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A' Cerca de Coimbra


Quarta-feira, 06.10.21

Coimbra: Hospital e Asilo da Venerável Ordem Terceira

A obra que hoje divulgamos ressalta de um estudo académico que se debruça sobre a vida do Hospital e Asilo da Ordem Terceira, atualmente Lar de Idosos, no período balizado entre 1851 e 1926, e que nos permite um conhecimento da realidade daquela Instituição.

No edifício, que se encontra adstrito  à igreja de Nossa Senhora do Carmo, funcionou o Colégio dos Carmelitas Calçados, um dos vários colégios universitários da Rua da Sofia e que já tivemos ocasião de abordar neste blog. 

Do referido trabalho académico transcrevemos o que se segue.

Imagem da capa da obra citada.png

Imagem da capa da obra citada

A Venerável Ordem Terceira da Penitência de S. Francisco de Coimbra foi fundada a 5 de janeiro de 1659 como pessoa moral canonicamente ereta, no convento de S. Francisco da Ponte, com a prática dos seus exercícios espirituais na capela colateral da parte do Evangelho da igreja do referido convento.

Desde cedo promoveu a assistência espiritual e material aos seus membros, com o acompanhamento à sepultura e a atribuição de esmolas, por exemplo. O Hospital e Asilo, fundados respetivamente em 1851 e 1884, são a prova maior da assistência material prestada aos membros da Ordem Terceira de Coimbra, que desta forma garantiu o socorro na doença e na velhice aos irmãos franciscanos seculares conimbricenses.

Igreja do Carmo, claustro.png

Igreja do Carmo, claustro. Imagem acedida em https://www.cm-coimbra.pt/areas/visitar/ver-e-fazer/roteiros-tematicos/coimbra-patrimonio-mundial#&gid=1&pid=29

Alcançado o edifício do extinto colégio dos Carmelitas Calçados, na rua da Sofia, em 1841, após a extinção das ordens religiosas masculinas, a preocupação dos diversos Definitórios foi garantir rendimentos que suportassem as obras de adaptação do imóvel às novas funções assistenciais; para isso, contaram com o apoio financeiro de ministros, benfeitores, irmãs e irmãos seculares.

… Na segunda metade do século XIX, aquando da fundação do hospital (1851) e asilo (1884) da Venerável Ordem Terceira, existiam na cidade de Coimbra, a Misericórdia, os Hospitais da Universidade de Coimbra, o Hospício dos Abandonados, o Asilo da Infância Desvalida e o Asilo de Mendicidade, para além das inúmeras confrarias espalhadas pela cidade.

…Pensado no ano de 1831, em sessão de 15 de Maio, e sob proposta do então ministro, o beneficiado Manuel José Ferreira, só com a doação do edifício do extinto Colégio do Carmo, na rua da Sofia, pela carta de lei de 23 de Abril de 1845, o Hospital da Venerável Ordem Terceira da Penitência de São Francisco de Coimbra teve um espaço para a sua fundação … Abriu portas, pela primeira vez, a 14 de maio de 1852 e deu-se ao hospital da Ordem o título de “Hospital de Nossa Senhora da Conceição” para aquiescer ao pedido do benfeitor Sebastião José de Carvalho.

… Anos depois, em abril de 1860, foi apresentada uma representação aos Deputados da Nação, pelo ministro conselheiro José Maria de Abreu, que visava obter a cerca do extinto Colégio do Carmo e um quintal junto à Casa do Noviciado, onde os doentes poderiam fazer os seus passeios higiénicos ... O pedido foi atendido e a cerca foi concedida por Carta de Lei de 11 de agosto de 1860.

Igreja do Carmo, painel de azulejos no claustro.pn

Igreja do Carmo, painel de azulejos no claustro. Imagem acedida em https://ordemterceirasaofrancisco.pt/portfolio-item/colegioeigrejadocarmo/

 … A fundação do asilo, em 1884, também só foi possível graças à herança legada ao Hospital pelo benfeitor e antigo ministro José Maria de Abreu (1857-1860) no valor de 6.715.870 réis. Com este legado, que aumentava bastante o capital destinado às despesas do hospital, seria possível, “muito em harmonia com a intenção do benfeitor”, criar uma enfermaria destinada aos irmãos inválidos … O Asilo foi inaugurado a 8 de junho de 1884, dia da Santíssima Trindade.

