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Terceira entrada dedicada à divulgação do livro de historiador Milton Pedro Dias Pacheco, Do aqueduto, das Fontes e das Pontes.
O Chafariz do Largo da Feira dos Estudantes, culminaria a conduta do aqueduto de São Sebastião … Embora as fontes documentais não permitam conhecer a data precisa para a sua construção julgamos que a mesma tenha sido edificada no seguimento da conclusão do reservatório para a água transportada pelo aqueduto, a qual surge como parte integrante.
Neste terreiro … foi então construído, entre 1570 e 1572, o depósito de água. Este não só veio a permitir o funcionamento do fontanário local – que a história viria a consagrar como Fonte dos Bicos devido aos motivos decorativos em ponta de diamante salientes que ornamentavam a sua frontaria principal –,
Fonte dos Bicos. Acervo RA
como garantiu o abastecimento de outros equipamentos aquíferos, como o Chafariz da Sé,

Chafariz da Sé. In: Archivo Pittoresco. 1866.09. Acervo RA
onde existia um segundo reservatório para levar água até ao fontanário localizado na Praça de São Bartolomeu.

Chafariz de S. Bartolomeu. Última remodelação, hoje instalada à entrada do Museu dos Transportes Urbanos
Alguns anos mais tarde, este mesmo reservatório acabaria por ser dotado com os encanamentos destinados a abastecer o vizinho Palácio da Mitra Episcopal de Coimbra e outros institutos religiosos existentes na Alta citadina, como os colégios de Jesus, o da Sapiência e o da Estrela. De acordo com as informações recolhidas, nos anos de 1715-1858, julgamos que o depósito do fontanário do paço episcopal, e, provavelmente o da catedral, a Sé Velha, eram abastecidos durante o dia, sendo os depósitos dos colégios dos Jesuítas e dos Agostinhos durante o período noturno.
…. Terá sido construído no seguimento da carta régia outorgada por D. Sebastião em 7 de maio de 1573, no qual ordenava a construção do chafariz da Feira.

