para a construção de um mosteiro de donas e que a sustentabilidade futura da instituição estava assegurada.
Os cónegos de Santa Cruz opuseram-se de imediato ao projeto de D. Mor, por se terem apercebido de que uma parte da fortuna desta dama seria desviada para a dotação do novo mosteiro … Apesar da contestação dos cónegos agostinhos, D. Mor deu continuidade às obras do mosteiro e, a 2 de Janeiro de 1287, este foi entregue à Ordem de Santa Clara … foram construídos a igreja, o claustro, o dormitório e outras dependências. No novo mosteiro, junto à ponte, instalou-se então, a primeira comunidade, sendo algumas senhoras provenientes de S. João das Donas.

Nos anos que se seguiram (após a morte de D. Mor Dias), o convento viveu alguns momentos conturbados … a 2 de Dezembro de 1311, D. João de Soalhães e o prior de Santa Cruz estabeleceram um acordo, supostamente destinado a pôr fim à contenda. Dele decorrem a extinção do Mosteiro de Santa Clara … encerrava-se assim, o primeiro capítulo da história do Mosteiro de Santa Clara.

Trindade, S. D. e Gambini, L. I., Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Coimbra, Direção Regional de Cultura do Centro, pg. 19 a 23

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por Rodrigues Costa às 09:33

Sexta-feira, 22.05.15

Coimbra e o Mondego 2

A Barragem da Aguieira e o açude-ponte de Coimbra disciplinaram este rio, acentuando o seu carácter calmo e pachorrento que agora se mantém durante todo o ano. O epíteto de Basófias, que justamente merecia pelas cheias avassaladoras e repentinas de que era capaz, está em risco de cair no esquecimento …
O assoreamento do Mondego é de facto um aspeto que muito tem pesado na história de Coimbra e região … Bastará lembrar os conventos medievais que se acolheram à contemplação das suas margens e que tiveram de ser abandonados, mais cedo ou mais tarde: Sant’ Ana, S. Francisco e S. Domingos, já desaparecidos; Santa Clara, relíquia semi-soterrada. A mesma sorte tiveram as igrejas de Santa Justa, S. Cucufate e a primitiva de S. Bartolomeu. Como exemplo da subida forçada do nível da parte baixa de Coimbra, costuma apontar-se o caso da Igreja de Santa Cruz, para cuja entrada se subiam quatro degraus, no século XVI, e para onde hoje se têm de descer.

Borges, N.C. 1987.Coimbra e Região. Lisboa, Editorial Presença, pg. 22

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por Rodrigues Costa às 18:59


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