Silva, A. M. D. O Hospital e Asilo da Venerável Ordem Terceira da Penitência de S. Francisco de Coimbra (1851-1926). Dissertação de Mestrado em História, apresentada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. 2014. Coimbra, Universidade de Coimbra, acedida em 

https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/30361/1/Hospital%20e%20Asilo%20Ordem%203%C2%AA%20Coimbra%20(1851-1926)_AMargaridaSilva.pdf

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por Rodrigues Costa às 12:05

Quinta-feira, 26.09.19

Coimbra: Arquivo Histórico Municipal de Coimbra, curiosidades 6

Terramoto de 1755 em Coimbra
Informações dos párocos das diversas regiões do país relativas às consequências do terramoto de 1755 [guardados em PT/Torre do Tombo/Ministério do Reino /Negócios Eclesiásticos).
As respostas apresentam informações relativas a localidades e freguesias das regiões de Aveiro, Bragança, Coimbra, Évora, Guarda, Leiria, Portalegre, Santarém, Vila Real e Viseu, em resposta a interrogatórios ordenados pelo rei, solicitados aos bispos que por sua vez os solicitam aos párocos.
Dão conta do que foi sentido antes, durante e após o terramoto, a duração do mesmo, as consequências nas pessoas, e em todo o tipo de construções.
No relato de Coimbra referem-se os danos ocorridos na cidade, nomeadamente
no Mosteiro de Santa Cruz, na Torre dos Sinos.

Sinal utilizado para referir o Mosteiro de Santa CSinal utilizado para referir o Mosteiro de Santa Cruz em textos escritos do século XVI

Transcrição paleográfica (parcial)

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Ex mo. Reverendissimo Senhor,

Vossa Excelencia, me manda responder a huns interrogatorios sobre os terremotos que tem tam fortemente opprimido a nossa cidade […]
Em muitas casas Collegios e conventos se vem varios speques, porem não deixa tambem de conhecer se que se em alguas os fez por o perigo, em outras tam somente a cautella. Abriram bastantes paredes, e nem por isso fizeram retirar os moradores ainda antes de specadas, donde julgo que mais e mayores que os effeitos são os signaes das ruinas.
As mais notaveis forão no Mosteiro de Santa Cruz, em cuja torre senão dobram sinos e se fas hua obra de grande despeza, pera evitar o perigo que ameaça, e de cujo frontizpicio cahio hua das grandes estatuas que a ornam, e ficou tam perigoza outra, de S. Agostinho, que estava no alto deste, em hum nicho tambem de pedra, que logo no seguinte dia se fez apiar.
No Collegio da Sapiencia dos mesmos Conegos Regullares, aonde cahio hua bola das duas piramides que guarnecião as suas frontarias e se fes nos tectos e pavimentos de alguas cellas bastante estrago, ficando tam abaladas as ditas piramides que tambem se apiaram. No mesmo Collegio deram algua couza de si as paredes, que pera mayor segurança se tem travado com linhas de ferro.
O Collegio dos Carmelitas Calçados teve bastante perda na Livraria, e Refeitorio que esta por baixo della, acham se por ora apontadas e pera o Verão mandam os Architectos fazer de novo estas duas grandes cazas. Na Igreja quiz o demarcado temor descobrir tambem perigo em alguas pequenas rachas que abrio a abobeda athe que os mesmos architectos desvanecerão - [?]oeis fundamentos deste nimio susto.

PT-TT-MR-NE-02-638 imag 0171.jpgPT-TT-MR-NE-02-638 imag 0171

Ainda que ao principio se reputou por bem livrado o Collegio de S. Thomas, ao depois se advertio, na parte superior da Igreja, o perigo que bastou pera remover o Corpo da Universidade de entrar nella com o seo costumado prestito. Inclinarão para fora as paredes, principalmente de huua parte e foi necezario prevenir, com pontaletes, a sua mayor inclinação, pera evitar o ultimo estrago do tecto e abobeda.
No Convento dos Dominicos passou este a mais; porque chegou a cahir por terra parte da abobeda e do Arco da Igreja, fazendo se no restante deste edificio mayores aberturas; porem ha muito tempo que em todo elle, e principalmente na Igreja, se receava muito mayor perigo pelo mizeravel estado a que esta reduzida. Fez o terremoto o que sem admiração podera fazer qualquer vento e sempre o damno que agora experimentou foi menos que a destruição que ha muito ameaçava.
Nos dous collegios de S. Jeronimo, e S. Bento tiveram as igrejas seu prejuizo: naquella cahio o fecho da abobeda e neste se separou muito das outras hua parede da Cappela mor; porem como ficaram firmes as dos lados em que o tecto se sustenta, não he de concideração a ruina: mayor e muito mayor aperssuadem nos dormitorios destes 2 Collegios os muitos speques com que estão apontados, e com tudo no de S. Jeronimo foi demaziado o receio que reprezentou tam grande aquella necessidade, e no de S. Bento ficou esta, se mais acautellada e conhecida, pouco mayor do que antes era […].
AHMC. Catálogo da Exposição. Documentos sobre o Mosteiro Santa Cruz de Coimbra no AHMC. 2019. Coimbra, Município de Coimbra

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por Rodrigues Costa às 19:05


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