Fonte dos Bicos. Acervo RA
Tratar-se-ia, muito provavelmente, de uma ampliação ou reedificação material, pois, quer esta bica de água, quer a localizada junto da catedral de Santa Maria de Coimbra, já são mencionadas em datas anteriores.
No que diz respeito à composição arquitetónica do primitivo fontanário da Praça da Feira pouco ou nada sabemos. Teria, ao que parece, três bicas para o fornecimento de água, número que manteria ao longo da sua existência, mesmo após as obras de beneficiação de que foi alvo, em 1747 ou em 1864, a primeira para renovação do frontispício e a segunda para a colocação das armas da cidade.
Até à destruição do Fontanário dos Bicos, ocorrida durante a construção da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e do Instituto de Medicina Legal, nos finais da década de 1940, a água ainda era utilizada para regas e limpezas locais.
Pacheco, M. P.D. Do aqueduto, das Fontes e das Pontes: a Arquitetura da Água na Coimbra de Quinhentos. In: História Revista. Revista da Faculdade de História e do Programa de Pós-graduação em História, v. 18, n. 2, p. 217-245, jul. / dez. 2013. Goiânia (Br.). Acedido em:
Segunda e última entrada extraída da obra das Doutoras Maria Margarida Lopes Miranda e Carlota Miranda Urbano, intitulada Um invulgar achado do século XXI: o fundo jesuítico desconhecido do Colégio de Jesus (Sé Nova) de Coimbra.
Sé Nova. Altar da Coroação e Assunção da Virgem. Acervo RA
Sé Nova. Altar da Coroação e Assunção da Virgem, pormenor. Acervo RA
Sé Nova. Retábulo da vida da Virgem, pormenor da predela. Acervo RA
A origem do tesouro.
O tesouro deixado por António de Vasconcelos inclui as suas memórias pessoais e as memórias da Companhia, ameaçada de extinção. Para o salvar, o jesuíta teria subido ao altar da Coroação e Assunção da Virgem e ali depositado o conjunto, certamente na esperança de um dia regressar e poder reaver aquilo que era por todos os meios impedido de levar consigo.
…. as cartas reunidas no macete eram mais do que um objeto de devoção pessoal. Eram cartas com mais de duzentos anos, escritas por Santo Inácio, S. Francisco Xavier, e João de Polanco.
Além das cartas, o jesuíta conservou dois volumes manuscritos: um de controvérsia filosófica e teológica e outro do Padre António Vieira; e por fim uma bolsa de serapilheira contendo um conjunto de pequenos embrulhos bem fechados, cinco ao todo: um único embrulho de papel identificado com o monograma AV e quatro de pano, identificados com o nome de Ant. de Vasconcelos e com as designações “Apontam, e Nom.”; “Cartas mhs e alh”; “Matrim.”
Sé Nova, frontão. Acervo RA
Descrição do corpus
Descrevemos agora de forma sumária o conteúdo das cerca de 1000 páginas que constituem o corpus, agrupando-o em quatro secções distintas:
Documentos fundacionais: o macete de cartas atadas por cordel corresponde a um conjunto de documentos fundacionais de elevado poder simbólico. O interesse do investigador aumenta com a inscrição que se lê na face superior, sob o cordel: “Somente o Superior deve ter estas cartas em Coimbra” (Soli supri/õ[m]nes hae epistolae cohimbricaé). São cartas dos fundadores, na sua maioria enviadas de Roma pelo Governo central, por Santo Inácio de Loyola e por João de Polanco, seu assistente e secretário pessoal, mas também enviadas de Cochim, na índia, por S. Francisco Xavier, ou enviadas de Lisboa para Roma, como alguns textos de Dom João III. O monarca responsável pelo bom acolhimento da Companhia no reino antes mesmo da sua confirmação pela Sé Apostólica, escreve para diferentes destinatários, acerca do P. Luís Gonçalves da Câmara e das obras da Companhia de Jesus que em 1553 ele deveria representar em Roma.
De Santo Inácio conservam-se pelo menos sete cartas diferentes: duas dirigidas a Simão Rodrigues, de 1542 e 1545; a célebre carta sobre a obediência como” virtude mais necessária e mais especial que nenhuma outra na Companhia”, de 1552; e ainda quatro cartas do ano de 1555: uma dirigida ao P. João Nunes Barreto que fora nomeado patriarca da Etiópia; outra a D. João III, sobre assuntos relacionados com Dom Teodósio de Bragança; uma carta a Diogo de Mirão, provincial, sobre as relações entre o Patriarca eleito, o Provincial da índia e o Visitador [da Companhia] e as obrigações de obediência de cada um; e por fim uma carta dirigida ao P. Francisco [Boija?] e aos Provinciais e Reitores dos Colégios da Companhia de Jesus, em Espanha e Portugal.
…. Numa segunda secção, o volume de controvérsia filosófica e religiosa traz consigo o nome de Francisco Soares [Lusitano] e a data de 1652. Corresponde a um conjunto daquilo que se designava Conclusiones mas que também podia designar-se por theses, quaestiones, controuersiae, propositiones, ou no singular, dissertado ou disputado.
…. Como terceira secção temos um manuscrito da Clavis Prophetarum do P. António Vieira, que chegou até nós em excelente estado de conservação. Compõe-se de uma junção de seis cadernos cosidos, num total de 495 páginas de texto, para além de 11 páginas de índice e uma página de título.
…. A quarta e última secção corresponde aos documentos coevos da expulsão, nomeadamente um caderno de matéria hagiográfica e o espólio pessoal de António de Vasconcelos.
Miranda, M.M.L. e Urbano, C. M. Um invulgar achado do século XXI: o fundo jesuítico desconhecido do Colégio de Jesus (Sé Nova) de Coimbra. In: Brotéria, n.º 185, Pg. 508-614. Acedido em registo: https://hdl.handle.net/10316/44575.
As Doutoras Maria Margarida Lopes Miranda e Carlota Miranda Urbano, investigadoras do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos da Universidade de Coimbra publicaram um muito interessante trabalho intitulado Um invulgar achado do século XXI: o fundo jesuítico desconhecido do Colégio de Jesus (Sé Nova) de Coimbra, sobre o achado de documentos jesuíticos escondidos na Sé Nova.
Desse trabalho destacamos o texto que ora se apresenta.
O Altar da Coroação, um esconderijo com mais de 250 anos.
Sé Nova. Altar da Coroação e Assunção da Virgem. Acervo RA
Já ninguém imaginava que segredo algum pudesse subsistir nos espaços que outrora pertenceram aos religiosos exilados. A Fábrica da Sé Nova também não podia imaginar que a limpeza e restauro da sua talha dourada pudesse revelar bem mais do que o brilho original do ouro; mas ciente do elevado património que tem à sua guarda, o Cónego Sertório Baptista Martins, confiou a missão a uma equipa de profissionais. E eis que o Altar da Coroação e Assunção da Virgem, no transepto do lado do Evangelho (ou seja, à esquerda da Capela Mor), guardava um inesperado tesouro.
… A Técnica de restauro aspirava o interior das quatro colunas quando encontrou um objeto em forma de cunha, colocado no interior de uma das colunas do lado direito do altar.
Sé Nova, colunas. Pormenor. Acervo RA
Na face posterior da coluna encontrava-se uma caixa de madeira, em forma de cunha, que continha um pequeno crucifixo de marfim envolvido em estopa de linho. Nessa mesma coluna (a coluna interior do lado direito do altar) encontrava-se ainda um saco cilíndrico, de pano branco muito escurecido pelo tempo. O seu interior guardava um grosso volume manuscrito e dentro dele um caderno de menor dimensão.
Surpreendida pelo sucedido, a Técnica que procedia à limpeza, a senhora Fernanda Monteiro Vouga, decidiu examinar as restantes colunas dos espaços congéneres da igreja, para se certificar de que nada ficava esquecido. E acabou por encontrar um novo conjunto. Na coluna interior, à esquerda do mesmo altar, encontravam-se mais dois objetos: um códice enrolado em cilindro (de modo a caber no interior da coluna) contendo um macete de cartas atadas por um cordel; e uma bolsa de serapilheira identificada pelo nome António de Vasconcelos, contendo vários embrulhos de pano (de 12-14 cm) cuidadosamente fechados a ponto de costura e identificados por fora; e ainda um último embrulho com o mesmo formato, mas em papel.
…. À medida que procedíamos no inventário, tornava-se cada vez mais clara a origem daquele pequeno tesouro. O recorte temporal dos documentos examinados dava-nos desde logo a sua chave: se os mais antigos remontam ao século XVI (a carta mais antiga é de Santo Inácio, escrita em 18 de Março de 1542), os textos mais recentes têm a data de Setembro de 1759, ou seja, são contemporâneos do decreto de expulsão dos Jesuítas (de 3 de Setembro de 1759) e dos acontecimentos que precederam a partida dos últimos jesuítas de Coimbra, no dia 24 de Outubro daquele ano. Ou seja, pouco antes da partida, um jesuíta teve a coragem de salvar da destruição um conjunto de documentos que considerava preciosos, na expectativa certamente de que um dia eles fossem resgatados por alguém que soubesse apreciá-los mais do que o poder persecutório instituído, ou, quem sabe, na esperança de um dia regressar a casa e de os recuperar.
Sé Nova. Fotografia aérea, inícios do século XX. Acervo RA
A expulsão do Colégio de Coimbra
De acordo com o relato do Padre José Caeiro, o colégio de Coimbra foi cercado por soldados na noite que precedeu o dia 15 de Fevereiro de 1759. Os jesuítas tinham tomado conhecimento da Carta Régia que determinava o cerco, três dias antes. Desde a manhã de 15 de Fevereiro, quando entraram no Colégio as forças militares, até ao dia da partida dos últimos, os jesuítas viveram um rigoroso isolamento do exterior. Nenhuma notícia do que se passava no exterior podia chegar aos jesuítas. Não lhes era permitido receber cartas nem presentes. Quando em Julho foram autorizados a descer à cerca do colégio e demorar-se algum tempo nos quintais, a vigilância foi reforçada, bem como o número de sentinelas.
…. A ofensiva do cerco ia muito além do isolamento. A parte do edifício destinada às aulas foi totalmente ocupada pela infantaria, que nele praticava tudo quanto se faz habitualmente num quartel. Mas nem assim os estudos foram interrompidos.
…. Para reforçar o isolamento dos padres, estes eram cuidadosamente separados dos soldados, a fim de evitar qualquer fuga de informação. Cerraram-se portas com trancas de madeira, com cal e cimento. Uma vigilância especial foi reservada à igreja do Colégio - onde o tesouro seria escondido. Era aí que as entradas eram mais restritas e sumamente vigiadas …No dia 30 de Setembro os jesuítas tomaram conhecimento de que os mais velhos … partiriam nessa mesma noite … Finalmente, no dia 24 de Outubro de 1759, também eles [os membros da comunidade, mais novos] foram forçados a partir do Colégio.
Miranda, M.M.L. e Urbano, C. M. Um invulgar achado do século XXI: o fundo jesuítico desconhecido do Colégio de Jesus (Sé Nova) de Coimbra. In: Brotéria, n.º 185, Pg. 508-614. Acedido em registo: https://hdl.handle.net/10316/44575.
A evolução da planta do Colégio de Jesus de Coimbra, desde o plano conhecido até à concretização do edifício segundo um esquema relativamente modificado, comprova a flexibilidade das soluções construídas dos estabelecimentos jesuítas, atendendo a situações concretas de implantação, orientação e disposição funcional.

Complexo colegial da Companhia de Jesus em Coimbra. Anteprojeto, c. de 1568. Planta dos pisos térreos… Op. cit., pág., 18.

Complexo colegial da Companhia de Jesus em Coimbra. Anteprojeto, c. de 1568. Planta dos pisos superiores... Op. cit., pág., 19.
…. Assim, o edifício seria atravessado, de face a face e em ambos os pisos, por longos corredores a eixo das alas, cuja largura era sensivelmente a das celas, e que permitiam uma fácil distribuição e circulação em todo o colégio. Exteriormente a sua localização era facilmente identificada através das janelas de maiores dimensões que os rematavam. No piso superior o pé-direito do corredor aumentava em relação ao do rés-de-chão, com as janelas de topo coroadas por um óculo e por um frontão simples rematados por pináculos.
…. As celas organizavam-se segundo as direções dos corredores e constituíam, elas próprias, o módulo, unidade mínima indivisível geradora de uma malha que estrutura todo o edifício. O módulo podia adaptar-se a várias funções sendo, sempre que necessário, agrupadas duas ou mais celas, para se obterem salas mais amplas.
As salas de maior capacidade que se abriam no colégio eram a das disputas, que se dizia também da matemática, a livraria, a capela e o refeitório. Estas duas últimas salas, formavam um corpo alongado que se estendia. a este do edifício em direção à encosta, no prolongamento da ala central poente-nascente, que ligava às cozinhas e respetivas oficinas, como se pode ver na referida gravura do Séc. XVIII. Paralelamente, mais a sul ao longo da fachada nascente, construiu-se um corpo de passagem que dava acesso do primeiro piso do Colégio de Jesus para o Colégio das Artes.

Reconstituição do piso superior do Colégio de Jesus de Coimbra.

Reconstituição do piso térreo do Colégio de Jesus de Coimbra.
…. A capela situava-se no primeiro andar por cima do acesso ao refeitório, que por sua vez, formava uma sala alongada de pé-direito duplo. Seria iluminado por grandes janelas no lado sul segundo a planta que se acrescentou ao material disponível (relativo ao volume principal do colégio) na realização deste trabalho. A sala das disputas e a livraria seriam provavelmente as duas grandes divisões da ala norte-sul por detrás da igreja, como se pode constatar pelas reconstituições e pelos levantamentos pombalinos já referidos. A biblioteca, de maiores dimensões, ficaria no primeiro andar, sendo-lhe inferior a sala das disputas, de metade do tamanho, ao nível do rés-de-chão.
A planta cruciforme do colégio definiu a abertura de três grandes pátios de serviço que desmassificavam a construção e permitiam a iluminação das divisões. Seria natural que fossem quatro, mas a colocação da igreja, desviada para o lado poente, comprometeu a existência de um quarto espaço. Assim, à esquerda da igreja e separada desta por um corredor, encontra-se a sacristia, de pé-direito duplo, abóbada semicircular e com uma janela na parte alta de cada topo. No alinhamento da sacristia existe ainda um pequeno pátio, embora bastante menor em área que os restantes.

Claustro do Colégio de Jesus, construído entre 1732 e 1772. Op. cit., pág. 27
Enquanto os dois pátios mais a norte mantiveram o seu caracter, mesmo depois das intervenções pombalinas, o pátio a sul, que ladeava a igreja, terá sofrido alterações importantes ainda durante a primeira fase histórica do edifício. Na gravura já mencionada, pode-se constatar a existência de uma única arcaria, voltada a sul (no lado norte, portanto) na direção da entrada do edifício à qual o pátio estava associado.
…. Não era propriamente um claustro. Tratava-se de um pátio de receção e distribuição do edifício que dava seguimento à portaria e à entrada do colégio, assinalada exteriormente pelo pórtico-telheiro habitual nos colégios jesuítas.
Lobo, R.P.M. Os Colégios de Jesus, das Artes e de S. Jerónimo. Evolução e Transformação no Espaço Urbano. 1999. Coimbra, Departamento de Arquitetura da Faculdade de Ciências e Tenologias.
O Doutor Rui Pedro Mexia Lobo que exerce a sua docência no Departamento em Arquitetura da FCTUC viu, o trabalho que hoje abordamos, ser escolhido como o de uma primeira série de publicações de Trabalhos Finais, considerados de excelente qualidade, desenvolvidos por alunos finalistas.
Citação que é, mais do que suficiente, para se aquilatar do interesse do mesmo.

Perspetiva 2 – 1780. [Visualização dos três Colégios estudados, nos finais do séc. XVIII]. Op. cit., pág. 199
Simão Rodrigues [um] dos fundadores da Companhia [de Jesus] fundava em 1542 o Colégio de Jesus em Coimbra para a preparação dos missionários do oriente.
A construção do Colégio de Jesus de Coimbra, também denominado das Onze Mil Virgens, foi iniciada em 1547 a partir de uma primeira planta desenhada por um arquiteto não identificado do rei D. João III. Esta planta seria modificada em 1560, sob a direção do mesmo arquiteto, de forma a acomodar-se melhor à boa ordem, disciplina e desafogo que exiria uma casa religiosa destinada a recolher duzentas pessoas.
No entanto, a primeira fase da construção não terá corrido com a celeridade certamente desejada. Com efeito, foi possível obter na Biblioteca Nacional de Paris, plantas dos dois pisos do Colégio de Jesus de Coimbra e da respetiva igreja, às quais se pode atribuir a data próxima de 1568 ou 1569, que diferem em alguns pontos importantes da disposição geral definitiva adotada na construção do colégio.
…. Atendendo à descrição do Pde. Francisco Rodrigues na sua História da Companhia de Jesus na Assistência de Portugal, respeitante ao processo evolutivo da planta deste colégio, é possível fazer corresponder as plantas de Paris às alterações do esquema do Colégio das Artes efetuadas posteriormente ao início das obras do mesmo, no próprio ano de 1568 ou já em 1569.
Deste modo, ainda terá sido possível integrar a parte do Colégio de Jesus já levantada até essa data no esquema do edifício definitivo, o que leva a supor qua a sua construção estaria muito pouco adiantada na altura, ou seja, vinte anos depois de supostamente ter começado.
Erguendo-se o colégio nos terrenos cedidos pelo rei, sobre a vertente norte da Alta da cidade, os jesuítas tiraram máximo partido de uma posição aparentemente pouco favorável, voltando a sul as fachadas do colégio e da igreja de forma a fazerem frente para a cidade construída, definindo e limitando o antigo Largo da Feira.
Gravura de 1732 que mostra o complexo colegial da Companhia de Jesus em Coimbra… Op. cit., pág. 20
…. A fachada da igreja, cujo corpo se insere no volume edificado do colégio, avança oito metros relativamente ao plano da frente principal do mesmo, voltada a sul. Esta disposição, em que a igreja assume um protagonismo conotado com a missão apostólica da congregação, representa uma evolução perante os planos originais em que a frente da igreja alinhava com a frente do colégio. A evolução mais significativa, contudo, prende-se com o desvio da axialidade da igreja. Enquanto que nas plantas de Paris o corpo da igreja é simétrico em relação ao edifício colegial, como seria natural … já na solução construída a igreja coloca-se em alinhamento diferente, chegando-se para o lado esquerdo da frente edificada do conjunto. Este desvio provocou uma série de alterações, de uma situação para a outra, na colocação funcional e dimensão relativa dos diversos pátios interiores que constituem o negativo "vazio" da estrutura “cheia” do edifício.

Fachada da Sé Nova, antiga Igreja do Colégio de Jesus, no enfiamento da Rua dos Loios. Op. cit., pág. 20
Esta deslocação só pode ser explicada pela necessidade de rematar o Largo da Feira, colocando-se a fachada da igreja (hoje Sé Nova) no prolongamento de duas antigas ruas que nele desembocavam. Tratava-se da mais tarde denominada Rua dos Loios, adjacente ao colégio homónimo, também frontal ao Largo, e da Rua do Marco da Feira, que vinha do Castelo.
Lobo, R.P.M. Os Colégios de Jesus, das Artes e de S. Jerónimo. Evolução e Transformação no Espaço Urbano. 1999. Coimbra, Departamento de Arquitetura da Faculdade de Ciências e Tenologias.
Quando os primeiros jesuítas, chefiados por Simão Rodrigues vieram para a cidade do Mondego, em 1542, com o objetivo de fundar o colégio donde sairiam tantos missionários para terras do Brasil e do Oriente, estariam bem longe de supor que a igreja construída com tanto desvelo e rigor acabaria por ser a Sé Catedral de Coimbra.
A construção da igreja, que havia de servir não só para o colégio, mas para envolver e catequizar o povo de Coimbra, iniciou-se em 1548, inaugurando-se a nave em 1 de janeiro de 1640, sendo dedicada ao Santíssimo Nome de Jesus. Teve como arquiteto Baltazar Álvares que executou outros projetos para a Companhia de Jesus e seguiu de perto a planta da igreja do Gesù, de Roma, concebida por Vignola, segundo modelo anterior. A planta é a que melhor servia aos propósitos da Companhia: ampla nave central, bem iluminada, com capelas nos flancos, obscurecidas. A atenção da assembleia podia centrar-se toda no grande espaço e no altar-mor no topo, bem como nos púlpitos que, em local estratégico da nave, possibilitavam uma boa audição da palavra inspirada dos pregadores. Ao contrário de outras igrejas da Companhia, em Coimbra as capelas laterais têm a mesma altura da nave, o que confere ao conjunto arquitetónico impressionante rigor e monumentalidade. Entre estas destaca-se a do meio, do lado nascente – fugindo à tradição de orientar as igrejas, isto é, voltar as fachadas a poente e as cabeceiras a oriente, os jesuítas preferiram erguer a fachada para sul, o que lhes possibilitava ter mais luz na nave central, ainda mais potenciada pela cúpula, no transepto.
Esta capela foi dedicada a S. Francisco Xavier e patrocinada por Francisco da Fonseca, lente de Leis na Universidade de Coimbra, nela tendo ficado sepultado em 1631, bem como sua mulher, em 1661. Deixou os seus bens para dotação e ornamento da mesma, trabalho que somente se concluiu em 1688.
Não foram fáceis os tempos para os jesuítas na Europa, acabando por expulsos de vários países, e vendo por fim ser extinta a Companhia de Jesus pelo papa Clemente XIV, em 1773. Em Portugal, o campeão do antijesuitismo foi o Marquês de Pombal que determinou a prisão e expulsão dos seus membros em 1759. O colégio de Coimbra foi encerrado e a igreja ficou abandonada. Só em 1772, estando o Marquês de Pombal a reformar a universidade, passou uma provisão, cedendo a igreja ao cabido catedralício para sé, com anexos da sacristia e claustro.

Sé Nova capela de S. Tomás de Vila Nova
Algumas alterações foram operadas no edifício para a nova função. A capela de S. Francisco Xavier viu o seu titular ceder o lugar a S. Tomás de Vila Nova, santo levantino muito da devoção dos cónegos, a que havemos de voltar. No nicho central do retábulo colocaram a sua imagem, vinda da Sé Velha, paramentado de pluvial, mitra e báculo.

Sé Nova, imagem de S. Tomás de Vila Nova
A capela é totalmente revestida de talha dourada, solução muito característica do barroco português, ao jeito das igrejas todas de ouro que enchiam de espanto os estrangeiros que nos visitavam. A obra foi contratada pelo entalhador de Lisboa Matias Rodrigues de Carvalho, em 10 de agosto de 1682 e é de excecional qualidade, mesmo a melhor de quantos retábulos desta época há na cidade.

Sé Nova, capela de S. Tomás de Vila Nova colunas

Sé Nova, capela de S. Tomás de Vila Nova colunas, pormenor
O retábulo segue o tipo nacional ou D. Pedro II, com colunas espiraladas, prolongando-se na parte superior em arquivoltas e deixando amplo nicho central. As colunas são revestidas de parras, gavinhas, cachos de uva e aves debicando, de talhe fortemente naturalista.

Sé Nova, capela de S. Tomás de Vila Nova tecto
O tecto é totalmente revestido de caixotões, tendo ao centro um tondo com anjos exibindo uma coroa.
A talha alastra para as paredes laterais, onde se abrem dois nichos afrontados, conservando as imagens de S. Estanislau Kostka e S. Luís Gonzaga, de grande qualidade – obras primas dentro de uma obra prima.
Resumindo: a atual capela de S. Tomás de Vila Nova na Sé de Coimbra é uma destacável obra de arte, uma obra prima que muito enriquece o património artístico da cidade e da diocese.
Nelson Correia Borges
In: Correio de Coimbra, de 2018.10.06
Os caloiros que iniciaram a licenciatura em Ciências Físico-Químicas em 1963, reuniram-se ontem e mais uma vez, desta feita em Coimbra. Do programa constou missa e a recordação da bênção das pastas e ainda uma visita ao Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, num retorno aos locais onde tiveram das suas primeiras aulas.
Para esta visita – que se recomenda a quem ainda a não fez – foi elaborado o pequeno guião que aqui se divulga.
Breve síntese histórica
O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra ocupa atualmente dois edifícios: o Laboratorio Chimico e o Colégio de Jesus. Ambos pertenceram ao Colégio dos Padres Jesuítas, também denominados Apóstolos (o nome perpetua-se na Couraça) e ao Colégio das Artes. A primeira pedra do Colégio dos Jesuítas foi lançada no dia 14 de abril de 1547 e a igreja, riscada pelo arquiteto Baltazar Álvares, membro da Companhia; a sua construção iniciou-se em 1598 e prolongou-se durante um século.
Colégio de Jesus e Colégio das Artes em 1732 (gravura de Carlo Grandi)
O Colégio das Artes, entretanto criado por D. João III, ocupou, num primeiro momento, espaços pertencentes a Santa Cruz e foi entregue aos Jesuítas no ano de 1555, ainda antes do edifício (que se ergue quase paredes-meias com o dos Apóstolos e fora iniciado em 1568) estar concluído.
Os imóveis encontravam-se ligados por dois pequenos corpos de passadiço, perpendiculares à fachada oriental. Um fazia comunicar o Colégio de Jesus com o Colégio das Artes e o outro ligava o complexo colegial ao edifício onde, graças aos trabalhos arqueológicos recentemente efetuados, se ficou a saber que estava instalada a sala do refeitório bem como, provavelmente, as cozinhas e a ucharia, ou seja, estamos a referir-nos ao atual Laboratório Chimico.
Os Jesuítas de Coimbra gozaram por pouco tempo da sua igreja e das restantes estruturas, porque, em 1759, foram expulsos do país, o colégio extinto e os bens sequestrados. Os edifícios ficaram abandonados durante treze anos.
Aquando da Reforma Pombalina da Universidade, iniciada em 1772, parte do complexo passou para a posse da Universidade e a igreja, com mais alguns anexos, foram entregues ao Cabido diocesano.
O marquês de Pombal, ao implementar a reforma universitária que, obviamente, necessitava de espaços adequados, apoderou-se de uma parte considerável do Colégio de Jesus. Contudo, ciente da importância do ensino experimental, estava já na posse de planos trazidos de Viena de Áustria por Joseph Francisco Leal destinados à construção do Laboratorio Chimico; no entanto, este projeto não saiu do papel, tendo-o substituído um outro desenhado na Casa do Risco, sob orientação do engenheiro militar tenente-coronel Guilherme Elsden, que se salientou como diretor das Obras da Universidade de Coimbra.
Fachada do Laboratorio Chimico, desenho de G. Elsden e R. F. de Almeida, 1777 in Franco, M.S. “Riscos das Obras da Universidade de Coimbra”, Museu Nacional Machado de Castro, Coimbra, 1983.
Trata-se de um edifício de grande qualidade, muito elegante e onde se destaca o frontão central, em corpo avançado sobre colunas. No entanto, o projeto original do coroamento do edifício foi alterado e só lhe foi aposto no século XIX.
Guilherme Elsden foi também o responsável pela adaptação dos edifícios preexistentes destinados a acolherem os Gabinetes de História Natural e de Física Experimental.
A estrutura vira para o Largo do Marquês de Pombal e mostra uma longa fachada de 110 metros de comprimento, de nobres linhas protoneoclássicas, onde se salienta o corpo central, coroado por frontão triangular preenchido por um belo relevo da autoria de Joaquim Machado de Castro, representando a Natureza e cinzelado pelo escultor António Machado. Nos gradeamentos das ventanas pode observar-se um pequeno medalhão com o busto do marquês de Pombal.

Frontão alegórico
No interior destaca-se a escadaria de aparato e os alizares de azulejo.
Refira-se ainda que nas alas norte e poente do Colégio funcionaram, inicialmente, os Hospitais da Universidade de Coimbra.
Os objetivos pedagógicos que então se pretendiam atingir encontram-se bem expressos nos Estatutos Pombalinos, datados de 1772, onde se lê que “os estudantes não somente devem ver executar as experiências, com que se demonstram as verdades até ao presente, conhecidas … mas também adquirir o hábito de as fazer com sagacidade e destreza, que se requer nos Exploradores da Natureza”.
A adaptação dos dois imóveis a Museu da Ciência ocorreu nos primeiros anos do presente século, tendo a primeira fase sido inaugurada em 2006 sob projeto de João Mendes Ribeiro, Carlos Antunes e Desirée Pedro. Trabalhos que visaram, essencialmente, reconduzir os espaços ao seu aspeto inicial.
Está classificado, desde 2016, como Sítio Histórico pela Sociedade Europeia de Física.
Recordamos que foi nestes espaços, nos idos dos anos 60, que os caloiros que então eramos, tiveram as primeiras aulas da licenciatura em Ciências Físico-química.
A nossa visita
A duração prevista é de cerca de uma hora segundo o seguinte percurso:
- Gabinete de Física
Foi equipado com seis centenas de máquinas que representavam o que de melhor e mais moderno então existia no campo da investigação científica. Cada uma delas tinha uma conceção que a tornava adequada a um dos capítulos do programa descrito no curso redigido por Dalla Bella.
O Gabinete de Física de Coimbra, mostra bem a profunda influência que as ideias e os instrumentos provenientes das mais diversas zonas da Europa tiveram em Portugal no século das luzes. O que resta dos instrumentos pertencentes ao Gabinete do século XVIII considera-se, atualmente, verdadeiras obras de arte, valorizadas pela riqueza dos materiais e pela perfeição da execução. Ocupam ainda as salas e o mobiliário primitivo, permanecendo no seu espaço de origem e mantendo as suas características específicas desde o tempo da fundação; constituem uma coleção de instrumentos científicos e uma representação notável da evolução da Física nos Séculos XVIII e XIX.
Visitamos o anfiteatro e as salas Figueiredo Freire (séc. XIX) e Dalla Bella (séc. XVIII).
- Gabinete de História Natural
Por força dos Estatutos Pombalinos da Universidade, datados de 1772, os professores da Faculdade de Filosofia deviam coordenar a recolha das espécies. O espólio assim obtido incorporou inicialmente a coleção privada de Vandelli e foi muito enriquecido com a Viagem Philosofica à Amazónia realizada por Alexandre Rodrigues Ferreira.
Os espécimes encontram-se organizados por regiões com recurso às técnicas de conservação e exposição então em uso.
Visitamos as salas das viagens, do mar, de África, das avestruzes e de Portugal.
- Laboratório Chimico
Encontra patente neste edifício a exposição Segredos da luz e da matéria que trata este tema a partir dos objetos e instrumentos científicos das coleções da Universidade de Coimbra, uma das mais notáveis e raras da Europa. Um conjunto de experiências e módulos interativos possibilitam a observação de fenómenos, desde a experiência de decomposição da luz, de Newton, até à neurobiologia da visão.
BORGES. Nelson Correia, Coimbra e região, Lisboa, Presença, 1987.
CORREIA, Vergílio; GONÇALVES, António Nogueira, Inventário artístico de Portugal. Cidade de Coimbra, Lisboa, Academia Nacional de Belas Artes, 1947.
DIAS, Pedro; GONÇALVES, António Nogueira, O património artístico da Universidade de Coimbra, Coimbra, Universidade de Coimbra, 1991.
VASCONCELOS, António de, Escritos vários, vol. I, Coimbra, AUC, 1987 [Reedição].
http://www.museudaciencia.org/index.php?module=content&option=museum&action=project&mid=5
http://www.museudaciencia.org/index.php?module=content&option=museum
Conforme oportunamente foi anunciado realizou-se hoje, numa organização do blogue A’Cerca de Coimbra, a visita guiada orientada pelo Professor Doutor Nelson Correia Borges, a qual contou com a presença de cerca de 60 pessoas, cuja participação atenta é de assinalar e agradecer.
Agradecemos, de novo, os apoios que permitiram a realização deste evento, a saber: Paróquia da Sé Nova, Câmara Municipal de Coimbra Pelouro da Cultura, Clube de Comunicação Social de Coimbra, Grupo de Arqueologia e Arte do Centro e os blogues "Cromos", Personalidades e Estórias de Coimbra, Coimbra antiga e moderna, Coimbra Moderna, Bairro Norton de Matos, Coimbra livre e aberta a todos, Penedo da Saudade Tertúlia.
A visita teve os seguintes momentos:
1.– Introdução histórica.
4.– Espaço litúrgico. Características.
Uma palavra muito especial de agradecimento do Senhor Professor Doutor Nelson Correia Borges.
Da folha de apoio à visita e da própria visita ficam as seguintes imagens.

Planta da igreja, antes da ampliação

Festa de N. Senhora da Boa Morte

Visita

Visita

Visita
Roteiro dos visitantes

Sé Nova planta
1 – Escadaria de vários degraus, em forma poligonal
2 – Átrio, sob o coro ... guarda-vento porticado, setecentista
3 – Nave ... num austero programa de formas arquitetónicas maneiristas, italianas
4 – Capela de Santa Maria Madalena ... Pia batismal, manuelina, de feições ainda góticas
5 – Capela de Sant’António ... Tem entablamento, no qual sobressaem duas mísulas, que são continuadas no corpo superior, por duas pilastras, onde figura Nossa Senhora
6 – Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, ou da Ressurreição de Cristo ... duas telas alusivas ao Senhor Ressuscitado, que quis aparecer, em presença real, à Vigem Maria, Sua Mãe ... notável escultura da virgem e mártir conimbricense da Reconquista, Santa Comba
7 – Capela de Sant’Inácio de Loiola, fundador da Companhia de Jesus ... dez imagens de vulto, com doçura nos rostos e quietude nas atitudes.
8 – Púlpitos ... posicionam-se de frente, para que dois pregadores participassem, simultaneamente, no desenvolvimento da temática tartada, num diálogo, por vezes cerrado, pois, um expunha pontos doutrinários que, por sua vez, um outro rebatia, proporcionando, por isso, benéficos confrontos argumentativos
9 – Retábulo do braço poente do transepto ... preenche todos os espaços da parede: na parte central ... encontram-se dois grandes armários relicários, aos quais se sobrepõem as esculturas dos evangelistas São Marcos e São Mateus

Retábulo da glorificação da Virgem Maria
... composição retabular da glorificação da Virgem Maria, representada num painel policromo, central, de tamanho natural
10 – Sacristia ... retangular, com abóbada de tijolo, semicircular, e janelas ornadas d grinaldas ... nas paredes ... quinze telas seiscentistas, em fiadas sobrepostas, alusivas, quer à vida de Sant’Inácio de Loiola, quer de São Francisco Xavier ...além de duas grandes tábuas de meados de Quinhentos: a Circuncisão de Jesus ... e Natividade
11 – Capela colateral ... com retábulo setecentista
12 – Capela-mor foi prolongada no século XVIII, logo que ficou pertença da diocese ... o retábulo do fundo barroco, ligeiramente côncavo, de finais de Seiscentos, tem um par de grandes colunas nas extremidades, torcidas, enramadas de pâmpanos, com aves do paraíso, grossas uvas em cacho e «putti», com instrumentos musicais ou participando noutras tarefas infantis ... Sant’Inácio de Loiola, São Francisco Xavier – em dimensões naturais – São Francisco de Borja ... Sant’Estanislau Kostka, já menores ... Na parece central, uma tela seiscentista, do Presépio
13 – Capela colateral ... retábulo setecentista, pequeno
14 – Cúpula majestosa pelas grandezas volumétricas .. culminar os abobadamentos das linhas axiais ali cruzadas ... coroado pelo lanternim
15 – Retábulo ... do braço nascente ... similar ao que lhe fica diante ...na composição central, tem a Sagrada Família ... em dimensão natural ... os outros dois evangelistas, São Lucas e São João
16 – Capela do Santíssimo Sacramento, também chamada da Santíssima Trindade, forma-se de dois corpos sobrepostos: o primeiro tem ... uma tela de Nossa Senhora da Conceição ... no corpo superior ... a tela da Trindade Santíssima
17 – Capela de São Francisco Xavier ... magnifico trabalho, situado na transição dos retábulos clássicos aos barrocos

Predela com evocação de São Francisco Xavier
18 – Capela da vida de Virgem ... muitos episódios marianos ... Glorificação da Virgem, Anunciação, Sagrada Família, Visitação, bem assim da Coroação ... singular escultura de vulto, da Conceição
19 – Capela de Nossa Senhora das Neves ... quase nada se sabe do primitivo retábulo ... foi substituído na terceira década do século XVIII
20 – Torres sineiras ... subsistem sinos com símbolos jesuíticos
21 – Claustro ... de boa mas severa composição, do século XVII.s
Coutinho, J.E.R. 2003. Sé Nova de Coimbra. Colégio das Onze Mil Virgens – Igreja dos Jesuítas. Coimbra, Paróquia da Sé Nova, pg. 40-87
Partindo dos elementos da fachada, nota-se que se distribuem através do plano vertical, com pequeno jogo de volumes, pois, compõem-se de pilastras dóricas, ficando, nos três espaços centrais, as três portas de frontões, que são sobrepujadas por outras tantas janelas, também superiormente decoradas; nos dois laterais, há quatro nichos, com as imagens de santos jesuítas dos primeiros tempos, figurando Sant’Inácio, São Luís Gonzaga, São Francisco Xavier e São Francisco de Borja, respetivamente distribuídos em grupos, a cada lado.

Sé Nova, fachada
Logo por cima, tem lugar o corpo superior, mais estreito, conforme previam os cânones epocais, oito por dois agrupamentos de pilastras jónicas, sustentando frontões interrompidos, além daquele central, mais elevado, num espaço preenchido pelas armas heráldicas nacionais. Três grandes janelas iluminavam a nave; duas outras, como que flanqueiam aqueles símbolos portugueses.
Felizmente, harmonizam as diferenças de largura duas enormes aletas fitomórficas, que quase chegam à base das esculturas dos apóstolos São Pedro, bem como de São Paulo, qualquer delas em dimensões correspondentes ao dobro do que seria natural.
Grandiosos pináculos piramidais, alongados, e terminados em composições esferoidais, parecem indicar a suprema projeção da cruz redentora, colocadas no topo da composição frontal.
Vista no geral, a vastíssima nave, tipo salão de reconhecida largueza, cheia de luz, é de quatro tramos, também divididos por pilastras dóricas aos pares, que suportam grandes entablamentos: entre cada conjunto lateral, abrem-se capelas nos flancos, cujas entradas são de pilastras iguais às mencionadas. Comunicam entre si, de modo que há como que corredores estreitos, longitudinais às linhas axiais da mesma nave.

Sé Nova, nave
Realçam-se, mais ainda, certos aspetos arquitetónicos: às pilastras correspondem, nos abobadamentos, arcos torais de menor teor, nos quais se fazem apoiar os caixotões, que formam, por tramo, três ordens, com onze cada.
Todavia, nas abóbadas dos braços do transepto, bem assim da capela-mor, têm tramos mais curtos, somente de duas ordens de treze quartelas.
Justamente, depois, a cúpula do cruzeiro, sem tambor intermédio, reproduz uma portentosa configuração hemisférica, composta de cinco notáveis ordens de caixotões, tendo seis cada qual. Também assenta num entablamento, circular, apoiado nos arcos, por intermédio de triângulos esféricos, e termina por um lanternim; externamente, fica posicionada num maciço quase cúbico.
Coutinho, J.E.R. 2003. Sé Nova de Coimbra. Colégio das Onze Mil Virgens – Igreja dos Jesuítas. Coimbra, Paróquia da Sé Nova, pg. 35-38
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